Pesquisa testa proteínas quiméricas para avaliar cura da doença de Chagas após tratamento

O declínio dos títulos de anticorpos específicos para o Trypanosoma cruzi, em pacientes com diagnóstico de doença de Chagas crônica que fizeram tratamento, foi avaliado em estudo, utilizando proteínas quiméricas. A pesquisa, de coorte transversal prospectiva entre os anos de 2000 e 2004, envolveu participantes com diagnóstico positivo para T. cruzi, da região de Añatuya, na Argentina, e que foram tratados com benznidazol. O trabalho foi realizado pela estudante de doutorado do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa, Tycha Bianca Sabaini Pavan, e coordenado pelo pesquisador Fred Luciano Neves Santos, da Fiocruz Bahia.

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido por diversas vias, como os vetores triatomíneos (insetos infectados), o consumo de alimentos e bebidas contaminadas, de mãe para filho, transfusões de sangue, transplantes de órgãos e, menos comumente, acidentes laboratoriais. O seu tratamento pode ser feito com dois medicamentos: benznidazol e nifurtimox.

Algumas lacunas dificultam o progresso na erradicação da doença. Uma delas é a inexistência de um teste que possa avaliar com eficiência a cura após o tratamento. Atualmente, o declínio de anticorpos contra o T. cruzi é avaliado com testes sorológicos convencionais, que podem levar anos. Por isso, a procura de novos marcadores de cura se faz necessária.

A pesquisa contou com amostras de soro de dez pacientes coletadas antes do tratamento (dia zero) e após o término do tratamento (2, 3, 6, 12, 24 e 36 meses). Para a detecção de anticorpos anti-T. cruzi, foi utilizado o método ELISA indireto, com duas proteínas quiméricas recombinantes (IBMP-8.1 e IBMP-8.4) como antígenos de captura. As alterações no índice de reatividade entre os grupos antes e após o tratamento foram avaliadas pelo teste de Friedman.

Nos resultados, foi observada uma diminuição nos títulos de anticorpos séricos dos participantes após o tratamento com benznidazol, especialmente IBMP-8.1. Porém, devido ao pequeno número de amostras e ao curto período de acompanhamento, os pesquisadores avaliaram que é prematuro concluir que esta molécula sirva como critério para determinar uma cura sustentada. Além disso, os resultados apontam a necessidade de mais estudos para validar testes baseados nesses ou em outros biomarcadores para demonstrar a cura parasitológica.

Os pesquisadores avaliam que os resultados encontrados podem ser um ponto de partida interessante para investigações adicionais comparando o comportamento pós-tratamento com diferentes tipos de antígenos quiméricos e diferentes composições de epítopos. Mais estudos com maior período de acompanhamento são necessários para confirmar a hipótese de que o IBMP-8.1 e o IBMP-8.4 podem ser úteis para verificar uma redução de sinal nos títulos séricos e, portanto, podem ser usados como critério de cura pós-terapêutica na doença de Chagas crônica.

O trabalho completo pode ser encontrado no periódico Folia Parasitologica.

Reportagem: Jamile Araújo, com supervisão de Júlia Lins.

twitterFacebookmail
[print-me]

Inscrições abertas para estágio não obrigatório na Fiocruz Bahia

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está com as inscrições abertas para seleção de estagiários. A Fiocruz Bahia está com cinco vagas disponíveis nos perfis listados abaixo. As inscrições começam nesta terça-feira (9/4) e vão até o dia 30 de abril.

Clique aqui para realizar a inscrição.

Clique aqui para conferir o edital, que também está disponível na página do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).

Confira:

Nível superior

Administração, secretariado ou gestão de recursos humanos
Requisito: bacharel do 3º ao 7º período/ tecnólogo do 2º ao 3º período
Carga horária: 30 horas – manhã
Bolsa auxílio de R$1.125,69 + transporte de R$10,00 por dia

Administração ou secretariado
Requisito: bacharel do 3º ao 10º período
Carga horária: 30 horas (manhã ou tarde)
Bolsa auxílio de R$1.125,69 + transporte de R$10,00 por dia

Biblioteconomia
Requisito: bacharel do 3º ao 10º período
Carga horária: 20 horas (manhã ou tarde)
Bolsa auxílio de R$787,98 + transporte de R$10,00 por dia

Nível médio 

Técnico em refrigeração e ar-condicionado 
Requisito: 1º ao 4º ano
Carga horária: 20 horas (manhã e tarde)
Bolsa auxílio R$486,05 + transporte de R$10,00 por dia

Técnico em automação industrial
Requisito: 1º ao 4º ano
Carga horária: 20 horas (manhã ou tarde)
Bolsa auxílio de R$486,05 + transporte de R$10,00 por dia

twitterFacebookmail
[print-me]

Conferência debateu propostas para promover equidade de raça e gênero na Ciência e Tecnologia

A Conferência Livre de Ciência, Tecnologia e Inovação foi realizada no dia 03 de abril, no auditório do Departamento de Educação da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), em Salvador. Com o tema “Equidade de Raça e Gênero: Fator propulsor do Desenvolvimento Sustentável”, o evento faz parte dos preparativos para a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, e envolveu diferentes setores da sociedade como pesquisadores(as), acadêmicos(as), profissionais, estudantes, membros da sociedade civil e outros grupos sociais.

Além de contribuir com as discussões da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, foram indicadas(os) representantes para participar da 5ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (CECTI), realizada nos dias 04 e 05 de abril, com o tema “Por Uma Bahia Mais Inovadora”, organizada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI).

No período da manhã, aconteceu a mesa de abertura Institucional, e o painel “CT&I na Saúde de Pessoas Negras, Indígenas e Povos Comunidades Tradicionais: o papel das lideranças”. A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, fez uma apresentação com dados sobre desigualdade de gênero e raça no Brasil relacionados a temas como trabalho, saúde e violência. Além disso, apontou desafios para superação das desigualdades e promoção de políticas públicas para promover a equidade de raça e gênero.

“É muito importante estarmos atentos às políticas que possam promover a eliminação do racismo, a redução das desigualdades sociais, da desigualdade de gênero, para que todos nós tenhamos saúde, bem-estar, com acompanhamentos clínicos preventivos adequados. Além da redução das dificuldades administrativas, de raça e gênero, e nesse caso cito a importância de estarmos em cargos de poder. E o mais importante, a redução da violência para que nós possamos sobreviver e fazer parte dessa sociedade que é tão cara pra todos nós”, ressaltou Marilda.

Marilda destacou a importância do encontro e da elaboração de um documento que registre todas as necessidades e direitos. “Para que a gente realmente possa fazer uma ciência de qualidade, para que ela seja viva e que todos nós possamos contribuir com o que nós sabemos de melhor, de cada um, de cada família, dos nossos pertencimentos”, pontuou.

Augusto Sérgio dos Santos São Bernardo, assessor chefe do Gabinete da Reitoria da UNEB, ressaltou que a equidade de raça e gênero faz parte do eixo central para pensar ciência e tecnologia. “Estamos em um estágio importante da produção do conhecimento, que se traduz na busca de soluções sustentáveis, como propõe a conferência estadual. Temos uma receita fundamental para pensar em inovação tecnológica na Bahia, que é juntar todos esses marcadores de maneira transversal”.

Em sua fala, o presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia, Marcos Sampaio, refletiu sobre o papel da liderança negra e o papel da ciência na vida das pessoas negras. “O primeiro papel da liderança negra é resistir, pois as nossas habilidades, os nossos conhecimentos, estão sempre à prova”.

Marcos destacou também que o racismo é o maior agravo que atinge a população do país devido ao seu impacto na saúde mental. “Muitas pessoas, por conta do racismo, chegam na depressão. E a depressão leva também as pessoas a comerem mal, a se cuidarem mal, a ficarem sedentárias. E com isso as pessoas param de sonhar, param de viver, isso acumula doenças, e são determinantes que muitas vezes não são discutidos” concluiu.

Já no período da tarde houve dois painéis com os temas: “Educação, Políticas Afirmativas e o Fomento de Políticas Públicas para CT&I”; e “Tecnologias e Inovação para Equidade Racial e de Gênero na CT&I”.

A ação faz parte do eixo 4 – Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social – tem como principal objetivo sistematizar contribuições e propostas que possam auxiliar, de forma efetiva, na ampliação da participação de pessoas negras, indígenas e povos e comunidades tradicionais na área de Ciência, Tecnologia e Inovação, indicando caminhos para a construção de políticas públicas de incentivo à formação de pesquisadores(as), fomento à pesquisa e a ocupação dos espaços acadêmicos e de decisão, superando barreiras e dificuldades enfrentadas nos mais diversos âmbitos da sociedade.

As Conferências são promovidas pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e são importantes espaços de informação e conhecimento de excelência criados com o objetivo de contribuir para a melhoria da CT&I brasileira. Elas podem ser realizadas em âmbito municipal, estadual, temática, ou em qualquer outra configuração que estimule a participação social das instituições envolvidas.

Esta edição é fruto de uma parceria entre a Fiocruz Bahia, a Associação de Pesquisadores Negros da Bahia (APNB), o Centro de Estudos dos Povos Afro-Indígenas Americanos da Universidade Estadual da Bahia (CEPAIA – UNEB), o Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-UFBA), a Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI). Participaram das mesas e paineis representantes da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN); docentes e representantes da UNEB; da Unilab (Campus dos Malês); da UFBA; da UFRB; do Conselho Estadual de Saúde da Bahia; da Fiocruz Piauí; da FAPESB; do Centro Ref. Doença Falciforme/Hemoba.

