Análise transcriptômica de modelos celulares de hepatite C é tema de dissertação

Discente: João Victor de Oliveira Pimenta Lima
Orientação: Artur Trancoso Lopo de Queiroz
Coorientação: Kiyoshi Ferreira Fukutani
Título da dissertação: “ANÁLISE TRANSCRIPTÔMICA DOS MODELOS CELULARES DE HCV”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 28/02/2023
Horário: 10h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 849 5047 5296
Senha de acesso: 139189

Resumo

O vírus da hepatite C humana (HCV) é um vírus de RNA de fita simples com polaridade positiva, pertencente à família Flaviviridae e ao gênero hepacivirus. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o HCV infecta aproximadamente 71 milhões de pessoas e com o risco de desenvolverem cirrose e câncer de fígado. O ciclo viral do HCV não é totalmente entendido, pela ausência de modelos
experimentais e falta de consenso, dentre os modelos mais utilizados o Pan troglodytes (chimpanzé) é aquele que apresenta maiores custos, o que o torna inviável para a maioria dos estudos. Dentre os modelos experimentais utilizados para a pesquisa in vitro do HCV existe uma falta de padronização das linhagens celulares, o que gera uma dificuldade em se estabelecer protocolos reprodutíveis da
infecção pelo HCV. Logo, estudos comparativos dos modelos celulares são necessários para identificar o melhor modelo que mimetize a infecção humana, já que padrões específicos de cada linhagem interferem na interpretação dos resultados. Assim com o objetivo de comparar a expressão gênica dos modelos celulares com o de indivíduos saudáveis e infectados por hcv, determinar o padrão de expressão nos diferentes modelos experimentais e identificar o modelo que melhor mimetiza a infecção natural por hcv, utilizamos 83 amostras de tecido de fígado, células de linhagem e biópsia de hepatocarcinoma obtidas de 8 estudos de expressão gênica do hcv provenientes do NCBI GEO BANK para realizar análises
de expressão gênica, análise de perturbação molecular, análise funcional dos genes e de enriquecimento e funcional das vias metabólicas. Palavras chave: HCV; Expressão Gênica; Transcriptoma; Linhagem celular.

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Dissertação analisa bioprinting para avaliação de estruturas cell-in-cell em câncer

Discente: Leonardo de Oliveira Siquara da Rocha
Orientação: Clarissa Gurgel de Araújo Rocha
Título da dissertação: “ESTUDO MORFOLÓGICO DE ESFERÓIDES TUMORAIS COMO MODELO PARA AVALIAÇÃO DE ESTRUTURAS CELL-IN-CELL EM CARCINOMA ORAL DE CÉLULAS ESCAMOSAS”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana
Data de defesa: 14/02/2023
Horário: 15h30
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 854 0639 0789
Senha de acesso: Ensino

Resumo

INTRODUÇÃO: O carcinoma oral de células escamosas (CECO) é um problema de saúde mundial. As interações celulares contribuem para a agressividade tumoral através de mecanismos como a formação de estruturas cell-in-cell (CIC). No entanto, somente com o desenvolvimento dos modelos in vitro 3D, se tornou possível estudar a biologia desses eventos. OBJETIVO: O objetivo deste trabalho é estudar o modelo de magnetização celular (bioprinting) de esferóides como ferramenta para avaliação das estruturas cell-in-cell em carcinoma oral de células escamosas. MATERIAIS E MÉTODOS: A linhagem metastática de CECO (HSC3) e os linhagem de fibroblastos associados ao câncer (FACs) (CAF1) foram selecionadas para obtenção de esferóides tumorais utilizando o sistema de bioprinting com NanoshuttlesTM (Greiner Bio-One). Em placas repelentes de 24 poços (Greiner Bio-One), as células foram plaqueadas em grupos de esferoides homotípicos e heterotípicos. O protocolo de plaqueamento foi modificado para eliminar a etapa de levitação e reduzir o número de beads magnéticas. Os esferóides foram avaliados nos tempos de 6h, 12h, 24h, 48h e 72h (EvosTM XL) e suas medidas unidimensionais foram registradas (Image J versão 1.8). Os esferóides foram seccionados para obtenção de lâminas e foram submetidos ao processamento e coloração com hematoxilina e eosina (H/E). As lâminas foram escaneadas (Axio Imager Z2/VSLIDE) e as análises foram feitas por meio do visualizador OlyVIA. Avaliação histomorfológica foi realizada considerando morfologia celular e formação de zonas tumorais (zonas de hipóxia e proliferativa). A contagem de estruturas CIC foi realizada considerando a porcentagem de eventos CIC pelo número total de células em áreas de centro e periferia dos esferóides. Para identificação das estruturas CIC, foi considerado o padrão morfológico de “anel de sinete” ou “olho de pássaro”. RESULTADOS: Com apenas 6h de bioprinting, já houve formação de esferóides tumorais. O protocolo modificado permitiu a formação de esferóides homotípicos e heterotípicos de tamanho e integridade reprodutíveis. Na análise das colorações em H/E, observou-se reprodução da espacialidade e morfologia compatível com o microambiente tumoral, com formação de zonas de hipóxia (centro) e proliferação (periferia). Foi observado afrouxamento e hipercromatismo celular na periferia dos esferóides. Estruturas CIC foram localizadas em todos os grupos, predominantemente na zona proliferativa dos esferóides mistos com FACs. Foram registrados eventos de “canibalismo complexo”, nos quais uma célula englobada contém outra em seu interior. CONCLUSÃO: O modelo de bioprinting viabiliza a obtenção de esferóides tumorais homotípicos e heterotípicos que reproduzem características histomorfológicas do carcinoma oral de células escamosas. A ocorrência de estruturas CIC foi maior na presença dos FACs e na zona proliferativa dos esferóides. Este modelo pode ser utilizado no aprofundamento dos estudos dos eventos CIC, dos seus mecanismos de formação e na sua relação com marcadores de prognóstico tumoral.
Palavras-chave: Esferoides tumorais; Carcinoma oral de células escamosas; Canibalismo celular; Estruturas cell-in-cell; Fibroblastos associados ao câncer;

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Efeito de GANT61 na autofagia em carcinoma escamocelular oral é tema de tese

Discente: Vanessa Sousa Nazaré Guimarães
Orientação: Clarissa Gurgel de Araújo Rocha
Título da tese: “EFEITOS DA INIBIÇÃO FARMACOLÓGICA DE GLI-1 NA AUTOFAGIA EM CÉLULAS DE CARCINOMA ESCAMOCELULAR ORAL METASTÁTICA”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana
Data de defesa: 10/02/2023
Horário: 09h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 851 9334 6679
Senha de acesso: Ensino

Resumo

INTRODUÇÃO: O carcinoma escamocelular oral (CEO) é uma neoplasia agressiva com elevada morbimortalidade e apesar dos avanços científicos relacionados a sua biologia, estes ainda não proporcionaram impacto positivo na terapêutica e prognóstico deste tumor. A reativação da via de sinalização Hedgehog (Hh) se destaca na patogênese do CEO e a sua inibição representa um alvo terapêutico promissor. Nesse contexto, a via Hh interage com a autofagia e esta relação representa uma oportunidade emergente para otimizar esta estratégia, sendo que dentre os inibidores de autofagia apenas a cloroquina e a hidroxicloroquina apresentam aprovação para uso terapêutico em humanos. OBJETIVO: Estudar o efeito biológico de GANT61 na autofagia, em células metastáticas de CEO. METODOLOGIA: A citotoxicidade de GANT61 (18 e 36 μM) e cloroquina (10 μM) em células HSC3 foi avaliada inicialmente pelo método de Alamar Blue por 72 horas. O ensaios de viabilidade celular foi realizado através do CellTiter-Glo®️ por 12, 24 e 48 horas de tratamento de GANT61 (18 e 36 μM), cloroquina (10 μM) e a associação destes fármacos. A morfologia celular foi avaliada no sistema de alto conteúdo pela marcação do citoesqueleto com faloidina 568 após tratamento das condições por 24 horas. A expressão das proteínas do fluxo autofágico (LC3 e P62) foi avaliada após tratamentos através de Western Blot e imunofluorescência, e, posteriormente, analisadas utilizando o sistema de imagem Operetta HTS. A avaliação ultraestrutural das células HSC3 após 24 horas de tratamento foi realizada por microscopia eletrônica de transmissão (MET). RESULTADOS: A análise da citotoxicidade da GANT61 e cloroquina em células HSC3 demonstrou CI50 de 36 µM e 11,6 µM, respectivamente. A associação terapêutica do GANT61 com a cloroquina demonstrou redução da viabilidade celular e incremento de alterações da morfologia das células HSC3. O acúmulo da expressão de LC3 e de P62 foram observados de forma mais acentuada nas combinações de GANT61 (18 e 36 μM) com cloroquina (10 μM) em 24 horas de tratamento, assim como foi possível observar a presença de autofagossomos em células HSC3 tratadas com GANT61 de forma isolada e combinada. CONCLUSÃO: A associação do composto GANT61 com o inibidor autofágico, cloroquina, promove uma acentuação do efeito citotóxico deste composto em células HSC3, o que pode indicar o papel citoprotetor da autofagia em células de carcinoma escamocelular oral. Além disso, ação de GANT61 com a cloroquina acentua o efeito inibitório da cascata autofágica caracterizada pelo aumento da expressão de LC3 e de P62 com maior acúmulo de autofagossomos no citoplasma celular. Entretanto, novos estudos são necessários a fim de melhor compreender os mecanismos envolvidos nessa modulação. Palavras-chave: Autofagia; Carcinoma de células escamosas; Proteínas Hedgehog; Quimioterapia.

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Tese faz avaliação de compostos híbridos como agentes antiplasmódicos

Discente: Helenita Costa Quadros
Orientador: Diogo Rodrigo de Magalhães Moreira
Coorientador: Fábio Rocha Formiga
Título da tese: “AVALIAÇÃO FARMACOLÓGICA DE COMPOSTOS HÍBRIDOS DE AÇÃO EM MÚLTIPLOS ESTÁGIOS OU DE DURAÇÃO LONGA PARA O TRATAMENTO DA MALÁRIA”.
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 14/02/2023
Horário: 13h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 890 5523 0904
Senha de acesso: 690088

Resumo

INTRODUÇÃO: Nos últimos quatro anos, foram aprovados a vacina Mosquirix™ para a malária falcipária e o medicamento Tafenoquina para a malária vivax, os quais representam avanços importantes no combate à transmissão e no tratamento da malária, respectivamente. Todavia, ainda há inúmeros desafios a serem contornados para combater a malária, tais como o desenvolvimento de novos fármacos com ação antiparasitária frente a múltiplos estágios do ciclo evolutivo do plasmódio e o desenvolvimento de novos
fármacos que contornem o tempo de meia-vida plasmático curto das artemisininas, os quais são a primeira linha de tratamento. Uma alternativa para superar tais desafios são os compostos híbridos, os quais podem exercer um papel importante no desenvolvimento de novos fármacos antimaláricos de amplo espectro de ação e com eliminação plasmática mais lenta do que das artemisininas. OBJETIVO: Investigar as bases farmacológicas de compostos híbridos como agentes antiplasmódicos. MATERIAIS E MÉTODOS: Os híbridos foram idealizados, sintetizados e caracterizados quimicamente através de colaborações entre o nosso grupo e outros grupos de pesquisadores. Os ensaios experimentais de potência in vitro foram realizados com o P. falciparum e P. berghei, enquanto que os ensaios de eficácia in vivo foram realizados com o P. berghei. RESULTADOS: Os achados experimentais mostraram que a combinação química de grupos farmacofóricos quinolínicos, dando origem aos compostos híbridos MNCS59 (1) e MNCS60 (2), revelou potência, eficácia e espectro de ação mais amplos do que a
monoterapia ou terapia combinada com os seus fármacos parentais. Dentre os diferentes estágios evolutivos do plasmódio, o estágio sanguíneo assexuado foi o mais susceptível ao tratamento com os compostos híbridos, seguido dos esquizontes teciduais; já os gametócitos maduros foram os menos susceptíveis ao tratamento. Coincidentemente, os estágios evolutivos mais susceptíveis ao tratamento com compostos híbridos MNCS59 (1) e MNCS60 (2) são aqueles onde o processo de homeostasia redox e de detoxificação do heme são essenciais ao plasmódio. Os achados experimentais encontrados com a
combinação química do grupo farmacofórico endoperóxido existente nas artemisininas, dando origem aos compostos híbridos 163A (3) e LH70 (4), também demonstraram potência, eficácia e espectro de ação mais amplos do que a monoterapia ou terapia combinada com os seus fármacos parentais. nteressantemente, o composto híbrido (4) apresentou potência e eficácia superiores aos demais híbridos e as artemisininas. Estudos subsequentes para explicar o aumento da potência antiparasitária mostraram que o híbrido (4) possui uma estabilidade química e uma ação fenotípica mais duradoura do que as
artemisininas. Por apresentar uma ação fenotípica mais duradoura, o composto híbrido (4) foi capaz de reduzir a proliferação de parasitos resistentes as artemisininas, porém não foi tão capaz de reduzir a viabilidade celular de parasitos quiescentes e resistentes as artemisininas. CONCLUSÃO: Com este conjunto de dados, nós concluímos que os compostos híbridos aqui estudados conservam os mecanismos de ação dos endoperóxidos e/ou quinolinas, e também apresentam um potencial terapêutico melhorado e um espectro de ação mais amplo do que a monoterapia ou a terapia combinada, podendo ser considerados como possíveis fármacos para a terapia combinada com as artemininas. Palavras-chave: malária, plasmódio, artemisininas, quinolinas, híbridos, tratamento.

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Pesquisador emérito é um dos autores de livro inédito sobre caramujo transmissor da esquistossomose

Com foco no estudo dos tecidos e estruturas de um dos caramujos transmissores da esquistossomose, o “Atlas de Histologia de Biomphalaria glabrata”, publicado em novembro de 2022, pela editora CRV, tem como autores Zilton Andrade, pesquisador emérito da Fiocruz Bahia (falecido em 2020), a pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) Marta Júlia Faro, e a microbiologista do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos Samaly Souza Svigel. 

