Abertas as inscrições para bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica 2019 Fiocruz/ CNPq

A Coordenação do Programa Institucional de Iniciação Científica (PROIIC) da Fiocruz Bahia informa que foram lançados, hoje, pela Vice Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/ Fiocruz), os Editais para concorrer às cotas Fiocruz 2019 para bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica (PIBIC e PIBITI) do CNPq e convoca a sua comunidade científica e acadêmica para apresentar propostas em resposta a este Edital. As inscrições deverão ser feitas online até o dia 22 de abril para bolsas novas, renovação e para os bolsistas que ingressaram nos programas por substituição/banco de reserva no mês de março. O orientador deverá encaminhar, até o dia 25 de abril de 2019, a documentação referente à solicitação de Bolsa (nova e de renovação) à Coordenação do PROIIC.

Poderão solicitar bolsa servidores ativos com doutorado exercendo atividade de pesquisa, com vinculo comprovado com a Fiocruz em regime de tempo integral (40 horas), pesquisadores visitantes e pós-doutorandos da Fiocruz que se dedicam exclusivamente a atividades de pesquisas na Fiocruz Bahia. Os formulários para inscrição online e outros documentos estão disponíveis nos endereços: 

http://www.pibic.fiocruz.br  e http://www.pibiti.fiocruz.br 

O objetivo do Programa Pibic é estimular o envolvimento de estudantes de graduação nas atividades científica, tecnológica, profissional, artística e cultural, proporcionando ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa. O Programa Pibiti tem como objetivo estimular os jovens do ensino superior nas atividades de pesquisa e aprendizagem de metodologias, conhecimentos e práticas próprias ao desenvolvimento tecnológico e processos de inovação.

Qualquer dúvida pertinente a este edital deve ser esclarecida através do e-mail proiic@bahia.fiocruz.br

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Fiocruz Bahia apresenta Programa de Saúde Mental da Universidade Federal da Bahia – PsiU a estudantes e servidores

O Programa de Saúde Mental da Universidade Federal da Bahia – PsiU/UFBA será apresentado à comunidade da Fiocruz Bahia, no dia 29 de março, no Auditório Aluízio Prata, às 14 horas. O evento será ministrado pelo psiquiatra, psicanalista e coordenador do programa, Marcelo Veras. Uma parceria entre a Fiocruz Bahia e a UFBA foi realizada visando o acolhimento pelo PsiU de estudantes dos programas de Iniciação Científica (PROIIC), Pós-graduação em Biotecnologia, Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI) e de Pós-graduação em Patologia (PGPAT), além dos servidores da instituição. 

O PsiU foi lançado em abril de 2017, a partir de debates e encontros sobre saúde mental promovidos pela Pró-reitoria de Desenvolvimento de Pessoas (PRODEP), da Universidade Federal da Bahia, com o objetivo de dar visibilidade e discutir questões relacionadas à saúde, ao bem-estar e à convivência com as diferenças dentro da comunidade universitária. Desde 2018, através de uma parceria firmada entre a Fiocruz Bahia e a UFBA, o serviço, criado para acolher inquietações que estejam afetando a saúde mental de estudantes e trabalhadores da UFBA, foi estendido aos estudantes e servidores da instituição, nas mesmas condições oferecidas à comunidade universitária. 

O Plantão de Acolhimento do Programa conta com uma equipe de profissionais capacitados para oferecer uma escuta qualificada de questões pontuais e urgentes que causam angústia e tensões aos membros da comunidade atendida, sem necessidade de marcações, inscrição ou cadastro. O PsiU não disponibiliza tratamento de saúde mental, mas pode realizar um acolhimento estendido com duração média de quatro a oito encontros. Caso haja necessidade de um acompanhamento mais prolongado, a demanda será trabalhada e a pessoa será encaminhada para um atendimento em rede de saúde mental.

O acolhimento presencial funciona nas segundas, terças, quintas e sextas-feiras, das 09h às 17h, e na quarta-feira, das 09h às 12h. Além do plantão de acolhimento, pessoas angustiadas podem conversar com um profissional da equipe via aplicativo de mensagem instantânea (WhatsApp 71 99911- 2828), nos casos de demandas ou necessidades urgentes. O contato com o PsiU também pode ser feito via Facebook e Instagram.

Plantão de Acolhimento do PsiU/UFBA

Como: Atendimento de acolhimento gratuito para estudantes e servidores da Fiocruz Bahia, sem necessidade de marcação.
Quando: Segundas, terças, quintas e sextas, das 09h às 17h, e na quarta-feira, das 09h às 12h.
Onde: sede da PROAE, Rua Caetano Moura, 140 – Federação.
Contatos: (71) 99911- 2828 (whatsApp), Facebook e Instagram.

 

 

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Seleção Pública para Pós-Doutorado em Epidemiologia das Arboviroses

O Laboratório de Patologia e Biologia Molecular (LPBM), da Fiocruz Bahia, publica o edital para Seleção Pública de Pós-Doutorado em Epidemiologia das Arborviroses, abrindo uma vaga para doutores da área de epidemiologia, saúde pública, saúde coletiva ou áreas correlatas. O prazo para as inscrições é o dia 18 de abril de 2019.

O candidato selecionado integrará o grupo de pesquisa sobre a epidemiologia e a dinâmica de transmissão da arboviroses no meio urbano. As atividades relacionadas a esta posição incluem o desenvolvimento e implementação de estudos eco-epidemiológicos sobre ocorrência de arboviroses (dengue, zika, chikungunya, febre amarela e outras) na cidade de Salvador, Bahia.

Para maiores informações, acesse o edital disponível aqui.

 

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Estudo da Fiocruz analisa surto de chikungunya em Salvador

Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

Um estudo publicado na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz detalha a ocorrência de um surto de chikungunya com 50 casos em um bairro de Salvador, na Bahia, sendo 45 em uma única rua. Liderada pelo Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia), a pesquisa foi realizada no bairro de Coutos, localizado no subúrbio ferroviário, em uma área de construções informais, sem abastecimento de água e com esgoto a céu aberto.

Após a identificação de casos suspeitos em maio de 2017, os pesquisadores visitaram todas as 230 casas da localidade. Entre 50 casos suspeitos identificados, 35 foram confirmados por testes laboratoriais, incluindo duas ocorrências de co-infecção com chikungunya e dengue. Um caso isolado de dengue também foi diagnosticado. A decodificação do genoma do vírus chikungunya em sete amostras confirmou a presença de sequências genéticas idênticas e apontou semelhança de 99% com microrganismos detectados na Bahia em 2014 e 2015, sugerindo a continuidade da transmissão viral no estado. Analisando a distribuição espacial e temporal dos casos, os pesquisadores verificaram a rápida disseminação da doença “de casa a casa” entre abril e junho.

Para os autores, as más condições socioeconômicas no bairro, com serviços de abastecimento de água e coleta de lixo irregulares e acúmulo de recipientes que servem de criadouro para as larvas do Aedes, podem ter facilitado o surto. “Após 2,5 anos da primeira detecção no Brasil e da disseminação do vírus em todo o país, descobrimos que o chikungunya mantém seu potencial para causar surtos altamente localizados”, dizem os cientistas no artigo. Clique aqui e confira o artigo na íntegra.

Fabricação nacional

Um ensaio clínico que confirma a imunogenicidade – capacidade de estimular a produção de anticorpos – e a segurança da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola produzida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) também está entre os trabalhos recentes publicados nas ‘Memórias’. O estudo marca a conclusão do processo de transferência de tecnologia da farmacêutica internacional GlaxoSmithKline (GSK) para a unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), nacionalizando a fabricação da vacina tríplice viral, que integra o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. “Esta é uma conquista tecnológica significativa com implicações para os programas de imunização”, afirmam os autores no artigo.

Caracterizado como um ensaio clínico de fase 3, o estudo incluiu cerca de 1,5 mil bebês, vacinados em unidade de saúde do Pará entre 2015 e 2016. A vacinação seguiu o calendário nacional de imunizações: com a primeira dose aplicada por volta de 12 meses e, três meses depois, o reforço realizado com a tetra viral, que inclui a catapora. O alto índice de produção de anticorpos e o baixo nível de reações adversas demonstraram a consistência de três lotes consecutivos do imunizante produzido por Bio-Manguinhos/Fiocruz e a não inferioridade em relação à vacina fabricada com ingredientes farmacêuticos da GSK. A pesquisa foi realizada por Bio-Manguinhos/Fiocruz em colaboração com Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e Instituto Evandro Chagas (IEC). Clique aqui e leia o artigo completo.

A revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz pode ser acessada gratuitamente online. Confira os artigos recentes.

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Fiocruz Bahia celebra o Dia Internacional da Mulher

A data de 8 de março, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), é reconhecida mundialmente como o Dia da Mulher. Nesse período, são realizadas, em todo o mundo, diversas iniciativas para comemorar os avanços e promover ações que possam fortalecer os esforços em defesa dos direitos das mulheres e a igualdade de gênero.