Para saber mais sobre a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação clique aqui.

Foto: Caique Fialho e Jéssica Guanabara

twitterFacebookmail
[print-me]

Abertas as inscrições do edital de iniciação científica – Fapesb 2024

A Coordenação do Programa Institucional de Iniciação Científica (PROIIC) da Fiocruz Bahia torna público o Edital PIBIC FAPESB – 2024, do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica (PIBIC), apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), através do sistema de cotas institucionais, em conformidade com a Resolução Nº 003/2020 – Norma específica para Bolsas na modalidade de Iniciação Científica da FAPESB.

O Programa concederá bolsas da cota institucional FAPESB/Fiocruz, com duração de 12 meses, podendo se candidatar alunos de graduação regularmente matriculados em instituições de ensino superior localizadas no estado da Bahia. As inscrições podem ser realizadas de 03/04 a 03/05/2024.

Clique aqui e consulte o edital.

twitterFacebookmail
[print-me]

Dissertação avalia prevalência da hepatite E em pacientes imunocomprometidos

Estudante: Luíza Araújo de Santana Cavalcanti
Orientação: Luciano Kalabric Silva
Título da dissertação: PREVALÊNCIA DA INFECÇÃO PELO VÍRUS DA HEPATITE E (HEV) EM PACIENTES IMUNOCOMPROMETIDOS QUE REALIZARAM TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS SÓLIDOS E MEDULA ÓSSEA
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 05/04/2024
Horário: 09h00
Local: Sala Virtual do Zoom
ID da reunião: 813 5210 4699
Senha: luiza

Resumo

INTRODUÇÃO: O SARS-CoV-2 possui quatro proteínas estruturais (S, M, N e E) e 16 não estruturais, alvos da resposta imune humoral e celular, especialmente a proteína S. As vacinas anti-SARS-CoV-2 no Brasil foram formuladas com adenovírus contendo DNA de S (ChAdOx1), RNA de S (BNT162b2) e vírus inativado (CoronaVac). Mutações na proteína Spike originaram as variantes Gama, Delta e Ômicron, que apresentam alterações no sítio de ligação de anticorpos neutralizantes, resultando no escape da resposta imune. Além disso, há uma redução nos títulos de anticorpos meses após a vacinação. Há lacunas sobre o impacto dessas mutações nos epítopos de linfócitos T CD8+ e no papel dos linfócitos na proteção contra variantes do vírus, considerando as diferentes plataformas de vacinação. OBJETIVO: Caracterizar a resposta dos linfócitos T aos peptídeos do SARS-CoV-2 em indivíduos imunizados com diferentes plataformas vacinais. Especificamente, predizer in silico regiões imunodominantes nas sequências S, M e N das variantes Gama, Delta e Ômicron do SARS-Cov-2 para linfócitos T CD8+ e quantificar a proporção de linfócitos T e magnitude da resposta aos epítopos das proteínas Spike, estruturais e não estruturais das variantes e da cepa original de Wuhan do SARS-CoV-2 em indivíduos imunizados com plataformas vacinais diferentes. MATERIAL E MÉTODOS: Os epítopos das regiões imunodominantes das sequências de consenso das proteínas S, M e N das variantes Gama, Delta e Ômicron foram preditos a partir da probabilidade de apresentação aos linfócitos T CD8+, afinidade com as moléculas de HLA da população brasileira e antigenicidade positiva, através dos softwares NetCTLpan, NetMHCpan e Vaxijen. Em seguida, a quantificação de linfócitos T produtores de IFN-y em resposta aos epítopos das proteínas do SARS-CoV-2 foi realizada por ELISPOT em três grupos vacinados contra SARS-COV-2 pelas plataformas CoronaVac (n=7), ChAdOx1 (n=8) e BNT162b2 (n=9). O número de células formadoras de spots (CFS) em resposta aos epítopos foi comparado entre os grupos. RESULTADOS: Foram identificadas 17 regiões imunodominantes na sequência de referência da proteína Spike. Dessas, 14 permaneceram conservadas nas variantes Gama, 16 na Delta e 12 na Ômicron. Nas proteínas M e N, apenas a variante Ômicron apresentou nova região imunodominante. Mutações em regiões imunodominantes rresultaram em mudanças na antigenicidade, com ganho de regiões exclusivas ou perda, sendo a proteína Spike a mais variável, especialmente da variante Ômicron. As regiões imunodominantes mutadas passaram a ser reconhecidas por novas moléculas de HLA. Indivíduos vacinados com CoronaVac, ChAdOx1 e BNT162b2 exibiram números de CFS semelhantes aos epítopos das proteínas do SARS-CoV-2 original e da proteína S da variante Gama. A vacina BNT162b2 demonstrou um número maior de CFS para a proteína S da variante Delta, além de uma magnitude de resposta mais elevada às proteínas do SARS-CoV-2. CONCLUSÃO: As regiões imunodominantes das sequências S, M e N das variantes Gama, Delta e Ômicron do SARS-CoV-2 demonstram conservação em relação à sequência de referência da cepa original de Wuhan. Variações decorrentes das mutações foram mais frequentes na proteína Spike da variante Ômicron. As vacinas CoronaVac, ChAdOx1 e BNT162b2 elicitam respostas de linfócitos T produtores de IFN-γ semelhantes aos epítopos de Wuhan e Gama. Vacinados com BNT162b2 apresentam uma maior proporção de linfócitos respondedores aos epítopos de S da variante Delta, além de uma magnitude de resposta superior.

twitterFacebookmail
[print-me]

Pesquisa relaciona perfil de anticorpos a formas clínicas da doença de Chagas crônica

Um estudo investigou uma correlação entre o perfil de anticorpos de indivíduos infectados pelo Trypanosoma cruzi com as formas clínicas da doença de Chagas crônica. O trabalho foi realizado pela estudante Isabela Machado Serrano, pelo Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa e coordenado pelos pesquisadores Mitermayer Galvão dos Reis e Fred Luciano Neves Santos, da Fiocruz Bahia.

Apesar da descoberta da doença de Chagas há 115 anos, questões significativas permanecem sem resposta, particularmente no que diz respeito à identificação de um marcador biológico para avaliar a progressão da doença de manifestações assintomáticas para manifestações sintomáticas específicas do coração e do trato digestório.

O trabalho investigou a eficácia de um antígeno quimérico recombinante de T. cruzi, utilizado como ferramenta diagnóstica para detectar anticorpos anti-T. cruzi em diferentes apresentações clínicas da doença de Chagas, incluindo as formas indeterminada, cardíaca leve e cardíaca grave. Foram analisadas 97 amostras de soro de pacientes classificados nas formas negativa (38), indeterminada (24), cardíaca leve (20) e cardíaca grave (15).

A investigação concluiu que o anticorpo IgG1 apresentou níveis maiores em comparação aos demais, mostrando diferença significativa entre os grupos cardíaca leve e indeterminada. Os níveis de IgG3 foram maiores nos indivíduos do grupo na forma cardíaca leve em comparação com o grupo na forma cardíaca grave. Além disso, aponta que os IgG1 e IgG3 podem servir como biomarcadores para avaliar a progressão da doença de Chagas, porque apresentam variações entre os grupos clínicos. Os resultados destacam a capacidade promissora da molécula IBMP-8.4, utilizada para o diagnóstico, em distinguir os grupos clínicos com base na forma da doença de Chagas.

Confira o estudo completo publicado no periódico “The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene”.

Doença de Chagas

A doença de Chagas é uma condição tropical negligenciada e transmitida por vetores, causada por um protozoário Trypanosoma cruzi. Este parasita impõe uma significativa carga de saúde em 21 países latino-americanos, com aproximadamente 6 a 7 milhões de casos e 7.500 mortes anualmente. Estima-se que 75 milhões de pessoas correm o risco de contrair a doença em todo o mundo.

Em regiões endêmicas, o T. cruzi é transmitido principalmente por contato com fezes ou urina de insetos triatomíneos sugadores de sangue infectados, os conhecidos “barbeiros”, que carregam o parasita em seus intestinos. Outros modos de transmissão incluem a ingestão de alimentos e bebidas contaminados, transplante de órgãos, transmissão de mãe para filho, transfusão de sangue e, menos comumente, acidentes laboratoriais.

twitterFacebookmail
[print-me]

Fiocruz Bahia participará do Festival Pint of Science 2024

A Fiocruz Bahia vai participar do Festival Internacional de Divulgação Científica Pint of Science, que retorna a Salvador neste ano, nos dias 13, 14 e 15 de maio. Com a presença de pesquisadores e especialistas abordando a ciência de forma descontraída e acessível à população, o objetivo do evento é ser um marco para a disseminação do conhecimento na capital baiana.

A sede dos encontros será a Cervejaria Art Malte, localizada no Rio Vermelho, sempre das 19h às 22h. O evento é gratuito e aberto ao público, não sendo necessária inscrição prévia para participar. No local, será cobrado somente o valor do consumo de cada um.

O tema de abertura do Festival, no dia 13, será “Potências Negras: a nossa diversidade faz e move a ciência e a educação”. No dia 14, “Comunicando Ciência: tudo que você queria saber sobre vacina e tinha vergonha de perguntar” e, por fim, no dia 15, o assunto abordado vai ser “A ciência está em tudo: cidadania, arte e inovação”.

Da Fiocruz Bahia, irão participar da programação a diretora Marilda Gonçalves; o coordenador da Gestão em Comunicação e Divulgação Científica, Antonio Brotas; as pesquisadoras Claudia Brodskyn e Viviane Boaventura e o pesquisador Edson Duarte. O evento na cidade é coordenado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Valéria Borges, e o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Denis Soares.