O Atlas é o primeiro livro de histologia dedicado a analisar o B. glabrata no Brasil. Essa espécie de molusco pulmonata da família Planorbidae é considerada o principal hospedeiro intermediário do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. O objetivo foi contribuir com o estudo básico do caramujo realizado por estudantes das áreas biológicas e auxiliar as pesquisas nas áreas de parasitologia, malacologia e histologia do caramujo.  

“O Atlas levou 8 anos para ser publicado, devido as condições de saúde de dr. Zilton e a falta de verba para publicação”, compartilham Samaly Svigel e Marta Faro. O projeto de confecção do livro iniciou quando Samaly era ainda doutoranda, orientada por Zilton Andrade. Faro atuava em cooperação com o pesquisador à época.  

“Ele foi elemento instrumental para idealização e publicação desta obra. Devido à falta de material histológico adequado para a pesquisa cientifica do caramujo, o dr. Zilton teve a ideia de utilizar seu conhecimento para confeccionar um atlas com imagens coloridas e de alta resolução, que viesse a contribuir para o estudo aplicado da histologia do molusco e para uma melhor compreensão na relação parasita-hospedeiro”. 

“Dr. Zilton foi nossa inspiração e a cada reunião lembrávamos dele com muito respeito, orgulhosas de estarmos escrevendo este livro com nosso querido mestre, como carinhosamente o chamávamos”. As autoras do livro também ressaltam a contribuição de outros pesquisadores do IOC e da Fiocruz Bahia para a finalização do projeto e o levantamento da verba necessária para a publicação, como Arnaldo Maldonado, Silvana Thiengo, Marcelo Pelagio, Ester Mota, Pedro Paulo Manso, Paulo Marcos Zech Coelho e Geneilton Vieira, junto a equipe do Serviço de Produção de Imagem do IOC. 

O Atlas é composto por 83 lâminas, com descrição detalhada das estruturas. Todas as lâminas utilizadas para análise foram confeccionadas pelas técnicas Cátia Magalhães e Cristina Motta, no Laboratório de Histopatologia do Instituto Gonçalo Moniz (IGM), sede da Fiocruz Bahia. Posteriormente, as lâminas foram fotografadas no Laboratório de Patologia do IOC. A representação dos sistemas e estruturas do caramujo conta com o uso de imagens morfológicas elaboradas pelo médico Wladimir Lobato Paraense, pesquisador titular da Fiocruz e um importante especialista em parasitologia, também já falecido.  

O livro pode ser acessado gratuitamente no site da editora CRV. (Disponível aqui) 

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Cidacs/Fiocruz Bahia participa de ação coordenada em saúde com comunidades

Com o objetivo de construir uma agenda de saúde que inclua as demandas de populações que vivem em bairros periféricos e comunidades de Salvador e Região Metropolitana, um grupo de 20 coletivos e entidades, além de pesquisadores, membros do Conselho Municipal de Saúde e do Cidacs/Fiocruz Bahia participaram de uma reunião no CEAO – Centro de Estudos Afro-Orientais – UFBA, nesta segunda-feira (23). Durante o encontro, questões estruturais do campo da saúde foram discutidas, bem como quais os problemas que devem ser tratados como prioritários pelas gestões públicas municipais, estadual e federal.

“Nossa ideia é o fortalecimento das redes que atuam em bairros periféricos e comunidades de Salvador no sentido de construir um diagnóstico que indicasse as condições de saúde nestas regiões”, afirmou Richarlls Martins, coordenador executivo do Plano Fiocruz de Enfrentamento à Covid-19 nas Favelas do Rio de Janeiro. O pesquisador foi um dos facilitadores da oficina que construiu a agenda de saúde para bairros periféricos e comunidades de Salvador e Região Metropolitana junto com a socióloga e ativista Vilma Reis, da Coletiva Mahin Mulheres Negras.

Na mesa de abertura do encontro, estiveram presentes a epidemiologista Maria Yury Ichihara, vice-coordenadora do Cidacs/Fiocruz Bahia, e o jornalista Paulo Almeida, da Agência de Notícias das Favelas. A pesquisadora relembrou o papel da Fiocruz na história da saúde pública no Brasil e em momentos como a epidemia da Zika, de influenza e mais recentemente com a Covid-19. “A Fiocruz vem buscando trabalhar apoiando o desenvolvimento de ações de intervenção e produção do conhecimento. O IGM [Instituto Gonçalo Moniz] aqui na Bahia também segue essa diretriz estratégica de resolução de problemas de saúde pública para resolver emergências sanitárias”, declarou Maria Yury.

O jornalista Paulo Almeida destacou o papel da Agência de Notícias da Favela, que, em Salvador, está sediada no Bairro da Paz, na produção de notícias para a periferia. “Comunicação é uma ferramenta capaz de salvar vidas. Trabalhamos com notícias que não vão para mídia hegemônica, temos um trabalho de combate à fake news e de formação de novos comunicadores populares”, explicou.

Desigualdades é temática transversal da agenda de saúde

Ao longo da reunião, todas as pessoas que participaram puderam fazer relatos sobre suas experiências no campo da saúde integral, bem como levantar problemas e apresentar diagnósticos tendo como foco a saúde das populações periféricas e comunidades de Salvador e Região Metropolitana. Entre as temáticas discutidas estiveram os impactos das mudanças climáticas na saúde destas populações, as populações em situação de rua, violência policial, segurança alimentar, saúde mental, agricultura familiar, o tema dos corpos diversos (pessoas gordas, pessoas com deficiência etc.), entre outras.

A experiência do Cidacs/Fiocruz Bahia também foi apresentada por Maria Yury Ichihara, que abordou resultados de pesquisas recentes, como o estudo que apontou profundas desigualdades na mortalidade infantil, principalmente entre indígenas e pretas; além da construção do Índice Brasileiro de Privação (IBP) e Índice de Desigualdades Sociais para Covid-19 (IDS-Covid-19). “O Cidacs trabalha usando dados administrativos para produzir conhecimento e avaliar quais são os efeitos das desigualdades na saúde da população”, contextualiza.

A oficina que construiu a agenda de saúde priorizou os seguintes eixos de trabalho: articulação em rede, formação, pesquisa, fomento e segurança alimentar. Visitas de campo também foram previstas na Ocupação Jardim Vitória, no bairro do Caji, em Lauro de Freitas, e no Bairro da Paz, nos dias 24 e 25 de janeiro, respectivamente. O grupo deve voltar a se reunir no dia 2 de março, na sede da Fiocruz Bahia, e convidar mais participantes para ampliar essa discussão.

Fonte: Cidacs

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Cidacs lança documentário científico sobre desigualdades em saúde na pandemia

Uma experiência inovadora de produção de ciência durante a pandemia de Covid-19 que inclui a participação social. Esse é o enreredo do documentário “Além do Distanciamento: diálogos para entender as desigualdades da pandemia de Covid-19” – o primeiro longa-metragem científico produzido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia). Disponível no canal do Youtube do Cidacs, o filme de 55 minutos registra o processo de engajamento público da ciência realizado durante a construção do Índice de Desigualdades Sociais para Covid-19 (IDS-COVID-19), que envolveu representantes da área de gestão em saúde, de grupos de comunidades e equipe de pesquisadores (Assista aqui o documentário).

O engajamento público da ciência caracteriza uma das formas de participação de diferentes segmentos sociais no processo de construção do conhecimento científico. Durante a construção do IDS-COVID-19, este movimento permitiu uma maior aproximação entre cientistas, gestores e grupos de comunidades para troca de experiências.

“Não tem como a gente abordar este tema das desigualdades sociais em saúde na pandemia de Covid-19 sem envolver uma ampla discussão na sociedade”, defendeu a idealizadora do processo de Engajamento vice-coordenadora do Cidacs, Maria Yury Ichihara, que liderou o projeto de pesquisa que construiu o IDS-COVID-19. O índice foi produzido com o objetivo de medir os efeitos das desigualdades sociais em saúde durante a pandemia e ajudar gestores públicos e outros segmentos sociais a identificar municípios e regiões de saúde que necessitam de mais atenção.

Ao longo de um ano, a equipe de pesquisa participou de uma série de atividades que permitiu o estabelecimento do diálogo com 29 representantes da gestão pública e dez representantes de comunidades de diferentes regiões brasileiras. Reuniões técnicas, grupos de discussão, webinários e até uma visita presencial a uma das comunidades que participou do estudo foram registradas e ajudaram a compor o documentário. Além disso, mais de 30 entrevistas foram realizadas com participantes e pesquisadores.

Para Lucia Gato, ativista, professora e integrante do Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa (MA), o contato com pesquisadores do Centro foi avaliado positivamente. “Foi interessante o contato com essa linha de trabalho que o Cidacs desenvolveu porque ele primou primeiro por ouvir”, declarou. Ainda segundo ela, a sistemática empreendida a deixou à vontade para compartilhar suas experiências com todo o grupo.

Temáticas abordadas no documentário
Mais do que registrar o trabalho de engajamento público da ciência durante a construção do IDS-COVID-19 e de explicar os desafios enfrentados pelos pesquisadores, o documentário “Além do distanciamento…” resgata, através dos relatos das pessoas entrevistadas, as dificuldades enfrentadas durante a pandemia. Fome, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desemprego e desinformação foram alguns temas abordados no documentário.

A visão de representantes da gestão pública também foi incluída, bem como as dificuldades de acesso aos dados sobre a Covid-19 enfrentadas pela equipe de pesquisadores do IDS-COVID-19 durante o apagão de dados do Ministério da Saúde entre dezembro 2021 e janeiro de 2022. Os resultados alcançados a partir da análise das desigualdades sociais em saúde medidas pelo índice também foram apresentados no longa.

Confira as organizações participantes do documentário
Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa, Observatório de Direitos Humanos Crise e Covid-19, Rede de Mulheres Negras para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, Instituto de Mulheres Negras do Amapá, Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e Painel Unificador de Favelas.

Serviço:

Documentário “Além do Distanciamento: diálogos para entender as desigualdades da pandemia de Covid-19”
Acesso: Canal do YouTube do Cidacs
Idealização: Maria Yury Ichihara e Mariana Sebastião
Direção e roteiro: Adalton dos Anjos Fonseca e Gabriela Carvalho
Edição: Gabriela Carvalho
Duração: 55 minutos

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Diretora da Fiocruz Bahia participa da posse da secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia

Realizada na tarde da segunda-feira (16), a solenidade de transmissão de cargo oficializou a posse de Elisângela Araújo à Secretária de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM). Agricultora familiar e sindicalista, Araújo assumiu a SPM em um evento realizado na sede da Governadoria, com a presença de autoridades públicas e parceiros da SPM. A solenidade contou com a presença das antigas gestoras da pasta Julieta Palmeira, que exerceu o último mandato, Olívia Santana e Vera Lúcia. Marilda Gonçalves, diretora da Fiocruz Bahia esteve presente.

A primeira-dama do estado Tatiana Velloso também participou, assim como secretárias e secretários governamentais, deputadas e deputados federais e estaduais, vereadores, representantes de entidades sindicais – entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (CONDSEF), o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado da Bahia (SINTSEF-BA); servidores de órgãos governamentais, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Bahia (OAB/BA), Conselho Regional de Farmácia (CRF/BA) e de movimentos sociais, entre outros.

Marilda Gonçalves comentou que a SPM tem sido uma grande parceira da Fiocruz Bahia, com apoio e participação em vários projetos institucionais, em especial o Meninas Baianas na Ciência. Também mencionou a participação da Fiocruz Bahia na Rede Mulher Solidária da Secretaria. “Agradecemos a Dra. Julieta Palmeira por todo o apoio recebido, foi muito importante para nossa Fiocruz. Desejamos uma excelente gestão à secretária Elisângela Araújo. Estaremos juntas na luta pelo reconhecimento da participação feminina na nossa sociedade, por menos violência e por mais trabalho, que todas tenham uma vida digna e de grandes conquistas”, declarou a diretora.

Emocionada, Elisângela Araújo recordou as mulheres da família e companheiras do movimento sindical que a auxiliaram a chegar até a SPM. A secretária iniciou sua fala lendo um trecho do poema “A noite não adormece nos olhos das mulheres”, escrito por Conceição Evaristo em memória à intelectual, vítima de feminicídio, Beatriz Nascimento. “Quando uma mulher é morta, um pedaço de nós também morre”, afirmou.

A secretária declarou que a sua gestão na SPM estará focada em continuar lutando pela inclusão sócio produtiva das mulheres baianas do campo e da cidade e por uma educação não sexista. “Contem comigo para transformar a vida de todas as mulheres baianas, oferecendo melhor qualidade de vida, com acesso à cultura, educação e emprego”, finalizou.

“Fui uma gestora feminista”, declarou Julieta Palmeira, ex-secretária. A médica reforçou que é necessário pensar no momento político atual e como ele afeta os direitos das mulheres. “Quando a democracia se retrai, a vida das mulheres piora fundamentalmente. Nós não somos um nicho da população, somos maioria. Tudo o que afeta a população, afeta essencialmente as mulheres e o povo negro”.

Julieta Palmeira utilizou o termo “esperançar”, cunhado por Paulo Freire, para falar sobre o papel que as políticas públicas para mulheres devem exercer na sociedade. “O governo precisa saber que é preciso esperançar, é entender que é preciso transformar a realidade. É uma nova perspectiva, no âmbito do Estado, que paute não só políticas imediatas, mas também políticas que mexam com essa estrutura desigual para as mulheres”.

A solenidade contou com um momento cultural, com a participação da banda de mulheres Yayá Muxima, realizando a execução do Hino Nacional e do Hino ao 2 de Julho. Foram prestadas homenagens às gestoras da SPM e também a duas servidoras da pasta, escolhidas como representantes da diversidade que a secretaria defende. Milena Passo, coordenadora do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM) e primeira mulher trans nomeada em uma Secretaria de Políticas para Mulheres no Brasil, e a motorista Valdineia Nunes receberam a cortesia em nome da equipe da secretaria.

