A Coordenação do Programa Institucional de Iniciação Científica (PROIIC) do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia) informa à comunidade científica e acadêmica o resultado dos alunos aprovados na Chamada Interna – 02/2024 – AUXÍLIO PERMANÊNCIA DO ESTUDANTE DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA.
Promovido pela Fiocruz Bahia, através do Núcleo Pró-Equidade de Gênero e Raça, o Seminário Novembro Negro: Reflexões e Ações para a Igualdade Racial foi realizado na sexta-feira, 29/11, no auditorio Sonia Andrade. O evento, que integra as celebrações em homenagem ao mês da Consciência Negra, contou com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-Bahia) e do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (APUB).
A programação teve início com a Sessão Científica, apresentada pela professora da Universidade Federal da Bahia, Barbara Coelho. Com o tema Racismo e Inteligência Artificial: Desafios Éticos e Tecnológicos, a pesquisadora líder do Laboratório de Pesquisas em Tecnologias Informacionais e Inclusão Sociodigital (Lti Digital) falou sobre como o racismo está presente nas tecnologias e suas formas de operar. A convidada também falou sobre a importância de discutir o tema com a comunidade durante o mês de novembro. “Esse é um mês muito especial pra gente, de muito trabalho e muitas reflexões porque nós temos a oportunidade de parar e repensar algumas questões no âmbito da universidade, da pesquisa, da extensão e do ensino, envolvendo questões relacionadas ao racismo, mas também aos avanços que tivemos nos últimos anos”, ponderou.
Em seguida, a mesa institucional foi formada pela diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves; pela coordenadora de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas da Presidência da Fiocruz (CEDIPA), Hilda Gomes e pela coordenadora do Sistema de Promoção da Igualdade Racial, Aline Teles, que representou a secretária da Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia, Ângela Guimarães.
A representante da Sepromi, Aline Teles, reiterou a parceria entre a Fiocruz Bahia e a secretaria estadual, reforçando o compromisso com ações voltadas para uma sociedade com mais diversidade e equidade. “Espero que possamos fomentar diálogos abertos, construtivos, onde possamos ouvir diversas vozes e perspectivas. Eu acredito na troca de conhecimento e na colaboração de diferentes entes para que possamos avançar na construção de uma sociedade mais justa e mais igualitária”, disse.
A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, defendeu a relevância do evento para a instituição e a importância de promover ações de combate ao racismo. “O racismo está impregnado em cada canto da nossa sociedade e do mundo, e é obrigação de cada um de nós combatê-lo. Nós precisamos disseminar a equidade na nossa sociedade. Hoje o IGM está em festa e o meu coração está resplandecendo”, afirmou.
Hilda Gomes, coordenadora de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (CEDIPA), falou sobre as ações para equidade e diversidade promovidas pela Fiocruz e da importância de ações como o Seminário Novembro Nebro, que ampliam discussões importantes em meio à comunidade interna. “Eu li uma frase que dizia que apagar as trajetórias é uma tecnologia do racismo. Então a gente reconhece, cada dia mais, que o racismo é super sofisticado…as palavras que nos cercam são: luta, resistência e resiliência”, disse.
Na sequência, Hilda Gomes mediou a mesa: Ações Afirmativas nas Instituições de Ciência e Tecnologia, composta pela professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Dina Maria do Rosário; pela professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Lorena Pinheiro Figueiredo; da diretora do Campus dos Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Mirian Reis e pela estudante de medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e estudante do Projeto Institucional de Iniciação Científica da Fiocruz Bahia (Pibic/ Ações Afirmativas), Caroline Pinho.
A programação continuou durante a tarde com a mesa Racismo e Saúde, mediada pela diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves. A mesa foi formada pela professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Suyane Costa Ferreira; pela psicóloga e representante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola (CONAQ), Amanda Glayce Sacramento e pela assessora especial da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi/BA), Ubiraci Matildes de Jesus.
A programação foi encerrada com a mesa Decolonialidade e Saúde, mediada pelo pesquisador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde – (CIDACS/Fiocruz Bahia), Gustavo Matta. A mesa foi composta pela pesquisadora Pós-Doc do CIDACS, Emanuelle Freitas Goés e pela pesquisadora associada do CIDACS / Fiocruz Bahia, Andréa Jacqueline Ferreira.
No dia 22/11, sexta-feira, foi realizado o encontro de culminância do Bora Checar, projeto da Fiocruz Bahia desenvolvido com o apoio da Embaixada dos Estados Unidos e da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (SECTI). O objetivo do projeto foi estimular o desenvolvimento de competências informacionais e midiáticas por meio de oficinas de combate à desinformação voltadas para jovens estudantes de escolas públicas do estado da Bahia.
O evento, que contou com palestras e apresentações culturais, ocorreu no Colégio Estadual da Bahia (Central), uma das escolas participantes da iniciativa. Estiveram presentes também estudantes e professores do Colégio Estadual Maria Isabel de Melo Góes, localizado no município de Catu (BA), e o Colégio Estadual Quilombola da Bacia do Iguape, da comunidade quilombola Santiago do Iguape, distrito de Cachoeira (BA).
Durante a abertura, Antonio Brotas, coordenador da Gestão e Divulgação Científica da Fiocruz Bahia e do projeto, agradeceu à comunidade escolar pela adesão, além de parabenizar estudantes e professores pela dedicação durante as oficinas. “O evento de hoje simboliza o encerramento do ciclo inicial de um processo construído de forma extremamente cuidadosa, desde a elaboração dos materiais didáticos até a relação de confiança entre a instituição e a escola, em prol do combate à desinformação entre os estudantes, especialmente sobre saúde, ciência e meio ambiente”, destacou.
Emmeline Bezerra de Oliveira, superintendente de Inovação da SECTI, também esteve presente e ressaltou a importância de iniciativas como o Bora Checar para aproximar estudantes da rede pública do conhecimento científico. “É fundamental para a SECTI apoiar ações que fomentem a ciência dentro das escolas. Mesmo com o encerramento deste ciclo do projeto, sabemos que o aprendizado levado às escolas será mantido”, afirmou.
Em mensagem de vídeo, Kaitlin Turck, diretora da seção de Educação e Cultura da Embaixada dos EUA, reforçou a relevância de iniciativas que incentivam os jovens a verificarem a veracidade das informações disseminadas nas mídias digitais. “Atividades como o Bora Checar representam um esforço conjunto entre o Brasil e os EUA para fortalecer a promoção da educação, a ciência e a cultura entre os jovens, capacitando-os como agentes multiplicadores em suas comunidades”, pontuou.
Fernanda Brito, professora do Colégio Central, destacou o impacto do projeto na formação crítica dos estudantes sobre o conteúdo compartilhado nas redes sociais. “O evento de culminância não apenas celebrou o projeto, mas também criou um espaço de diálogo entre as escolas participantes sobre as aprendizagens adquiridas”, observou.
Além das palestras, os estudantes acompanharam apresentações culturais realizadas por colegas que representaram cada escola, além de atividades como a criação de mensagens em murais, cartas e memes, relacionadas ao conhecimento adquirido durante o projeto. Para Ian Santos, estudante do 2º ano do ensino médio do Colégio Estadual Maria Isabel de Melo Góes, o Bora Checar foi uma oportunidade de aprendizado e de conscientização sobre o consumo de informações nas redes sociais. “Agradeço a todos que tornaram o projeto possível e espero que futuras edições sejam realizadas”, comentou.
Daniela Silva, pesquisadora de pós-doutorado em Ciência da Informação (PPGCIN/UFRGS) e parceira pedagógica do projeto, afirmou que o Bora Checar demonstra como os estudantes se interessam por fenômenos como a desinformação, pois vivenciam seus impactos no cotidiano. “Para além de vítimas, as juventudes precisam ser reconhecidas como agentes capazes de transformar os ambientes digitais em espaços mais saudáveis, éticos e democráticos. A educação midiática é uma estratégia essencial para fortalecer a formação cidadã, a democracia, a ciência, a saúde e o meio ambiente”, afirmou.
Esteve presente também Ana Mascarenhas, professora do Colégio Estadual Quilombola da Bacia do Iguape, que classificou o evento de encerramento como um momento lúdico e crucial para a consolidação dos conteúdos abordados nas oficinas, assim como a Izabel Silva Bomfim, vice-diretora do Colégio Estadual Maria Isabel de Melo Góes, que agradeceu à Fiocruz Bahia e à Embaixada dos EUA pela realização do projeto.