Na Fiocruz Bahia, foi realizada a palestra “Mulheres cientistas no século XXI, novos tempos e trajetórias”, ministrada por Vanderlan Bolzani, professora da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Vice Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, é a primeira mulher a ocupar a direção da unidade desde a sua fundação, em 1950. A pesquisadora salientou que o momento é de luta e que o fato de a mulher muitas vezes estar em maior número nos ambientes de trabalho não significa vitória.

“Nós temos que acreditar em nós mesmas, no nosso potencial e parar de ter que provar a cada minuto que nós podemos. Essa é a grande lição, nós temos que acreditar que nós somos poderosas. Que possamos continuar avançando em nossas conquistas para que sejam cada vez maiores, com a criação de espaços e oportunidades associadas à equidade social, à igualdade de gênero e de raça. Precisamos construir um mundo com mais justiça, mais educação e, sobretudo, mais respeito aos direitos humanos”.

Segundo Vanderlan Bolzani, a falta de representatividade da mulher se agrava ainda por questões étnicas e econômicas. Além disso, a palestrante mencionou o ambiente e a cultura em que estamos inseridos, citando um estudo realizado na Inglaterra, no qual foram dadas a crianças de até 6 anos a tarefa de desenhar pessoas nas profissões de bombeiro, cirurgião e piloto de avião, como resultado, 61 desenhos foram de figuras de homens e apenas 5 eram mulheres.

“Não é fácil modificar uma cultura, leva muito tempo. Além do componente cultural, é extremamente importante que haja políticas públicas voltadas também para as áreas estratégicas do país, conhecidas como ciências duras”, afirmou Bolzani.

Cenário da Fiocruz

Jurema Carrilho, servidora há 30 anos.

Nacionalmente, as mulheres estão em maior número na Fiocruz, que possui 57% de servidoras. De acordo com o Boletim de Recursos Humanos da Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas da Fiocruz, dentre o grupo de mulheres, 72% se autodeclarou branca, 16% parda e apenas 5% preta. Dos cargos comissionados 58% são ocupados por mulheres. Também mais mulheres fazem parte dos colaboradores terceirizados com 56%.

No total de servidores da Fiocruz Bahia, 73 são mulheres e 58 homens. Já a proporção dos que exercem atividade de pesquisa é 21 mulheres e 26 homens. Ao longo do tempo, as mulheres foram ganhando espaço na instituição e exercem um importante papel na construção do instituto.

Maria Fiscina está na Fiocruz há 48 anos.

Jurema Carrilho, servidora da Fiocruz Bahia há quase 30 anos, considera que as mulheres sempre tiveram um papel importante na instituição. “Embora a presença masculina fosse mais predominante, as mulheres sempre foram destaque. E com a abertura de concursos públicos, elas começaram a constituir a maioria dos servidores”, conta. 

Daniela Cerqueira trabalha na Fiocruz há 6 anos.

Ana Maria Fiscina é servidora desde 1970, para ela, o 8 de março é um dia para comemorar e protestar. “Nós, mulheres, somos guerreiras, batalhadoras, conquistamos muita coisa. Embora no IGM sempre tenhamos sido respeitadas e tivemos o nosso lugar, acredito que, principalmente pelas dificuldades que estamos passando, ainda há muito o que ser conquistado no país”.

A servidora Daniela Cerqueira disse que se sente privilegiada em trabalhar na Fundação. “A Fiocruz é instituição que as mulheres são maioria no quadro de servidores e que o maior posto de direção é ocupado por uma mulher. É um privilégio trabalhar em um órgão que respeita e valoriza as suas servidoras, pois isto é refletido no ambiente funcional, que possui melhores condições de trabalho do que as oferecidas pelas instituições em geral”, declarou.

Lúcia Morena, servidora da Fiocruz há 33 anos.

Para a servidora Maria Lúcia Moreno, a comemoração é importante para lembrar a toda a humanidade que as conquistas da mulher foram através da luta. “Temos o exemplo de Dra Marilda, a nossa primeira mulher diretora, isso é o reconhecimento de um trabalho. Mesmo com todos os estigmas que nós temos, com todas as pressões, seja na família ou no trabalho, a gente consegue superar, mas temos muito o que lutar ainda. Temos visto muitas mulheres sendo espancadas e mortas por homens só para manterem no poder. Então o caminho é esse, trabalhar com seriedade, com amor e lutar, sempre”.

Inteligência e Inovação

Este ano, a ONU Mulher definiu como tema do 8 de março “Pensemos em igualdade, construção das mudanças com inteligência e inovação”. De acordo com a Organização, o mote “está centrado nas formas inovadoras para a defesa da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, em especial aquelas relativas aos sistemas de proteção social, acesso aos serviços públicos e infraestrutura sustentável”.

Este tema também está contextualizado no Objetivo 5 – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas – da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. A ONU declarou que “a inovação e a tecnologia trazem oportunidades sem precedentes, no entanto, as tendências atuais indicam que as lacunas digitais estão se ampliando e que as mulheres estão representadas de maneira insuficiente nos campos da ciência, tecnologia, engenharia, matemática e design”.

Estudantes da Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Fiocruz em parceria com a FESF-SUS
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Diretora da Fiocruz Bahia participa de evento que destaca as trajetórias negras da Fundação

Por: Erika Farias (CCS/Fiocruz)

Em celebração ao Dia Internacional da Mulher, a Fiocruz, por meio do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fundação, promove, no dia 12 de março, às 9h, na Tenda da Ciência Virgínia Schall, a terceira edição do evento Trajetórias Negras. O encontro, que terá a mediação de Roseli Rocha, pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e coordenadora colegiada do Comitê, contará com a participação da diretora do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), Marilda Gonçalves e da diretora do Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas), Zélia Profeta. 

O objetivo do evento é debater o racismo institucional, que coloca pessoas de grupos raciais ou étnicos discriminados em situação de desvantagem no acesso a benefícios gerados pelo Estado e por demais instituições. É uma oportunidade de falar, ouvir e ser ouvido, em uma roda de conversa aberta ao público. O evento contará com interpretação em libras.

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2º Simpósio sobre Autofagia, Fagocitose e Imunidade aconteceu na Fiocruz Bahia

Focado em Biologia Celular e Imunologia, a Fiocruz Bahia realizou o 2nd International Symposium on Autophagy, Phagocytosis and Innate Immunity, durante os dias 06 a 08 de fevereiro. Com cerca de 71 participantes e 19 palestras, acompanhadas de debates, o evento foi promovido com o objetivo de unir os grupos de pesquisa das três principais áreas no estado da Bahia e no Brasil. O público-alvo foram estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores.

Patrícia Veras, Vice-diretora de Ensino e Informação da Fiocruz Bahia e organizadora, ressaltou a importância do evento, principalmente para a região Norte e Nordeste. “O simpósio foi idealizado com o intuito de ampliar essa integração por meio de apresentação de tecnologias de ponta e avanços recentes na temática do evento. Chamamos a atenção que esses temas têm uma grande importância no estudo de doenças crônicas, incluindo doenças degenerativas e neoplásicas, além de doenças infecciosas”, ressaltou a pesquisadora.

O evento contou com apresentações de trabalhos feito por estudantes de pós-graduação do IGM e de instituições fora da Bahia, além da participação de palestrantes que vieram dos Estados Unidos, Canadá e Argentina. “O simpósio foi capaz não somente de agradar aos estudantes, que revelaram ter tido a oportunidade de aprender diversas abordagens metodológicas, suas aplicações experimentais e interpretação de resultados, como também aos palestrantes, que deram depoimentos da satisfação que tiveram com o alto nível das apresentações e discussões que foram geradas”, avaliou.

Confira as fotos do evento:

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Estudo aponta inflamação crônica como causa de anemia associada à tuberculose

Um estudo liderado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Bruno de Bezerril Andrade, detalhou o perfil de inflamação sistêmica em uma coorte de pacientes com tuberculose pulmonar ativa, com ou sem anemia, em diferentes períodos de tempo, após o início da terapia antituberculose. Uma bioassinatura distinta relacionada à anemia foi detectada, definida por valores aumentados de ácido úrico, proteína C-reativa e taxa de sedimentação de glóbulos vermelhos. O trabalho foi publicado na revista científica do grupo Nature Scientific Reports.

A infecção por Mycobacterium tuberculosis provoca uma doença pulmonar crônica caracterizada por uma inflamação persistente e causando dano substancial ao tecido pulmonar. Segundo os autores do estudo, a tuberculose continua sendo a principal causa de morte de infecção por um único agente causador de doença.