Neste ano, o evento acontecerá simultaneamente em 25 países e em mais de 400 cidades em todo o mundo, 179 delas no Brasil.

História do Festival

O Pint of Science teve início no ano de 2013, em Londres, por iniciativa de estudantes que queriam contar sobre suas pesquisas e os seus resultados positivos utilizando ambientes descontraídos como bares e restaurantes.

No Brasil, o festival chegou no ano de 2015 e, em Salvador, ocorre desde 2017, inicialmente coordenado pelo pesquisador Denis Soares, atual diretor da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal da Bahia. No entanto, este ano o evento estará sob a coordenação local da cientista Valéria Borges, da Fiocruz Bahia.

twitterFacebookmail
[print-me]

Com o tema ‘Equidade de Raça e gênero’, Conferência Livre de Ciência, Tecnologia e Inovação será realizada no dia 03 de abril, em Salvador

Com o tema ‘Equidade de Raça e Gênero: Fator propulsor do Desenvolvimento Sustentável’, a Conferência Livre de Ciência, Tecnologia e Inovação será realizada no dia 03 de abril, das 9h às 17h, no auditório do Departamento de Educação da Universidade Estadual da Bahia – Uneb, localizado na Rua Silveira Martins, 2555 – Cabula, Salvador. O evento, que integra os preparativos da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, é fruto de uma parceria entre a Fiocruz Bahia, a Associação de Pesquisadores Negros da Bahia (APNB), o Centro de Estudos dos Povos Afro-Indígenas Americanos da Universidade Estadual da Bahia (CEPAIA – UNEB), o Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-UFBA), a Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI).

Alinhada às proposições da Conferência Estadual e Nacional, o evento pretende envolver diferentes atores e atrizes da sociedade como pesquisadores(as), acadêmicos(as), profissionais, estudantes, membros da sociedade civil e tantos outros grupos sociais. A ação, que faz parte do eixo 4 – Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social – tem como principal objetivo sistematizar contribuições e propostas que possam auxiliar, de forma efetiva, na ampliação da participação de pessoas negras, indígenas e povos e comunidades tradicionais na área de Ciência, Tecnologia e Inovação, indicando caminhos para a construção de políticas públicas de incentivo à formação de pesquisadores(as), fomento à pesquisa e a ocupação dos espaços acadêmicos e de decisão, superando barreiras e dificuldades enfrentadas nos mais diversos âmbitos da sociedade.

Promovidas pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, as Conferências são espaços de informação e conhecimento de excelência criados com o objetivo de contribuir para a melhoria da CT&I brasileira. Elas podem ser realizadas em âmbito municipal, estadual, temática, ou em qualquer outra configuração que estimule a participação social das instituições envolvidas.

Além de contribuir para as discussões da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a Conferência Livre Equidade de Raça e gênero deverá indicar um(a) representante que participará da 5ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (CECTI), realizada nos dias 04 e 05 de abril, com o tema “Por Uma Bahia Mais Inovadora”, organizada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI).

Realize a sua inscrição clicando aqui
Saiba mais sobre as Conferências clicando no link

twitterFacebookmail
[print-me]

Palestra sobre desinformação na ciência em saúde marca aula inaugural da Fiocruz Bahia

O ano letivo de 2024 da Fiocruz Bahia teve início no dia 15 de março, com a aula inaugural sobre os impactos da desinformação na ciência em saúde. A atividade aconteceu no auditório Aluízio Prata e foi conduzida pela pesquisadora e professora Ana Maria Caetano Faria, diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT) do Ministério da Saúde, que foi recebida pela vice-diretora de Ensino, Claudia Brodskyn. Participaram do evento as coordenadoras e vice-coordenadoras; pesquisadores e estudantes do Programa de Pós-graduação em Patologia (PGPAT – UFBA/Fiocruz Bahia); Programa de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI); e Programa de Pós-graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PPgPCT).

Durante a aula, Ana Maria Caetano falou sobre o termo desinformação e a necessidade dele ser considerado para além de “notícia falsa”, ou seja, além das fake news. A pesquisadora destacou que “a desinformação é um conteúdo intencional, um erro proposital, que é planejado e que causa danos potenciais em indivíduos e grupos, e que hoje requer ação governamental muito séria”. Ela observou ainda que por vezes um conteúdo utilizado na desinformação não é falso, mas é tirado do contexto original.

Ana Maria pontuou que, embora o fenômeno da desinformação tenha tido uma dimensão muito grande em algumas eleições, como no Brasil e nos EUA, e que o negacionismo e a desinformação foram danosos durante a pandemia de Covid-19, o uso da desinformação como estratégia não é novidade. “Esse fenômeno questionou e questiona as normas científicas, a medicina baseada em evidências, e, principalmente, as instituições públicas voltadas para proteção e promoção da saúde”, ressaltou Ana Maria.

“No Brasil, na época da pandemia, a gente viu que houve uma verdadeira guerra política informacional que teve consequências muito devastadoras e tornou mais letal ainda a ação do vírus”, observou a professora. Durante sua apresentação, a palestrante fez uma retomada histórica e trouxe como exemplo estratégias de marketing e iniciativas de desinformação utilizadas contra o aleitamento materno, a favor do tabagismo e do histórico do movimento antivacina no mundo.

Um marco importante também destacado durante a aula, foi a transformação dos meios de comunicação e o advento das redes sociais, que trouxeram outros desafios para o enfrentamento à desinformação. Diante do cenário, ações governamentais para enfrentar o fenômeno da desinformação como projetos de leis, controle da internet, grupos de trabalho, acionamento do sistema judiciário, entre outras, vêm sendo tomadas em diversos países.

Ana Maria, citou o projeto Enfrenta, iniciativa da Academia de Ciências da Bahia (ACB) e Fundação Conrad Wessel (FCW), coordenado pelo pesquisador Manoel Barral, da Fiocruz Bahia. O Enfrenta realizou um ciclo de webinários que discutiram a desinformação na ciência e medidas de combate e prevenção, e está em via de produção de um e-book como resultado das discussões. “Está sendo coordenado no governo federal um verdadeiro ecossistema para enfrentar o problema da desinformação com diversos parceiros. Entre eles está o ‘Saúde com Ciência’,  uma iniciativa interministerial voltada para a promoção e fortalecimento das políticas públicas de saúde e a valorização da ciência”, finalizou.

twitterFacebookmail
[print-me]

Estudante de doutorado é selecionada para estágio na Suíça

A estudante Larissa Vasconcelos foi selecionada para um estágio de pesquisa no programa Next Generation Scientist (NGS), na Suíça. O programa anual é oferecido pela Novartis e pela Universidade de Basileia, tem como público alvo jovens cientistas e médicos de países de baixa e média renda, nos níveis de mestrado, doutorado e pós-doutorado. A aluna é doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI), da Fiocruz Bahia.

Com duração de três meses, o estágio é realizado no centro de pesquisa da Novartis, em Basileia, com o objetivo de promover o desenvolvimento científico e profissional dos participantes. O programa também busca facilitar a troca de conhecimento entre participantes e mentores, promovendo o compartilhamento de experiências sobre ciência e saúde em outros países, visando aumentar a quantidade e qualidade da pesquisa em saúde em regiões de baixa e média renda.

A doutoranda explicou que o processo seletivo para o programa NGS ocorreu em várias etapas. “Durante as entrevistas, senti-me bem recebida pelos entrevistadores ao compartilhar minha área de atuação. Percebi que minha opinião foi levada em consideração, e houve cuidado na seleção de projetos nos quais meu conhecimento prévio seria útil e contribuiria para o meu desenvolvimento profissional e científico”.

Larissa Vasconcelos foi selecionada no programa Next Generation Scientist (NGS), na Suíça

Larissa Vasconcelos é orientada do pesquisador Fred Santos, com o projeto “Avaliação e validação em campo do TR-Chagas Bio-Manguinhos na triagem sorológica da doença de Chagas crônica: um estudo de fase III”. Formada em Biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), tem especialização em Análises Clínicas. Durante a graduação, entrou na Fiocruz como estudante de Iniciação Científica, sob orientação de Fred Santos e coorientação de Ângelo Silva. Concluiu o mestrado no PGBSMI, com a dissertação intitulada “Avaliação e validação da fração RBD da proteína Spike do SARS-CoV-2 para o imunodiagnóstico da COVID-19”.

De acordo com Fred Santos, Larissa sempre foi uma estudante de destaque e acredita que o período na Suíça será bastante frutífero, proporcionando crescimento profissional, bem como pessoal. “Uma experiência como esta marca para sempre a vida de uma pessoa. Estou muito feliz por ter contribuído com mais um passo de sua formação científica”, ressaltou.

twitterFacebookmail
[print-me]

Proteínas recombinantes demonstram bom desempenho para detecção de sífilis

Uma pesquisa foi realizada para avaliar a acurácia diagnóstica das proteínas recombinantes TpN17 e TmpA na detecção de sífilis. O estudo de fase II foi coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Fred Luciano Neves Santos, e publicado no periódico Frontiers in Microbiology.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, cujo diagnóstico é baseado na epidemiologia clínica e sorologia. O sorodiagnóstico dessa IST é desafiador, pois diferentes formas clínicas da infecção podem influenciar o desempenho sorológico. Nesta pesquisa, foram analisadas 647 amostras: 180 positivas para T. pallidum, 191 negativas para T. pallidum e 276 soros de indivíduos infectados com outras doenças infecto-parasitárias.