Realizado entre abril e novembro deste ano, o Bora Checar integra os esforços da Fiocruz Bahia para aproximar os jovens da ciência, saúde e cultura, além de disseminar o conhecimento produzido pela instituição em diversas regiões do estado.
Milena Soares, pesquisadora da Fiocruz Bahia, coordena o estudo.
A Fiocruz Bahia vai realizar o primeiro estudo clínico da Fiocruz de terapias avançadas (com células-tronco do próprio indivíduo) aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com o objetivo de testar um tratamento para pacientes paraplégicos que sofreram trauma raquimedular.
Terapias avançadas são as terapias celulares, gênicas e de bioengenharia de tecido, e são consideradas uma nova categoria de medicamentos pela Anvisa. O ensaio, coordenado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Milena Soares, foi aprovado em novembro, após análise dos dossiês encaminhados.
“Para a realização de qualquer estudo clínico envolvendo terapias avançadas, é necessário primeiramente a aprovação da Anvisa, e essa é uma notícia importante neste momento em que a Fiocruz está ampliando o programa de desenvolvimento de terapias avançadas. O Brasil é um país fortemente regulado quando se trata de terapias com uso de células, o que é importante para proteção e cuidado com a população brasileira”, afirma Milena.
A aprovação do estudo é fruto da parceria da Fiocruz com o Senai Cimatec, instituição na qual as células-tronco dos pacientes serão produzidas em laboratório certificado. Com a participação de 40 pacientes e duração prevista de três anos, o ensaio vai avaliar o tratamento com células-tronco da medula óssea do próprio paciente.
“É uma linha de pesquisa que desenvolvemos há mais de 15 anos e que pretendemos validar, avaliando a eficácia e a segurança do tratamento. Caso seja demonstrado que a terapia é eficaz e segura, esperamos que ela possa ser, futuramente, oferecida no Sistema Único de Saúde (SUS) para ajudar a melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, explica a coordenadora.
A Fiocruz Bahia participou do ‘Seminário Novembro Negro: Caminhos para uma Educação Antirracista’. Realizado na segunda-feira, 25/11, o evento tem como objetivo contribuir para tornar a escola um espaço de formação permanente para os professores no âmbito da educação antirracista, reconhecendo e reforçando a contribuição dos povos africanos e afro-brasileiros na construção do país. A ação é uma iniciativa da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, através do Instituto Anísio Teixeira (IAT), e conta com o apoio da Fiocruz Bahia.
A atividade contou com um público de 200 participantes no formato presencial, dentre eles professores, pesquisadores e estudantes da rede estadual de ensino que participaram ativamente das discussões durante toda a programação. O Seminário também foi transmitido pelo canal do IAT no Youtube para os mais de 430 inscritos no evento.
A atividade teve início com a apresentação cultural do Coletivo MUSA, sob orientação do professor Leonardo Gomes, do Colégio Duque de Caxias. A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, participou da mesa institucional ao lado do diretor geral do Instituto Anísio Teixeira (IAT), Iuri Rubim; mediada pelo professor da rede estadual, Adelmo dos Santos; da Deputada Estadual e presidente da Comissão de Educação na Assembleia Legislativa da Bahia, Olívia Santana; da escritora, pedagoga e arte educadora, Madu Costa; da representante da Secretaria de Políticas para Mulheres do Estado da Bahia (SPM), Candida Silva e da diretora de Cultura, Direitos Humanos e Diversidade de Camaçari, Ana Paula Phiton.
Durante a sua fala, Marilda Gonçalves destacou a importância de combater o racismo no campo da educação, da saúde e das relações sociais. “Nós temos que resistir e não podemos esmorecer porque a luta é de todos. Eu fico muito feliz em ver esse auditório superlotado e saber que estamos comungando com a ideia desse seminário pela educação antirracista”, afirmou.
O professor do IAT e idealizador do evento, Adelmo dos Santos, falou sobre a iniciativa de promover a atividade e da colaboração da equipe de educadores comprometidos com a educação antirracista. “Para mim é motivo de grande alegria estar aqui, não é fácil elaborar uma atividade como essa e por isso eu quero agradecer a toda a nossa equipe” disse.
Para Iuri Rubim, professor e diretor do IAT, a atividade marca a necessidade de entender como a questão racial afeta todos os processos sociais e educacionais. “O Seminário Caminhos para a uma Educação Antirracista é profundamente importante. Nós enfrentamos um cenário de racismo estrutural muito impactante no nosso estado e isso influencia todas as relações sociais existentes. A educação só consegue chegar no seu objetivo se ela enfrentar e entender profundamente como a questão racial afeta os processos educacionais”, ponderou.
A programação teve sequência com a conferência de abertura ‘O empoderamento da mulher negra na sociedade racista’, ministrada por Madu Costa. Durante a sua fala, a palestrante, que é escritora, pedagoga, arte educadora, cordelista, narradora de histórias, compositora, cantora e assessora pedagógica, defendeu o papel da educação como uma importante ferramenta de empoderamento. “A cabeça sempre erguida e olhar no horizonte. Saiba aonde você quer chegar”, incentivou.
A manhã foi encerrada com a mesa ‘O processo de descolonização do negro na sociedade racista’, mediada pelo administrador e tesoureiro da Federação das Indústrias do Estado da Bahia – FIEBE, Rosaldo Alves. A mesa foi formada pela Deputada Estadual, Olívia Santana; pela teóloga, historiadora e professora, Gicélia Cruz e pelo presidente da Associação de Pesquisadores Negros da Bahia – APUB, Romilson da Silva Sousa.
No turno vespertino, a programação foi aberta com a exibição do vídeo ’Vozes e presenças negras’. Em seguida, a mesa ‘Afrobetizar: uma Educação Antirracista’, foi ministrada por Bianca Barreto, professora, mestra em Educação; Doutoranda em dança e finalista do Prêmio Educador Transformador(SEBRAE), com o projeto “Educação Física e Letramento: construindo um Afrobeto voltado para a Educação Antirracista.
‘Educação e Saúde da população negra’ foi o tema da mesa mediada por Marlene França Braga, contando com a participação da professora e escritora, Selma Santos e do professor Henrique Santiago, ambos professores da Educação Básica da Rede Estadual, e da assessora da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), Ubiraci Matildes. O evento contou ainda com a apresentação musical de Rap do Colégio Estadual Eraldo Tinoco.
A programação foi encerrada com a mesa ‘Violência e Vulnerabilização contra a população negra’, mediada por Liane Amorim. Participaram da discussão o delegado da Polícia Civil, Ricardo Amorim; a co-vereadora da Mandata Coletiva Pretas Por Salvador, Laina Crisóstomo e a gerente de Projetos na Plan International Brasil / Escritório Salvador, Elaine Amazonas.
O seminário é mais um fruto da parceria entre Fiocruz Bahia e o IAT/SEC Bahia com o objetivo de contribuir para a discussão da temática antirracista, buscando fortalecer a intersetorialidade entre saúde e educação em torno do tema.
No 17º Simpósio Internacional sobre Esquistossomose, realizado em novembro em Salvador, foi ministrada uma apresentação sobre o curso “Vigilância Malacológica para o Controle da Esquistossomose”, pela pesquisadora Elainne Gomes. A vigilância malacológica abordada neste curso tem como alvo o monitoramento caramujos de água doce, envolvidos na transmissão da esquistossomose, que atinge uma parcela representativa da população brasileira. A capacitação, oferecida pela Fiocruz Pernambuco, está disponível através do Sistema Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS). As inscrições são gratuitas e estão abertas até 24 de fevereiro de 2025.
A pesquisadora Elainne Gomes explicou sobre a importância do tema e as mudanças do modo tradicional de transmissão. “Nas últimas duas décadas a doença vem se expandindo para as áreas urbanas e litorâneas. Nas quais, os processos de inundação nos períodos de chuva acabam fazendo com que as ruas fiquem alagadas, dificultando o as ações de controle, porque as pessoas ao saírem de casa entram em contato focos de transmissão da doença de forma involuntária, o que é mais fácil de controlar na zona rural”, pontuou.
O curso tem carga horária de 30 horas e tem como público-alvo profissionais da área da saúde, incluindo vigilância, agentes comunitários, agentes de endemias, equipes de saúde da família e de atenção especializada, que atuem direta ou indiretamente no Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose; e estudantes da área de saúde.
Na ementa, são abordadas questões relacionadas à identificação dos moluscos hospedeiros intermediários de Schistosoma mansoni e sua importância epidemiológica dentro do território nacional. Além de técnicas de coleta e exame dos moluscos e abordagem das formas de transmissão e como podemos atuar para reduzir seu impacto.