Os pesquisadores afirmaram que, em alguns casos, a tuberculose pulmonar está também associada à anemia. Várias investigações relataram uma prevalência de anemia no diagnóstico de tuberculose, variando entre 32% e 86% dos casos. Muitos pacientes exibem níveis reduzidos de hemoglobina, o que pode impactar diretamente na morbidade associada à tuberculose. Apesar de sua importância epidemiológica, a investigação cuidadosa das causas de anemia em pacientes com tuberculose não é realizada de forma sistemática.

Para o estudo, dados de 238 indivíduos foram examinados retrospectivamente: 118 pacientes com tuberculose e 120 saudáveis. Vários parâmetros foram examinados em amostras de sangue periférico dos envolvidos no estudo. Os autores explicam que a anemia causada por deficiência de ferro está associada com níveis de ferritina menor que 30 ng / mL, enquanto que a causada por doença crônica está ligada a níveis de ferritina maior que 100 ng / mL. Também, as concentrações de ferritina na amostra de soro aumentam em condições inflamatórias como doenças autoimunes, infecções, malignidade e outras doenças.

Entre os 118 pacientes com tuberculose, 105 apresentaram níveis de hemoglobina abaixo dos valores de referência e foram categorizados como anêmicos. O estado pró-inflamatório foi apenas parcialmente reduzido após 60 dias de tratamento para tuberculose, indicando que a anemia associada à tuberculose é, provavelmente, relacionada à inflamação persistente.

Na pesquisa, as concentrações de hemoglobinas não se alteraram entre os momentos do estudo no grupo que não eram anêmicos no início do tratamento. Apesar do aumento substancial nos níveis de hemoglobina após o início da terapia, o número de anêmicos no dia 60 da terapia ainda eram aproximadamente 49% do pré-tratamento. Além disso, análise dos parâmetros bioquímicos demonstrou que os pacientes anêmicos em cada período de estudo avaliado apresentaram um perfil distinto em relação àqueles sem anemia.

Segundo os pesquisadores, à primeira vista, os achados poderiam sugerir que a carga micobacteriana da doença não influenciou no grau de anemia. Contudo, quando apenas os pacientes anêmicos foram analisados, descobriu-se que os níveis de hemoglobina exibem uma tendência significativa de diminuir após aumentos graduais nos esfregaços. Portanto, é possível que a carga de infecção influencia o grau de anemia em indivíduos mais suscetíveis, e não em todos os pacientes com tuberculose.

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Desenvolvimento da CT&I e papel nacional da Fiocruz é foco de palestra

Foi realizada, na Fiocruz Bahia, no dia 1º de fevereiro, a palestra “Desenvolvimento e CT&I: desafios para o país e o papel nacional da Fiocruz”, ministrada por Carlos Gadelha, coordenador das Ações de Prospecção da Fiocruz. O palestrante abordou aspectos do desenvolvimento e da inovação no mundo e o papel da Fundação no desenvolvimento nacional da saúde, além de ressaltar a importância das oportunidades e investimentos na esfera regional. 

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, presente na ocasião para uma programação integrada de eventos e reuniões, falou da importância da cooperação entre a Fundação e os governos dos estados onde a Fiocruz tem unidades e, no contexto do Dia Internacional das Mulheres na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro, aproveitou para pontuar sobre a agenda de questões relacionadas às mulheres.

“Essa agenda ampla fará parte do nosso acordo com o Governo do Estado. Nós estamos trabalhando na perspectiva dos nossos institutos nos estados e em todo o sistema Fiocruz”, salientou.

Também participou da mesa de abertura Julieta Palmeira, secretária de Políticas para Mulheres do Estado da Bahia, que reiterou a importância da parceria com a Fiocruz e as dificuldades das mulheres cientistas. “Há muito desincentivo. Se já é difícil para os homens, imagina para as mulheres. Uma coisa é certa, as mulheres precisam estar na ciência”, destacou. 

A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, deu boas-vindas aos convidados e comentou sobre a parceria com a Secretaria de Políticas das Mulheres e a Fiocruz para fomentos de inserção das mulheres na ciência. Ainda, relembrou uma ação que a pesquisadora da unidade, Isadora Siqueira, está realizando. “A agenda das mulheres é importante e estamos construindo uma discussão para as mulheres e meninas na ciência. Uma iniciativa que Isadora tem feito é trazer meninas para uma experiência em pesquisa”, apontou.

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Manoel Barral, foi convidado a apresentar o palestrante e elogiou sua atuação para o desenvolvimento da saúde no Brasil, “o próprio conceito do complexo econômico no Ministério da Saúde tem a marca de Gadelha desde seu início”, afirmou. Durante a palestra, foram abordados os principais conceitos em desenvolvimento e inovação e frisou-se que as oportunidades em níveis nacionais e regionais não podem ser encaradas somente como necessidade, mas também como oportunidade.

“Há espaços que estão carentes de desenvolvimento e isso pode ser uma grande oportunidade para a expansão: investimentos, renda, empregos”, declarou. “A gente deixa de ver o regional como uma política para o excluído, que também precisa ter, mas também abre oportunidade onde não havia. Exemplo de países como Estados Unidos, China e em continentes como a Europa, é possível ver desenvolvimento em lugares onde não havia praticamente nada”.

No decorrer do evento, Carlos Gadelha expôs alguns dados sobre desenvolvimento internacional e explicou a assimetria intelectual em países com desigualdades através de indicadores como fonte de energia, território e investimento em C&T. “Existe um padrão global de desigualdade regional e territorial que se reproduz, inclusive, dentro dos países numa força de concentração do desenvolvimento em grandes cidades”, ressaltou.

Sobre o papel da Fiocruz para o desenvolvimento regional, Gadelha destacou a atuação em rede e o potencial de desenvolvimento que a instituição tem. “Existem desdobramentos para uma atuação global, regional e sub-regional. Isso é uma potência única e diferenciada que a Fiocruz apresenta”. O palestrante também disse que a Fiocruz pode ajudar o Brasil a entrar na 4ª Revolução Industrial com sua presença nacional, conectando as ações nas redes de conhecimento entre as cidades e para não perder oportunidades de desenvolvimento em vários lugares no Brasil.

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Seminário sobre febre amarela é realizado na Fiocruz Bahia

A febre amarela, com o aumento da ocorrência de maiores casos silvestre nos últimos anos, ressurge como importante ameaça à saúde pública no Brasil. Com o objetivo de pensar o cenário epidemiológico da doença e reforçar a importância da cooperação entre Fiocruz, Governo do Estado e Ministério da Saúde, foi realizado o seminário “Febre Amarela: Vigilância de Epizootia”, no dia 31 de janeiro, na Fiocruz Bahia.

Nísia Trindade Lima, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), participou da ocasião e explicou que o evento faz parte de uma linha de seminários que trabalham as questões de maior impacto em cada estado em que há uma unidade da Fiocruz, ressaltando a importância da promoção de diálogo e de construção de agendas de trabalho. “Ser uma instituição nacional no país com a dimensão do Brasil, com suas diferenças e desigualdades regionais, implica em estar mais próximo do nível estadual e local. A própria construção do Sistema Único de Saúde já tem esse princípio”, declarou.

A presidente também falou sobre a agenda de pesquisa de vigilância da Fiocruz junto à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde com relação ao impacto ambiental do desastre de Brumadinho, depois de estudos apontarem para uma possível relação entre o surto de febre amarela em Minas Gerais e o rompimento da barragem em Mariana, no estado.

Dentre outros pontos, Nísia mencionou, no contexto dos 120 anos da Fiocruz, que será comemorado em 2020, o processo no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para o que o castelo da Fiocruz seja Patrimônio da Humanidade. Além disso, a presidente ressaltou a participação da Fiocruz no plano global de ação para acelerar os objetivos do desenvolvimento sustentável da Agenda 2030, liderada pela Organização Mundial de Saúde, na qual ela está responsável pelo acelerador número 5 – no campo da pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Na abertura do evento, a diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, destacou a importância do seminário enfatizando a notificação recente de um caso de febre amarela humana no Paraná. “Estamos vivenciando um momento importante para a saúde pública não só com a reemergência da febre amarela, mas com a presença de outras arboviroses e outras doenças negligenciadas, além das questões ambientais, como a tragédia com rompimento da barragem de Brumadinho”, afirmou. 

A primeira mesa de discussão foi mediada por Rivaldo Venâncio da Cunha, da Coordenação de Vigilância em Saúde da Fiocruz, que iniciou salientando a importância da discussão que tem como um dos objetivos contribuir com a aproximação dos gestores da Saúde. “A Fundação, enquanto instituição pública comprometida com o bem-estar da população e independentemente de quaisquer que sejam as opções político-partidárias, tem dado essa contribuição”, disse.

A diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Divep/ SESAB), Jeane Magnavita, que também representou o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Villas Boas, mediou o segundo momento do evento e disse que a Bahia tem tido experiências exitosas com a questão das arboviroses. “A febre amarela tem consumido nosso tempo e roubada nossa atenção, desde 2017. A vigilância epidemiológica associada com ações intersetoriais e a ampliação da cobertura vacinal têm sido muito importantes”, destacou.