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Fiocruz Bahia participa da posse de secretário da SECTI e do diretor geral da FAPESB

Gabriel Pinheiro

A cerimônia de recondução de André Joazeiro ao cargo de secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti) e de empossamento do novo diretor geral da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (FAPESB) Handerson Leite foi realizada no auditório do Parque Tecnológico, na manhã da sexta-feira (13/1). O evento contou com a presença de parlamentares, servidores públicos e representantes de diversas instituições públicas de ensino e pesquisa da Bahia, incluindo a Fiocruz Bahia, representada pela diretora Marilda de Souza Gonçalves. A posse foi transmitida pelo canal de Youtube da Secti. O coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) Maurício Barreto e o pesquisador da Fiocruz Bahia e presidente da Academia de Ciências da Bahia, Manoel Barral-Netto, também participaram do evento.

Presente na cerimônia, a diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, compartilha a sua alegria e esperança durante o evento. “Nós, que representamos as instituições de ciência e tecnologia da Bahia, estamos comprometidos em apoiar o secretário André Joazeiro e o diretor geral da Fapesb, Handerson Leite. Esse momento requer uma atuação efetiva da SECTI e da FAPESB para que possamos avançar no desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação da Bahia, precisamos de mais ações estruturais, verbas para o financiamento de pesquisas, apoio aos programas de pós-graduação e o incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias e de inovação, além de contribuir para despertar a curiosidade científica nos mais jovens, com o incentivo a formação de mais cientistas. Que o futuro seja promissor para toda a ciência brasileira”.

André Joazeiro agradeceu pela confiança depositada em sua permanência a frente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti).  Nesta etapa de sua gestão, o secretário partilha que foi incumbido de duas missões:  combater a fome e cuidar dos jovens baianos. “A Secti pode ter um papel fundamental no combate a fome. E iremos trabalhar pela iniciação científica já na escola. Essa é uma questão muito complexa. Nossos jovens, principalmente mulheres e negros, não se enxergam como cientistas. Isso é proibido para eles desde cedo”, afirma.

Para Joazeiro, é necessário inspirar os jovens compartilhando mais histórias de cientistas mulheres, negros e negras, como a própria Marilda Gonçalves. “Queremos mostrar as referências de meninas da periferia fazendo pesquisa e fazendo com qualidade”, afirma. “Na minha casa nós tínhamos o mantra de que a educação é a única coisa que ninguém te tira. Agora, eu quero dar oportunidade para outros jovens e crianças que queiram mudar suas vidas através da ciência”.

Handerson Leite recordou a missão da Fapesb de viabilizar ações de ciência, tecnologia e inovação na Bahia. O diretor destacou que um dos desafios para a atuação da fundação é o desconhecimento da importância e do papel dessa instituição para a sociedade. “Nos anos 2000, nós tínhamos uma média de menos de uma publicação por milhão de habitante. Pela ação da Fapesb, chegamos a uma média de 32,5 papers por milhão de habitante. Ainda não é o ideal, mas crescemos muito”, exemplifica.

“E ainda não chegou a hora de diminuir. Ao contrário, vamos tentar aumentar, porque entendemos a importância de fazer esse avanço científico na Bahia”, defendeu. “Ninguém faz nada sozinho e não o farei. Que nós possamos abraçar a Fapesb e fazer com que a sociedade reconheça esse papel brilhante que a Fundação tem para o desenvolvimento sustentável do estado da Bahia”.

O evento contou com a presença de deputados estaduais e federais, e representantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Universidade Católica do Salvador (UCSAL), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), do Senai Cimatec, entre outros.

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Estudo demonstra alto potencial de proteínas quiméricas para diagnóstico confirmatório de doença de Chagas

O diagnóstico da doença de Chagas na fase crônica se caracteriza pela identificação da presença de anticorpos do Trypanosoma cruzi, através de testes sorológicos. Como ainda não há um kit que possa ser usado como teste de referência, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso paralelo de dois testes diferentes para o diagnóstico da doença. No entanto, muitos testes apresentam discordância, necessitando de um teste confirmatório para a definição sorológica dos pacientes.

O Western blot (WB) pode ser usado para esta finalidade, porém não se encontram comercialmente disponíveis em todo o mundo (inclusive no Brasil). A produção do único teste comercial produzido no país teve sua produção descontinuada em 2016, deixando uma lacuna no diagnóstico confirmatório da doença de Chagas.

Buscando uma alternativa para a confirmação do diagnóstico nesta fase da infecção, um grupo de pesquisadores, liderado por Fred Luciano Neves Santos, da Fiocruz Bahia, analisou o uso de proteínas quiméricas associadas à plataforma de testagem do Western blot. As proteínas foram a IBMP-8.1, IBMP-8.2, IBMP-8.3 e IBMP-8.4, já utilizadas em outros estudos de diagnósticos por esse mesmo grupo. O estudo foi publicado no periódico Plos Neglected Tropical Diseases.

Quarenta amostras positivas para T. cruzi, 24 negativas e três amostras adicionais de amostras positivas para leishmaniose visceral foram avaliadas. Todos os antígenos IBMP alcançaram 100% de sensibilidade, especificidade e precisão. Somente o antígeno IBMP-8.3 apresentou valores menos elevados de sensibilidade (95%) e acurácia (96,9%), apesar de ser 100% específico. Nenhuma reação cruzada foi observada em amostras positivas para leishmaniose.

O presente estudo de fase I (prova de conceito) demonstrou o alto potencial diagnóstico desses quatro antígenos IBMP para discriminar entre amostras T. cruzi positivas e negativas, tornando-as candidatas à fase II e testes confirmatórios com Western blot. “Neste momento, dois estudos estão sendo conduzidos por duas estudantes de doutorado, os quais visam avaliar o potencial confirmatório dos antígenos utilizando um quantitativo maior de amostras”, afirma o pesquisador.

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Sequenciamento para análise metagenômica viral é tema de dissertação

Estudante: Alessandra Gonzalez do Nascimento
Orientação: Luciano Kalabric Silva
Coorientação: Taryn Ariadna Castro Cuesta
Título da dissertação: “METAGENÔMICA COMO FERRAMENTA DIAGNÓSTICA E IDENTIFICAÇÃO DE PATÓGENOS EMERGENTES”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 03/02/2023
Horário: 14h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 834 1438 1809
Senha de acesso: 365176

Resumo

INTRODUÇÃO: A análise metagenômica de dados de tecnologias de sequenciamento de nova geração (NGS) tem fornecido oportunidades para o diagnóstico e vigilância em saúde pública de patógenos conhecidos e ou emergentes em amostras clínicas. OBJETIVO: Neste trabalho objetiva-se padronizar e validar uma metodologia de NGS para análise metagenômica viral (viroma) de amostras clínicas de pacientes. MATERIAL E MÉTODOS: Dados de treinamento foram utilizados em benchmarks, para testar os diferentes workflows (wf) de bioinformática e otimizar o tempo de processamento das análises de reconhecimento das bases (basecalling) e demultiplexação. A principal diferença entre os wfs consistiu no
software utilizado para classificação taxonômica sendo: primariamente, utilizamos o Kraken2 no wf1, que classifica vírus e bactérias a partir de um grande banco de dados; e o BLAST no wf2, que utiliza um banco local apenas com sequencias de referência virais de interesse (painel); e, alternativamente, utilizamos o Genome Detective no wf3, que é uma ferramenta web para análise de sequencias virais; e, por fim, o Epi2ME no wf4, para uma análise rápida e automatizada. Um ensaio de diluição seriada utilizando a vacina de poliovírus atenuados (OPV) foi realizado para testar o limiar de detecção dos nossos métodos. Amostras clínicas retrospectivas e recentes de arboviroses, casos suspeitos de meningites virais, infecções
agudas do trato respiratório e infecções crônicas causadas por hepatites virais e HIV, além de amostras de isolados virais foram testadas. O RNA viral foi enriquecido pela depleção do DNA por DNAses. O cDNA foi sintetizado por transcrição reversa e amplificado por SISPA antes da preparação das bibliotecas e sequenciamento num dispositivo portátil MinION (ONT). Uma análise de acurácia foi realizada utilizando-se diferentes cut-off (0,0% a 5,0%) da abundância relativa em nível de reads e contigs classificadas para eliminar “ruídos” ou artefatos do sequenciamento. RESULTADOS: O basecalling para o modelo fast foi otimizado, 1,36 horas, e para o modelo hac, 30,72 horas, que representa redução de 10% e 81%, respectivamente, no tempo médio de processamento dos dados de treinamento. Entretanto, o modelo fast foi preferido por ter melhor relação do custo computacional e acurácia. Foi possível identificar os enterovírus presentes na OPV até a diluição de 10-4 tanto pelo wf1 quanto pelo wf2. Ao todo, seis bibliotecas foram preparadas contendo 35 amostras clínicas com suspeita de infecção por vírus RNA. Tanto em nível de reads quanto contigs, o wf3 apresentou a melhor acurácia (70%) e (67%), respectivamente, utilizando um cut-off ≥1,0%. O wf4 não disponibiliza as reads classificadas para montagem e análise em nível de contigs. CONCLUSÕES: Os resultados deste estudo são promissores, pois demonstram que a utilização de uma metodologia de NGS metagenômica possibilita o diagnóstico acurado de patógenos virais de importância clínica. Avanços nessa metodologia podem reduzir custos e
viabilizar sua utilização na rotina de diagnóstico, com a vantagem de permitir a vigilância e descoberta de agentes emergentes.

Palavras-chave: Metagenômica, Sequenciamento de Nova Geração, Viroma, Sequenciamento por Nanoporos, Validação de Método.

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Laboratório de Nível de Biossegurança 3 retorna ao funcionamento pleno

O Laboratório com Nível de Biossegurança 3 (NB3) instalado na Fiocruz Bahia, após ter seu funcionamento manejado para atender ao diagnóstico molecular da Covid-19, volta a funcionar plenamente. O NB3 pertence ao Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública, rede da Secretária de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, sendo um espaço multiusuário em que pesquisadores poderão utilizar mediante aprovação pela comissão responsável, assinatura do termo de responsabilidade e agendamento prévio pela intranet.

Em Laboratórios de Nível de Biossegurança 3 são desenvolvidos trabalhos e/ou pesquisas com a capacidade de contenção de agentes biológicos que acarretam risco elevado e moderado individual, bem como para a comunidade. Nesse ambiente são disponibilizadas condições especiais de segurança pela possibilidade de contaminação humana e ambiental. Em 2021, o Ministério da Saúde contava com 12 laboratórios NB3, sendo este o único presente na Bahia.

O NB3 foi implantado na Fiocruz Bahia em 2002, oportunizando espaço para mais pesquisas sobre a tuberculose. Agora, há expectativas da realização de estudos com os vírus HIV e HTLV, além de ser possivel a sua utilização para outros patógenos, em consonância com as normas de biossegurança. A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, ressalta que o NB3 da Fiocruz Bahia possui instalações que foram projetadas com base em requisitos internacionais de segurança, sendo um dos laboratórios que consta do portfólio de estruturas sensíveis da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde – SCTIE, do Ministério da Saúde.

“Além do uso para pesquisas, o NB3 faz parte da rede de laboratórios que podem ser solicitados para atuar em situações de emergências sanitárias e em atos relacioados ao bioterrorismo. Recentemnete, o laboratório passou por uma reforma ampla, com investimentos que possibilitaram a renovação da infraestrutura e do parque de equipamentos. Nesse sentido, reforçamos e agradecemos o apoio irrestrito recebido pela Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência, da Fiocruz, em especial ao Dr. Rivaldo Venâncio, que é o coordenador institucional, bem como do Engenheiro Marcelo Ayres, que possui expertise em instalação de NB3”, pontua Marilda Gonçalves.

A vice-diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico coordenou os trabalhos juntamente com a coordenação do NB3 e o setor de manutenção do IGM. “Podemos voltar a fazer estudos com microrganismos que só podem ser trabalhados neste ambiente, como a Mycobacterium tuberculosis e outros. A Bahia é um estado onde a tuberculose ainda tem uma grande importância em termos de saúde pública”, considera o vice-diretor de Pesquisa da Fiocruz Bahia, Ricardo Riccio.

O responsável técnico do NB3, Antonio Carlos Muniz, explica que a segurança do local funciona com o apoio de outras ferramentas. “As pessoas que entram no laboratório participam de um curso específico para o NB3. Toda a água utilizada na autoclave [tratamento térmico usado para matar microrganismos] é descontaminada, antes de ser lançada no esgoto. Além disso, o laboratório é multiusuário, está aberto a outros pesquisadores. Basta fazer o cadastramento do projeto e esperar a aprovação”, ressalta.

Hoje, o laboratório possui hoje todos os procedimentos de Qualidade e Biossegurança necessários ao funcionamento e são fruto de trabalho conjunto entre o do Serviço de Qualidade e Biossegurança (SQB), Serviço de Manutenção e Coordenação de Plataformas da Fiocruz Bahia. “Em breve, o NB3 contará também com a implantação do Sistema de Documentos Interact, ferramenta que facilitará o gerenciamento, controle e disseminação de toda a sua documentação, tornando esta gestão mais segura e simples. Este gerenciamento e controle eletrônico de documentos é importante para o aprimoramento e valorização das informações corporativas, mantendo sua excelência nas atividades”, afirma a coordenadora do SQB, Hilda Carolina Rios.

A pesquisadora Theolis Bessa, assim como outros cientistas do IGM, voltará a desenvolver projetos neste espaço. Ela coordena estudos sobre a análise do ciclo de vida do Mycobacterium tuberculosis, patógenos causador da tuberculose, após ser internalizada pelas células. “Nosso grupo tem focado em mecanismos que podem auxiliar na morte intracelular da bactéria. Esses mecanismos podem ajudar a associar o tratamento microbicida com outras drogas”, relata. A cientista conta que no interior do NB3 também serão realizadas culturas das bactérias, a serem utilizadas nas pesquisas.

“Dependemos dessa infraestrutura que nos isola desse microrganismo de forma eficaz, tanto com a barreira do fluxo do ar, como com a quantidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) que utilizamos”, assegura Theolis. A contenção dos patógenos no laboratório ocorre por conta do fluxo continuado e renovado de ar no espaço e do controle de temperatura, umidade e pressão.