Os pesquisadores constataram que as proteínas TmpA e TpN17 demonstraram excelente desempenho diagnóstico na distinção entre amostras positivas e negativas. Além disso, os parâmetros de desempenho nesta avaliação superaram os observados na fase I do estudo. “De fato, a utilização de testes comerciais de referência (ELISA, FTA-ABS e VDRL) para recaracterização das amostras séricas e acesso aos dados clínicos dos pacientes contribuíram significativamente para melhores resultados”, avalia Fred.

Os resultados indicaram que essas proteínas apresentam alta capacidade diagnóstica, conforme evidenciado por sua especificidade, sensibilidade e acurácia. Os achados também sugerem o potencial para um maior aumento da sensibilidade através da utilização de misturas antigênicas, que será o foco principal dos próximos esforços de investigação do grupo.

Estudos futuros serão realizados para analisar amostras de sífilis de gestantes, casos de sífilis congênita e de sífilis terciária, pois uma concentração de pacientes diagnosticados predominantemente em estágios secundários e latentes de sífilis limitou a diversidade da coleta de amostras. Além de avaliar a reatividade cruzada, com a exclusão de amostras positivas para leptospirose.

twitterFacebookmail
[print-me]

PGPAT divulga edital de seleção 2024.2 para doutorado

O Programa de Pós-graduação em Patologia Humana (PGPAT – UFBA/Fiocruz Bahia) divulga o processo seletivo para admissão de alunos no doutorado, referente ao semestre 2024.2. As inscrições poderão ser feitas no período de 18/03/2024 a 18/04/2024.

O edital oferece 8 vagas, incluindo as destinadas às ações afirmativas, além de vagas reservadas para o fluxo contínuo em que podem se inscrever apenas os concluintes e egressos do mestrado do PGPAT que tenham ingressado no programa a partir de 2023.1.

Aqueles que passaram pelo processo seletivo regular com a Etapa 1 de Avaliação de Conhecimentos Gerais, com a aprovação do orientador (indicado no Formulário de Compromisso de Orientação), têm a opção de utilizar a nota da prova da Etapa 1 realizada na seleção do mestrado. Para os concluintes do mestrado, a homologação da inscrição ocorrerá somente após a entrega da dissertação e a confirmação da data da defesa, que deve ocorrer antes da data de matrícula.

O edital completo, juntamente com os anexos, está disponível no site do PGPAT.

twitterFacebookmail
[print-me]

Palestras marcam comemoração do Dia da Mulher

A Fiocruz Bahia promoveu a primeira sessão científica do ano de forma especial, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (08/03). O evento contou com as palestras das biólogas Deboraci Prates, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Luisa Maria Diele e Helena Araújo, ambas da Rede Kunhã Asé de Mulheres na Ciência, da historiadora Patricia Valim, da UFBA, e da assessora da Finep, Julieta Palmeira, mediadas pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Natália Tavares.

Estiveram presentes a Diretora de Políticas e Programa da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Secti), Sahada Luedy, os vice-diretores de Pesquisa, Gestão e Ensino da Fiocruz Bahia, Ricardo Riccio, Valdeyer Reis e Claudia Brodskyn, respectivamente, além de pesquisadores. A diretora da Fiocruz Bahia não pode estar presente, mas gravou um vídeo que foi exibido na ocasião. “Fui solicitada a estar na Fiocruz, no Rio de Janeiro, para participar de uma mesa redonda e de uma homenagem a algumas mulheres da instituição. O dia 8 de março é um dia de luta e peço que os homens estejam conosco”, disse a diretora.

Sessão Científica

A apresentação de Deboraci Prates teve como título “Mulheres negras na ciência e educação antiracista”. A professora mencionou aspectos do racismo, fez uma reflexão sobre a articulação dos saberes eurocêntricos, indígenas, africanos e afrodiaspóricos produzidos no âmbito acadêmico e apresentou dados da distribuição desigual das bolsas de produtividade em pesquisa entre homens e mulheres. “Um aspecto muito importante que esses dados vêm refletindo é o das interseccionalidades, que estão presentes nas ciências e nas instituições acadêmicas. Uma pesquisa feita pelo Dieese aponta que mulheres negras ganham 38,4% menos que mulheres não negras. Comparando com homens negros, as mulheres negras ganham 52% menos”, comentou. 

Luisa Maria Diele e Helena Araújo abordaram o tema “Semeando Ciência: estimulando o empoderamento jovem em comunidades tradicionais”. Elas falaram do projeto realizado em 12 escolas do país, que teve como foco, na quarta edição, as comunidades tradicionais e as mudanças climáticas. “A ideia foi a gente se aproximar e fazer com que as crianças se vissem representadas em diferentes espaços, como o acadêmico. Começamos a discutir na escola, como um todo, questões relacionadas à equidade de gênero e inclusão”, contou Helena.  

As dinâmicas do projeto também envolvem discutir na escola os sonhos dos estudantes e entender a percepção deles do que é ciência e de como é um cientista. “Tentamos mostrar para os alunos que eles podem se tornar lideranças locais, agentes transformadores da sua realidade”, completou Luisa.

Durante a palestra “Parentalidade na ciência”, Patrícia Valim apresentou o movimento Parent in Science e a Rede Brasileira de Mulheres Cientistas, das quais faz parte, falou do impacto da maternidade para as cientistas, das propostas dessas entidades para enfrentar os desafios e apresentou dados de pesquisas sobre o assédio no ambiente acadêmico. “Existe uma luta por uma licença paternidade paritária, no mesmo período das mães, para que a gente consiga diminuir esse efeito drástico na nossa carreira e não tenha que escolher entre ser mãe ou ser cientista. Que a gente tenha as mesmas condições de produção científica que os nossos colegas tem”, pontuou.

Julieta Palmeira falou sobre “Oportunidades para mulheres na ciência” abordando como a desigualdade de gênero se expressa na ciência, sobre as dificuldades da mulher na progressão na carreira, a equiparação salarial aos homens e dos desafios para a ampliação das mulheres na alta gestão de instituições e entidades científicas. “O patriarcado restringe as oportunidades das mulheres. Esse patriarcado também está na raiz do problema da violência contra as mulheres e que tembém está em espaços de poder, e a ciência é um desses espaços de poder”.

Fiocruz pela equidade de gênero

Como parte da programação do Dia Internacional da Mulher na Fiocruz, foi realizada, no Campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, a roda de conversa “Fiocruz pela equidade de gênero: mulheres nos espaços de poder institucional”, organizada pela Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa) da Fiocruz e o Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça. A mesa de Abertura foi formada por Lúcia Helena da Silva, vice-presidente do Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc); Zélia Profeta, chefe de Gabinete da Presidência; e Andréa da Luz, coordenadora geral de Gestão de Pessoas (Cogepe).

A roda teve como palestrantes: Anamaria Corbo, diretora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV); Marilda Gonçalves, diretora da Fiocruz Bahia; Jennifer Kelly, técnica de Inovações Farmacêuticas do Bio-Manguinhos; e Bruna Catalan, bolsista do Programa Fiocruz Saudável. A mediação foi feita por Hilda Gomes, coordenadora de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas.

Marilda Gonçalves destacou que, em quase 67 anos da Fiocruz Bahia, ela foi a primeira diretora mulher da unidade. “Espero que seja um marco, que tenha sido uma linha, e que várias mulheres queiram estar nesses espaços. Pois estar em espaços de poder é uma luta diária, porque por ser mulher, algo que embora não seja dito, mas que é subentendido, nós sempre precisamos de uma aprovação, e sempre precisamos estar provando a nossa capacidade”, afirmou.

A diretora ressaltou a importância das mulheres estarem nos espaços de poder com apoio amplo e aliadas aos homens. “Acho que nós temos que estar unidas, junto com os homens. A Fiocruz tem dado tantos exemplos como na pandemia, em outros momentos especiais, com a ministra Nísia Trindade, e tudo que representamos na sociedade brasileira e internacionalmente, nós temos que estimular que mais mulheres estejam nesses espaços. E que nós não sejamos citadas como exemplo de poucas, que tenhamos muito mais, e que possamos dividir com os homens esses espaços de poder”, observou Marilda.

twitterFacebookmail
[print-me]

Biobanco da Fiocruz Bahia é aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa

O biobanco do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), o Bio-IGM, teve o protocolo de funcionamento aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). O Bio-IGM tem como objetivo realizar armazenamento de material biológico humano para o desenvolvimento de pesquisas biomédicas e melhor entendimento na patogênese, patogenia, evolução, tratamento e diagnóstico de doenças infecto-contagiosas, crônico-degenerativas e neoplasias de interesse estratégico para o Instituto.

A estrutura é constituída por uma equipe técnico-administrativa, composta pela curadora Eugênia Granado, a curadora adjunta Adriana Lanfredi Rangel e apoio técnico de Rafaela Gomes Alves. O espaço físico de aproximadamente 55 m², localizado no subsolo do edifício garagem, será composto por uma sala equipada com freezers com temperaturas de -30°C e -80°C, refrigeradores, outra receberá container de nitrogênio líquido para 40 mil amostras, além de área administrativa, de recepção e processamento de amostras.  O Bio-IGM contará com um sistema automatizado de organização e monitoramento de dados associados às amostras armazenados, com os softwares REDCap e NorayBanks.