História e Vigilância

No caso da febre amarela, a vigilância de epizootias tem um papel central que é identificar e acompanhar a circulação do vírus, através do diagnóstico da doença em primatas não humanos. “A gente se debruça na tentativa de identificar o vírus a partir dos primatas como uma forma de antecipar a circulação da doença”, explicou Daniel Garkauskas Ramos, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, durante apresentação.

A maioria dos casos de febre amarela em humanos é do sexo masculino e está associado com trabalho ou residência em área rural. “No Brasil, ainda não tem nenhuma evidência de transmissão urbana do vírus da febre amarela pelo Aedes aegypti, mas talvez a gente nunca tem estado tão perto disso como agora, nos últimos 100 anos”, disse.

De acordo com Garkauskas, a doença foi introduzida nas Américas no fim do século 17, com os escravos trazidos da África. “O vírus, vindo da África, se adapta aos vetores silvestres e macacos de outros gêneros e se adaptam a um ciclo totalmente diferente. É muito claro que a febre amarela no Brasil tem características epidemiológica absolutamente diferentes do que a gente vê na África”, declarou o representante do Ministério da Saúde.

Os últimos casos de febre amarela urbana aconteceram no Acre, em 1942, e depois disso não existe a evidência de transmissão urbana do vírus da febre amarela no Brasil. Em 1958, o país recebe um certificado de erradicação do Aedes aegypti, mas, na década de 60, o Aedes aegypti retorna ao país e ainda não se sabe ao certo por que não se tem mais transmissão urbana no Brasil.

Garkauskas contou que, a reemergencia de febre amarela começa em 2014/2015 com alguns eventos no Tocantins e Goiás, em 2017 o vírus já estava no oeste de Minas Gerais e depois em São Paulo. “Os casos não chamaram muita atenção por causa da zika e chikungunya que, em 2015, roubaram toda atenção do sistema de vigilância e da imprensa pela gravidade do problema”, concluiu.  

Epizootia na Bahia

“No estado da Bahia, o objetivo da vigilância de febre amarela é evitar casos silvestres, já que não se tem registro de casos autóctones da doença nos últimos anos, e impedir a contaminação urbana”, afirmou Gabriel Muricy, da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da SESAB. De acordo com Muricy, existe uma preocupação maior com o oeste do Estado, porque faz limite com outros estados com circulação do vírus. Recentemente, os casos suspeitos de epizootia nos municípios de Simões Filho, Feira de Santana, Paulo Afonso e em Salvador desencadearam uma ação de vigilância ativa em todo o estado.

“Em 2017, foram registradas 770 epizootias nos municípios baianos. O que chamou a atenção foi que, ao contrário do esperado, houve maior concentração de casos na região metropolitana e isso está, provavelmente, relacionado a qualidade do serviço por existência de centro de controle de zoonoses neste local, que traz uma maior capacidade de detecção”, afirmou.

Para Muricy, a vacinação teve importância no bloqueio da circulação do vírus no estado. “Em 2018, 178 municípios passaram a ter recomendação de vacina e, em 2019, todos os municípios da Bahia farão parte da área de recomendação. Em 2000, eram apenas 45 municípios”, declarou. “Há ainda a necessidade de intensificar a vigilância em portos e aeroportos, em municípios de interesse turístico e notificação imediata de suspeita”, acrescentou.

Investigação e fluxo

A veterinária Luisa Helena Monteiro de Miranda, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/ Fiocruz), apresentou os aspectos histopatológicos da febre amarela. Desde 2017, o laboratório onde trabalha começou a receber amostras de primatas para diagnóstico da doença, dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte. Nesse mesmo ano, só da Bahia foram enviadas mais de 4.000 amostras de primatas para análise.

Sistematicamente, o laboratório recebe cérebro, baço, coração, fígado, rins e pulmão. A veterinária explicou que os achados morfológicos consistentes são encontrados basicamente no fígado, que é a necrose de hepatócitos, degeneração hemofílica, hemorragia e inflamação. Os gêneros de macacos mais recebidos são os alouatta e callithrix (mico). O primeiro apresenta as lesões mais graves.

“Acho importante comentar que mesmo que o animal esteja em estado avançado de autólise é sempre importante fazer a coleta, porque a detecção de antígeno é possível mesmo em estágios mais avançados. Do ponto de vista epidemiológico, se a gente conseguir responder a uma parte dos casos já é importante para vigilância. Outro problema são as amostras congeladas e eu não sei até que ponto isso pode ser evitado, mas a gente perde avaliação morfológica e não tem como definir o caso”, alerta.

A diretora do Laboratório Central do Estado da Bahia (LACEN), Zuinara Pereira Gusmão Maia, disse que, como o surto começou no sudeste, a Bahia teve tempo para se preparar para a possibilidade de circulação do vírus, através de uma série de ações conjuntas de diversas instituições das esferas federais, estaduais e municipais. “A gente não tem como retirar o vírus do meio ambiente, mas tem meios para evitar surtos a partir do momento em que tem uma vigilância e uma comunicação atuantes”, defendeu. Zuinara afirmou que, na Bahia, as coletas não são realizadas em campo, os primatas vão inteiros para o LACEN.

Em 2017, foram analisadas pelo laboratório amostras de 117 municípios, destes 27 apresentaram positividade para febre amarela. Em 2018, o número de epizootias diminuiu. Dos 88 municípios que enviaram primatas para o LACEN, não houve amostras positivas. “A gente precisava identificar onde tinha epizootia. Hoje, a gente sabe que o vírus não deixou de existir, mas está contido no meio rural. Como o número de casos diminuiu, partimos para a fase de monitorar os vetores, com a capacidade de dar resposta maior”, explicou a diretora.

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Pessoas com anticorpos contra a dengue têm menor chance de contrair zika, aponta estudo

O surto da zika, ocorrido no período de 2015/2016, representou uma das maiores emergências de saúde pública do Brasil. Um novo estudo liderado por pesquisadores da Fiocruz Bahia, Fiocruz Pernambuco, Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Escola Pública de Yale, além de outros parceiros internacionais, demonstrou que as pessoas que possuíam anticorpos contra a dengue tinham menor probabilidade de serem infectadas pelo zika durante o surto.

A revelação de que a imunidade resultante da infeção gerada pelo vírus da dengue protegeu indivíduos da zika foi obtida a partir do acompanhamento de uma coorte de 1.453 pessoas, formada por moradores do bairro Pau da Lima, em Salvador, Bahia, uma área em que cerca de 73% dos indivíduos tiveram contato com o vírus Zika. O estudo que descreve os procedimentos da pesquisa e os mecanismos que geram a proteção foi publicado na revista Science

Os vírus da zika e da dengue compartilham muitas semelhanças genéticas e circulam nas mesmas regiões. Uma questão-chave em ainda estava em aberto foi se os anticorpos que são gerados a partir de uma infecção por dengue poderiam protegem as pessoas ou as tornam mais suscetíveis a uma infecção por zika. “Este estudo é o primeiro a avaliar esta questão e demonstrar que a imunidade à dengue pode proteger contra uma infecção por Zika em populações humanas”, disse Federico Costa, pesquisador visitante da Fiocruz Bahia e professor do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA.

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Mitermayer Galvão dos Reis, destacou que a população de Pau da Lima já é acompanhada há quase 20 anos pelo grupo de pesquisa e defendeu que o fato do trabalho ser multicêntrico contribuiu para o avanço no conhecimento científico. “Estudos anteriores realizados na Fiocruz Bahia já indicaram que a infecção por zika também gerou resposta imune cruzada contra dengue. Mostramos que trabalhando de forma organizada, em parcerias, você pode aumentar o conhecimento científico, gerar evidencia para tomada de decisões políticas futuras e formar e capacitar recursos humanos”, afirmou.

Uma explicação para a relação entre a epidemia e a síndrome congênita associada a zika também foi oferecida pelos pesquisadores. “A taxa de infecção extremamente alta entre as mulheres grávidas de comunidades empobrecidas, como no nosso local de estudo, foi certamente a principal razão pela qual tivemos um grande surto de microcefalia entre as crianças no final de 2015”, disse Albert Ko, professor da Escola de Saúde Pública de Yale e um dos autores principais do estudo.

A pesquisa indicou que, embora a taxa geral de infecção tenha sido alta em Pau da Lima, os pesquisadores descobriram grandes diferenças no risco de infecção pelo Zika, em curtas distâncias. Dependendo de onde as pessoas viviam, as taxas de infecção variavam de um mínimo de 29% a um máximo de 83%. Os autores defenderam que, embora houvesse áreas da comunidade que não foram atingidas pelo Zika durante o surto, a grande maioria da população estava infectada com o vírus altamente transmissível e por isso desenvolveu imunidade a esse vírus, o que, por sua vez, levou à extinção da transmissão e causou o declínio do surto. “A pandemia de zika criou altos índices gerais de imunidade a esse vírus nas Américas, o que será uma barreira para os surtos nos próximos anos”, disse Isabel Rodriguez-Barraquer, professora assistente da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

O estudo foi apoiado pela Escola de Saúde Pública de Yale, Ministérios da Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia do Brasil e os Institutos Nacionais de Saúde.