O projeto Oxente Chagas, que propõe validar o uso de um teste rápido para detectar a doença de Chagas, foi iniciado no município de Tremedal, a 588 km de Salvador, testando 1020 moradores do município. O projeto encontra-se também em andamento no município de Novo Horizonte, a 561 km da capital baiana. Ambas as regiões tiveram a permanência identificada do Triatoma infestans, umas das espécies do inseto conhecido como barbeiro, transmissor da enfermidade, até 2001 e 2015, respectivamente.
O pesquisador da Fiocruz Bahia e coordenador do projeto, Fred Luciano Neves Santos, explicou que a primeira ação superou as expectativas da equipe, pois era esperado um público de 600 a 700 pessoas, mas foram mais de 1000 pessoas beneficiadas no mutirão. “Além dos habitantes da zona urbana do distrito, também conseguimos levar as testagens para as casas das pessoas, contemplando indivíduos acamados ou com dificuldade de locomoção”.
A primeira ação foi realizada nas localidades contempladas pela Unidade Básica de Saúde (UBS) de São Felipe, comunidade de Tremedal. Os indivíduos que fizeram o teste, independentemente do resultado positivo ou negativo, tiveram o sangue coletado, e enviado para o Laboratório Central (LACEN) de Vitória da Conquista para a confirmação diagnóstica, e, em até 30 dias, os resultados estarão disponíveis na Secretaria Municipal de Saúde de Tremedal.
Na oportunidade, Elisabeth Almeida, moradora da Fazenda Marreca, avaliou que é muito importante ter conhecimento sobre a doença. “É uma doença grave, que se a gente descobrir enquanto é tempo, podemos ter uma cura total. Mas se descobrir tarde, a pessoa pode acabar morrendo. Inclusive eu já perdi um cunhado com 42 anos por causa dessa doença”.
Almeida destacou que ficou feliz pelo trabalho realizado na comunidade e pela oportunidade de realizar o teste. “É muito difícil para todos se deslocarem e fazer esse exame. E fiquei mais feliz ainda por não ter o problema. Espero que a maioria das pessoas também não tenha, mas caso dê positivo, que tenha tempo de tratar, para ter uma vida mais longa”, ressaltou.
O Agente Comunitário de Saúde (ACS) de Boi Velho, Matheus Rocha, compartilhou que receber o projeto é um passo para melhoria da saúde das pessoas em relação à doença de Chagas. “Na medida em que desenvolvemos aqui um trabalho pioneiro, podemos ser exemplo para outros municípios”, comentou.
Joelia Rocha, que também é agente de saúde de São Felipe, acredita que é uma conquista para a população ter acesso, por se tratar de uma região distante da cidade. “Quando é possível acessar uma iniciativa como essa, nos sentimos felizes em poder ajudar a população”, observou.
A recrutadora e estudante de doutorado da Fiocruz Bahia, Emily Ferreira, biomédica e membro da equipe do projeto, relatou que o trabalho de campo foi uma experiência totalmente diferente. “Já trabalhei em laboratório, sou professora atualmente. Mas ter o contato direto com a população, conversar sobre as suas dificuldades, muda totalmente tudo que a gente entende por realidade. O projeto me deu um novo olhar para o mundo”, pontuou.
Para João Victor França, médico veterinário, estudante de mestrado da Fiocruz Bahia, e recrutador do projeto, a iniciativa é crucial para o avanço da saúde pública e da qualidade de vida da população. “Vou sair desse projeto bastante humanizado, após visitar comunidades que são bastante humildes, que não têm o mesmo acesso que nós temos em áreas mais centrais”, concluiu.
Em Novo Horizonte o Oxente Chagas atua numa UBS rural, a Vila dos Remédios, área que tem cerca de 1200 pessoas que são assistidas, onde pretendem atender cerca de 1000 pacientes para realizar o teste.
O teste
O teste rápido é uma ferramenta inovadora que permitirá identificar casos de Chagas de forma precoce e eficiente na Atenção Primária, buscando reduzir significativamente o impacto da doença na vida das pessoas e de suas famílias. Além disso, busca facilitar o acesso ao tratamento e evitar complicações decorrentes da enfermidade.
A validação do teste rápido TR Chagas Bio-Manguinhos em campo auxiliará na sua incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que já tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), mas ainda requer uma série de estudos prévios para que seja possível dar entrada na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS – Conitec, órgão que regulamenta a entrada de toda e qualquer tecnologia no sistema.
Uma pesquisa foi realizada para analisar as tendências temporais e as diferenças regionais na taxa de mortalidade da doença de Chagas no estado da Bahia, no período de 2008 a 2018. O estudo, publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, foi coordenado pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e contou com a participação do pesquisador da Fiocruz Bahia, Gilmar Ribeiro-Jr, além de especialistas da Universidade de Brasília, Universidade Federal de Goiás e Secretaria da Saúde do Estado da Bahia.
A doença de Chagas tem alta carga de mortalidade em muitos países da América Latina, como o Brasil. O trabalho revelou que, no período estudado, a mortalidade pela doença no estado foi superior à média nacional, especialmente nas regiões de saúde de Barreiras, Guanambi, Irecê, Itaberaba, Santa Maria da Vitória e Santo Antônio de Jesus, destacadas como hotspots de mortalidade. A Bahia tem a quarta maior taxa de mortalidade do país.
O trabalho analisou séries temporais de óbitos relacionados à enfermidade usando dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Brasil. Os pesquisadores compararam a taxa de mortalidade por doença de Chagas como causa primária e a menção da doença na declaração de óbito, padronizada por idade e macrorregião de saúde/município de residência.
No estudo, a taxa de mortalidade por doença de Chagas na Bahia revelou tendência estacionária, variando de 5,34 (2008) a 5,33 (2018) óbitos por 100 mil habitantes. Entretanto, as quatro macrorregiões de saúde apresentaram tendência ascendente nas taxas. Também foi observada uma tendência ascendente na taxa de mortalidade entre indivíduos com idade maior ou igual a 70 anos e maior incidência de óbito entre homens do que entre mulheres. Do total de óbitos, quase 80% tiveram a enfermidade como causa básica. Complicações cardíacas foram relatadas em cerca de 85% destes óbitos.
Apesar de uma queda na mortalidade desde 2012, houve um aumento nos últimos três anos do período analisado. Além disso, a investigação recomenda políticas públicas para monitoramento e controle da doença, com foco em regiões vulneráveis e integração de vigilância epidemiológica e entomológica, visando uma resposta regionalizada e melhoria na atenção à saúde, e subsidiando um planejamento em saúde que considere as peculiaridades do território.
A doença
A doença de Chagas é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, e transmitida por insetos triatomíneos hematófagos (conhecidos como barbeiros), por meio de alimentos ou bebidas contaminados com o parasita, além da transmissão vertical e pelo sangue. Essa condição afeta principalmente populações socialmente vulneráveis e pode levar a casos graves da doença e morte. Isso impacta os sistemas de saúde e previdência social do país.
Devido aos recursos limitados disponíveis para pesquisa, gestão, diagnóstico e tratamento, a doença de Chagas é classificada como uma doença tropical negligenciada. A taxa de mortalidade pela enfermidade é alta no Brasil, respondendo por 74,9% das mortes atribuídas a doenças tropicais negligenciadas entre 2000 e 2019
A pesquisadora da Fiocruz Bahia, Milena Soares, foi eleita membro da Academia Mundial de Ciências para o Avanço da Ciência nos Países em Desenvolvimento (TWAS, na sigla em inglês) pela área de Ciências Médicas e da Saúde. A cerimônia de posse, durante a qual os membros recém-eleitos são apresentados à Academia, será realizada na próxima Conferência Geral da TWAS.
“É uma honra fazer parte de uma academia que congrega pesquisadores que se dedicam a pesquisas com enfoque em países em desenvolvimento. A minha eleição reflete o reconhecimento da comunidade científica por todo o meu trabalho como pesquisadora e formadora de jovens cientistas”, destacou a pesquisadora.
Conforme a Academia Brasileira de Ciências, o grupo eleito para a TWAS, que tomará posse em 2025, conta com o maior número de novos membros da história. Ao todo, são 74, sendo 50 homens e 24 mulheres (32,4% de mulheres); desses, dez são brasileiros. A eleição dos novos membros entrará em vigor em 1º de janeiro de 2025, elevando o total de membros para 1.444.