De acordo com Ricardo Riccio, vice-diretor de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Serviço de Referência da Fiocruz Bahia, a aprovação do biobanco representa um marco significativo para a instituição, pois é o primeiro da Fiocruz nas regiões Norte e Nordeste. “Isso destaca o compromisso do IGM em impulsionar a pesquisa científica na região, fornecendo uma infraestrutura essencial para armazenar e compartilhar amostras biológicas de alta qualidade. Além disso, ao incluir amostras de doenças negligenciadas como esquistossomose e doença de Chagas, o Bio-IGM demonstra uma abordagem inclusiva e inovadora para enfrentar desafios de saúde locais e globais”, observa.

Riccio acredita que o Bio-IGM dará acesso a uma variedade de amostras biológicas e dados clínicos. “Isso permitirá que os pesquisadores explorem áreas como genética, epidemiologia e medicina personalizada, com um olhar especial para as condições de saúde comuns nestas regiões do país. E, ao promover a colaboração entre pesquisadores e instituições, pode facilitar a descoberta de biomarcadores e terapias inovadoras para melhorar a saúde pública e abordar desafios específicos da região”, conclui.

Eugênia Granado explica que o biobanco está aberto a receber o depósito de amostras de pesquisadores da Fiocruz Bahia, mas também de outras instituições. O recebimento dessas amostras será avaliado pela equipe com as curadoras do Biobanco e pelo comitê gestor da Rede Fiocruz de Biobancos (RFBB). “O Bio-IGM vai garantir qualidade para essas amostras, elas vão ficar guardadas em condições e temperaturas adequadas, conforme a necessidade, com monitoramento contínuo das temperaturas dos equipamentos aonde estarão armazenadas Além disso, essa iniciativa da Fiocruz irá fomentar uma maior interação entre diferentes grupos de pesquisa”, ressalta a curadora.

Inicialmente, serão recebidas amostras de diagnóstico de Covid-19, oriundas da Plataforma de Vigilância Molecular da Fiocruz Bahia, além de amostras provenientes de projetos de pesquisa em desenvolvimento no instituto e ligados à Rede Fiocruz de Pesquisa Clínica, em doenças causadas pelo Schistosoma mansoni e Trypanosoma cruzi.

Fruto de um projeto institucional de mais de dez anos, o financiamento para o Bio-IGM vem da captação de recursos pelo Núcleo de Excelência em Gestão de Projetos de nossa Unidade (NEGP/IGM), através de emendas parlamentares e do apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT-BA), e do apoio financeiro e organizacional da Rede Fiocruz de Biobancos (RFBB), ligada à  Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB).

Rede Fiocruz de Biobancos

A Rede Fiocruz de Biobancos (RFBB) foi formalizada em 2015, pela Presidência da Fiocruz (744/2015-PR), com coordenação da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz), com o objetivo de estabelecer e manter biobancos institucionais estruturados em rede para prover à comunidade científica material biológico humano de qualidade e dados associados, dando suporte a projetos de pesquisa que sejam de benefício e interesse da saúde em âmbito nacional e zelando pelos direitos dos participantes de pesquisa.

A RFBB é composta pelos biobancos constituídos nas unidades técnico-científicas da Fiocruz e registrados na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep/CNS/MS). Até o momento, a RFBB está constituída pelos biobancos de Bio-Manguinhos (BBIO), do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), do Instituto René Rachou (IRR), do Biobanco da Biodiversidade e Saúde (BBS, antigo Biobanco COVID-19) e  mais recentemente pelo Biobanco da Fiocruz Bahia (Bio-IGM).

Interessados/as em depositar amostras no Bio-IGM devem entrar em contato através dos endereços eletrônicos e/ou telefone abaixo:
E-mails: bio.igm@fiocruz.br e/ou eugenia.granado@fiocruz.br
Telefone: 71 3176-2470

twitterFacebookmail
[print-me]

Fiocruz Bahia participa da agenda da ministra Nísia Trindade em Salvador

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, esteve em Salvador, entre os dias 02 e 04 de março, após a abertura do Dia D de mobilização contra a dengue. A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, participou da agenda. No sábado, a ministra visitou as Obras Sociais Irmã Dulce, um dos maiores complexos de saúde 100% SUS do país, e ao Instituto Couto Maia, unidade de referência para casos de dengue agravados, que necessitam de assistência de média e alta complexidade.

“Pude acompanhar as equipes de saúde e conversar sobre a atual situação no estado da Bahia. Aqui, os pacientes que entraram com dengue foram recuperados, mas não podemos esquecer das medidas de prevenção. Dengue é uma doença que, infelizmente, pode matar. E nós não queremos que haja nenhuma perda de vida, nenhuma morte por dengue”, enfatizou Nísia Trindade.

Na segunda-feira, a ministra foi à inauguração do Hospital Ortopédico do Estado (HOE) da Bahia. Com investimento superior a R$ 224 milhões, a expectativa é que, mensalmente, sejam realizadas mais de 19,5 mil consultas ambulatoriais, 1,7 mil diagnósticos por imagem, 1,7 mil altas hospitalares (enfermaria e UTI) e mil cirurgias nas especialidades de traumatologia, ortopedia e medicina desportiva.

Também estiveram presentes no evento o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, a secretária de Saúde da Bahia, Roberta Santana, além de autoridades e representantes da sociedade civil.

twitterFacebookmail
[print-me]

Fiocruz Bahia discute desenvolvimento de líderes e impactos nas relações de trabalho

A Fiocruz Bahia realizou uma roda de conversa sobre o desenvolvimento de líderes e impactos nas relações de trabalho. A psicóloga, analista junguiana e doutora em educação, Angelita Menezes, mediou a atividade, na sexta-feira, 01 de março, promovida para a divulgação do Projeto de Desenvolvimento de Lideranças, desenvolvido pelo Serviço de Gestão do Trabalho (SGT) e o Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST).

Angelita Menezes diz que a roda foi uma experiência rica, que teve uma adesão importante e que a proposta é o desenvolvimento de líderes construído por um coletivo de inteligência, que se ajude no desenvolvimento de potencialidades de liderança, tanto para a vida pessoal quanto para a vida laboral. “Não só para quem vai exercer cargos de liderança necessariamente, mas para aprender a conviver com os colegas de trabalho, com as potencialidades, transformando-os em desenvolvedores de pessoas, independente do cargo que ocupe, da forma de contratação que tenha, mas que possa se ver e se encontrar como potencial para liderar no sentido subjetivo ou objetivo da palavra”, destaca.

De acordo com Ariadne Luz, do Núcleo de Saúde do Trabalhador, os organizadores ficaram felizes com a participação de todos e esperam a adesão no processo de formação que será promovido pelo projeto. “A realização destas rodas de conversas promove espaços de escuta e transmissão de conhecimentos, tanto do palestrante, quanto dos participantes. Nessa roda destacamos a importância do reconhecimento dos aspectos subjetivos do papel do líder e os impactos dessa liderança nas relações, fornecendo assim, ferramentas para a promoção da saúde mental no ambiente de trabalho”, ressalta.

A coordenadora do Núcleo de Excelência em Gestão de Projetos (NEGP), Andrezza Souza, participou da atividade e acredita ser relevante a realização de espaços com esse tema e objetivo. “Achei a roda muito interessante. A Fiocruz Bahia está buscando, com essa iniciativa, promover e apoiar ações para o desenvolvimento de competências comportamentais, éticas e socioemocionais dos seus trabalhadores, através da promoção de espaços abertos de diálogo sobre essas questões e proporcionando mais integração”, pontua Andrezza.

Para Roni Dias Vinhas, chefe do Serviço de Gestão de Infraestrutura e Logística, “a iniciativa tratou de assuntos de grande relevância para o desempenho das atividades de liderança realizadas pelos gestores da instituição”. Ele avalia ser importante promover formações como essa para as relações de chefes e suas equipes. “Traz conhecimentos e estratégias para lidar com as equipes, seja para acompanhamento das atividades do setor como também na compreensão das particularidades e problemas de cada um”, conclui.

Projeto de Desenvolvimento de Lideranças

Desenvolvido pelo Serviço de Gestão do Trabalho (SGT) e o Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST), o Projeto de Desenvolvimento de Lideranças é voltado para gestores que atuam em cargos de liderança e demais trabalhadores interessados na temática, com vínculo formal na Fiocruz Bahia. O objetivo é desenvolver as potencialidades para atuação em autogestão do trabalho e para o exercício da liderança por meio da transferência de conhecimento e autoridade prática. Serão realizados encontros mensais de oito horas presenciais, com duração de 12 meses. As temáticas abordadas serão relacionadas a gestão de pessoas, psicologia analítica, organizacional e do trabalho, psicodinâmica do trabalho, entre outros.

Os interessados poderão se inscrever por meio do formulário disponível aqui.

twitterFacebookmail
[print-me]

Aula inaugural da Fiocruz Bahia vai debater desinformação na ciência em saúde

A aula inaugural do ano letivo 2024 da Fiocruz Bahia será realizada no dia 15 de março, às 14h, no Auditório Aluízio Prata. A palestra abordará o tema “Impacto da desinformação na ciência em saúde: algumas reflexões” e será ministrada por Ana Maria Caetano, Diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia, do Ministério da Saúde. O evento é gratuito e aberto ao público.

A palestra marca o início das atividades acadêmicas dos programas de pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI), em Patologia Humana e Experimental (PgPAT/ UFBA-Fiocruz Bahia) e em Pesquisa Clínica (PPgPCT).

twitterFacebookmail
[print-me]

Estudante de Iniciação Científica da Fiocruz Bahia é indicada a prêmio do CNPq

Bolsista de Iniciação Científica da Fiocruz Bahia foi classificada para o 21º Prêmio Destaque do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O projeto “Avaliação de proteínas recombinantes para produção de um teste rápido para o diagnóstico da leishmaniose visceral canina e humana” concorre na categoria Iniciação Científica, e foi desenvolvido por Luana Aragão dos Santos, Biomédica e discente do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da UFBA, no Laboratório de Interação Parasito-Hospedeiro e Epidemiologia (LaIPHE), sob orientação da pesquisadora Deborah Fraga e coorientação do doutorando Matheus Silva. Também foram classificados mais cinco bolsistas de outras unidades da Fiocruz.