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Seminário Febre Amarela: Vigilância de Epizootia será realizado na Fiocruz Bahia

No dia 31 de janeiro (quinta-feira), será realizado o seminário “Febre Amarela: Vigilância de Epizootia”, no auditório da Fiocruz Bahia, a partir das 09 horas. O evento, que discutirá a vigilância em epizootia em primatas não humanos, tem como objetivo a prevenção de casos humanos de febre amarela. O seminário é aberto ao público e não necessita inscrição.

Na ocasião, estarão presentes Nísia Trindade, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de Daniel Garkauskas Ramos, da Secretaria de Vigilância em Saúde (Ministério da Saúde); Rivaldo Venâncio da Cunha, da Coordenação de Vigilância em Saúde (Fiocruz); Jeane Magnavita, diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia; e Zuinara Pereira Guimarães Maia, do Laboratório Central do Estado da Bahia (LACEN).

Clique aqui e confira a programação completa.

A primeira mesa de discussão abordará o tema “Febre Amarela: vigilância de epizootia” e “Ações de bloqueio vetorial e vacinal no estado da Bahia”. No segundo momento, os palestrantes irão discorrer sobre os “Aspectos histopatológicos da febre amarela” e “Febre amarela: investigação de casos e tomada de decisão em nível estadual”. 

Seminário Vigilância de Epizootia

Data: 31/01/2019
Horário: 09h00 às 15h00
Local: Auditório Aluízio Prata, Fiocruz Bahia. Rua Waldemar Falcão, nº 121, Candeal – Salvador, Bahia.

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Estudo relaciona traço falciforme e doença renal terminal

A frequência de traço falciforme é significativamente maior em pacientes em hemodiálise do que na população geral. Essa foi uma das conclusões de um estudo coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Washington Conrado dos Santos, que comparou a frequência do traço falciforme entre pacientes com doença renal terminal e uma população de recém-nascidos em Salvador, Bahia. O estudo foi descrito no periódico científico Plos One, no artigo The sickle cell trait and end stage renal disease in Salvador, Brazil.

De acordo com o trabalho, o traço falciforme é frequente na população brasileira, variando de 1,1% a 9,8%. A doença falciforme tem sido associada a uma variedade de lesões renais e as alterações vasculares observadas nesta doença podem afetar mais intensamente a medula renal. Por outro lado, o traço falciforme é raramente associado à doença renal e pouco se sabe sobre a contribuição do traço falciforme para a gravidade e progressão de doenças renais inflamatórias ou degenerativas.

No presente estudo, foram avaliados 306 pacientes com doença renal terminal em hemodiálise e, para estimar a frequência do traço falciforme na população geral de Salvador, dados coletados por um programa de triagem neonatal local entre 2011 e 2016 também foram analisados. Não foram encontradas diferenças nos dados demográficos, clínicos ou laboratoriais entre os pacientes com ou sem o traço falciforme.

Estudos adicionais avaliando a fisiopatologia do traço falciforme e seu impacto na doença renal podem fornecer informações importantes para promover o desenvolvimento de estratégias para prevenir a progressão da doença renal crônica para terminal.

Fatores genéticos

No artigo, os pesquisadores afirmam que, ao estudar a doença renal nas populações de descendentes de africanos, é importante levar em consideração outros fatores genéticos envolvidos na progressão da doença renal. Certas variantes no APOL1, um gene localizado no cromossomo 22, que codifica a apolipoproteína L1 (APOL1), estão associadas à progressão de muitas doenças renais.

Por isso, também foram investigadas as frequências de variantes de risco de apolipoproteína L1 em ​​pacientes submetidos à hemodiálise. Os pesquisadores concluíram que os haplótipos APOL1 não parecem ser os determinantes da doença renal terminal nesses pacientes. Foram analisados o DNA de 45 pacientes.

 

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Transmissão simultânea dos vírus da dengue, chikungunya e zika é analisada em Salvador

A partir de 2014, grandes epidemias de chikungunya e Zika assolaram o Brasil e outros países das Américas, se juntando à dengue para compor um grupo de doenças febris transmitidas por mosquitos que representa um emergente problema de saúde pública urbana: as arboviroses. Desse modo, a correta diferenciação clínica de cada uma dessas doenças ficou ainda mais difícil. Além disso, há a possibilidade de infecção simultânea (co-infecção) por mais de um dos vírus e as implicações dessa ocorrência em relação à apresentação e evolução clínica são pouco claras.

Diante dos desafios e lacunas, no conhecimento no que se refere à frequência em que co-infecções ocorrem durante períodos de intensa co-transmissão de diferentes arbovírus, a quais manifestações clínicas são mais frequentes em cada uma dessas infecções e à capacidade dos médicos suspeitarem corretamente do diagnóstico delas, o pesquisador da Fiocruz Bahia e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Guilherme Ribeiro, liderou um estudo com objetivo de responder a essas perguntas.

A pesquisa, realizada entre setembro de 2014 e julho de 2016, incluiu 948 pacientes atendidos por doenças febris em uma unidade de saúde de emergência de Salvador, os quais foram sistematicamente investigados por exames laboratoriais para verificar se a causa da doença poderia ser atribuída aos vírus da dengue, chikungunya ou zika.

Os resultados do trabalho foram publicados no periódico científico Clinical Infectious Diseases, um dos mais conceituados meios de divulgação de resultados de pesquisas na área das doenças infecciosas. Além de pesquisadores da Fiocruz Bahia e da UFBA, participaram da pesquisa estudantes de pós-doutorado, doutorado, mestrado e iniciação científica, e pesquisadores das instituições internacionais Yale University, Emory University e University of Texas Medical Branch, todas localizadas nos EUA.

Os resultados indicaram que essas três arboviroses são uma importante causa das doenças febris que acometem aqueles que procuram uma unidade de emergência. De cada 100 pacientes incluídos no estudo, 26 deles tinham uma infecção aguda por um dos arbovírus, sendo que 24 tinham uma infecção causada por apenas um dos arbovírus, enquanto que 2 apresentava uma co-infecção por dois arbovírus. A elevada frequência de detecção de infecções e co-infecções por arbovírus entre os pacientes febris investigados ocorreu em função da intensa transmissão simultânea dos três arbovírus, em Salvador, durante o período do estudo.

Foi observado também que, de uma forma geral, as manifestações clínicas da dengue, Zika e chikungunya eram semelhantes. Entretanto, os pacientes com Zika apresentaram erupção cutânea e prurido mais frequentemente do que aqueles com dengue e chikungunya. Por outro lado, dores articulares foram mais comuns naqueles que tiveram o diagnóstico de chikungunya, comparados àqueles diagnosticados com dengue e Zika.

Apesar dessas diferenças, os médicos apresentaram grande dificuldade em fazer uma suspeita clínica do diagnóstico corretamente, visto que o maior acerto ocorreu para os pacientes que tiveram o diagnóstico laboratorial de Zika e esse acerto foi de somente 23%. Uma parte da dificuldade para fazer uma suspeição clínica correta se deveu ao fato de que a transmissão do vírus chikungunya, em Salvador, ainda não estava completamente evidente no período.

O estudo, conduzido durante um período de intensa transmissão simultânea de Dengue, Chikungunya e Zika, concluiu que as arboviroses são uma importante causa de doenças febris e indicou que as co-infecções são comuns nessas circunstâncias. Dadas as semelhanças clínicas entre as três arboviroses existe uma necessidade urgente do desenvolvimento de testes diagnósticos que detectem essas três infecções de forma simultânea, que forneçam um resultado em pouco tempo e possam ser realizados na s unidades de pronto-atendimento, sem necessidade de um laboratório especializado.

Além disso, informações epidemiológicas sobre sazonalidade, suscetibilidade da população e intensidade de transmissão desses vírus em cada local são necessárias para orientar os médicos na sua suspeição clínica.

 

 

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PgBSMI lança edital de seleção para mestrado 2019.1

O Programa de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI) divulga o edital de seleção para Mestrado 2019.1. As inscrições para candidatura estarão abertas de 14 a 25 de janeiro. O Mestrado tem por objetivo o aprofundamento do conhecimento técnico, científico e ético do aluno, visando a qualificação supracitada. 

O curso destina-se à formação de profissionais qualificados para o exercício de atividades acadêmicas, científicas e tecnológicas nas suas áreas de Biotecnologia Aplicada à Saúde, Epidemiologia Molecular e Medicina Investigativa, Biologia Celular e Biologia Computacional Aplicada a Saúde.