“O NB3, inicialmente, atenderá a duas demandas: pesquisa com bactérias, que envolve a tuberculose, e pesquisa com vírus, como o HIV e o HTLV. Tanto que o laboratório conta com equipamentos duplicados, permitindo o fluxo de trabalho com vírus e outro com bactérias”, afirma Roni Vinhas, chefe do Serviço de Manutenção da Fiocruz Bahia.

Antes da reabertura, o NB3 contou com uma readequação do seu espaço. Entre as reformas realizadas estão o isolamento dos dutos, adequação do sistema de automação, revisão do sistema de intertravamento das portas (para entrar e sair do laboratório é necessário passar por portas automáticas, que avisam quando estão abertas, e controlam o fluxo dos pesquisadores, garantindo a segurança) e a substituição do filtro de ar HEPA, equipamento responsável pela purificação do ar. Parte dos equipamentos do NB3 também foram renovados. 

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Inscrições para seleção do PGBSMI foram modificadas e o prazo prorrogado para 15/01

A Coordenação do PGBSMI informa que, devido a um problema na Plataforma SGT, os documentos para a conclusão das inscrições da Seleção 2023.1 para o Mestrado e Doutorado deverão ser enviadas através do e-mail pgbsmi@fiocruz.br. O prazo máximo para envio da documentação completa foi prorrogado, encerrando-se às 23:59h do dia 15/01/2023. O documento sobre a prorrogação pode ser consultado na página de seleção da plataforma SIGASS.

O candidato deverá anexar os documentos, de acordo com o Item 9.1. DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS PARA A INSCRIÇÃO do Edital 2023.1. Os documentos deverão ser digitalizados e anexados em 7 arquivos em formato PDF e enviados por e-mail.

Os arquivos deverão ser obrigatoriamente nomeados conforme especificação do edital. No assunto do e-mail deverá constar: “Edital Seleção Pública de Candidatos ao Curso de Mestrado 2023.1 – PGBSMI” (para candidatos ao Mestrado), ou “Edital Seleção Pública de Candidatos ao Curso de Doutorado 2023.1 – PGBSMI” (para candidatos ao Doutorado).

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Inscrições prorrogadas para curso sobre impacto da interação parasita-vetor na transmissão da leishmaniose

O curso “Desvendando a importância da interação parasita-vetor para a transmissão da leishmaniose”, que ocorrerá de 26 de janeiro a 03 de fevereiro, em formato híbrido, prorrogou as inscrições para o dia 23 de janeiro. O público-alvo é de alunos de pós-graduação, pesquisadores, tecnologistas e técnicos da área de saúde. Interessados devem enviar carta de interesse, currículo lattes e declaração de vínculo para o e-mail ciipvh@gmail.com. As vagas são limitadas. 

Os temas abordados durante as 32 horas de aulas teóricas e práticas serão: ciclo de vida da Leishmania no flebotomíneo; a importância da microbiota e outros componentes do flebotomíneo para a sobrevivência da Leishmania; ferramentas para avaliação da transmissibilidade pelo vetor; resposta imune à picada do vetor. Os alunos que não puderem participar presencialmente poderão se inscrever como ouvintes, pois as palestras teóricas expositivas serão transmitidas online. Durante o curso serão realizadas demonstrações práticas como dissecação de flebotomíneos, extração de glândula salivar e avaliação de infecção experimental e natural. 

Leishmaniose

As Leishmanioses são doenças negligenciadas causadas por protozoários do gênero Leishmania. Essas doenças são mantidas nos centros urbanos por um ciclo de infecção que envolve seres humanos, o vetor flebotomíneo e vertebrados não humanos. A transmissão da leishmaniose ocorre quando o flebotomíneo alimenta-se de um hospedeiro vertebrado infectado e posteriormente realiza o repasto sanguíneo em outro hospedeiro. 

Ao alimentar-se, o vetor infectado inocula as formas promastigotas metacíclicas de Leishmania e vários componentes, como saliva, exossomos, parte da microbiota do seu trato digestório e um gel secretado pelo parasito. Esses componentes, junto com o parasito, são reconhecidos pelo sistema imune do hospedeiro e são responsáveis por desencadear diferentes eventos que irão determinar a eliminação ou persistência e multiplicação do parasito.

Confira o cronograma das atividades:

AtividadeProfessorDataHoras
Abertura do curso Apresentação dos professores, monitores e participantes, metas e objetivos do cursoTodos26/01 09:00-10:002 h
Palestra: Atualizações no ciclo de vida da Leishmania no seu ambiente favorito: o flebotomíneoEva Iniguez26/01 10:00-12:002 h
Atividade Prática: Manipulação e cultivo de flebotomíneos em insetário experimentalEva Iniguez26/01 14:00-17:002 h
Palestra: Características da leishmaniose visceral em hospedeiros desnutridos após picadas de flebotomíneos infectados por Leishmania donovaniEva Iniguez27/01 09:00-10:02 h
Atividade Prática: Infecção ArtificialTodos27/01 10:00-12:00 14:00-16:004 h
Palestra: Competência vetorial dos flebotomíneos: a importância da microbiota na sobrevivência da LeishmaniaTiago Mota30/01 09:00-11:002 h
Atividade Prática: Dissecção de flebotomíneosTodos30/01 14:00-17:003 h
Palestra: A importância do componentes do vetor na transmissão da LeishmaniaCamila Indiani31/01 09:00-11:002 h
Roda de discussão de artigos científicos relacionados ao tema e conteúdo da palestraTodosTer 31/01 11:00-12:001h
Palestra: Ferramentas para avaliação da transmissibilidade pelo vetorTiago Mota e Manuela Solcà01/02 09:00-11:002 h
Atividade Prática: Demonstração de xenodiagnóstico, PCR, western e ELISATiago Mota e Manuela Solcà01/02 14:00-17:003 h
Palestra: Resposta imune à picada do vetorClaudia Brodskyn03/02 09:00-10:002 h
Demonstração Prática Experimentos relacionados a estudo da interação parasita vetorClaudia Brodskyn e Manuela Solcà03/02 10:00-12:002 h
Demonstração Prática Experimentos relacionados a estudo da interação parasita vetorEva Iniguez03/02 14:00-16:002 h
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Diretora da Fiocruz Bahia homenageia Nísia Trindade em posse como ministra da Saúde

A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, participou da Cerimônia de Investidura no cargo da Ministra de Estado da Saúde, Nísia Trindade, realizada em Brasília, nesta segunda-feira (2/1). O evento ocorreu no Auditório Emílio Ribas, do edifício-sede do Ministério da Saúde, e contou com a presença de diversos ministros e secretários do governo empossados ontem. 

Marilda foi responsável pela leitura da homenagem do Conselho Deliberativo (CD) da Fiocruz para a ex-presidente da instituição, destacando a honra de acompanhar de perto a trajetória da primeira mulher a assumir a presidência da Fundação em 120 anos e agora a primeira mulher a ocupar o cargo de Ministra da Saúde. Em sua fala, a diretora destacou o trabalho feito por Nísia Trindade em sua trajetória na Fiocruz, em especial durante a pandemia da Covid-19 e do enfrentamento da escassez de recursos financeiros e de pessoal na instituição. 

“Temos a certeza de que o Ministério da Saúde está recebendo um presente, um tesouro. Cuidem muito bem dele, pois nele está depositada a esperança de tantos brasileiros pelo futuro da saúde no Brasil”, salientou Marilda Gonçalves, antes de entregar à Nísia um quadro em nome do Conselho Deliberativo. Nísia agradeceu a homenagem destacando o fato de o pai ser baiano e que a homenagem ter vindo representada pela diretora da Fiocruz Bahia tem um sentido especial para ele, que estava assistindo à cerimônia pela internet. 

Em seu primeiro discurso no cargo, a ministra declarou que sua gestão na pasta será pautada pelo diálogo com a ciência, garantindo que o trabalho coletivo com estados, municípios e sociedade será fundamental para alcançar os resultados almejados. “Firmei esse compromisso com muita convicção. A convicção de quem há muito tempo estuda as desigualdades sociais em nosso país e que atua na área de ciência e tecnologia, especialmente a partir da minha história na Fiocruz, para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde [SUS] e também com sentido de urgência que se requer hoje de todos nós que integramos a equipe do presidente Lula e que farei cumprir com todo o empenho no Ministério da Saúde”, acrescentou Nísia.

Confira o evento na íntegra, no canal do YouTube do Ministério da Saúde.

Nísia Trindade

Nísia Trindade Lima foi a primeira presidente mulher eleita da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2017, sendo reeleita em 2020 para a gestão 2021-2024. É doutora em Sociologia e servidora da Fundação desde 1987. Ingressou na instituição como pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), assumindo a direção da unidade de 1999 a 2005. De 2011 a 2016, à frente da Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz), tornou-se integrante do Conselho Consultivo do Sistema Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS). 

Como Presidente da Fiocruz, liderou as ações da instituição no enfrentamento da pandemia de Covid-19 no Brasil. A Fiocruz, dentre outras iniciativas, criou um novo Centro Hospitalar no campus de Manguinhos; coordenou no país o ensaio clínico Solidarity da Organização Mundial da Saúde (OMS); aumentou a capacidade nacional de produção de kits de diagnóstico e processamento de resultados de testagens; organizou ações emergenciais junto a populações vulneráveis; ofereceu cursos virtuais, para profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), de manejo clínico e atenção hospitalar para pacientes de Covid-19; lançou manual de biossegurança em escolas; e tornou-se laboratório de referência para a OMS em Covid-19 nas Américas. 

Criou o Observatório Covid-19, rede transdisciplinar que realiza pesquisas e sistematiza dados epidemiológicos; monitora e divulga informações, para subsidiar políticas públicas, sobre a circulação do novo coronavírus e seus impactos sociais em diferentes regiões no Brasil. Outro destaque foi a inauguração do Biobanco COVID-19 (BC19-FIOCRUZ) em dezembro de 2021. Como presidente da Fiocruz, coordenou todo o acordo de encomenda tecnológica na articulação com o Ministério da Saúde do Brasil, a Universidade de Oxford, a farmacêutica AstraZeneca e as unidades de produção locais. 

Em dezembro de 2020, foi eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) na categoria Ciências Sociais. Em 1º de janeiro de 2022, ela se tornou membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS) para o avanço da ciência nos países em desenvolvimento. Em 2021, foi agraciada com o grau de Cavaleira da Ordem Nacional da Legião de Honra da França, oferecido pelo Governo da França. Em novembro de 2022 recebeu o Prêmio Regional da TWAS para Diplomacia Científica, que homenageia indivíduos que tenham atuado em projetos de pesquisa transfronteiriços que contribuíram para a melhoria das relações internacionais.

Recebeu também as seguintes Medalhas de Mérito: Oswaldo Cruz do Ministério da Saúde (2018); Academia Brasileira de Medicina Militar (2018); Academia Brasileira de Ciências Farmacêuticas (2018); Rui Barbosa (2016); Euclides da Cunha (2008); 110 anos da Academia Brasileira de Letras (2007); e Centenário da Fiocruz (2000); Doutor Honoris Causa pela UFRJ; Carioca do Ano pela Revista Veja (2020); Prêmio Personalidade França-Brasil; Prêmio Personalidade Profissional; II Prêmio EMERJ de Direitos Humanos; Medalha Tiradentes (2021); e Comenda Celso Furtado (2022).

*Com informações do Ministério da Saúde e do Portal Fiocruz.

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Dissertação avalia perfil de mamografias realizadas pelo SUS na Bahia

Autoria: Lorena Christiane Fonseca Almeida
Orientação: Maria da Conceição Chagas de Almeida
Título da dissertação: “RASTREAMENTO MAMOGRÁFICO: PERFIL E TRAJETÓRIA DAS USUÁRIAS DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE NA BAHIA”.
Programa: Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional
Data de defesa: 11/01/2023
Horário: 09h30
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 830 5874 5505
Senha de acesso: Lorena

Resumo

Introdução: De todos os tipos de neoplasias, exceto de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente nas mulheres no mundo. O rastreamento dessa neoplasia tornou-se objetivo de ações de políticas públicas para sua prevenção e controle. Estudos evidenciam que o diagnóstico e tratamento precoce do câncer de mama podem reduzir a mortalidade específica. Há indícios de que o acesso ao diagnóstico do câncer de mama pelo SUS, não está ocorrendo como preconizado pela Lei do MS, Nº. 13.896/19, podendo impactar no prognóstico e sobrevida das pacientes. Objetivo geral: Avaliar o perfil dos exames de mamografia realizados por usuárias do SUS no estado da Bahia na faixa etária de 50 a 69 anos, descrever os resultados suspeitos de câncer e a trajetória no tempo dos exames. Metodologia: Trata-se de um estudo avaliativo investigativo com dados secundários dos Sistema de Informação do Câncer – SISCAN, referentes ao estado da Bahia, no período compreendido entre 2018 e 2021. Serão analisados dados secundários do SISCAN, disponibilizados nos Sistemas de Informações em Saúde do DATASUS e acessados acessadas pelo TabNet. Os dados tiveram abordagem descritiva. Resultados: O rastreamento foi a principal indicação clínica (98,8%) e população alvo (faixa etária de 50 a 69 anos) foi responsável por 96,3% dos exames; as macrorregiões afastadas dos grandes centros apresentaram as maiores taxas brutas de realização de exames; a produção de mamografia de rastreamento do estado vem diminuindo gradativamente nos anos de estudo; na população-alvo elegível do estudo, aproximadamente 68% dos exames de rastreamento estavam na faixa etária preconizada; foram realizados na periodicidade bienal 25% dos exames; A indicação de encaminhamento para investigação diagnóstica por biópsia foi de 0,7% (Categorias BI-RADS® 4 e 5); no tempo total de exame 60,4 % dos exames, foram liberados em até 30 dias. Conclusão: Evidenciamos baixa cobertura da população ao programa de rastreamento do câncer de mama na Bahia, nas macrorregiões com maiores valores interno bruto, exceto em 2021 e diminuição gradativa do número de mamografia de rastreamento na faixa etária de 50 a 69 anos. A maioria dos exames estavam na faixa etária preconizada, porém fora da periodicidade bienal em desacordo com as recomendações das Diretrizes de Detecção do Câncer de Mama no Brasil. O acesso ao exame está sendo efetivo e a maioria foi realizado em até 10 dias. Somente, aproximadamente 60,4% das usuárias de Sistema Único de Saúde, tiveram seus direitos respeitados, em concordância com a Lei do MS, nº. 13.896, de 30 de outubro de 2019. Enfatizamos a importância da implantação de um rastreamento organizado e o imprescindível o papel dos profissionais envolvidos na Detecção Precoce do Câncer de Mama para um rastreamento de qualidade. Impacto: os resultados do obtidos irão apoiar políticas de saúde relacionadas ao acesso em tempo oportuno ao diagnóstico câncer de mama, possuindo interesse estratégico para o SUS ao demostrar a importância dos dados do SISCAN nas ações dessas políticas públicas para a detecção precoce do câncer de mama. Palavras-chave: Neoplasias de Mama; Detecção Precoce de Câncer; Mamografia; Programa de Rastreamento