Serão premiados até nove bolsistas, três para cada categoria, uma para cada grande área do conhecimento: Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; Ciências da Vida; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes. Além disso, uma instituição que receberá o mérito institucional. O resultado do prêmio será divulgado no final de abril de 2024.

Luana dos Santos explica que o trabalho avalia as proteínas produzidas pelo grupo de pesquisa, através de ferramentas de bioinformática e experimentos para geração de um teste rápido para leishmaniose visceral como produto final. “Os resultados da pesquisa apontam que as proteínas apresentam altas sensibilidades e especificidades, com potencial para diminuir a reatividade cruzada e possuem epítopos lineares que poderão ser usados na construção de um antígeno quimérico para a produção de um teste rápido que possa aperfeiçoar o diagnóstico da leishmaniose visceral canina e humana no Brasil, podendo ser um candidato à substituição do atual teste rápido preconizado pelo Ministério da Saúde”, explica.

A estudante diz ainda que está emocionada com a indicação ao prêmio. “É um reconhecimento enorme da minha dedicação e da pesquisa que estou desenvolvendo. O prêmio é extremamente relevante e ser selecionada para concorrer já é uma vitória que eu sempre almejei”, ressaltou Luana.

Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica

O CNPq criou o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica em 2003 para reforçar as ações e premiar os bolsistas de iniciação científica dos programas institucionais. Inicialmente contava com duas categorias: bolsista de Iniciação Científica e Mérito Institucional. Com o objetivo de premiar os trabalhos de destaque entre os bolsistas de Iniciação Científica do CNPq, considerando os aspectos de relevância e de qualidade de seu relatório final de pesquisa, além de premiar as instituições participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) que contribuíram de forma relevante para o alcance das metas do programa. Ao longo dos anos foram incluídas as categorias bolsista de Iniciação Tecnológica e de Iniciação Científica Júnior.

twitterFacebookmail
[print-me]

Estudo buscou caracterizar resposta dos linfócitos T à Covid em vacinados

Estudante: Greice Carolina Santos da Silva
Orientação: Maria Fernanda Rios Grassi
Coorientação: Luana Leandro Gois
Título da dissertação: “CARACTERIZAÇÃO DA RESPOSTA DOS LINFÓCITOS T AOS PEPTÍDEOS DO SARS-CoV-2 ORIGINAL E DE VARIANTES EM INDIVÍDUOS IMUNIZADOS COM DIFERENTES PLATAFORMAS VACINAIS”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 04/04/2024
Horário: 14h00
Local: Sala Virtual do Zoom
ID da reunião: 893 9402 9474
Senha: greice

Resumo

INTRODUÇÃO: O SARS-CoV-2 possui quatro proteínas estruturais (S, M, N e E) e 16 não estruturais, alvos da resposta imune humoral e celular, especialmente a proteína S. As vacinas anti-SARS-CoV-2 no Brasil foram formuladas com adenovírus contendo DNA de S (ChAdOx1), RNA de S (BNT162b2) e vírus inativado (CoronaVac). Mutações na proteína Spike originaram as variantes Gama, Delta e Ômicron, que apresentam alterações no sítio de ligação de anticorpos neutralizantes, resultando no escape da resposta imune. Além disso, há uma redução nos títulos de anticorpos meses após a vacinação. Há lacunas sobre o impacto dessas mutações nos epítopos de linfócitos T CD8+ e no papel dos linfócitos na proteção contra variantes do vírus, considerando as diferentes plataformas de vacinação. OBJETIVO: Caracterizar a resposta dos linfócitos T aos peptídeos do SARS-CoV-2 em indivíduos imunizados com diferentes plataformas vacinais. Especificamente, predizer in silico regiões imunodominantes nas sequências S, M e N das variantes Gama, Delta e Ômicron do SARS-Cov-2 para linfócitos T CD8+ e quantificar a proporção de linfócitos T e magnitude da resposta aos epítopos das proteínas Spike, estruturais e não estruturais das variantes e da cepa original de Wuhan do SARS-CoV-2 em indivíduos imunizados com plataformas vacinais diferentes. MATERIAL E MÉTODOS: Os epítopos das regiões imunodominantes das sequências de consenso das proteínas S, M e N das variantes Gama, Delta e Ômicron foram preditos a partir da probabilidade de apresentação aos linfócitos T CD8+, afinidade com as moléculas de HLA da população brasileira e antigenicidade positiva, através dos softwares NetCTLpan, NetMHCpan e Vaxijen. Em seguida, a quantificação de linfócitos T produtores de IFN-y em resposta aos epítopos das proteínas do SARS-CoV-2 foi realizada por ELISPOT em três grupos vacinados contra SARS-COV-2 pelas plataformas CoronaVac (n=7), ChAdOx1 (n=8) e BNT162b2 (n=9). O número de células formadoras de spots (CFS) em resposta aos epítopos foi comparado entre os grupos. RESULTADOS: Foram identificadas 17 regiões imunodominantes na sequência de referência da proteína Spike. Dessas, 14 permaneceram conservadas nas variantes Gama, 16 na Delta e 12 na Ômicron. Nas proteínas M e N, apenas a variante Ômicron apresentou nova região imunodominante. Mutações em regiões imunodominantes rresultaram em mudanças na antigenicidade, com ganho de regiões exclusivas ou perda, sendo a proteína Spike a mais variável, especialmente da variante Ômicron. As regiões imunodominantes mutadas passaram a ser reconhecidas por novas moléculas de HLA. Indivíduos vacinados com CoronaVac, ChAdOx1 e BNT162b2 exibiram números de CFS semelhantes aos epítopos das proteínas do SARS-CoV-2 original e da proteína S da variante Gama. A vacina BNT162b2 demonstrou um número maior de CFS para a proteína S da variante Delta, além de uma magnitude de resposta mais elevada às proteínas do SARS-CoV-2. CONCLUSÃO: As regiões imunodominantes das sequências S, M e N das variantes Gama, Delta e Ômicron do SARS-CoV-2 demonstram conservação em relação à sequência de referência da cepa original de Wuhan. Variações decorrentes das mutações foram mais frequentes na proteína Spike da variante Ômicron. As vacinas CoronaVac, ChAdOx1 e BNT162b2 elicitam respostas de linfócitos T produtores de IFN-γ semelhantes aos epítopos de Wuhan e Gama. Vacinados com BNT162b2 apresentam uma maior proporção de linfócitos respondedores aos epítopos de S da variante Delta, além de uma magnitude de resposta superior.

twitterFacebookmail
[print-me]

Fiocruz Bahia recebe pesquisadoras da Holanda para cooperação

A Fiocruz Bahia recebeu a visita de pesquisadoras da Universidade de Wageningen, na Holanda, entre os dias 18 e 24 de fevereiro de 2024, com o objetivo de estabelecer uma cooperação internacional entre as instituições. A intenção é estudar, através perspectiva de saúde única (One Health), enfermidades transmitidas por vetores invertebrados, como a doença de Chagas, leishmaniose, e doenças transmitidas por mosquitos e carrapatos.

O evento principal, que ocorreu no dia 23, reuniu pessoas com diferentes especialidades para discutir os principais problemas, possíveis soluções, além das possibilidades de financiamento e de cooperação internacional para garantir a viabilidade do projeto. As pesquisadoras Natalie Vinkeles Melchers-Martinez e Helen Esser também visitaram comunidades em áreas de possível atuação na Bahia. O grupo com as professoras da Holanda também visitou uma comunidade quilombola na região de Camaçari, área de Mata Atlântica, e outra comunidade no município de Serrolândia, área de caatinga, onde recentemente ocorreu a transmissão oral de Trypanosoma cruzi para uma família, com a morte de uma criança.

“Essas são apenas duas das áreas que pretendemos trabalhar, nossa intenção é expandir para outros Biomas, talvez Amazônia legal, Pantanal, estamos decidindo ainda. O intuito é realizar esse estudo de forma integrada em três ou quatro regiões do Brasil, em três ou quatro Biomas, na tentativa de melhor entender a dinâmica de transmissão desses parasitas em diferentes regiões, onde tem diferente cepas, parasitas, diferentes espécies dos insetos vetores e diferentes culturas das pessoas”, destaca Gilmar Ribeiro-Jr, biólogo do Laboratório de Patologia e Biologia Molecular da Fiocruz Bahia.

A professora Natalie Vinkeles Melchers-Martinez relata que a reunião envolveu partes interessadas de vários setores, pessoas trabalhando no campo do meio ambiente, saúde humana, entre outras áreas da saúde. “As discussões foram muito ricas. Acho que todos estavam muito entusiasmados com as ideias de pesquisa e nós, da Universidade de Wageningen, vamos desenvolver agora”.

Natalie pontua ainda que a visita às comunidades permitiu que tivesse uma boa ideia de quais doenças estão presentes e do que é preciso para capacitar a comunidade. “A missão que tínhamos de visitar a Fiocruz para pesquisa foi muito bem-sucedida. Estou feliz pela oportunidade e pelos colegas da instituição nos receberem e espero muito poder colaborar com eles no futuro”, declara.