A pesquisadora, recentemente destacada na lista dos 100 mil cientistas mais influentes do mundo, também atua no CIMATEC Saúde, onde coordena pesquisas nas áreas de terapias avançadas, como terapia celular e gênica, imunologia e farmacologia. Milena Soares é graduada em Ciências Biológicas (bacharelado em Genética) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutora em Ciências Biológicas (Biofísica) pela mesma instituição. Além disso, realizou doutorado sanduíche na Harvard University (EUA). É também membro titular da Academia de Ciências da Bahia, e da Academia Brasileira de Ciências.
Sobre a TWAS
A TWAS foi fundada em 1983 por um grupo distinto de cientistas do mundo em desenvolvimento, sob a liderança de Abdus Salam, físico paquistanês e ganhador do Nobel. A organização tem membros de mais de 100 países, sendo a grande maioria provenientes de nações em desenvolvimento.
Para se tornar membro permanente da TWAS, os candidatos devem ser indicados por membros da Academia e seus currículos são avaliados, juntamente com cartas de recomendação externas. Apenas cientistas que fizeram contribuições significativas para o avanço da ciência no mundo em desenvolvimento podem ser nomeados como TWAS Fellows.
A Sociedade Americana de Higiene e Medicina Tropical (American Society of Tropical Medicine and Hygiene – ASTMH, na sigla em inglês) concedeu a Maurício Barreto, especialista em saúde pública e cofundador do Cidacs da Fiocruz Bahia, a homenagem de destaque por ser um dos pesquisadores internacionais distintos da associação.
Barreto foi reconhecido com o prêmio através de suas contribuições transformadoras para a saúde pública global, que têm impactado comunidades em todo o mundo. A cerimônia de entrega do prêmio ocorreu na última semana, em New Orleans, nos Estados Unidos.
Durante o evento, Barreto apresentou suas pesquisas inovadoras na área de saúde tropical, destacando-se por sua dedicação no enfrentamento de desafios críticos, como o combate à doenças tropicais e à promoção da equidade em saúde. A homenagem faz parte de um reconhecimento exclusivo da ASTMH, dedicado a personalidades não cidadãs norte-americanas que realizaram “feitos eminentes em alguma área da medicina e higiene tropical global”.
Segundo a ASTMH, a honraria é evidenciada por meio de publicações, políticas de saúde pública e trabalho educacional que mudaram a compreensão de certa doença, mudaram os resultados de saúde ou desenvolveram capacidade para o trabalho de medicina e higiene tropical no mundo.
Conquista que reafirma o impacto duradouro do trabalho de Maurício Barreto na melhoria da saúde global e sua liderança como referência internacional na área.
O 17º Simpósio Internacional sobre Esquistossomose aconteceu entre os dias 10 e 13 de novembro, em Salvador. O encontro, que contou com a participação de cerca de 500 inscritos, foi organizado pela Fiocruz Bahia, a Rede Fio-Schisto e o Programa de Pesquisa Translacional, da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas. Com o tema “Perspectivas para eliminação da esquistossomose”, a programação foi composta de mesas redondas, conferências e sessão de pôsteres, com a presença de pesquisadores da área, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil.
Os quatro dias do simpósio envolveram cerca de 50 palestrantes, que abordaram temas como saneamento e higiene, aspectos clínicos e patológicos da doença, desenvolvimento e resistência a medicamentos, controle e avanços no tratamento, vacinas, diagnóstico, imunorregulação, interação parasita-hospedeiro, fortalecimento da atenção primária de saúde, educação, comunicação e informação e abordagem de Saúde única.
Um dos destaques do encontro foi o lançamento da nova edição das diretrizes técnicas para vigilância da esquistossomose. Na ocasião, Alda Maria da Cruz, diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis, do Ministério da Saúde, explicou que o documento é um “produto importante porque traz as atualizações que aconteceram nos últimos dez anos acerca das abordagens para a doença. Aborda vigilância, mas também atualização da clínica, abordagem terapêutica e o próprio sistema de controle dos caramujos”, afirmou.
Cruz ressaltou que a nova edição foi possível porque houve um conjunto de pessoas da área técnica em esquistossomose da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS) em conjunto com especialistas que, após debaterem e chegarem a um consenso, produziram o documento com as novas diretrizes. “Para nós é uma alegria muito grande trazer esse produto, uma contribuição fundamental para o programa Brasil Saudável, e vai ser uma ferramenta a ser utilizada para as estratégias de eliminação da esquistossomose no país”.
Outro marco importante foi a fundação da Sociedade Brasileira de Esquistossomose e Geo-Helmintíases (SBEG), durante o evento, no dia 12 de novembro. “A SBEG surge para somar esforços com outras sociedades semelhantes e consolidar a luta contra as helmintíases no Brasil, promovendo sinergias no enfrentamento dessas doenças negligenciadas”, comentou Ricardo Riccio, pesquisador da Fiocruz Bahia, coordenador geral do Programa de Pesquisa Translacional em Esquistossomose da Fiocruz (Fio-Schisto) e presidente do simpósio.
Leonardo Farias Paiva, vice-presidente do evento, agradeceu às pessoas que contribuíram para realização do encontro e disse que as discussões foram ricas e proveitosas. “A gente precisa se conectar, não só falar para a comunidade acadêmica, como normalmente acontece. Tivemos tanto palestras sobre temas avançados como ouvimos também a população de um modo geral”, declarou.
“Há cerca de um mês, foram anunciados os ganhadores dos Prêmios Nobel de 2024, entre os ganhadores tivemos o uso da Inteligência Artificial aplicada ao estudo de proteínas, ou o papel chave dos microRNAs na regulação gênica, temas estes que estiveram presentes em nosso evento. Porém o desafio acho é conseguir fazer uma discussão mais integrada com outras áreas. Por exemplo, o Prêmio Nobel de Economia deste ano, explica as razões por trás da desigualdade entre as nações e porque algumas prosperaram mais do que outras ao adotaram um modelo de estrutura social mais inclusivo. Acho que precisamos considerar vários saberes para avançarmos”, concluiu.
No encerramento, foram entregues os prêmios “Pirajá da Silva”, concedido ao autor(a) do melhor trabalho apresentado durante as sessões orais do evento; “José Pellegrino” e “Amaury Coutinho”, entregue para o autor(a) da melhor tese de doutorado, para o autor(a) da melhor dissertação de mestrado ambos em esquistossomose, respectivamente. Também tivemos o lançamento do Prêmio “Rodrigo Corrêa-Oliveira” concedido ao apresentador do melhor Poster.
Clique aqui para conferir a matéria da cerimônia de abertura do simpósio.
A Fiocruz Bahia realizou o II Seminário do Mestrado Profissional em Pesquisa Clínica e Translacional, no dia 01 de novembro, no Instituto Gonçalo Moniz (IGM/ Fiocruz Bahia), marcando o fim das atividades acadêmicas da segunda turma da Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PgPCT). O evento teve cerca de 70 participantes, entre estudantes, professores e pesquisadores das quatro instituições envolvidas no acordo de cooperação técnica com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
O objetivo do seminário foi difundir o conhecimento por meio da apresentação de trabalhos que estão sendo desenvolvidos nos cursos da Fiocruz Bahia, do Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA), da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Botucatu), e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI-FIOCRUZ/RJ). A mesa de abertura teve a presença do vice-diretor de Pesquisa da Fiocruz Bahia, Ricardo Riccio, representando a diretora Marilda Gonçalves; vice-diretora de Ensino, Claudia Brodskyn; Maria da Conceição Chagas de Almeida, coordenadora da PGPCT; e Julio Siqueira, coordenador-geral de Programas Estratégicos da CAPES.
Conceição Almeida avaliou o seminário de forma positiva. “Tivemos uma participação expressiva dos alunos do curso, assim como de professores, pesquisadores e alunos de outros programas de pós-graduação. Esse ano tivemos um seminário em cada uma das quatro instituições, o nosso foi o último do ano. Pretendemos no próximo ano fazer um evento conjunto”, afirmou.
Julio Siqueira destacou que a iniciativa reflete a dedicação e o compromisso da Fiocruz Bahia em promover avanços significativos na pesquisa clínica e na formação de profissionais altamente capacitados na área de pesquisa translacional. “A CAPES reconhece a importância de iniciativas como essa, que contribuem para o desenvolvimento do conhecimento científico e para a qualificação de profissionais dedicados à saúde pública”, pontuou.
A pesquisadora da Fiocruz Bahia, Theolis Bessa, contou que foi muito interessante conhecer os outros programas, verificar os pontos de convergência e especificidades de cada um deles. “Considero interessante especialmente constatar a tendência de crescimento e a elevada qualidade dos trabalhos desenvolvidos, que demonstram o quanto acertada é a estratégia de fomentar a pesquisa entre os profissionais que atuam na assistência”, concluiu.