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Lesões falso-positivas PI-RADS 4/5 são analisadas em dissertação

Autoria: Bianca Carla Azevedo de Souza
Orientação: Daniel Abensur Athanazio
Título da dissertação: “Análise de lesões falso-positivas PI-RADS 4/5 – experiência de um único centro não acadêmico usando fusão cognitiva”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana
Data de defesa: 09/02/2023
Horário: 09h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 868 8485 1100
Senha de acesso: defesa

Resumo

INTRODUÇÃO. Avaliamos achados patológicos em biópsias direcionadas de lesões PI-RADS4 e PIRADS5, e dados clínicos que poderiam predizer aqueles pacientes com achados benignos. MATERIAL E MÉTODOS. Um estudo retrospectivo foi realizado para resumir a experiência de um único centro não acadêmico usando fusão cognitiva e um scanner de 1,5 ou 3,0 Teslas. RESULTADOS. Encontramos uma taxa de falsos positivos de 29% e 3,7% com lesões PI-RADS 4 e 5, respectivamente. Diversos padrões histológicos foram observados entre as biópsias alvo. Na análise multivariada, tamanho ≤ 6 mm e biópsia negativa prévia foram preditores independentes de lesões falso-positivas de PI-RADS 4. O pequeno número de lesões falso positivas PI-RADS5, impediu análises adicionais. CONCLUSÃO. Achados benignos são comuns em lesões PI-RADS4 e a maioria delas não mostram hipercelularidade glandular ou estromal óbvia como esperado em pacientes nódulos hiperplásicos. Tamanho ≤ 6 mm e biópsia negativa prévia predizem maior probabilidade de falso positivo resultados em pacientes com lesões PI-RADS 4.
Palavras-Chave: Ressonância Magnética; Neoplasias Prostáticas; Biópsia, Agulha; Diagnóstico.

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Pesquisador da Fiocruz Bahia é novo coordenador nacional do Fio-Schisto

Ricardo Prado Ricardo Riccio será o novo coordenador nacional do programa.

Atuante no o Programa de Pesquisa Translacional em Esquistossomose da Fiocruz (Fio-Schisto) desde 2013, o pesquisador e vice-diretor de Pesquisa da Fiocruz Bahia, Ricardo Riccio, será o novo coordenador nacional do Fio-Schisto. A nova gestão, que irá vigorar no período entre 2022 e 2024, é também integrada pelas pesquisadoras da Fiocruz Minas Gerais Roberta Caldeira e Rosiane Pereira. Criado em 1986, reúne 70 cientistas de 22 grupos de pesquisa da instituição que trabalham com a esquistossomose, doença endêmica no Brasil.

Outros pesquisadores da Fiocruz Bahia participam do Fio-Schisto: Isadora Siqueira, como coordenadora regional representando o Instituto Gonçalo Moniz (IGM), sede da Fiocruz Bahia; já os pesquisadores Mitermayer Galvão dos Reis e Leonardo Paiva Farias farão parte do Comitê Assessor do Fio-Schisto.

“O cenário atual do Brasil não é favorável ao desenvolvimento científico na área da saúde. Apesar do rápido e importante avanço científico em relação à infecção pelo SARS-CoV-2, o conhecimento científico sobre muitas doenças negligenciadas permaneceu estagnado neste período”, considera Ricardo Riccio, acerca do combate a esquistossomose.

“Neste sentido, se faz necessário voltar a investir em estudos e ações que contribuam para o controle e eliminação da esquistossomose”, De acordo com ele, o Fio-Schisto irá estimular discussões por soluções de erradicação da doença entre a vice-presidência da Fiocruz, os coordenadores regionais e a nova composição do Ministério da Saúde.

O pesquisador destaca que o IGM faz parte do histórico de combate a essa endemia. “O Laboratório de Patologia Experimental (LAPEX) historicamente tem ajudado através dos estudos sobre patologia hepática coordenados pelo Dr. Zilton Andrade. No Laboratório de Patologia e Biologia Molecular (LPBM) os doutores Mitermayer Reis e Luciano Kalabric, com a colaboração importante do pesquisador da Tulane University (USA), Ronald Blanton, também tem contribuído significativamente e há muitos anos para o conhecimento sobre esquistossomose”. O pesquisador recorda ainda o trabalho realizado pelo pesquisador Leonardo Farias, no Laboratório de Inflamação e Biomarcadores (LIB), na busca por padrões de resposta imunológica associados à doença.

Simpósio 

Entre as atividades do Fio-Schisto está a organização do Simpósio Internacional sobre Esquistossomose, este ano realizado na cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais. A 16ª edição do evento ocorreu entre 21 e 23 de novembro.

Durante o evento, o mestrando Ronald Alves dos Santos, orientando de Ricardo Riccio, recebeu a Menção Honrosa do Prêmio Amaury Coutinho de melhor dissertação pelo trabalho “Avaliação do padrão de resposta do teste rápido em urina para o diagnóstico da esquistossomose, POC-CCA, em uma população de elevada endemicidade no estado da Bahia”.

A dissertação foi defendida para a obtenção do título de mestre do Programa de Pós-graduação em Patologia Humana e Patologia Experimental (PgPAT) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em ampla associação com a Fiocruz Bahia. “Meu projeto avaliou o desempenho diagnóstico do teste rápido POC-CCA. Este trabalho é importante, pois o teste recomendado atualmente pela Organização Mundial da Saúde perde a sensibilidade diagnóstica em indivíduos com infecção leve ou que foram tratados a pouco tempo”, explica Ronald.

Essa foi a primeira vez que o discente participou do Simpósio Internacional. Mas, provavelmente, não será a última, dado que ele continua a trajetória acadêmica como doutorando do PgPAT. “Para eliminar a esquistossomose como problema de saúde pública é necessário que sejam desenvolvidos novos métodos, mais sensíveis, ou que se melhorem as opções que existem atualmente”, defende.

“Aprendi que é preciso olhar para a esquistossomose não apenas como uma doença tropical, mas como uma doença que está intimamente ligada com as condições de vida de uma população inteira, que é, de certa forma, negligenciada”.

Para Riccio, a homenagem foi merecida. “O prêmio Amaury Coutinho vem como uma forma de reconhecimento merecido por toda dedicação e competência demonstrada por Ronald desde o início de sua trajetória ainda como aluno de Iniciação Científica”.

A próxima edição do Simpósio deverá ocorrer em 2024, na Bahia, e contará com a organização de Ricardo Riccio.

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Fiocruz Bahia participa do 9º Congresso do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde da Bahia

O 9º Congresso do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde da Bahia (Cosems Bahia) foi realizado, em Salvador, com o tema “Desafios da gestão municipal na atual conjuntura do SUS”, reunindo especialistas em saúde pública, técnicos da saúde de todo o estado e estudantes com o objetivo de contribuir para o fortalecimento e qualificação da gestão municipal do Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu entre os dias 15 e 17 de dezembro, com apoio do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.  

A cerimônia de abertura contou com a presença da diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves; com a presidente do Cosems, Stela dos Santos Souza; a secretária de Saúde do Estado da Bahia, Adélia Pinheiro, representando o governador Rui Costa; o presidente do Conasems, Willames Freire, além de outras autoridades. As declarações dos presentes tiveram um tema em comum: a importância de unir esforços na defesa do SUS.

Marilda Gonçalves reforçou a dimensão dessa política pública para a população. “O SUS foi testado durante esses últimos anos. O nosso Sistema de Saúde nos salvou de uma catástrofe muito maior quando nós enfrentamos a pandemia da Covid-19″, afirmou. “O tema do congresso nos leva a discutir a reconstrução do SUS e como nós poderemos nos tornar independentes na produção de insumos e remédios. O Brasil precisa dessa independência para que possamos servir o SUS de maneira adequada”. A diretora recordou o papel que a Fiocruz ocupa na provisão de insumos.  

A secretária Adélia Pinheiro saudou a presença de todos e destacou o papel da Fiocruz Bahia nas parcerias feitas com a Sesab. “A Fiocruz Bahia nos orgulha”, afirmou. “Esse congresso ocorre no momento em que podemos reafirmar os nossos princípios e os nossos compromissos aqui na Bahia. A Bahia é resistência, é defesa do sus e somos nós que fazemos essa defesa”. 

Para Stela Souza, o SUS “é patrimônio do povo brasileiro e a maior política de inclusão social do Brasil”. Souza falou acerca da necessidade de união de todas as instituições presentes para garantir o fortalecimento do Sistema e do resultado esperado do congresso. “Temos que debater e sair com uma carta da Bahia, dos nossos 417 municípios baianos, que possa ser encaminhada a quem de direito entender e possa entender os anseios, as necessidades e as demandas de saúde dos nossos municípios”, defendeu.  

Willames Freire avaliou o ano de 2022 como o fechamento de um ciclo atípico para a saúde pública e aproveitou a oportunidade para homenagear os técnicos da saúde, os profissionais de enfermagem e os gestores municipais que, para ele, são quem constroem a saúde pública diariamente. “É para essas pessoas que se dedicam diuturnamente com o propósito de atender a nossa população e que se dedicam a construir o SUS que vai a minha deferência, enquanto presidente do Conasems”, completou. 

Também participaram da abertura o vice-presidente do Cosems Raul Molina; o deputado federal Jorge Solla; o promotor de justiça e integrante do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde (CESAU), Rogério Queiroz; o presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia, Marcos Sampaio; o presidente da União dos Municípios da Bahia e prefeito do município de Jequié, Zenildo Brandão, o Zé Cocá; e o presidente do Cosems Alagoas, Rodrigo Buarque. 

No segundo dia do evento, o pesquisador da Fiocruz Bahia Manoel Barral-Netto ministrou a oficina “Saúde Digital: necessidades e perspectivas”.

Exposição das instituições 

O evento contou com exposições das empresas e instituições parceiras. Como forma de homenagem póstuma, cada sala de exposição foi nomeada com o nome de um servidor da saúde já falecido. Na sala Mônica Barbosa (Técnica de imunização da Sesab, vítima da Covid-19), a Fiocruz Bahia realizou uma exposição de pôsteres e de material interativo.  

“O conhecimento científico e tecnológico produzido na Fiocruz chega até nós. Toda essa questão de desenvolvimento do conhecimento científico e tudo o que é feito aqui tem impacto no nosso dia a dia”, afirmou Tarcília Rocha, secretária de Saúde do município de Miguel Calmon, acerca dos motivos que a fizeram visitar a exposição da Fiocruz Bahia.  

A enfermeira Valquíria Carneiro, proveniente de Jacobina, concorda. “A gente conhece a importância da instituição no campo da ciência, nos estudos para a melhoria da saúde da população. Até na literatura também, com a divulgação científica”. Ela também elogiou a organização do evento. “O que me chama mais a atenção são as abordagens pensando a melhoria do SUS e a intensificação do trabalho dos secretários e de toda a equipe municipal”. 

Ao visitar a sala Mônica Barbosa, a assistente social e secretária de Saúde do município de Capim Grosso, Leide Costa Rios foi atraída pela prévia exibida do documentário “Sonia e Zilton – ciência, saúde e amor”, sobre o notório casal de cientistas Sonia e Zilton Andrade. “Eu fiquei bem emocionada com a história desse casal que se dedicou a vida inteira a trabalhar em prol das pessoas e da saúde. Fico feliz em ver que temos, na Bahia, mais pessoas em quem nos espelhar para fazer nosso trabalho”, compartilha. 

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Curso sobre imunologia de tumores reuniu especialistas internacionais

Reunir pesquisadores brasileiros e estrangeiros para discutir o andamento dos estudos em imunologia de tumores. Esse foi o objetivo do curso “Tumor Immunology”, sediado pelo Programa de Pós-graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PgPCT). Ocorrido entre os dias 21 de novembro e 2 de dezembro, a atividade foi realizada de forma online e contou com 226 participantes, com prioridade dada aos profissionais com atuação em Oncologia e estudantes de pós-graduação da área.

O “Tumor Immunology” foi sediado pelo programa de Pós-graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PgPCT) da Fiocruz Bahia, e contou com a colaboração dos programas de pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI) e em Patologia Humana e em Patologia Experimental (PgPAT), este último realizado em ampla associação com a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Foram convidados docentes de várias instituições brasileiras, contemplando quatro das regiões do país, bem como pesquisadores da Suécia, Canadá, Bélgica e Itália.

A organização do “Tumor Immunology” pretendeu reforçar a área de internacionalização dos programas de pós-graduação da instituição e estimular a troca de experiências entre os cientistas e os estudantes. Segundo a pesquisadora da Fiocruz Bahia Milena Botelho, uma das organizadoras do curso, as palestras despertaram forte interesse dos participantes. “O curso de imunologia de tumores agregou palestrantes do Brasil e do exterior que expuseram conceitos básicos sobre câncer e aplicações de imunoterapias para o tratamento de câncer e desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas”.