Helen Esser conta que, no projeto a ser desenvolvido, o grupo gostaria de focar em doenças transmitidas por vetores, em três regiões com diferentes condições e problemas ecológicos. “O objetivo desta visita era primeiro ver potenciais locais, realizarmos uma reunião com as partes interessadas, para discutirmos juntos quais são os principais desafios em termos de doenças transmitidas por vetores e as oportunidades de pesquisa. E com base nas informações que recebemos, vamos desenvolver ainda mais essa proposta de pesquisa, junto com os parceiros locais no Brasil, para a nossa universidade”, conclui Helen.

Entre os participantes do encontro estavam Leonardo Stabile, Ecólogo e Biólogo, professor da UNIFTC. Leonardo diz que achou interessante a perspectiva da saúde única e ficou interessado em participar do projeto, já que engloba sua área de formação e tem o interesse em cursar o doutorado na Fiocruz. “Foi uma reunião muito produtiva. Houve muitas interações, onde as pesquisadoras buscaram ouvir as pessoas presentes, sobre quais são os problemas na área de saúde voltados para as expertises de cada um dos pesquisadores”, finaliza.

twitterFacebookmail
[print-me]

Impacto de uma década de transmissão da chikungunya nas Américas é destaque na The Lancet Regional Health – Americas 

Após a detecção dos primeiros casos de chikungunya nas Américas, em dezembro de 2013, na ilha de Saint Martin, o vírus da Chikungunya se espalhou rapidamente, causando epidemias em toda a região. Até os dias atuais, cerca de 3,7 milhões de casos suspeitos e confirmados em laboratório foram registrados em 50 países das Américas. Passada a primeira década desde a emergência da Chikungunya no continente, um balanço da situação epidemiológica e análise de perspectivas futuras para prevenção e controle do vírus foi tema do artigo publicado na The Lancet Regional Health Americas, que contou com a participação do pesquisador Guilherme Ribeiro, da Fiocruz Bahia, no grupo composto por instituições do Brasil, Estados Unidos e Reino Unido.

Em 2014, as maiores epidemias de chikungunya nas Américas foram observadas predominantemente no Caribe. No ano seguinte, as regiões da América Central e Andinas foram as mais afetadas. Entre 2014 e 2015, a maioria dos territórios ou países com surtos de chikungunya na América Latina Caribe relatou uma ou duas ondas epidêmicas anuais, seguido por um período com menor incidência ou nenhum caso.

O vírus chegou ao Brasil em 2014, mas foi a partir de 2016 que o país se tornou o maior epicentro da chikungunya nas Américas, tendo ao final de 2023 ultrapassando a marca de 1,6 milhões de casos reportados, o maior da região. Diferente dos outros países, o Brasil se destaca por registrar epidemias anuais da doença, que ocorrem de forma heterogênea no espaço, possivelmente devido ao cenário irregular da imunidade ao vírus; climas específicos do local; diferenças nos mosquitos vetores e exposição de pessoas em diferentes condições sociodemográficas. O clima propício e uma população expressiva de Aedes aegypti também são fatores que facilitam a transmissão do vírus no país.

Embora inquéritos sorológicos para conhecer a frequência de exposição ao vírus chikungunya na população brasileira continuem escassos, é importante notar que 40,5% dos municípios ainda não registraram casos de chikungunya, sugerindo que uma proporção significativa da população do país permanece suscetível ao vírus ou foi infectado, mas não detectada pelo sistema de vigilância nacional. Ao sustentar uma contínua circulação do vírus, o Brasil pode se tornar a principal fonte de disseminação para novas regiões geográficas, onde há grandes populações suscetíveis.

Apesar de a maioria dos casos de chikungunya se concentrarem na América do Sul e Central, já há registro da presença dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus na América do Norte, em especial nos estados do sul dos Estados Unidos, com casos já sendo reportados. Estima-se que, no futuro, casos autóctones sejam registrados nos EUA, muito por conta das mudanças climáticas favorecendo a proliferação dos vetores dessa doença.

Consequências da doença

O elevado número de casos de chikungunya se traduz em um problema de saúde pública que causa grande fardo econômico, por causa dos gastos diretos e indiretos. Os indivíduos infectados podem passar meses com sequelas, como dores crônicas nas articulações, necessitando acompanhamento médico prolongado e tratamento com fisioterapia e medicações. O afastamento das atividades laborais muitas vezes leva o paciente a perder sua renda e, por consequência, não conseguir dar continuidade ao tratamento.

As estimativas da letalidade por chikungunya variam ao longo do Américas, com taxas entre 0,5 e 1,3 mortes a cada 1.000 casos. Fatores que podem afetar o risco de morte podem diferir entre países, incluindo a capacidade do sistema de saúde e vigilância, a presença de comorbidades (por exemplo, hipertensão, diabetes ou obesidade) e dados demográficos da população, com neonatos e pessoas com mais de 65 anos de idade apresentando maior risco em comparação para outras idades. Além disso, estabelecer um sistema de vigilância preciso para mortes por chikungunya nas Américas é um desafio, em parte devido às limitações de recursos e a ocorrência simultânea de outras doenças arbovirais fatais com manifestações clínicas semelhantes, particularmente dengue.

Um estudo recente, publicado em fevereiro na revista The Lancet Infectious Diseases, investigou o risco de morte de pessoas infectadas por chikungunya durante 2 anos após os primeiros sintomas da doença, utilizando uma grande amostra da população brasileira entre 2015 e 2018. Essa análise mostrou a persistência do risco de óbito após a chikungunya em até 3 meses do início dos sintomas, indo além da fase aguda da doença, que são os primeiros 14 dias, mais uma preocupação a ser levado em conta quando trata-se do pós-infecção pelo vírus.

Desafios

A vigilância da chikungunya e de outros vírus transmitidos por mosquitos nas Américas tem sido um desafio por vários fatores, incluindo a dependência de um sistema passivo de registro, insuficiência de infraestrutura laboratorial, disponibilidade limitada de profissionais de laboratório qualificados, bem como de entomologistas (profissional que estuda o mosquito), e acesso desigual ao diagnóstico.

Outro ponto delicado é a circulação de outros arbovírus que causam manifestações clínicas semelhantes, como os vírus da Zika e dengue, tornando o diagnóstico clínico bastante complexo. Isso mostra a necessidade urgente de desenvolvimento e incorporação de testes point-of-care (PoCT), que podem ser usados nas unidades de saúde, alinhada com a colaboração entre agências de saúde locais, nacionais e internacionais e instituições de pesquisa, com um objetivo mais amplo: apoiar iniciativas de fortalecimento de capacidades, reduzir as desigualdades em infraestrutura de diagnóstico e laboratório e fortalecer e expandir os sistemas universais de saúde.

Em novembro de 2023, foi licenciada a primeira vacina contra chikungunya pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, mas ainda não há previsão de quando a vacina será aprovada para uso no Brasi. Mesmo depois de licenciada no Brasil, pode levar tempo até a sua incorporação no programa de imunização e até o alcance de grandes coberturas vacinais. Antivirais específicos continuam indisponíveis para prevenir e tratar a chikungunya.

Diante destes desafios, os autores do artigo propuseram algumas ações a fim de mitigar e eliminar a chikungunya nas Américas, entre elas:

• Melhorar a vigilância molecular e o diagnóstico de chikungunya para rastrear transmissão endêmica, detectar precocemente surtos e melhorar os desfechos clínicos dos pacientes de forma eficaz.

• Aproveitar dados genômicos e sorológicos para identificar populações suscetíveis, antecipando futuros surtos e monitorar a evolução e transmissão do vírus chikungunya.

• Identificar os fatores ambientais e socioeconômicos que determinam a transmissão espaço-temporal do vírus durante e entre surtos para refinar estratégias de mitigação.

• Implementar tecnologias tradicionais e de ponta no controle de vetores para reduzir a população de vetores competentes e a incidência da doença.

• Implementar programas de imunização em populações vulneráveis para conter e potencialmente eliminar a transmissão de chikungunya em todas as Américas.

twitterFacebookmail
[print-me]

Estudo analisou transmissão da chikungunya um ano após a introdução do vírus em Salvador

O vírus chikungunya foi introduzido nas Américas em 2013 e no Brasil em 2014, causando grandes surtos que afetaram rapidamente parcela substancial da população em vários países. A cidade de Salvador, que tem sido um epicentro de várias epidemias de arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, foi uma das capitais brasileiras inicialmente afetadas pela chikungunya. Com a finalidade de entender melhor a propagação do vírus, um estudo, coordenado pelo pesquisador Guilherme Ribeiro, da Fiocruz Bahia, e fruto do doutorado de Rosângela Oliveira Anjos, pelo Programa de Pós-graduação em Saúde em Biotecnologia e Medicina Investigativa (PgBSMI), analisou a dinâmica de transmissão do vírus chikungunya em Salvador, no primeiro ano após a introdução do vírus no país. O trabalho foi publicado no periódico PLOS e pode ser lido aqui.

A pesquisa analisou dados de soroinquéritos semestrais, realizados em uma coorte comunitária, composta por 652 participantes com idade maior ou igual a cinco anos, no bairro de Pau da Lima. O seguimento da coorte foi iniciado antes da introdução do vírus da chikungunya em Salvador, em fevereiro de 2014, e os inquéritos foram conduzidos até fevereiro de 2017.