A programação também contou com a sessão científica intitulada “Ecossistema da Pesquisa Clínica e Possibilidades de Carreira”, ministrada por Eduardo Motti; apresentações dos mestrados profissionais envolvendo pesquisa clínica no Brasil, com participação de especialistas de outras instituições. Houve ainda, apresentação da “Rede de Pesquisa Clínica da Fiocruz”, realizada por André Daher e Marcela Gama; bem como dos projetos dos mestrandos e pós-doutorandos.
A Fiocruz Bahia participou do encontro entre o Núcleo de Estudos em Saúde Indígena – Nesi e representações da Secretaria de Saúde Indígena – SESAI, no Distrito Sanitário Especial Indígena – DSEI Bahia, no dia 08 de novembro.
Durante o encontro foram apresentados os resultados do Estudo Multicêntrico de Doenças Infecciosas na População Indígena, coordenado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Isadora Siqueira. O estudo tem como principal objetivo identificar a soroprevalência de doenças como a dengue, zika e chikungunya, além da sífilis e a doença de Chagas. Na oportunidade, também foram distribuídas as cartilhas educativas produzidas pela equipe do projeto.
A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, falou sobre o compromisso da instituição com as comunidades indígenas do estado, ressaltando a importância da continuidade do projeto. “Eu fiquei entusiasmada com os resultados que foram apresentados e com a aderência dos indígenas. Temos perspectiva de ampliar o projeto para outros povos indígenas e de trabalhar na melhoria da saúde desta população”, afirmou.
A coordenadora do projeto, Isadora Siqueira, falou sobre a parceria e os planos para o próximo ano. “Após a finalização da primeira etapa do projeto, que ocorreu nos territórios indígenas dos povos Pataxós, Tupinambás, Kiriri e Kaimbé, estamos apresentando nossos resultados ao DSEI- BA, que foi um grande parceiro em todas as etapas do projeto. Aproveitamos a oportunidade de reforçar a parceria com o DSEI-BA para as atividades do projeto no próximo ano”, disse.
Para o coordenador do DSEI Bahia, Cacique Flávio Kaimbé, essa foi uma oportunidade de unir esforços em prol da saúde dos povos indígenas. “Esperamos continuar com essa parceria, atendendo outras comunidades, garantindo um trabalho seguro e eficiente. Os povos indígenas da Bahia precisam desse trabalho que a Fiocruz presta com tanta eficiência e qualidade”, disse.
Távila Guimarães, chefe da Divisão de Atenção à Saúde Indígena, também falou sobre a relevância do projeto e a importância da apresentação dos dados coletados pela iniciativa. “Esses dados irão nos ajudar a qualificar o processo de atenção à saúde que é realizado junto à comunidade indígena nos territórios da Bahia. Esses dados nos ajudam a repensar e planejar as nossas ações futuras em territórios indígenas”, destacou.
O estudo contou com um corpo de pesquisadores da Fiocruz Bahia, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e Universidade Federal Grande Dourados (UFGD). Para o desenvolvimento do NESI, a unidade tem o apoio do Distrito Sanitário Indígena da Bahia (DSEI-BA) e do Mato Grosso do Sul (DSEI-MS).
A Coordenação da Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PGPCT) torna público o resultado das solicitações dos recursos contra a homologação das inscrições para participação no processo seletivo referente a Chamada Pública 2025, para seleção de discentes do Mestrado Profissional.
Um estudo avaliou o uso de lipídios apolares em testes de ELISA (Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay), um tipo de exame laboratorial, para ajudar no diagnóstico da tuberculose. O trabalho teve a participação dos pesquisadores da Fiocruz Bahia, Fred Luciano Neves Santos, Sérgio Arruda e Adriano Queiroz, e foi publicado no periódico Diagnostic Microbiology and Infectious Disease.
Os pesquisadores usaram lipídios apolares extraídos de duas cepas da bactéria Mycobacterium tuberculosis, uma normal (selvagem) e outra modificada geneticamente (knockout), para testar se essas substâncias poderiam ser usadas para identificar a doença. Eles analisaram amostras de sangue de 45 pacientes com tuberculose, bem como de pessoas saudáveis com resultados positivos e negativos para a doença em outro teste chamado IGRA (Interferon Gamma Release Assay), um teste sorológico que mede a resposta do sistema imunológico à bactéria da tuberculose. Além disso, o estudo avaliou indivíduos com sintomas respiratórios, mas sem a enfermidade.
Os resultados mostraram que os anticorpos IgG contra os lipídios da cepa selvagem conseguiram diferenciar os pacientes com tuberculose dos indivíduos saudáveis positivos no IGRA, mas com uma precisão moderada. Já os lipídios da cepa modificada não apresentaram grandes diferenças entre os grupos. Os pesquisadores destacaram que pessoas com sintomas respiratórios, mas sem tuberculose, tiveram níveis elevados desses anticorpos, o que chamou a atenção. Apesar disso, os lipídios apolares de Mycobacterium tuberculosis, de modo geral, não se mostraram muito eficazes como ferramenta diagnóstica.
No entanto, os resultados sugerem que certos lipídios que faltam na cepa modificada podem ter importância na resposta imunológica em pacientes com a doença. A investigação aponta para a necessidade da realização de mais estudos de triagem de antígenos baseados em classes lipídicas que possam identificar alvos promissores para o desenvolvimento de um novo teste de diagnóstico de tuberculose baseado em ELISA.
O Seminário Novembro Negro: Reflexões e Ações para a Igualdade Racial será realizado no dia 29 de novembro, das 9h às 17h, no auditório Sonia Andrade, na Fiocruz Bahia. O evento, que integra as celebrações do Novembro Negro, é organizado pelo Núcleo Pró-equidade e Gênero e Raça da Fiocruz Bahia, em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-Bahia).
As inscrições podem ser realizadas através do link e contará com certificado com carga horária de 8h. O evento também terá transmissão online pelo Canal no Youtube da Fiocruz Bahia.
O Simpósio REDE-TB Bahia será realizado nos dias 17 e 24 de julho, presencialmente, no Auditório do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal da Bahia. As inscrições para o evento, que é uma atividade pré-congresso do X Workshop da REDE-TB, estão abertas até 24/07 através do link. A participação é gratuita.
São oferecidas 100 vagas, sendo 50% preferenciais para profissionais da área. Para concorrer às vagas reservadas é preciso apresentar comprovação na inscrição.
O Simpósio REDE-TB Bahia é um evento de atualização com palestras de pesquisadores locais que atuam em diferentes temas, com impacto no manejo, tratamento e vigilância da tuberculose. Com este evento, pretendemos criar uma oportunidade de interlocução com pessoas que trabalham na assistência à saúde da nossa população e que são afeitas ao problema da tuberculose, uma das principais causas de morte por doenças infecciosas em nosso país e em todo o mundo. Os participantes terão também a oportunidade de conhecer melhor a Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose.
Confira a programação completa:
17 de julho de 2023
12h30 – Credenciamento e recepção
13h30 – Apresentação do evento
13h40 – Layana Alves – Cenário epidemiológico atual da tuberculose na Bahia
14h00 – Luciana Sobral – Tratamento da infecção tuberculosa latente (ILTB) em contatos de pacientes com tuberculose
14h20 – Tarcísio Silva – Tuberculose na população em situação de rua
14:40 – intervalo
15h00 – Erica Chimara – Vigilância da tuberculose multirresistente a fármacos
15h20 – Theolis Bessa – Candidatos a novas vacinas para o controle da tuberculose
15h40 – Debate com os palestrantes
16h20 – Encerramento
24 de julho de 2023
13h00 – Credenciamento e recepção
14h00 – Apresentação do evento
14h10 – Ramon Andrade – Resposta às cepas vacinais utilizadas no Brasil (BCG Moreau-RJ e BCG Russia)
14h30 – Joilda Nery – Tuberculose na população negra
14h50 – Ações do Comitê Baiano de Tuberculose
15h10 – Eliana Matos – Novo esquema terapêutico reduzido para TB-DR
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) esclarece que é falsa a mensagem que vem circulando no WhatsApp e em redes sociais, atribuída à instituição, com orientações de como se proteger contra a Covid-19.
Abaixo reproduzimos as informações falsas divulgadas na mensagem e os seus respectivos esclarecimentos:
O coronavírus é maior do que o normal; o diâmetro da célula é de 400 a 500 nanômetros e, por esse motivo, qualquer máscara impede a sua entrada no organismo.FALSO, as máscaras comuns têm poros bem maiores do que isso. O uso de máscara é recomendado apenas em alguns casos. Veja mais detalhes mais nossas perguntas e respostas.