Theolis Bessa, também organizadora do curso, conta que a atividade foi bastante proveitosa para todos os participantes. “Nós tivemos uma cobertura bem ampla de assuntos, passando desde assuntos relacionados à patogênese do câncer à imunoterapia em diferentes vertentes. A grande importância dessa atividade é conseguir mostrar o que os grupos de pesquisa da área estão fazendo e que existem grupos de boa produção espalhados por todo o país”, relata Theolis.

Eugênia Terra, pesquisadora do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e da Fiocruz Bahia, que atuou como professora na atividade, ressaltou a contribuição que atividades como o trazem para a formação dos estudantes. “O curso teve grande mérito em trazer discussões atuais, como a imunoterapia. Ao mesmo tempo, trouxe para a discussão várias lacunas ainda a serem preenchidas e novos campos de pesquisa, que poderão contribuir com a melhoria dos tratamentos”, pondera.

“O curso foi muito importante, pois trouxe um painel geral do que está sendo desenvolvido no vasto campo da Imunologia tumoral”, considera uma das professoras convidadas, a pesquisadora da Fiocruz Bahia Karine Damasceno. “As interações com os discentes foram extremamente proveitosas e espero que logo tenhamos novas edições desse evento que certamente foi um sucesso”.

Doutoranda do PgPAT e médica oncologista, Vanessa Dybal descreveu a experiência que teve como discente da atividade. “O curso foi bastante rico e conseguiu abordar diversos temas extremamente atuais com profundidade e clareza. A escolha dos palestrantes foi bastante cuidadosa, procurando trazer profissionais dedicados e que claramente dominavam o tema. Recomendaria sem dúvida em suas próximas edições”.

Também doutorando do PgPAT, Bruno Cavalcante pontua os aspectos que mais chamaram sua atenção: a organização, o renome dos palestrantes e o conteúdo abordado. “Além disso, o curso cobriu vários assuntos em tendência e serviu também como atualização sobre os temas discutidos. Como pesquisador na área de câncer, o conhecimento de alto nível é bem-vindo para a compreensão de um conjunto de doenças tão maléfico e que desafia nossas intenções clínicas”, afirma o estudante.

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Estudo que avaliou impacto do Bolsa Família na mortalidade da infância recebe prêmio

Por sua relevância e aplicabilidade, a pesquisa “Avaliação do Impacto do Programa Bolsa Família na mortalidade da infância, um estudo de coorte de 100 milhões de brasileiros” recebeu o Prêmio Ciência pela Primeira Infância, concedido pela coalizão Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) e pela consultoria ponteAponte. O trabalho foi resultado dos estudos de pós-doutorado de Dandara Ramos, pesquisadora do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (CIDACS/Fiocruz Bahia) e professora adjunta do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).  

O Prêmio Ciência pela Primeira Infância tem como objetivo reconhecer cientistas com pesquisas com foco na primeira infância, e promover a divulgação do conhecimento gerado, visando apoiar a formulação de políticas públicas voltadas para essa faixa etária no Brasil. A premiação divide-se em três eixos temáticos, que abarcam temas como a diversidade infantil e as desigualdades nesta primeira fase de vida. O trabalho submetido concorreu no terceiro eixo temático “Avaliação de políticas públicas em primeira infância”. 

“Esse reconhecimento é importante tanto pelo impulsionamento de carreira, como – e principalmente – pela relevância do tema”, afirma Dandara Ramos. “Após a pandemia temos mais de 5 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza no Brasil, e 40% dessas pessoas são crianças e adolescentes. Premiar um estudo sobre transferência de renda é uma mensagem política importante no momento atual”.  

Para avaliar os impactos do programa Bolsa Família, a equipe de pesquisadores, liderada por Dandara e Nívea Bispo, também pesquisadora associada do Cidacs, utilizou dados extraídos de uma coorte de 100 milhões de brasileiros, construída a partir do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do Governo Federal. Foram usados para a análise os dados de mais de 6 milhões de crianças, contemplando o período de 2006 a 2015.  

Foi concluído que famílias atendidas pelo benefício eram associadas a menores taxas de mortalidade infantil. A análise cruzada também mostrou que quanto melhores forem os índices de administração do município, maior o efeito do benefício em reduzir as taxas de mortalidade em crianças entre 1 e 4 anos. Outros dados apontam que os grupos nos quais o programa teve maior impacto na redução de mortalidade foram o de crianças prematuras, filhos de mães negras e provenientes de locais de baixíssima renda.  

Os resultados do estudo já foram publicados, em setembro de 2021, e estão disponíveis na revista PLOS Medicine. 

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Dissertação avalia efeito pleiotrópico de polimorfismos no gene BCL11A

Autoria: Antonio Mateus de Jesus Oliveira
Orientação: Marilda de Souza Gonçalves
Título da dissertação: “Efeito pleiotrópico de polimorfismos no gene BCL11A em indivíduos com anemia falciforme”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana
Data de defesa: 19/12/2022
Horário: 14h30
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 846 0144 0005
Senha de acesso: defesa

Resumo

A anemia falciforme (AF) é uma das formas de apresentação da doença falciforme (DF), que é caracterizada por eventos hematológicos como a hemólise e lesão endotelial que culminam na vaso-oclusão, levando ao aparecimento de diversas manifestações clínicas. A AF é resultado de uma alteração eritrocitária condicionada pela mutação de ponto no gene HBB que leva a formação da hemoglobina S (HbS). A hemoglobina fetal (HbF) é conhecida por afetar positivamente a clínica dos indivíduos com AF, por interferir no papel da HbS na alteração eritrocitária. Polimorfismos genéticos são conhecidos por modularem positivamente os fenótipos clínicos na AF, sendo o gene BCL11A um marcador importante nesse aspecto. Contudo, polimorfismos no gene BCL11A têm sido descritos por alterar negativamente o quadro clínico dos pacientes com AF. O presente estudo teve como objetivo associar biomarcadores laboratoriais na presença dos polimorfismos rs766432 (C>A) e rs6732518 (C>T) no gene BCL11A. Os marcadores hematológicos e bioquímicos foram investigados por métodos automatizados e os marcadores genéticos foram identificados pelas técnicas de reação em cadeia da polimerase e Restriction Fragment Length Polymorphism (PCR-RFLP). As análises estatísticas foram realizadas no software Graphpad prism na versão 9.0. A HbF apresentou associação estaticamente significante na presença do polimorfismo rs766432 (p=0,0306) bem como simultaneamente com o polimorfismo rs6732518 (p = 0,0302), e como as concentrações da HbS (p=0,0464). As concentrações de hemoglobina (Hb) (p=0,0008),
hematócrito (Ht) (p=0,0243) (p=0,0329) e contagem de hemácias (Hm) (p=0,0069) (p=0,00466) estiveram elevadas na presença dos polimorfismos. As concentrações de bilirrubina total (p=0,0264) e direta (p=0,0039) apresentaram valores menores na presença do polimorfismo rs766432, bem como na co-herança dos polimorfismos (p=0,0073) (p=0,0154). Concentrações elevadas de colesterol HDL estiveram associados na presença do alelo variante do polimorfismo rs766432 (p=0,0402) e níveis elevados de alfa1- antitripsina estiveram associados na presença do alelo variante do polimorfismo rs6732518 (p=0,0320) e a ausência de correlação entre o a HbF e HDL(r=0,03705). Conclui-se que que polimorfismos no locus BCL11A são importantes para a variação dos níveis de HbF, e que podem apresentar efeito
pleiotrópico pela determinação de parâmetros laboratoriais não-relacionados com os níveis de HbF.
Palavras chaves: Anemia falciforme; BCL11A; HbF

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Pesquisador Bernardo Galvão é novo integrante da Academia Brasileira de Ciências 

Eleito por meio de Assembleia Geral, realizada no dia 1° de dezembro, o pesquisador da Fiocruz Bahia Bernardo Galvão Castro é um dos novos membros titulares da Academia Brasileira de Ciências (ABC). A nomeação ocorre por meio da indicação de outros membros, e busca reconhecer cientistas com atuações destacadas e com notória liderança em sua área.  Além de Galvão, foram eleitos outros 16 membros titulares, oito pesquisadores estrangeiros como membros correspondentes e cinco membros afiliados de cada região escolhida: as regiões Norte, Minas Gerais e Centro Oeste, Rio de Janeiro, São Paulo e região Sul, que tomarão posse no dia 1° de janeiro de 2023.  

Bernardo Galvão integra a ACB como um membro na área de Ciências da Saúde. Médico, Patologista e Imunologista, ele tornou-se amplamente reconhecido por ter sido o primeiro cientista a isolar o vírus do HIV na América Latina. Os estudos do pesquisador com o retrovírus também auxiliaram a implantar as bases de triagem do HIV no sangue, auxiliando a conter a transmissão via doação sanguínea, assim como a consolidação do Programa Nacional de Controle do HIV do Ministério da Saúde. 

“Sinto-me honrado por ter sido eleito Membro da Academia Brasileira de Ciências. Para mim significa o reconhecimento, pelos meus pares, de uma carreira dedicada a ciência da saúde. Agradeço a Fiocruz que me forneceu as condições necessárias para o desenvolvimento de pesquisas durante 30 anos”, reconhece o cientista, que hoje é pesquisador emérito da Fundação. 

Galvão ingressou na Fiocruz em dezembro de 1977. Na década de 80, o então jovem pesquisador coordenou o projeto de reforço institucional da América Latina financiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que permitiu a implantação do Centro de Imunologia Parasitária, na Fiocruz no Rio de Janeiro. 

Na Fiocruz Bahia, foi responsável pela implantação do Laboratório Avançado de Saúde Pública (LASP). Bernardo Galvão mantém-se atuante também enquanto professor titular da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP). A pesquisa do cientista se volta agora ao estudo do HTLV-1, outro retrovírus da mesma família do HIV. Galvão foi responsável pela fundação do Centro Integrativo e Multidisciplinar de Atendimento ao Portador de HTLV (CHTLV), da EBMSP, centro responsável pelo acolhimento de mais de duas mil pessoas em todo o estado da Bahia.  

O pesquisador é membro da Academia de Medicina da Bahia, da Academia de Ciências da Bahia, membro do Conselho da Sociedade Internacional de Retrovirologia, do Conselho Curador da Fundação José Silveira, membro da Assembleia do Instituto Brasileiro de Oftalmologia e Prevenção da Cegueira e sócio da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 

Entre os prêmios que já recebeu, incluem o VI Prêmio Hélio Gelli Pereira, da Sociedade Brasileira de Virologia, recebido em 2002; a Medalha Thomé de Souza, concedida pela Câmara Municipal de Salvador, também em 2002; e o Prêmio Anísio Teixeira na categoria “Honra ao Mérito Pesquisador” na área Biotecnologia, concedido pela FAPESB, em 2006. 

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Tese descreve resistência à polimixina em isolados de K. pneumoniae e E. coli

Autoria: Adson Santos Martins
Orientação: Joice Neves Reis Pedreira
Título da tese: “PREVALÊNCIA E CARACTERIZAÇÃO DE RESISTÊNCIA A POLIMIXINA B EM ENTEROBACTÉRIAS NA CIDADE DE SALVADOR, BAHIA”.
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 20/12/2022
Horário: 09h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 812 0818 6594
Senha de acesso: 354609

Resumo

Introdução: Durante a última década, a resistência aos antibióticos de amplo espectro chegou a niveis preocupantes, especialmente em bactérias pertencentes a familia Enterobacteriaceae. O rápido surgimento de novos mecanimsos de resistência aos antibióticos, associado a alta prevalência de enzimas que conferem resistência aos betalactâmicos, como beta-lactamase de espectro estendido (ESBL), Klebsiella pneumoniae carbapenemases (KPC) e Nova Deli metalo-beta-lactamase (NDM), muitas vezes limitam as opções de tratamento a antibióticos de último recurso, como polixinas. Objetivo. Descrever a prevalência de resistência à polimixina em isolados de Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli provenientes de casos de infecção de corrente sanguínea e caracterizar o mecanimso de resistência nestes isolados. Métodos. Estudo prospectivo, conduzido com bactérias isoladas de pacientes com infecção de corrente sanguinea, em dois hospitais terciários de Salvador, Bahia, no período de 01/04/2015 a 28/02/2019. Dados epidemiológicos foram coletados por meio de revisão de prontuários e os isolados bacterianos foram identificados por espectrometria de massa e pelo VITEK-2®. O perfil de susceptibilidade aos antimicrobianos foi realizado através de automação. Resistência a polimixina foi investigada pelo teste da gota e microdiluição em caldo e os mecanimos de resistência determinados pela reação de polimerase em cadeia para investigar a presença do plasmídio mcr-1, e detecção de genes cromossomais: PhoP/Q, PmrA/B e mgrB. Resultados. Foram avaliados 366 isolados, sendo 168 de Klebsiella pneumoniae e 198 de Escherichia coli. A triagem inicial com o teste da gota, identificou 209 (57,1%) isolados como sensíveis à polimixina, sendo 161 (77,0%) E. coli e 48 (23,0%) K. pneumoniae. Um
total de 81 (22,0%) isolados foram resistentes a polimixina, sendo 22 (27,2%) E. coli e 48 (72,8%) K. pneumoniae. Heteroresistência foi identificada em 76 (20,7%) dos isolados, sendo 15 (19,7%) E. coli e 61 (80,3%) K. pneumoniae. A microdiluição em caldo foi realizada para 199 isolados, sendo 78 E. coli e 121 K. pneumoniae. Sendo confirmada a resistência a polimixina em 40/48 isolados de K. pneumoniae e em 4/22 E. coli. A sensibilidade do teste da gota foi de 100% e a especificidade foi de 76,1%. Dos 44 isolados
resistentes, os genes PhoQ/PhoP foi identificado em 20 (45%), o gene pmrA foi identificado em 30 (68%) dos isolados resistentes, sendo que em 11/30 isolados o gene pmrB também foi detectado. O gene plasmidial mcr-1foi detectado em apenas um isolado de E. coli. O gene mgrB foi encontrado em apenas um isolado de K. pneumoniae. Dentre os isolados sensíveis a polimixina pela microdiluição em caldo, os genes PhoQ/PhoP foi identificado em 19 (36%) e entre aqueles com heteroresistência no teste da gota, 63% tinham alteração nos genes PhoQ/PhoP. Conclusão. A resistência a polimixina é mais frequente em isoaldos de K. pneumoniae e está associada aos genes PhoQ/PhoP. O teste da gota revelou-se uma boa opção para triagem de resistência entre K. pneumoniae e E. coli.