 

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Pesquisa avalia benefício do benzonidazol na doença de Chagas

O benzonidazol (Bz) é considerada droga de primeira linha para o tratamento etiológico da doença de Chagas, por apresentar melhor tolerância e causar menos efeitos colaterais. O estudo, conduzido pelos pesquisadores Manoel Barral Netto, da Fiocruz Bahia, e Edmundo Câmara, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), comparou pacientes com doença de Chagas não tratados e tratados com Bz a longo prazo e usou uma abordagem analítica que integrou características clínicas com parâmetros de eletrocardiograma, ecocardiograma e marcadores imunológicos.

Clique aqui para acessar o artigo publicado no International Journal of Infectious Diseases.

A doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, é um grave problema de saúde, afetando 6 a 7 milhões de pessoas em todo o mundo e levando a cerca de dez mil mortes a cada ano. Embora a mortalidade por essa enfermidade tenha diminuído, ela ainda causa várias consequências irreversíveis nos sistemas cardiovasculares de 20 a 30% dos indivíduos infectados. Estima-se que mais de US $ 1 bilhão por ano seja gasto mundialmente em morbidade associada à cardiomiopatia chagásica.

Apesar de ser pouco clara a eficácia dos medicamentos tripanocidas, a OMS recomenda a realização do tratamento, pois esses fármacos são eficazes durante as fases aguda, indeterminada e, provavelmente, na crônica leve da doença. Alguns estudos anteriores, comparando os resultados de pacientes com doença não aguda tratados com benzonidazol, indicaram que a medicação previne a progressão da doença. No entanto, a eficácia do tratamento tripanocida permaneceu pouco clara em outros grupos de pesquisa.

No Brasil, a eficácia do tratamento com Bz diferiu significativamente de outros países. Tem sido demonstrado que o tratamento com benzonidazol pode ter um impacto na resposta à doença, mas esses achados não foram relacionados à melhora clínica. Como a vantagem clínica do tratamento da doença de Chagas permanece indefinida, uma investigação mais aprofundada de sua eficácia e seus mecanismos potencialmente protetores podem ajudar a estabelecer sua utilidade.

De acordo com os pesquisadores, provavelmente, este foi o primeiro estudo a comparar várias citocinas e quimiocinas na fase cardíaca indeterminada e crônica da doença de Chagas, em pacientes tratados com benzonidazol versus aqueles não tratados, e, simultaneamente, investigar a função miocárdica nessa população com Doppler tecidual. 

Resultados

Os estudiosos recrutaram pacientes ambulatoriais, entre 2012 e 2013, de dois centros de referência no estado da Bahia, para estudo de coorte prospectivo. A maioria dos indivíduos dos grupos tratados e não tratados era do sexo feminino (67% e 70%, respectivamente). Nenhuma diferença foi observada em termos de sexo ou idade. O grupo não tratado foi diagnosticado com Chagas por um período maior do que o grupo tratado. Além disso, mais dispneia foi relatada no grupo não tratado versus grupo tratado.

Os resultados mostraram que o grupo de pacientes tratados com Bz teve aumento dos níveis plasmáticos de IL-17 (uma citocina relacionada à melhora da função cardíaca) e função miocárdica preservada. Também foram comparados os dados usando o Doppler tecidual, que mostrou que pacientes tratados tiveram melhor preservação da função ventricular esquerda e direita.

Dessa forma, níveis aumentados de IL-17, um fator de proteção, juntamente com melhor função miocárdica, reforçaram a ideia de efeitos benéficos do Bz no tratamento da doença de Chagas, mesmo em pacientes com doença cardíaca leve.

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22º Simpósio Internacional em Microencapsulação será realizado na Fiocruz Bahia

Com foco em nanotecnologia, a Fiocruz Bahia sediará o 22º Simpósio Internacional em Microencapsulação, entre os dias 25 a 27 de setembro de 2019. O evento, que será realizado junto com a Sociedade Internacional de Microencapsulação e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), tem como público-alvo pesquisadores e estudantes das áreas de Farmácia, Química, Biologia, Biotecnologia e Engenharias. A inscrição para submissão de resumos começará em fevereiro.

Clique aqui e acesse o hotsite do evento.

A programação científica será composta de sessões plenárias com convidados internacionais da área, quatro sessões científicas e duas mesas temáticas, que irão discutir nanotecnologia para doenças tropicais e negligenciadas, saúde animal, agricultura sustentável e meio ambiente. As apresentações serão realizadas em inglês.

O Simpósio acontece desde 1972, sendo inicialmente um fórum para discussões científicas em Microencapsulação, e ocorre entre o intervalo de dois anos. A 22ª edição será uma continuação dos dois anteriores, que ocorreram em Boston (EUA), em 2015, e em Faro (Portugal), em 2017.

 

 

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Inscrições abertas para o II Simpósio Internacional em Autofagia, Fagocitose e Imunidade

O II Simpósio Internacional em Autofagia, Fagocitose e Imunidade Inata tem como objetivo apresentar tecnologias inovadoras e avanços recentes relacionadas ao tema a estudantes de graduação e pós-graduação e pesquisadores nesta área de importância médica. O evento será realizado nos dias 06 a 08 de fevereiro, na Fiocruz Bahia. As inscrições encerram em 21 de janeiro e podem ser realizadas aqui.

Nessa segunda edição, o simpósio terá como meta principal o incentivo à criação e ampliação de núcleos de pesquisa nessas três áreas de investigação na Bahia, bem como em outros Estados do Brasil, além de formar recursos humanos em biotecnologia.

Outras informações como programação, critérios de seleção e regras para envio de trabalhos podem ser encontradas no hotsite do curso.

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Características clínicas e laboratoriais de gestantes com doença falciforme em crises de dor são analisadas em dissertação

AUTORIA: Lorena dos Santos Araújo
ORIENTAÇÃO: Dalila Luciola Zanette
TÍTULO DA DISSERTAÇÃO: “CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E LABORATORIAIS DA CRISE DE DOR EM GESTANTES COM DOENÇA FALCIFORME”.
PROGRAMA: Pós-Graduação em Patologia Humana-UFBA /FIOCRUZ
DATA DE DEFESA: 08/01/2019

RESUMO

INTRODUÇÃO: A gestação para mulheres com doença falciforme é considerada de alto risco e é associada ao aumento do risco de morbidade e mortalidade materna e fetal. O aumento da frequência e da gravidade das crises de dor ocorrem durante a gravidez de mulheres com doença falciforme.

OBJETIVO: O objetivo deste trabalho foi analisar as características clínicas e laboratoriais de gestantes com doença falciforme diante de crises de dor.

MATERIAL E MÉTODOS: Foi desenvolvido um estudo observacional, de corte longitudinal, prospectivo, descritivo, exploratório, de abordagem quantiqualitativa, no período de outubro de 2017 a julho de 2018. Foram incluídas na pesquisa 27 mulheres com doença falciforme, sendo destas 13 nulíparas e 14 gestantes, acompanhadas pelo Ambulatório Municipal Especializado em Doença Falciforme e pelo Ambulatório da Maternidade de Referência Professor José Maria de Magalhães Netto, respectivamente. Foram realizadas entrevista estruturada e acompanhamento de exames laboratoriais. As análises estatísticas foram realizadas utilizando os softwares Graph Pad Prism versão 6, SPSS versão 22, e programa Excel versão 2010.

RESULTADOS: A maior parte das mulheres nulíparas e gestantes classificaram a crise de dor como frequente. A maioria das mulheres nulíparas com doença falciforme demoraram mais dias para obter a resolução da sua dor em relação às gestantes com doença falciforme. Quanto à intensidade da dor, houve variação entre dor leve a moderada nos dois grupos analisados, com destaque para a dor moderada no grupo de nulíparas; e dor moderada e intensa no grupo de gestantes. Os locais anatômicos dolorosos mais acometidos foram os membros superiores e inferiores no caso das mulheres nulíparas; e membros inferiores e colunar lombar no grupo de gestantes. Destaca-se que os fatores sensoriais e afetivos apresentaram uma maior influência na percepção da dor pelas participantes deste estudo. Dentre os exames laboratoriais analisados nesse estudo, notou-se que as gestantes com DF em estado de crise de dor em comparação com mulheres nulíparas com DF estáveis, apresentaram níveis de hemácias, hematócrito e hemoglobina significativamente mais baixos; valor de CHGM significativamente maior; contagem de leucócitos, porcentagem de neutrófilos, bastonetes e segmentados, foram significativamente maiores; porcentagem de eosinófilos e linfócitos foram significativamente menores.