Os pesquisadores concluíram que, ao contrário das observações em outros locais, a propagação inicial da chikungunya neste grande centro urbano foi limitada e focal em certas áreas, deixando uma elevada proporção da população suscetível a novos surtos. Além disso, identificaram um padrão de agregação espacial das infecções e maior risco de infecção em pessoas que residiam em domicílios onde outra infecção pelo vírus foi detectada. O trabalho apontou a necessidade de investigações adicionais para explicar melhor os fatores que impulsionam a dinâmica de propagação do vírus, incluindo a compreensão das diferenças em relação aos vírus da dengue e da zika, a fim de orientar estratégias de prevenção e controle para lidar com surtos futuros.

twitterFacebookmail
[print-me]

Estudo investigou o mecanismo de ação de fármacos antimaláricos derivados da artemisinina

A partir da necessidade de produzir novos medicamentos para o tratamento da malária, uma das doenças mais disseminadas e com elevada mortalidade do planeta, um estudo buscou desenvolver fármacos mais eficientes que os antimaláricos já disponíveis na clínica. Realizada em parceria com um grupo da Friedrich-Alexander-Universität Erlangen Nürnberg na Alemanha, a pesquisa teve como um dos coordenadores o pesquisador Diogo Moreira, da Fiocruz Bahia, e a participação das discentes do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI), Adrielle Sacramento e Mariana Borges. O artigo foi capa da conceituada revista Britânica Chemical Science.

No estudo, foram desenvolvidos fármacos fluorescentes derivados da artemisinina, uma das substâncias de referência no tratamento da malária. Isso porque, apesar de já haver cura, existem parasitos resistentes a todos os antimaláricos que estão disponíveis para o tratamento. Como a terapia combinada com a artemisinina é a principal linha de frente de tratamento e já foram identificados parasitos resistentes à artemisinina no Sudeste Asiático e na África, é importante entender a doença e o parasito para produzir fármacos de espectro de ação mais amplo, efetivos em cepas resistentes.

O grupo na Alemanha realizou a parte química, desenvolvendo uma molécula sob medida, onde a artemisinina foi ligada à cumarina por uma metodologia química, resultando em uma molécula fluorescente. Essa característica possibilitou o mapeamento do parasito, através de técnicas como microscopia e citometria, logo após o tratamento. Já na Fiocruz Bahia, foi feita toda a parte farmacológica do estudo, através do teste das moléculas inéditas tanto in vitro quanto in vivo, tentando entender como se dava o funcionamento na biologia parasitária. Os resultados do trabalho demonstraram que esses fármacos fluorescentes têm potência e eficácia como antimalárico, se acumulando em organelas específicas do Plasmódio, protozoário causador da enfermidade.

Os desdobramentos destes achados são importantes para entender como as artemisininas atuam, assim como na racionalização e aprimoramento da terapia atual. Este estudo teve continuidade pela discente Adrielle Sacramento, no qual recebeu um suporte financeiro da Fundação Maria Emília para realizar estudos de campo de susceptibilidade dos parasitos resistentes.  

twitterFacebookmail
[print-me]

Pacientes com câncer colorretal nos primeiros 12 meses de pandemia são avaliados em tese

Estudante: João Paulo Velloso Medrado Santos
Orientação: Mitermayer Galvão dos Reis
Título da dissertação: “CÂNCER COLORRETAL ANTES E DURANTE A EPIDEMIA DE COVID-19 NO MAIOR HOSPITAL ONCOLÓGICO DO ESTADO DA BAHIA: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL DO PERÍODO DE 03/2019 A 03/2021”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 29/02/2024
Horário: 14h30
Local: Sala Virtual do Zoom
ID da reunião: 860 5372 8180
Senha: joao

Resumo

INTRODUÇÃO: O câncer é uma das principais causas de óbito no Brasil. Nos anos imediatamente anteriores à pandemia de COVID-19, estava a frente das doenças infectocontagiosas e das causas externas, sendo em menor número apenas em relação às mortes causadas por doenças cardiovasculares. Em alguns países com melhores níveis socioeconômicos, as malignidades já ultrapassaram as doenças cardiovasculares como principal causa de óbito. Globalmente, o câncer colorretal é um dos mais incidentes e está entre os maiores responsáveis pela mortalidade oncológica. No Brasil, é o segundo mais incidente, em ambos os sexos. Entretanto, apesar de tão relevante, a Literatura carece de dados nacionais em relação às características dos pacientes acometidos pelo câncer de cólon e reto – o que também se aplica aos dados regionais do Estado da Bahia. Nesta entidade da Federação, o Hospital Aristides Maltez (Salvador – BA) é responsável pela maior parte dos atendimentos oncológicos, inclusive àqueles dos pacientes com câncer colorretal. Porém, os anos de 2020 e 2021 são peculiares devido à pandemia do COVID-19 no Estado da Bahia, o que pode ter tido impacto também na assistência oncológica ao paciente com câncer colorretal. Levando-se em conta que a maior parte dos cânceres colorretais metastáticos já não é mais curável, avaliar se houve aumento da proporção de pessoas com esse tipo câncer em estadio avançado, já na primeira consulta no HAM durante a epidemia de COVID-19, pode servir como métrica para se avaliar o impacto dessa epidemia na atenção ao paciente com esse tipo de malignidade. OBJETIVO: Avaliar se houve aumento da proporção de pacientes com câncer colorretal metastático no grupo de pessoas que iniciaram acompanhamento no HAM no período dos primeiros 12 meses de epidemia de COVID-19 na Bahia em relação ao grupo de pessoas com essa mesma malignidade que iniciaram acompanhamento no HAM nos 12 meses anteriores. Análise descritiva dos pacientes acometidos por câncer colorretal atendidos no HAM nesses 2 períodos. MÉTODO: Foi gerada lista dos pacientes acometidos por câncer colorretal atendidos no Hospital Aristides Maltez entre março/2019 e março/2021. Foram avaliados dados demográficos, e dados relacionados à malignidade em si. Essas informações foram extraídas dos prontuários eletrônicos dos respectivos pacientes. Foram empregados métodos de análise descritiva, como números absolutos, frequências, proporções, medidas de tendência central, e de dispersão. Análise comparativa dos dados do Hospital Aristides Maltez entre os 12 primeiros meses da epidemia de COVID-19 na Bahia (18/mar/2020 a 17/mar/2021) e os 12 meses anteriores (01/mar/2019 e 28/fev/2020). RESULTADOS/DISCUSSÃO: Foi avaliada amostra de 170 indivíduos do 1º ano da Epidemia de COVID-19 na BA e 152 indivíduos dos 12 meses anteriores. Em ambos, a mediana de idade foi de 63 anos, com representação semelhante de ambos os sexos, predomínio da raça parda e de baixo nível de escolaridade. No 1º ano da Epidemia de COVID-19 na Bahia, houve aumento de 26,29% do percentual de indivíduos que iniciaram acompanhamento no HAM com câncer colorretal já metastático (entretanto, sem significância estatística).

twitterFacebookmail
[print-me]

Pacientes com leishmaniose cutânea recorrente têm doença mais branda

Uma pesquisa comparou o perfil clínico, a carga parasitária, a positividade de reação em cadeia da polimerase (PCR) e a resposta à terapia em pacientes com leishmaniose cutânea recorrente e leishmaniose cutânea primária. O trabalho, coordenado pelo pesquisador Edgar Carvalho, da Fiocruz Bahia, foi publicado no periódico Open Forum Infectious Diseases.

Os participantes do estudo foram pacientes atendidos no posto de saúde de Corte de Pedra, distrito localizado no município de Tancredo Neves, na Bahia, área endêmica de leishmaniose cutânea. Participaram da análise 61 indivíduos, sendo 41 com leishmaniose cutânea primária e 20 com a recorrente, diagnosticados entre 2020 e 2021, e para os quais foi realizado o exame histopatológico da úlcera cutânea. A leishmaniose cutânea primária foi definida como a que ocorreu em indivíduos pela primeira vez e a recorrente como a que ocorreu em indivíduos que já tiveram a doença, foram curados e se infectaram novamente.

Os pacientes foram tratados com antimoniato de meglumina ou com Anfotericina B convencional. A cura clínica foi definida como cicatrização completa da lesão com recuperação da pele na ausência de bordas elevadas, 90 dias após início do tratamento. Já a falha foi definida pela presença de úlcera ativa ou cicatrização da lesão, mas com bordas elevadas.

A investigação concluiu que os casos recorrentes de leishmaniose cutânea apresentaram maior duração da doença, menos lesões, menor número de parasitas e maior rigidez da lesão em comparação aos pacientes com a leishmaniose cutânea primária, o que provavelmente aconteceu em decorrência da menor carga parasitária. Concluíram ainda que a detecção de DNA de Leishmania por PCR foi muito baixa nos casos recorrentes, enquanto a imunoquímica mostrou alta sensibilidade e deve ser usada para diagnóstico da leishmaniose recorrente causada por L. braziliensis.

Clinicamente, as lesões dos casos recorrentes eram mais superficiais, com bordas menos infiltradas e de menor tamanho. Os resultados indicam que os pacientes com leishmaniose cutânea recorrente têm melhor capacidade de controlar a replicação do parasita, sugerindo que eles desenvolvem uma resposta imune aos antígenos do L. braziliensis que podem inibir a replicação do parasita, resultando em uma doença mais branda e na melhor resposta à terapia.

Esses dados abrem a possibilidade de realizar mais estudos para explicitar os fatores de risco para pessoas desenvolverem leishmaniose cutânea recorrente, incluindo diferenças nas cepas de L. braziliensis, bem como as diferenças na resposta imune local e sistêmica em pacientes com leishmaniose cutânea recorrente.

twitterFacebookmail
[print-me]