Palavras – chave: Resistência à polimixina; Teste da gota; Escherichia coli. Klebsiella pneumoniae. Polimixinas

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Pesquisador é homenageado em celebração dos 20 anos do Centro de HTLV

Fundado em 2002, com o apoio da Fiocruz Bahia, o Centro Integrativo e Multidisciplinar de Atendimento ao Portador de HTLV (CHTLV) da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública completou, neste mês de novembro, 20 anos de atuação pela promoção da saúde à população portadora do HTLV. Instituído e coordenado desde então pelo pesquisador emérito da Fiocruz Bahia e médico Bernardo Galvão, a importância da iniciativa e do trabalho do pesquisador foram recordadas na cerimônia de celebração do aniversário do Centro.

Estiveram presentes na solenidade o vice-reitor da Bahiana, Humberto Castro Lima Filho, a enfermeira do Centro, Aidê Nunes, o membro representante da associação HTLVida, Francisco Daltro, além da professora da Bahiana e pesquisadora Fernanda Grassi, representando a Fiocruz. Na ocasião, Bernardo Galvão recebeu, das mãos do diretor do Centro Médico da Bahiana, Luiz Eduardo Fonteles Ritt, uma placa marcando a homenagem. 

De acordo com artigo publicado no periódico Frontiers in Medicine, realizado com participação de pesquisadores e médicos atuantes no CHTLV, a Bahia é o estado com maior prevalência de infecção pelo HTLV-1 no Brasil, com quase 130 mil portadores em todo o estado. É nesse cenário que surge a iniciativa de implantar o CHTLV, como conta Bernardo Galvão. Atualmente, o Centro atua em colaboração com o Laboratório de Saúde Pública (LASP) da Fiocruz Bahia.

“A maior parte da população da Bahia desconhece essa infecção e suas consequências mórbidas para a espécie humana. Os pacientes são estigmatizados e acabam não procuram os serviços de saúde. Além disso, é ainda escasso o seu conhecimento entre os profissionais da área de saúde”, declara. O médico ressalta que o tratamento para a infecção do vírus requer uma equipe multidisciplinar de saúde, para abarcar o diagnóstico laboratorial, a assistência médica, inclusive às gestantes, a fisioterapia, a terapia ocupacional e o atendimento psicológico.

“O CHTLV presta esse atendimento, desde 2002, visando o bem-estar físico e mental das pessoas vivendo com HTLV, assim como dos seus familiares. Esses serviços são oferecidos não apenas à população de Salvador, mas também a outras cidades da Bahia”, afirma Bernardo Galvão. Atualmente, o local já acolheu mais de duas mil pessoas em todo o estado.

Para a docente da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e enfermeira no CHTLV Aidê Nunes o pesquisador é um ativista na atuação pelo controle da doença. “Desde o começo, o Dr. Galvão tinha uma visão de promover o cuidado aos portadores do HTLV. O atendimento do Centro é integrado e multidisciplinar”, explana. Nunes relata que o Centro recebeu duas caravanas neste mês, vindas da Paraíba e do Rio Grande do Norte, a fim de observar o modo como funciona o atendimento do CHTLV.

Segundo Aidê, outro ponto fundamental do projeto é que seu combate ao vírus se dá em diversas frentes. “O Dr. Galvão não queria apenas o atendimento. Ele incentivava a pesquisa na área também, a formação de pessoal. Eu acho que ele foi muito pioneiro em trabalhar em uma doença que, em 2002, era ainda mais negligenciada”. A enfermeira também é Coordenadora do Programa de Extensão Enfermagem Cuidar Faz Bem, da Escola Bahiana, que promove a participação dos discentes de diversas especialidades no cotidiano do centro.

“Eu fico muito feliz como cidadã, como profissional enfermeira, e como docente de ver essa história sendo escrita”, orgulha-se a professora. Pelo trabalho prestado no controle da doença na Bahia, o pesquisador foi homenageado com a Medalha Thomé de Souza pela Câmara Municipal de Salvador, em 2002. Ele recorda que na ocasião de recebimento da medalha, seu discurso buscou reforçar a missão que leva com o instituto: “contribuir para o controle da infecção causada pelo HTLV-I, grave problema de Saúde Pública, no Brasil, e, particularmente, nesta bela e dadivosa cidade do Salvador, que tão gentilmente me homenageia”, disse à época.

HTLVida

A presença do CHTLV também foi um incentivo à criação da Associação voltada aos portadores do vírus HTLV – HTLVida. A presidente da organização Adijeane Oliveira de Jesus relata que a HTLVida é a única associação dedicada aos portadores do vírus no país. “Sabemos o quanto é necessária nossa existência para incentivar a criação de mais grupos e também para continuar criando políticas públicas a nível nacional”, afirma a dirigente.

“Atuamos juntos com o Centro de HTLV, principalmente por meio da figura do Dr. Bernardo Galvão, um dos maiores incentivadores da Associação HTLVida. Estamos constantemente pensando, organizando, criando ações, atividades, construindo e participando de pesquisas voltadas a qualidade de vida das pessoas com HTLV”, completa.

No último dia 10 de novembro, data do Dia Internacional de Enfrentamento ao HTLV, a Associação organizou uma homenagem em celebração aos principais atores de sua existência. O pesquisador recebeu uma placa em agradecimento aos esforços feitos em favor da organização e na luta pela visibilidade dos portadores. “O Dr. Bernardo foi o mentor e principal entusiasta da criação dessa Associação. Nada mais justo do que presenteá-lo e homenageá-lo”, expõe.

“Fiquei lisonjeado com a homenagem que recebi da Associação HTLVida”, conta o pesquisador. “Foi uma homenagem feita por pessoas que vivem com o HTLV-1. Tenho a sensação de ter cumprido parcialmente a promessa que fiz. No entanto, resta muito a ser feito”.    

Sobre o HTLV

Pertencente a mesma família do HIV, o HTLV é um vírus infeccioso que afeta as células de defesa do organismo humano. Existe cerca de 10 milhões de portadores do vírus em todo o mundo. A maioria dos países afetados pelo vírus são considerados subdesenvolvidos. O HTLV pode ser transmitido por via sexual, pelo compartilhamento de agulhas infectadas ou de forma vertical, passando de mãe para filho, através da gestação ou da amamentação.

A doença não possui cura, mas possui tratamento e manutenção. Caso não controlado, o HTLV pode levar o portador a desenvolver leucemia de células T, Mielopatia associada com o HTLV-1/Paraparesia espástica tropical, uveíte e dermatite infecciosa.

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Estudo avalia impacto em bebês da infecção materna por zika

Informações da Agência Fiocruz de Notícias

Uma colaboração nacional, formada por pesquisadores da Fiocruz e de outras 25 instituições do Brasil agrupados no Consórcio Brasileiro de Coortes relacionadas ao vírus zika (ZBC Consortium), com apoio da London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), avaliou os impactos na saúde dos bebês da infecção de gestantes por zika. A Fiocruz Bahia faz parte do consórcio, representada pela pesquisadora Isadora Siqueira.

Publicado no The Lancet Regional Health – Americas na última segunda-feira (28/11), o estudo revelou que aproximadamente um terço dos filhos de mães infectadas durante a gravidez apresentaram, nos primeiros anos de vida, anormalidades consistentes com a Síndrome da Zika Congênita (SZC).

Esta foi a pesquisa sobre o tema que contou a maior quantidade de participantes, conseguindo detectar com mais clareza a relação entre o vírus zika e possíveis distúrbios congênitos. A necessidade dessa avaliação surgiu após uma epidemia de microcefalia no Brasil em 2015, mas as amostras pequenas, a alta variabilidade entre as estimativas e a limitação dos dados de vigilância limitavam a possibilidade de calcular os riscos. As manifestações da síndrome envolvem deficiências neurológicas funcionais, anormalidades de neuroimagem, alterações auditivas e visuais e microcefalia. Tais disfunções aparecem mais frequentemente de forma isolada do que em combinação, com menos de 0,1% das crianças expostas apresentando duas delas simultaneamente.

Os resultados foram encontrados a partir da análise combinada de dados de 13 estudos que investigam os resultados pediátricos em gestações afetadas pelo vírus zika durante a epidemia de 2015-2017 no Brasil. Esses dados abrangem todas as quatro regiões do país afetadas pela epidemia neste período, com infecção pré-natal confirmada em laboratório por testes genéticos e avaliação dos potenciais efeitos adversos em nível individual.

“Esse trabalho dá uma contribuição fundamental para a compreensão das consequências para a saúde da infecção pelo vírus zika durante a gravidez. Ele reúne dados individuais de crianças nascidas de 1.548 gestantes residentes em diferentes regiões do país que tiveram o diagnóstico confirmado de infecção pelo vírus zika durante a gravidez, permitindo uma estimativa mais precisa dos riscos. Saliente-se ainda que, além da contribuição em termos de conhecimento, esse estudo traduz a competência dos pesquisadores brasileiros e das instituições públicas para responder aos desafios científicos, tendo os mesmos se organizado primeiro em suas instituições de origem e, em seguida, conjuntamente, criando o Consórcio Brasileiro de Coortes relacionadas ao vírus zika”, destacou o pesquisador Ricardo Arraes de Alencar Ximenes, da Universidade de Pernambuco e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que liderou o estudo.

Em relação à microcefalia, condição neurológica em que a cabeça do bebê é menor do que o esperado para sua idade e sexo, uma a cada 25 crianças nascidas de mães infectadas pelo vírus zika durante a gravidez apresentou a disfunção no nascimento ou durante o acompanhamento. Na maioria dos casos, a condição era detectável próximo ao momento do nascimento, mas algumas crianças nascidas com perímetro cefálico normal desenvolveram a microcefalia nos anos seguintes. O risco de filhos de mães infectadas por zika na gestação apresentarem microcefalia foi de 2,6% no nascimento ou quando avaliados pela primeira vez, aumentando para 4,0% nos primeiros anos pré-escolares. Esse risco foi relativamente consistente nos diferentes locais de estudo, sem apresentar variação relativa às condições socioeconômicas ou área geográfica.

Na Fiocruz, cinco institutos contribuíram para a pesquisa: o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) e o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), no Rio de Janeiro (RJ); o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em Manaus (AM); o Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco), em Recife (PE); e o Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), em Salvador (BA).

A pesquisadora Flor Ernestina Martinez-Espinosa, da Fiocruz Amazônia, é co-autora sênior do estudo (ao lado de Patrícia Brasil, do INI/Fiocruz) e coordenou uma das coortes de gestantes expostas ao vírus zika. O projeto em Manaus ocorreu a partir de uma parceria entre a Fiocruz e a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), instituição de referência para doenças infecciosas e parasitárias no estado do Amazonas que sedia dois laboratórios da Fiocruz Amazônia.

“Formamos um grupo inter e multidisciplinar que acompanhou mais de 800 mulheres que procuraram a FMT-HVD por apresentar doença exantemática e por se declararem gestantes, sendo, portanto, notificadas como casos suspeitos de vírus zika na gestação. Esta população fez testes para confirmar os dois eventos (gravidez e infecção por zika). Trezentos e vinte casos foram confirmados e 760 dos casos notificados foram acompanhados até o final da gestação. Atualmente, estamos fazendo a busca ativa das crianças expostas para analisar sua situação no quinto ano de vida”, disse Martinez-Espinosa.

A realização de estudos adicionais com tempo de acompanhamento mais longo é apontada pela equipe de pesquisadores como o futuro da pesquisa publicada nesta segunda. Os possíveis caminhos para investigação incluem a avaliação do risco de hospitalização e morte para crianças com microcefalia à medida que envelhecem e, naquelas sem microcefalia, averiguar os riscos de outras complicações, como aquelas ligadas ao desenvolvimento comportamental ou neuropsicomotor. O estudo aponta também para a importância do diagnóstico e intervenção precoces de eventuais manifestações congênitas atribuídas ao vírus zika.

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Associação entre estado nutricional e concentração fecal de bifidobacterium spp. é tema de tese.

Autoria: Camilla Almeida Menezes
Orientação: Ricardo Riccio Oliveira
Título da tese: “Associação entre estado nutricional e concentração fecal de bifidobacterium spp. Em um grupo de estudantes submetidos a uma intervenção na alimentação escolar no sertão da Bahia”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana
Data de defesa: 09/12/2022
Horário: 09h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 810 4071 9852
Senha de acesso: defesa

Resumo

Contexto: Hábitos alimentares não saudáveis estão relacionados ao desenvolvimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), também na população infantil. Um dos mecanismos associados é o desequilíbrio da microbiota intestinal. Com a prerrogativa de promoção de sustentabilidade social, econômica e ambiental, e de melhora das condições nutricionais e de saúde, uma intervenção que alcançou cerca de 32 mil estudantes do estado da Bahia fomentou a redução da oferta de alimentos de origem animal e ultraprocessados na alimentação escolar. O objetivo deste estudo de intervenção foi avaliar o estado nutricional desses estudantes e a sua associação com as concentrações fecais de Bifidobacterium spp. (BIF). Métodos: 190 indivíduos, de 5 a 19 anos, foram avaliados no início do ano letivo de 2019 e 124 deles, expostos à intervenção, foram novamente avaliados no final desse período. A
avaliação do consumo alimentar foi feita por meio de Recordatório de 24 horas. Os parâmetros laboratoriais incluíram hemograma, perfil glicídico e lipídico, ferritina e vitaminas D e B12. A avaliação da abundância fecal de BIF foi feita pelo método de Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real. Os indicadores antropométricos incluíram Índice de Massa Corporal, Circunferência da Cintura e Relação Cintura-Estatura. Resultados: Observou-se alta ingestão de alimentos ultraprocessados e alta prevalência de LDL-colesterol elevado, hipertrigliceridemia, excesso de peso e risco cardiovascular, achados mais expressivos na população de escolas da zona urbana. A menor abundância fecal de BIF foi associada à maior prevalência de hiperglicemia, e a maior concentração foi associada à menor prevalência de risco cardiovascular. A exposição à intervenção resultou em redução dos níveis séricos de LDL colesterol e do risco cardiovascular, e aumento dos níveis séricos de triglicerídeos. Conclusão: A concentração fecal de BIF está associada com alterações metabólicas na população estudada e políticas públicas locais podem ser eficazes no enfrentamento às DCNT entre crianças e adolescentes da rede pública municipal de ensino. Sugere-se investigação da influência da prática de atividade física nesses desfechos.
Palavras-chave: Estado nutricional; Obesidade infantil; Alimentação escolar; Microbiota intestinal; Bifidobacterium spp.