CONCLUSÕES: O quadro de crise de dor apresentado pelas gestantes com DF, está associado a níveis alterados nos parâmetros hematológicos e hemolíticos. Sendo assim, futuras intervenções preventivas podem ser direcionadas para o controle da crise de dor e dos níveis sanguíneos desses parâmetros nessas pacientes. Os resultados deste trabalho consolidam a ideia de que a gestação é um fenômeno que está relacionado à crise de dor na doença falciforme e que é capaz de alterar determinados parâmetros laboratoriais, que devem ser levados em consideração para garantir uma assistência à saúde adequada, com a finalidade de evitar as complicações e proporcionar bem-estar materno-fetal.

Palavras-chave: Anemia falciforme, Dor, Gestantes, Gravidez de alto risco, Investigação laboratorial.

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Fiocruz Bahia participa de consórcio internacional de pesquisa em tuberculose

A última reunião do Report ocorreu na China.

A Pesquisa Regional Prospectiva e Observacional em Tuberculose (RePORT) é uma rede global de pesquisa em diversos países, como Índia, Brasil, Indonésia, África do Sul, China, Filipinas e Estados Unidos, que dedica-se ao estudo colaborativo sobre tuberculose. A primeira reunião do RePORT Internacional ocorreu em Boston, nos Estados Unidos, em setembro de 2015. O intuito do encontro foi apresentar os primeiros resultados nas áreas pertinentes de tuberculose para o RePORT e encorajar colaborações entre os grupos e outros investigadores.

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Bruno de Bezerril Andrade, lidera um dos grupos de pesquisa e participa do segmento do estudo envolvendo a interação entre tuberculose e diabetes, que analisa como a origem do aumento do risco de adquirir tuberculose ativa em pessoas com diabetes é multifatorial.

Integrantes do projeto no Brasil se encontraram, em outubro deste ano, em Salvador, com o objetivo de mostrar os avanços nas pesquisas realizados nos locais que o RePORT trabalha. Atualmente, são mais de 1000 participantes com tuberculose ativa e 1320 contatos domiciliares, os quais contribuíram com sangue, escarro e urina para o biorrepositório do RePORT no país. 

A reunião do RePORT Internacional com investigadores de todos os consórcios ocorre uma vez ao ano. A última reunião, realizada em setembro de 2018, na China, não só destacou numerosos avanços em múltiplos aspectos da pesquisa sobre tuberculose nos últimos anos, mas também expôs as lacunas de conhecimento e oportunidades para estudos mais aprofundados usando a plataforma do RePORT.

Freezers do biorrepositório.

A infraestrutura oferece oportunidades para identificar e implementar abordagens científicas inovadoras tanto de investigadores já bem estabelecidos, quanto de jovens cientistas da área. A experiência do consórcio já produziu diversos artigos, publicados em periódicos internacionais.

No Consórcio Internacional do RePORT foi criado o Protocolo Comum, um estudo observacional que registra indivíduos com tuberculose ativa ou latente nos países envolvidos. O protocolo inclui coleta de informações clínicas e estabelecimento de um biorrepositório para sangue, escarro, urina e amostra de saliva para potenciais colaborações nacionais e internacionais.

O biorrepositório é composto de uma sala com dimensão 26 metros quadrados com fornecimento de energia capaz de garantir o funcionamento dos equipamentos com refrigeração abaixo de 80 graus negativos (freezer e tanques de nitrogênio líquido) e um gerador de energia pronto para ser acionado em caso de queda ou oscilação de energia do fornecedor oficial da cidade de Salvador. Recentemente, este repositório recebeu acreditação internacional e é considerado uma referência de excelência pelo National Institutes of Health (NIH).

Seu principal objetivo é fornecer amostras e conectar dados clínicos para pesquisadores e seus colaboradores, com intuito de descobrir biomarcadores que caracterizam risco de falha no tratamento ou recorrência de tuberculose, assim como progresso da tuberculose latente até sua forma ativa. O Protocolo Comum dará também suporte a pesquisas focadas no melhor entendimento da doença e prognóstico, assim como em validação de testes diagnósticos utilizando as amostras armazenadas e os dados clínicos relacionados.

Pesquisa Tuberculose-Diabetes

Reunião realizada em Salvador.

Um dos focos da pesquisa no Brasil se empenha em estudar a comorbidade tuberculose-diabetes tipo 2, em estreita colaboração do grupo liderado por Bruno Andrade com os investigadores do RePORT na Índia.

Globalmente, 15% dos casos de tuberculose são estimados como sendo atribuíveis ao diabetes. O número de pessoas em todo o mundo com diabetes deve aumentar substancialmente nos próximos 20 anos, com o maior aumento nos países onde a tuberculose já é endêmica, como o Brasil, a Índia, a China e a África do Sul. O crescimento de diabetes prevalece sendo um desafio para o controle clínico da tuberculose, uma vez que é associada com o alto risco de efeitos adversos e recaídas após o início do tratamento.

Os estudos identificaram anormalidades específicas de citocinas em pessoas com diabetes e pré-diabetes que, provavelmente, contribuem tanto para casos de tuberculose latente como para a doença ativa. Entendendo a interação tuberculose-diabetes e seu impacto no sistema imunológico, os resultados ajudarão a melhorar o controle clínico dos pacientes com ambas as doenças e ter um impacto positivo na saúde pública. As novas evidências mostram que os mediadores lipídicos, como os eicosanóides, moléculas que interceptam processos imunológicos e inflamatórios nos tecidos dos organismo, desempenham papéis importantes na tuberculose e diabetes em ambientes experimentais e clínicos.

A publicação mais recente da pesquisa feita pelo pesquisador da Fiocruz Bahia é sobre um estudo relacionado ao papel das variações nas sequências do DNA na infecção latente por tuberculose e a progressão para tuberculose ativa que não é totalmente compreendida. O estudo fornece fortes evidências de associações entre polimorfismos em genes imunes inatos e o risco de infecção por Mycobacterium tuberculosis e desenvolvimento de tuberculose ativa no Brasil.

Diversas colaborações

Existem outras pesquisas feitas em colaboração entre Brasil e os outros países envolvidos no RePORT. Um desses projeto é o “Rumo a um biomarcador global de tuberculose: comparação de pequenas assinaturas transcriptômicas para prever, diagnosticar e monitorar a doença da tuberculose”, que testa o desempenho diagnóstico da assinatura dos seis genes em parceria com a Universidade da Cidade do Cabo.

A Universidade de São Paulo também utiliza a plataforma do RePORT para realizar um projeto que mapeia a localização de pacientes com tuberculose. Esse mapeamento serve para detectar pontos críticos de transmissão, através da geolocalização (GPS) em seus celulares, coletando dados não só dos pacientes, como também das pessoas do seu convívio.

Já em parceria com a Universidade de Boston, serão acompanhados 100 pacientes no Brasil e 300 na Índia durante 24 meses de tratamento de tuberculose e 12 meses após o encerramento da terapia antituberculose multidroga resistente. O estudo pretende avaliar a influência da concentração de drogas, mutações de DNA, influência da infecção pelo HIV, o tempo em que mutações de resistência podem ser detectadas durante o tratamento. Os pacientes receberão a terapia para tuberculose multidroga resistente preconizada pelos programas de controle da tuberculose brasileiro e indiano.

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Relatório que desmitifica visão negativa da migração é lançado no Brasil

Migrantes representam uma ameaça à população local: prejudicam a economia, disseminam doenças, são fardo para os sistemas de saúde e têm taxas de fertilidade maiores. Estes são alguns dos mitos não suportados pelas evidências científicas reunidas no relatório final da Comissão UCL-Lancet em Migração e Saúde, lançado no Brasil nesta segunda-feira, 17 de dezembro, na Universidade Federal da Bahia.

Clique aqui e leia o relatório completo.

O evento foi conduzido pelo único brasileiro membro da Comissão, o coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) Mauricio Barreto. Além dele, o lançamento do relatório contou com falas do presidente da Academia de Ciências da Bahia (ACB), Jailson Andrade, da assessora de comunicação e divulgação científica da Ufba, Mariluce Moura, e das pesquisadoras do Cidacs Júlia Pescarini e Dandara Ramos, que fizeram contribuições pontuais para o estudo.

O presidente da Academia de Ciências da Bahia destacou a relevância do documento ao desmitificar os malefícios da migração. “Os países foram feitos por correntes migratórias e o nosso foi feito por algumas espontâneas e outras obrigatórias. Mas isso foi o que fez o Brasil do jeito que é, com uma riqueza muito grande”, ressaltou.

Já Mariluce Moura afirmou que o Brasil deverá ser, cada vez mais, um polo de atração forte de imigrantes. “A realidade vai impor que o país lide bem com essa questão. É bom que a gente tenha um documento com bases científicas sólidas mostrando que isso pode ser positivo para o Brasil”, destacou.