O coronavírus, quando cai sobre uma superfície de metal, permanece vivo durante 12 horas. Lavar as mãos com água e sabão é suficiente para destruí-lo.FALSO, as pesquisas até o momento indicam que o vírus sobrevive por mais tempo nas superfícies, mas lavar as mãos com frequência é realmente um modo correto de evitar sua propagação. Leia mais em nossas perguntas e respostas.
O coronavírus, quando cai sobre um tecido, permanece vivo durante nove horas, portanto, lavar a roupa ou colocá-la ao sol durante duas horas será suficiente para eliminá-lo. FALSO, as roupas usadas por doentes, pessoas que cuidam deles ou têm contato têm de ser lavadas após cada uso, com os devidos cuidados para protegem quem as manipula antes da lavagem.
O vírus só vive nas mãos durante 10 minutos. Assim, usar um desinfetante em gel também o eliminará. FALSO, o vírus pode durar mais. É fundamental lavar as mãos com frequência. Leia mais em nossas perguntas e respostas.
O vírus exposto a uma temperatura de 26° C a 27° C morre. FALSO, não há comprovação científica sobre isso.
A água que esteja exposta ao sol poderá ser consumida sem qualquer perigo. FALSO, não há embasamento científico sobre isso – e água parada pode ser foco de outras doenças, como a dengue.
Evitar comer gelados ou pratos frios; os alimentos quentes são mais seguros, visto que o calor elimina o vírus. FALSO, não há qualquer comprovação científica disso. A alimentação saudável é importante, independentemente da temperatura.
Gargarejar com água morna ou salgada mata os vírus que se alojam nas amígdalas e evita que passem para os pulmões.FALSO, não há comprovação científica sobre isso. Leia mais em nossas perguntas e respostas.
A Fiocruz reforça a importância de compartilhar informações de fontes confiáveis e seguras. No Portal Fiocruz é possível encontrar notícias e orientações sobre a doença e sobre o vírus: fiocruz.br/coronavirus.
O aumento do número de casos de febre amarela em 2017 despertou a atenção das autoridades em Saúde do país. Combatida por Oswaldo Cruz no início do século 20 e erradicada dos grandes centros urbanos desde 1942, a doença voltou a assustar os brasileiros, com a proliferação de casos de febre amarela silvestre nos últimos meses. Até quarta-feira (5/4), são 1.987 casos suspeitos de febre amarela silvestre notificados. Desses, 450 continuam em investigação, 586 foram confirmados e 951 descartados. Do total, 282 evoluíram para óbito, sendo 190 confirmados, 49 em investigação e 43 descartados. Os últimos casos de febre amarela urbana ocorreram em 1942, no Acre.
A vacinação de rotina para febre amarela é ofertada em 19 estados (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) com recomendação para imunização. Vale destacar que na Bahia, Piauí, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a vacinação não ocorre em todos os municípios. Além das áreas com recomendação, neste momento, também está sendo vacinada, de forma escalonada, a população do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Todas as pessoas que vivem nesses locais devem tomar uma dose da vacina ao longo da vida.
Foto: Bernardo Portella / Arca Fiocruz
Desde o início deste ano, o Ministério da Saúde tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham notificado casos. No total, 21,6 milhões de doses extras foram enviadas para cinco estados: Minas Gerais (7,5 milhões), São Paulo (4,78 milhões), Espírito Santo (3,65 milhões), Rio de Janeiro (3,8 milhão) e Bahia (1,9 milhão). Além disso, foram distribuídas, desde janeiro deste ano, 4,1 milhões doses da vacina de rotina para todas as unidades da federação.
Além disso, foram distribuídas, desde janeiro deste ano, 3 milhões doses da vacina de rotina para todas as unidades da federação. Outras 324 mil doses foram enviadas para intensificar ações nos estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio Grande do Sul, Piauí, Pará, Paraíba e DF.
Diante da gravidade do quadro, profissionais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) das mais diversas especialidades estão mobilizados e atuantes na prevenção e no combate à febre amarela. A principal arma contra a doença continua sendo a vacinação, prevista no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e oferecida em postos do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta área, destaca-se a atuação do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), reconhecido internacionalmente como fabricante da vacina antiamarílica.
Outra preocupação do Ministério da Saúde e da Fiocruz é a disseminação de informação de qualidade em saúde, para evitar o sensacionalismo e a propagação de boatos, tão comuns em épocas de crise. Com essa missão, a Agência Fiocruz de Notícias (AFN) reúne neste especial as principais reportagens produzidas pela Fundação, esclarecendo dúvidas da população e orientando a imprensa no tratamento dos casos. As ações da AFN também estão articuladas com iniciativas nas redes sociais oficiais da Fiocruz, sobretudo em relação à imunização.
Clique aqui e confira os destaques da Fundação sobre o tema.
Em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) iniciou o segundo ano da campanha global Unidos para Acabar com a Tuberculose (United to End TB, em inglês), uma das dez maiores causas de morte em todo o mundo, com 10 milhões de novos casos notificados por ano, levando mais de um milhão de pessoas a óbito. Nos últimos anos, a preocupação com esses números elevados fez com que a OMS redefinisse a classificação de países prioritários para o período de 2016 a 2020. Três são as listas prioritárias, definidas segundo os critérios epidemiológicos: carga de tuberculose; tuberculose multidrogarresistente; e coinfecção TB/HIV. O Brasil, que ainda permanece entre os 20 países que apresentam mais casos da doença, encontra-se em duas dessas listas, ocupando a 20ª posição na classificação de carga da doença e a 19ª quanto à coinfecção TB/HIV.
O último relatório do Ministério da Saúde, divulgado em 2016, aponta que no Brasil, apesar do número de casos ter sido reduzido em cerca de 20% nos últimos 10 anos (passando de 38,7 casos/100 mil habitantes em 2006 para 30,9 casos/100 mil habitantes em 2015), ainda são notificados aproximadamente 70 mil casos novos de tuberculose e ocorrem 4,5 mil mortes em decorrência da doença. Diante desses números preocupantes, o Brasil ainda precisa de mais ações de combate à doença para auxiliar a meta da OMS, que é reduzir, no mundo, o número absoluto de mortes por tuberculose em 35% e de contágios em 20% até 2020, com relação aos números de 2015. O objetivo para 2030 é diminuir em 90% a quantidade de mortos por tuberculose e em 80% os infectados.
Castelo Mourisco, em Manguinhos, está iluminado com a cor vermelha, para marcar a semana de combate à tuberculose (Foto: Peter ilicciev – CCS)
A luta contra a doença na Fiocruz não é recente. No último ano, a Fundação participou da campanha Unidos para Acabar com a Tuberculose da OMS e, em 2017, na semana do Dia Mundial de Combate à Tuberculose (24/3), o Castelo Mourisco estará iluminado novamente para marcar a necessidade de refletir sobre formas de prevenção contra a doença. A cor vermelha, associada à Luta Contra a Tuberculose, remonta a uma decisão da International Union Against Tuberculosis and Lung Diseases (The Union), que padronizou a representação gráfica da cruz dupla em vermelho com fundo amarelo, utilizada desde 1920.
A atual campanha da OMS tem como foco ações para o combater o estigma, a discriminação, a marginalização e as barreiras de acesso aos tratamentos contra a doença. Somada a essa luta, em 2017, a Fundação também está apoiando a campanha Mais alto que a Tuberculose (Louder than TB, em inglês) da Aliança Global de Desenvolvimento de Drogas para Tuberculose – Aliança TB (Global Alliance for TB Drug Development – TB Alliance, em inglês), organização internacional sem fins lucrativos com sede em Nova York. Desde 2010, a Fundação é uma das instituições-membro da Aliança TB, que busca curas mais eficientes, rápidas e acessíveis para a doença. A campanha apoiada reúne as principais organizações dos setores público e privado e da mídia para aumentar o conhecimento sobre a tuberculose e melhorar a conscientização global sobre a doença e dos custos de ignorá-la. Confira o último relatório anual da Aliança TB.