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Projeto de pesquisadores da Fiocruz Bahia recebe prêmio DASA de Inovação Médica

Desenvolvido nos últimos dez anos, o PathoSpotter é um sistema de Inteligência Artificial que pode auxiliar o diagnóstico de doenças em tecidos renais por meio de imagens obtidas por biópsias. Pelo potencial de transformação que o programa pode proporcionar na área de diagnósticos patológicos, o sistema recebeu o título de grande destaque na categoria de Inovação em Medicina Diagnóstica de 2022 do Prêmio DASA de Inovação Médica, com curadoria da Veja Saúde. A premiação ocorreu de forma virtual, no dia 23 de novembro.

O projeto foi realizado por meio de parceria entre o Laboratório de Patologia Estrutural em Molecular da Fiocruz Bahia, o Laboratório de Computação de Alto Desempenho (LCAD) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e o Intelligent Vision Research Lab (Ivisionlab) da Universidade Federal da Bahia, com coordenação dos pesquisadores, Washington LC dos-Santos da Fiocruz Bahia, Angelo Duarte da UEFS e Luciano Oliveira da UFBA.

Por meio de cada imagem inserida no sistema, ele buscará fazer uma análise rápida e de alta precisão das lesões, auxiliando patologistas a obterem um diagnóstico mais facilmente. A tecnologia continuará a se aperfeiçoar à medida que for utilizada. Segundo o site do Prêmio DASA, o PathoSpotter foi escolhido por oferecer uma “perspectiva real de um programa que melhora, acelera e amplifica o trabalho desses profissionais — o que, no fim, culmina em diagnósticos e tratamentos mais certeiros contra enfermidades que afligem os rins e o fígado”.

“Esse sistema permitirá ao patologista uma avaliação mais rápida e mais acurada das biópsias hepáticas e renais. Vai ajudar na formação de patologistas no diagnóstico de doenças hepáticas e renais, na qual há muita carência no Brasil. Doenças hepáticas e renais têm uma grande importância em saúde pública. Um sistema computacional que ajude a ampliar o diagnóstico precoce dessas doenças permitirá medidas de tratamento e prevenção da progressão”, afirma o professor Washington.

“Esse prêmio é muito importante para o PathoSpotter por representar um reconhecimento da importância do nosso trabalho e por ter sido indicado por uma equipe de pesquisadores renomados”, considera o cientista. De acordo com Santos, o sistema foi idealizado para oferecer maior suporte aos médicos patologistas de todo o país.

O pesquisador contou que a ideia por trás do sistema veio de seu hábito de fotografar as lâminas de lesões de doenças renais que estuda. Com mais de 100 mil imagens acumuladas, ele buscou o apoio do professor Angelo Duarte, do LCAD, para o desenvolvimento do sistema. Com a posterior integração do coordenador do Ivisionlab, o professor Luciano Oliveira, e da professora Michele Fúlvia Angelo da UEFS, o projeto ganhou corpo. Desde 2017, o grupo de pesquisadores tem publicado uma série de artigos demonstrando a capacidade do sistema de auxiliar o diagnóstico de doenças renais.

“Hoje, o projeto PathoSpotter conta com uma rede de colaboradores de vários estados do Brasil e do exterior é uma produção científica e tecnológica consiste na área”, conta Washington. O projeto também recebeu o apoio do Programa Fiocruz de Fomento à Inovação, o Inova Fiocruz. Os pesquisadores continuam a buscar financiamento para garantir uma equipe de profissionais inteiramente dedicados ao desenvolvimento do sistema.

A versão preliminar do sistema está disponível para teste neste link:

https://pathospotter.bahia.fiocruz.br/

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Pesquisa multinacional avalia risco de morte associado a anemia em pessoas vivendo com HIV

Baseado em dados de um estudo internacional conduzido nos Estados Unidos, Quênia e Tailândia, pesquisadores da Fiocruz Bahia analisaram os riscos associados à anemia grave em indivíduos vivendo com HIV. Coordenado pelo pesquisador Bruno Bezerril, o estudo demonstrou que estes pacientes apresentaram maior risco de desenvolvimento da síndrome de imunoreconstituição inflamatória (SIRI), associada ao aumento significativo da mortalidade e morbidade, mesmo após o início da Terapia Antirretroviral (TARV). O trabalho, publicado no periódico eBioMedicine, tem como primeira autora a estudante egressa do Programa de Pós-Graduação em Patologia Humana (UFBA/Fiocruz Bahia), Mariana Araújo Pereira.

A SIRI é uma condição caracterizada por uma rápida deterioração clínica e com processos inflamatórios descontrolados, apesar da supressão da carga viral do HIV e aumento de LT CD4+, podendo surgir no contexto de uma ampla variedade de infecções oportunistas. Os pesquisadores exploraram a relação entre a anemia grave e a SIRI, examinando a ocorrência da síndrome em pessoas vivendo com HIV e seu surgimento de acordo com diferentes graus de anemia.

Com dados levantados de 2006 a 2018, a pesquisa utiliza informações de 506 pacientes, acompanhados por seis meses, antes e depois de iniciarem a TARV. Os estudos clínicos foram conduzidos com pessoas acima de 18 anos, com diagnóstico positivo para HIV, e sem histórico de TARV. Primeiro, os cientistas analisaram a incidência de anemia no grupo e concluíram que 16,3% dos pacientes tinha níveis normais de hemoglobina. Os demais, 83,7%, apresentaram baixos níveis de hemoglobina e foram considerados anêmicos.

Durante o período de acompanhamento dos pacientes, 19,3% desenvolveram a SIRI. A condição foi mais frequentemente diagnosticada em pacientes anêmicos e, de acordo com os pesquisadores, o risco de surgimento da síndrome mostrou-se estar associado a gravidade da anemia. A mortalidade geral também aumentou de acordo com a gravidade do quadro anêmico. Entre os grupos de indivíduos sem anemia, com anemia leve, moderada ou grave, os níveis de mortalidade foram de 4,88%, 5,28%, 6,20% e 19,2%, respectivamente. Os resultados favorecem a hipótese de uma relação entre a gravidade do quadro anêmico e o risco de SIRI e morte em pessoas vivendo com HIV.

A análise do tempo transcorrido até a morte revelou que os óbitos ocorreram mais frequentemente durante as primeiras três semanas da TARV. Também foi comparado o perfil dos pacientes que desenvolveram a SIRI e as vítimas fatais. A maioria, 75,9%, foram pacientes sem a SIRI que sobreviveram; 4,8% foram pacientes sem a SIRI que faleceram; 17,9% foram sobreviventes que desenvolveram a SIRI; e 1,4% foram pacientes com a SIRI que morreram. Indivíduos com SIRI e os casos de óbito apresentaram maior grau de marcadores inflamatórios e níveis mais baixos de hemoglobina do que os sobreviventes sem a SIRI.

Os resultados do estudo reforçam a ideia de que a alta inflamação sistêmica e a anemia grave estão ligadas a maiores chances de surgimento da SIRI e da alta do risco de morte em pessoas com HIV avançado, mesmo no início da TARV. Para os pesquisadores, o quadro grave de anemia pode ser um marcador da progressão da infecção por HIV, o que aponta para um diagnóstico tardio dos pacientes.

Para o grupo de pesquisa, estes achados reforçam a necessidade de diagnóstico e tratamento precoce, assim com a necessidade de monitoramento da anemia em pessoas com HIV antes e durante a TARV. Os pesquisadores destacam que a presença desta condição pode ser um importante marcador do  risco de desfechos desfavoráveis, como SIRI e óbito, em pessoas vivendo com HIV.  

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Presença de autoridades marca encerramento do projeto Meninas Baianas na Ciência

O projeto Meninas Baianas na Ciência chegou ao encerramento de sua 3ª edição nesta quinta-feira (24/11), com um evento realizado no Instituto Gonçalo Moniz, sede da Fiocruz Bahia. A terceira edição do projeto foi realizada por meio do apoio da 2ª chamada Garotas STEM, do British Council e Fundação Carlos Chagas, em parceria com a Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Houve uma mesa-redonda, lançamento do dossiê temático “Mulheres e Meninas na Ciência” seguido de palestra, realizados por Cristina Araripe, coordenadora de Divulgação Científica da Fiocruz e entrega dos certificados para as alunas.

Mediados pela diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, participaram da mesa Julieta Palmeira, secretária estadual de Políticas Públicas para as Mulheres da Bahia (SPM); a técnica pedagógica Patrícia Oliveira e Shirley Costa, coordenadora do programa Ciência na Escola, como representantes da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC); André Joazeiro, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti); Luiz Queiroz de Araújo, diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) e Cristina Araripe.

O comitê organizador do Meninas Baianas na Ciência é composto pelas pesquisadoras Isadora Siqueira, Natália Tavares e Karine Damasceno. Desde agosto, o programa oferece às alunas palestras, apresentações e rodas de conversa com cientistas mulheres do Instituto Gonçalo Moniz, visitações aos setores do instituto e oficinas ministradas pelos discentes de pós-graduação e iniciação científica (IC). Nesta edição foram selecionadas cinco estudantes para participar dos programas de IC da Fiocruz Bahia. Além disso, todas as alunas ganharam certificados por sua participação no projeto.

Marilda Gonçalves frisou o cenário que possibilitou o surgimento do projeto, com a eleição de Nísia Trindade para a presidência da Fiocruz. “Ela tem um olhar especial para a mulher e isso mudou a cara da nossa instituição”, declarou. É uma honra estar abrindo nosso instituto a vocês, meninas, que são o futuro da nossa nação. Eu tenho certeza de que a educação vai ter um novo rumo a partir de agora”.

“Cada uma de vocês representa um sonho e nós temos que transformar esse sonho em realidade. Vocês podem ser o que quiserem. Mas precisamos ter políticas que as incentivem a fazerem isso”, completou Marilda. A pesquisadora aproveitou a ocasião para estimular a parceria entre a Fiocruz Bahia e as secretarias do governo em prol de mais iniciativas que ajudem a estimular a equidade.

Cristina Araripe reforçou a opinião de Marilda Gonçalves. “Precisamos estar empenhados em iniciativas que envolvam a melhoria de vida da população, e, nesse caso, particularmente da educação, em formar pessoas”, afirmou. Para ela, iniciativas como o Meninas Baianas na Ciência são um exemplo que deve ser reproduzido em todas as unidades da Fiocruz.

“É uma honra estar aqui neste importantíssimo instituto, que presta relevantes serviços a saúde. Esse é um tema extremamente importante”, iniciou Luiz Queiroz. O diretor da Fapesb realizou uma fala acerca da importância do investimento na educação das meninas e mulheres. “Nesse ponto eu sempre digo que sem investimento em saúde, educação e ciência nunca seremos um país justo e soberano.

A secretária estadual Julieta Palmeira também se mostrou a favor da parceria entre órgãos públicos pela equidade. Palmeira recordou que projetos possuem uma tarefa grande pela frente, para incentivar meninas e mulheres nas ciências STEM. “Não podemos agir somente no pós-doutorado ou somente no ensino fundamental. É nos diversos ciclos de vida da mulher que vamos criando oportunidades para combater a educação sexista que direciona mulheres para uma determinada área do conhecimento”, defendeu.

Já o secretário André Joazeiro falou acerca dos discursos que colaboram para que as mulheres sejam menos presentes na ciência, como a figura do cientista genial e a representação de pesquisadores apenas como homens brancos. “Temos uma cultura que induz as mulheres a acharem que é impossível. Elas crescem e observam figuras distantes. Essa falsa ideia de que a ciência precisa ser feita por homens ou brancos pode inibir”, ponderou.

Shirley Costa falou sobre a alegria de ver o encerramento de mais um ciclo do Meninas Baianas. Também professora de matemática, Costa recordou o papel das professoras e professores no ensino das meninas. “Quero agradecer a essas professoras que estão aqui e tem se preocupado com o percurso formativo dessas meninas”. Patrícia Oliveira se somou aos agradecimentos aos docentes e assegurou às estudantes: “Nós tentamos inspirar vocês para que vocês sejam inspiração para muitas meninas que estão nos assistindo”.

As meninas na ciência

Participaram da 3ª edição do projeto alunas de oito colégios da rede pública estadual: Colégio Estadual Heitor Villa Lobos; Colégio Estadual Mãe Stella; Colégio Estadual Cosme de Farias; Colégio Estadual da Bahia Central; Colégio Estadual Deputado Rogerio Rego; Colégio Estadual Eduardo Bahiana; Colégio da Polícia Militar – Unidade I/Dendezeiros e Escola Estadual Deputado Naomar Alcântara. 

A professora do Colégio Eduardo Bahiana, Márcia Ramos, afirmou ter apreciado a condução do Meninas Baianas e sugeriu a execução de atividades práticas com as estudantes, a fim de que elas se tornem multiplicadoras do conhecimento adquirido. Para Katelyn Borges, do Colégio Estadual Deputado Rogério Rego, essa foi uma boa experiência. “Aprendi bastante. Gostei das palestras, das oficinas e de conhecer as pesquisadoras”.

“Eu achei que esse foi um meio de conectar alunas com pesquisadoras para termos um incentivo maior. Foi uma inspiração para nós, para procurarmos nos empenhar mais nos estudos, e talvez até buscar uma carreira científica. Não é impossível se tornar uma pesquisadora”, expõe Graziele Souza, discente do Colégio Estadual Mãe Stella.

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