O relatório é o resultado de um projeto de dois anos da Comissão UCL-Lancet em Migração e Saúde, conduzida por 20 especialistas de 13 países. O documento inclui a análise de dados novos, artigos originais de pesquisa e representa a mais abrangente revisão da evidência disponível sobre o tema. O evento foi promovido pelo Cidacs em parceria com University College London (UCL) e o periódico científico The Lancet, com o apoio da Academia de Ciências da Bahia e da Ufba.

Com evidências

O esforço de reunião de evidências científicas sobre migração e saúde realizado pela Comissão lança luz em uma relação que usualmente não é analisada, de acordo com o pesquisador Mauricio Barreto. Foi esse olhar mais acurado que possibilitou que o relatório pudesse desmitificar mitos como o de que migrantes são fardo para os sistemas de saúde.

“Evidentemente, quando a população cresce há uma carga maior e o sistema de saúde deve ser estruturado para atender a demanda. Mas, em uma sociedade saudável e equilibrada, as riquezas que os migrantes geram também financiam o sistema de saúde”, explicou Barreto. Segundo ele, os migrantes geralmente possuem condições de saúde e expectativa de vida maiores que a população local. “Os processos que geram a saída migratória de alguma forma selecionam pessoas mais saudáveis”, disse.

Outro mito considerado infundado pela Comissão é a de que os migrantes são vetores de transmissão de doenças. A pesquisadora do Cidacs, Julia Pescarini, analisou a tuberculose nos imigrantes bolivianos em São Paulo, grupo de risco para doença, especialmente devido a jornada da migração e as condições adversas que encontram quando chegam ao destino. Mas, apesar de terem uma carga alta de tuberculose, o fator de transmissão é similar a outros grupos de risco, como moradores de rua e usuários de drogas. “Eles são somente mais uma população vulnerável que necessita de atenção e cuidados especiais”, afirmou ela, ressaltando que deve-se ter cuidado para que as políticas de controle da doença não acabem reforçando a discriminação dessas populações.

As consequências da discriminação para os migrantes foi objeto da revisão da pesquisadora Dandara Ramos, que analisou evidências científicas sobre o impacto da detenção na saúde dos imigrantes. As evidências indicaram que entre 70% e 100% dos imigrantes que passaram por centros de detenção, inclusive crianças, apresentaram prevalência de transtornos do estresse pós-traumático (TEPT), de ansiedade ou depressão, com sinais como automutilação e ideação suicida.

Contudo, a pesquisadora lembrou que há limitações na pesquisa científica sobre o tema: a maioria dos imigrantes em centros de detenção de países de língua inglesa, especialmente as crianças, são de origem árabe e não falam inglês, o idioma prevalente na pesquisa científica. Além disso, dos 860 estudos identificados sobre o tema, somente quatro eram sobre os Estados Unidos – país que recentemente esteve em evidência devido a violação de direitos humanos dos imigrantes em centros de detenção. “Além de ser populações que tem seus direitos violados, ainda são invisíveis para a ciência tradicional. Encontrar essas evidências foi um grande choque, mas também deu uma sacudida na nossa cadeira de cientista de que estas populações precisam de atenção urgente, inclusive de atenção científica”, disse.

Confira as fotos:

 

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Fiocruz Bahia encerra 2018 com reunião de balanço anual

Aconteceu, ontem (17), no auditório Aluízio Prata, a reunião de Balanço Anual 2018 da Fiocruz Bahia. O evento reuniu cerca de 100 pessoas, dentre pesquisadores, servidores e  colaboradores do instituto. A apresentação foi realizada pela diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves. Ao final, foi exibido o vídeo institucional de final de ano.

Marilda agradeceu aos vice-diretores e a toda comunidade e pontuou como o ano de 2018 foi positivo para a instituição. “A gente tem feito da Fiocruz Bahia uma instituição que trabalha em unidade”, afirmou. Durante a apresentação, a diretora deu ênfase em alguns dados, que foram resultados das produções no ano de 2018. Entre eles estão os 137 artigos científicos publicados, sendo 41 com o formato Open Acess.

O fator de impacto das publicações cresceu de 3,2 para 4,03, com publicações em revistas com alta confiabilidade como a PLoS, Frontiers, Nature, BMC e Hindawi. A diretora também mencionou o edital promovido pelo Chan Zuckerberg Biohub, no qual a pesquisadora da Fiocruz Bahia, Juliana Perrone, foi contemplada.

Em relação ao Ensino, o número de alunos matriculados esse ano cresceu, comparado a 2017, nos dois programas de pós-graduação: o curso Patologia Humana e Patologia Experimental (PGPAT), com 96 matriculados em 2018, e o curso de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI), com 108. O Programa Institucional de Iniciação Científica (PROIIC) também foi ampliado com 8 bolsas do CNPq, resultando em 84 estudantes de Iniciação Científica e Tecnológica.

No âmbito da Gestão, a diretora ressaltou que 82 servidores foram capacitados em 2018, com cursos como Primeiros Socorros, promovido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Ainda, foram realizados eventos para os colaboradores da instituição, que abordaram temas como saúde mental, suicídio e câncer de mama, promovido pelo Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST) e a palestra sobre Bem Estar realizada pela Fiocruz Saudável, a fim de promover melhorias no ambiente de trabalho. Este ano, a Fiocruz Bahia também passou por melhorias tanto na área de infraestrutura como nos serviços de Tecnologia da Informação. 

Confira a cobertura fotográfica:

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Dissertação avalia ensaio QuantiFERON na discriminação de cães suspectíveis e resistentes a leishmaniose

AUTORIA: Paula Rocha Dantas Silva
ORIENTAÇÃO: Geraldo Gileno de Sá Oliveira
TÍTULO DA DISSERTAÇÃO: “Ensaio quantiferon modificado na leishmaniose visceral canina”
PROGRAMA: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
DATA DE DEFESA: 19/12/2018

RESUMO

A leishmaniose visceral (LV) é uma doença grave que acomete principalmente o homem e o cão, sendo o último o principal reservatório e o principal reservatório do agente causal, Leishmanias do complexo Leishmania donovani. No Brasil, o programa de controle de leishmaniose visceral tem como principais diretrizes o tratamento de casos humanos, combate ao inseto vetor, identificação e eliminação de cães infectados e medidas de educação em saúde e estabelece como método de detecção da LV canina (LVC) a triagem com um teste rápido (DPP, plataforma de duplo percurso) e a confirmação por um ensaio imuno-enzimático. Contudo, somente uma parte dos cães infectados é capaz de transmitir o parasito para insetos vetores. Provavelmente, para o controle da LV, é contraproducente remover das áreas endêmicas cães infectados que exibem a capacidade de controlar a infecção e não infectivos para o inseto vetor. Um ensaio denominado QuantiFERON, utilizado para o diagnóstico da tuberculose, tem despertado interesse em pesquisas sobre leishmaniose. No presente trabalho, foi avaliada a utilidade de um ensaio QuantiFERON modificado para a discriminação de cães suspectíveis e resistentes a LV. Para isso, foi realizada uma avaliação de corte transversal em uma área endêmica de LV, na qual cães foram classificados em grupos: a) sem marcador de infecção ou b) infectados com baixo escore clínico ou c) infectados com alto escore clinico para LV. Além disso, em uma avaliação longitudinal, na qual cães infectados de área endêmica foram acompanhados durante dois anos, esses foram classificados quanto a manifestações clinicas em grupos: a) infectados com baixo escore clínico, b) infectados com escore clínico intermediário e c) infectados com alto escore clínico para LV. Um grupo de cães sem infecção, controle negativo de área não endêmica foi utilizado em ambos estudos. No ensaio, amostras de sangue periférico anticoagulado foram incubadas na ausência de antígenos ou na presença de antígenos solúveis Leishmania ou de antígenos recombinantes de Leishmania (rLc2-NT-CT, rLc2-NT-5R-CT ou KMP-11) e a concentração de interferon gama (IFN-γ), inteleucina-2 (IL-2), IL-6, IL-10 e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). Infelizmente devido a problemas técnicos, a mensuração de IFN-γ não pode ser realizada. O ensaio QuantiFERON modificado apresentou utilidade na identificação de cães infectados por Leishmania com as citocinas IL-6, e principalmente TNF- α e IL-10 nos cães resistentes e com baixo e escore clínico, os antígenos SLA, rLci2-NT-CT e rLci2-NT-5R-CT apresentaram maior potencial, o antígeno KMP-11 não foi útil na maior parte das análises. Nenhum dos antígenos induziram a produção de IL-2 em nenhum dos grupos. Conclui-se que o ensaio QuantiFERON modificado apresentou grande potencial na identificação da infecção inclusive no grupo de cães sem infecção detectada pelos outros testes aplicados, o antígeno recombinante rLci2-NT-CT induzindo a produção de IL-10 aprsentou o maior potencial no ensaio QuantiFERON modificado.

Palavras-chaves: leishmaniose visceral canina; citocinas; QuantiFERON modificado; Leishmania infantum; resposta imune.

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