“Não podemos falar de Aids sem mencionar tuberculose”: a frase faz parte da campanha ‘Mais alto que a tuberculose’ da Aliança TB em 2017
Desde 2015, como resposta a necessidade de combate à doença, a Fiocruz criou o Programa Integrado de Pesquisa, Ensino e Desenvolvimento Tecnológico em Tuberculose e Outras Micobacterioses (Fio-TB) na instituição. A iniciativa visa manter uma ampla rede para o combate à doença. O Fio-TB prevê atuação da Fiocruz em todas as frentes de combate à doença: prevenção, diagnóstico, tratamento, formação de recursos humanos e mobilização social. Na área de diagnóstico, a meta do Programa é ousada: obter autonomia nacional para diagnósticos de tuberculose ativa e latente. Para prevenção, são realizados estudos epidemiológicos e modelagem sobre os determinantes sociais e ambientais da doença, e na formação de recursos, há previsão de novos cursos de pós-graduação lato e stricto senso.
Neste especial, durante a semana do Dia Mundial de Combate à Tuberculose (24/3), a Agência Fiocruz de Notícias irá divulgar os principais estudos e as ações que têm sido realizados pela Fundação na luta contra a tuberculose. Ao lado, o leitor encontra novidades sobre o tema, indicações de livros da Editora Fiocruz, programas do Canal Saúde, vídeos da VídeoSaúde Distribuidora da Fiocruz, links úteis, além de informações básicas sobre a doença, como sintomas, tratamento e prevenção, no glossário da AFN. A tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Clique aqui e confira o especial da Agência Fiocruz de Notícias.
O objetivo da pesquisa, fruto de uma colaboração de pesquisadores do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) e do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/Ufba) com pesquisadores do Imperial College de Londres e de Havard, foi examinar se a expansão da Estratégia de Saúde da Família (ESF), um dos maiores programas de Atenção Básica à Saúde do mundo, reduziu a mortalidade por causas passíveis de tratamento no Brasil. O estudo foi assinado por Thomas Hone e tem a co-autoria do coordenador-executivo do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs), Maurício Barreto, e do pesquisador do Cidacs Davide Rasella.
O estudo- O papel da governança na melhoria da saúde da população é uma questão muito discutida em saúde global. No entanto, apesar de amplamente reconhecida como um elemento necessário, é difícil associar os seus efeitos da governança a desfechos na saúde (morbidade ou mortalidade).
Analisando dados de 1.622 municípios brasileiros entre os anos 2000-12, os autores mediram o nível da governança local de saúde dentro de cada município e demonstraram que os municípios com melhores níveis de governança tiveram as maiores reduções na mortalidade. Eles também constataram que enquanto as variáveis socioeconômicas melhoraram ao longo do período, a cobertura de atenção primária foi associada com reduções na mortalidade por causas passíveis de tratamento (mortalidade evitável com cuidados de saúde oportunos e efetivos).
“Nossos achados indicam que a expansão na cobertura da Estratégia de Saúde da Família teve um impacto substancial sobre a mortalidade, e que uma governança local sólida é importante para a implementação de serviços mais eficazes e para a obtenção de melhores resultados de saúde em termos de redução das taxas de mortalidade por causas passíveis de tratamento” concluíram os autores.
Os pesquisadores- Além de coordenador-executivo do Cidacs, Maurício Barreto é pesquisador sênior do Instituto Gonçalo Muniz (IGM/Fiocruz) e professor no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. No Cidacs, Barreto coordena a “Coorte Virtual de 100 milhões de Brasileiros”, uma plataforma que busca avaliar determinantes sociais e efeitos de políticas e programas sociais sobre diferentes aspectos da vida da sociedade brasileira, em especial a saúde.
O pesquisador do Cidacs Davide Rasella é bolsista de pós-doutorado da Wellcome Trust, com base no Instituto Gonçalo Moniz, na Escola Nacional de Saude Pública (Fiocruz) e na London School of Hygiene and Tropical Medicine. Ele também integra a plataforma “Coorte Virtual de 100 milhões de Brasileiros”.
AUTORA: ALELUIA, Milena Magalhães. ORIENTADORA: GONÇALVES, Marilda de Souza. TÍTULO DA TESE: Avaliação de Biomarcadores em indivíduos com doença falciforme da região sul da Bahia PROGRAMA: Doutorado em Patologia Humana – UFBA/ Fiocruz Bahia DATA DE DEFESA: 12/08/2016
RESUMO
INTRODUÇÃO: A doença falciforme (DF) e uma desordem genética, com elevada prevalência mundial e heterogeneidade clínica. A apresentação clinica dos indivíduos com anemia falciforme (AF) e doença HbSC está relacionada a fisiopatologia da anemia hemolítica, além da influência de parâmetros hematológicos, bioquímicos, presença da talassemia alfa com deleção de 3.7 Kb, haplótipos ligados ao grupo de genes da globina beta S (βS) e polimorfismos de um único nucleotídeo (SNPs) relacionados a síntese da HbF. Fatores que contribuem para o estabelecimento de biomarcadores associados a gravidade e mecanismos fisiopatológicos da DF.
OBJETIVO: Caracterizar a população em estudo, analisando biomarcadores, eventos clínicos e marcadores genéticos associados aos mecanismos fisiopatológicos e gravidade da DF na região Sul da Bahia.
MÉTODOS: Consiste em um estudo de corte transversal e casuística composta por 200 pacientes com DF acompanhados pelo Centro de Referência a Doença Falciforme de Itabuna, Bahia e, 36 pacientes com AF da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia, Brasil, no período de 2013 a 2015. Os indivíduos apresentaram idade entre 01 e 61 anos, sendo identificados 70,5 % (141/200) pacientes com AF e 29,5 % (59/200) com a doença HbSC. Todos envolvidos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e responderam ao questionário sócio-demográfico. Foram realizadas analises de parâmetros hematológicos, bioquímicos, metabolitos do oxido nítrico, investigação do perfil de hemoglobinas e diagnostico de hemoglobinopatia por cromatografia liquida de alta performance (HPLC); além da análise de polimorfismos genéticos como, detecção da talassemia alfa com deleção de 3.7kb através de reação em cadeia de polimerase (PCR). Os haplótipos ligados ao grupo de genes da globina- βS foram determinados por PCR seguida pela digestão com enzimas de restrição (PCRRFLP). A identificação dos SNPs: BCL11A gene rs6732518; rs766432, HMIP gene rs11759553; rs35959442 e OR51B5/6 gene rs4910755; rs7483122, no cromossomo 2, 6 e 11, respectivamente, foi realizada por PCR em Tempo Real utilizando sondas da TaqMan.
RESULTADOS: Foram envolvidos 200 pacientes acompanhados pelo Centro de Referência a Doença Falciforme de Itabuna, sendo 52,0 % (104/200) do sexo feminino, 22,0 % (44/200) com idade de 6 a 10 anos e 20,0 % (40/200) de 21 a 30 anos (40/200). A cor parda autodeclarada foi mais observada em 52,0 % (104/200) dos pacientes. A idade do primeiro diagnostico em até 6 meses de vida correspondeu a 38,0 % (76/200) e, desse grupo, 68 pacientes foram diagnosticados por triagem neonatal. Em relação a escolaridade, 60,5 % (121/200) relataram algum tipo de grau de instrução. Observamos que 87,5 % (70/80) dos pacientes pediátricos fizeram uso profilaxia medicamentosa. Encontramos que a hospitalização esteve mais associada aos pacientes com AF sem uso de hidroxiureia (HU) com frequência de 91,8 % (90/99). A partir dos marcadores genéticos, encontramos frequência de 0,16 para o gene -α3,7Kb, sendo 4 pacientes homozigotos (-α/-α) e 28 heterozigotos (-/αα), além disso, o haplótipo BEN foi mais frequente, seguido do haplótipo CAR. Na avaliação de biomarcadores me pacientes com AF, evidenciamos que concentrações elevadas de desidrogenasse lática (LDH) sugerem um perfil hemolítico. Os metabolitos do oxido nítrico (NO) demonstraram influencia na ativação endotelial e, níveis elevados de lipoproteína de alta densidade de colesterol (HDL-C) em associação aos elevados níveis de lipoproteína de baixa densidade de colesterol (LDL-C) estiveram associados a uma condição inflamatória. A co-heranca da talassemia alfa com a AF está associada a melhora do quadro hemolítico, com menor contagem de plaquetas; porém, contribui para viscosidade sanguínea. Na análise dos pacientes com AF acompanhados Centro de Referência a Doença Falciforme de Itabuna e Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia, Brasil, encontramos, o perfil genético modulador da HbF, o haplótipo CAR como mais frequente na população estudada, demonstrando níveis intermediários de HbF e elevados níveis de HbS. No que se refere ao tratamento com HU, os pacientes com AF receberam doses de 15, 20 e 25 mg/kg/dia e o tempo de utilização variou de 2 meses a 4 anos e 2 meses, observando melhora no perfil hematológico, com redução na contagem de leucócitos e plaquetas. Além disso, verificamos que a melhora dos parâmetros laboratoriais e perfil clinico estiveram associados ao tempo de utilização. A análise dos SNPs localizados nos genes BCL11A, HMIP e OR51B5/6 demonstraram maior influência sobre o perfil hematológico e na associação do SNP rs766432 no gene BCL11A em utilização de HU foi encontrado perfil hematológico com elevada contagem de hemácias e concentração de hemoglobina, menor contagem de plaquetas e níveis reduzidos de bilirrubina direta e indireta. Em relação a caracterização clínica, a associação com a presença do SNP rs766432 no gene BLC11A e HU foram observadas menor frequência de eventos clínicos, no entanto, a litíase biliar esteve elevada. Sugerimos que a ocorrência desse evento clinico ocorra de forma independente a presença do SNP.
CONCLUSÃO: Concluímos que parâmetros laboratoriais e marcadores genéticos contribuem para compreensão dos mecanismos fisiopatológicos e heterogeneidade clínica da DF na população alvo do presente estudo. Ressaltamos a importância relativa a investigação desses marcadores no intuito de seguimento clinico adequado e delineamento de estratégias para o desenho de novos fármacos e modalidades terapêuticas.
AUTORA: FERREIRA, Júnia Raquel Dutra. ORIENTADORA: GONÇALVES, Marilda de Souza. TÍTULO DA TESE: Contraceptivos orais combinados utilizados por mulheres na Bahia: perfil epidemiológico e alterações cardiometabólícas e hemostáticas.158 f. il. PROGRAMA: Doutorado em Patologia Humana – UFBA/Fiocruz Bahia DATA DE DEFESA: 11/08/2016
RESUMO
Os contraceptivos orais combinados (COCs) são mundialmente utilizados. Entretanto, apresentam afeitos desfavoráveis no metabolismo lipídico, glicêmico, em variáveis hemostáticas e níveis pressóricos relacionados à dose do componente estrogênico e ao tipo de progestina presente na formulação. Além disso, a condição de saúde e a predisposição genética da mulher que utiliza os COCs podem aumentar o risco cardiovascular e tromboembólico. Assim, o presente trabalho estudou mulheres em idade fértil em uso de contraceptivos orais combinados, que utilizaram o serviço público de saúde na Bahia. Através da avaliação de parâmetros cardiometabólicos e hemostáticos e considerando condições médicas pré-existentes A casuística foi composta por 609 mulheres que apresentaram idade entre 15 e 45 anos, onde 499 mulheres eram usuárias de COCs e 110 mulheres não utilizavam COCs há pelo menos dois anos. Todas assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e responderam a um questionário sócio-económico-demográfico, com dados sobre a saúde reprodutiva e o uso de COCs e tiveram a pressão arterial (PA) aferida, bem como o peso e altura e cálculo do índice de massa corporal (IMC). Além disso, foram realizadas análises de marcadores inflamatórios, hematológicos, bioquímicos, perfil hemostático, perfil de hemoglobinas e metabólitos do óxido nítrico. Em relação aos COCs, o uso de formulações contendo 20-30 µg de etinilestradiol e 100-250 µg de levonorgestrel foi descrito por 43.7% das mulheres; no geral, a população estudada era predominantemente constituída de mulheres negras e pardas; a maioria declarou ser de baixa renda e ter concluído o ensino médio. Entre as mulheres que utilizavam COCs, 14,2% tinham pelo menos uma contraindicação para o seu uso, onde hipertensão foi a mais frequente (10,6%), seguida de hábito de fumar acima dos 35 anos (2,4%). Além disso, 1.2% das mulheres apresentaram duas ou mais contraindicações para o uso de COCs. Contraindicações de categoria 3, onde os riscos são considerados maiores que os benefícios, foram observadas em 9,8% das mulheres que utilizavam COCs e categoria 4, condição em que os COCs são contraindicados, foi observada em 3,2%. Em relação ao uso de COCs, a obesidade e as alterações nos parâmetros cardiometabólicos, verificou-se que estes fatores estavam associados ao aumento da pressão sistólica (p≤0,001), díastólica (p=0,001), colesterol total (p=0,008), lipoproteína de baixa densidade (p≤0,001), lipoproteína de muito baixa densidade (p≤0,001 ), tríglicerídeos (p≤0,001), proteína C reativa (PCR) (p≤0,001) e metabólitos do NO (p≤0,001) e concentrações diminuídas de lipoproteína de alta densidade (HDL) (p≤0,001). Entretanto, somente os níveis de PCR e HDL apresentaram relevância clínica, os quais são descritos como marcadores associados ao risco cardiovascular. O uso de COCs foi independentemente associado a concentrações diminuídas de HDL, principalmente, aqueles de 2a geração de progestinas (p<0.001; OR=8,976; 95% CI 2.786-28,914). A avaliação dos parâmetros hematológicos e cardiometabólicos PCR em mulheres HbSC e HbAC os quais parecem estar associados aos diferentes tipos de progestinas presentes as formulações dos COCs. Além disso, o uso de COCs parece estar associado com diminuição nos níveis de HDL em mulheres HbAC, embora clinicamente irrelevantes. Por outro lado, os níveis de D-dímero estiveram elevados em todas as mulheres portadoras de Hb variantes, independente do uso de COCs. Desta forma, o acompanhamento clínico e laboratorial, considerando o tipo de formulação de COCs prescrita e o histórico familiar, bem como as características médicas relevantes são investigações importantes que devem ser levadas em conta para se evitar desfechos indesejáveis para essas mulheres.
A edição de agosto da revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz já está disponível e pode ser acessada gratuitamente online. Entre os destaques, a publicação traz um artigo que apresenta imagens de microscopia de células infectadas pelo vírus Zika, analisando a estrutura viral e os impactos da infecção na estrutura celular. Uma pesquisa que realiza, pela primeira vez, a comparação entre métodos de infecção experimental de insetos Phlebotomus perniciosus, transmissores das leishmanioses, por parasitos Leishmania infantum, causadores da forma visceral da doença, também está no periódico. Entre os dez artigos publicados, a revista apresenta ainda um estudo que aponta que uma molécula com estrutura semelhante à miltefosina é promissora para o desenvolvimento de um novo tratamento contra a esporotricose.
Estrutura do vírus Zika
Utilizando a técnica de microscopia eletrônica de transmissão, pesquisadores analisaram a estrutura do vírus Zika e o comportamento das partículas virais dentro das células infectadas. O estudo foi realizado pelo Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em parceria com o Laboratório de Flavivírus do IOC e o Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo. Os cientistas utilizaram amostra de sangue de um paciente diagnosticado com a doença para isolar o vírus. Em seguida, células Vero – derivadas de células rim de macaco – foram infectadas. Seis dias após a infecção, partículas virais foram observadas agrupadas no interior das células. O nucelocapsídeo, que compõe a estrutura dos vírus, contendo seu material genético, também foi detectado.
Infecção experimental
Considerando que os estudos mais citados sobre a infecção experimental de flebotomíneos – insetos transmissores das leishmanioses – envolveram espécies de parasitos Leishmania causadoras da forma cutânea da doença, pesquisadores franceses compararam metodologias de infecção experimental com o parasito Leishmania infantum, que provoca a modalidade visceral do agravo. Os cientistas da Universidade de Nice-Sophia Antipolis e do Centre Hospitalar Universitário de Nice, na França, utilizaram duas estratégias para infectar insetos Phlebotomus perniciosus: o uso de alimentadores artificiais com sangue contendo o parasito e a alimentação direto dos insetos em camundongos infectados. O trabalho apontou grande variedade na intensidade de infecção do vetor e o alimentador artificial foi considerado o método mais eficiente para obter altas taxas de infectividade.
Molécula contra esporotricose
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem e Fundação Nacional Helênica de Pesquisa, da Grécia, identificaram uma molécula promissora para o desenvolvimento de um novo tratamento contra a esporotricose. O grupo realizou testes in vitro com oito fármacos com estrutura molecular semelhante à da miltefosina, medicamento usado em casos de leishmaniose. Capaz de agir sobre diversos parasitos, esse antimicrobiano teve atividade demonstrada recentemente contra o fungo Sporothrix schenckii, uma das espécies causadoras da esporotricose. Com potencial para gerar menos efeitos colaterais, a molécula TCAN26 foi menos citotóxica quando testadas em células de mamífero, mais seletiva para o fungo e apresentou atividade superior à da miltefosina.
Estudo liderado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Guilherme Ribeiro, indicando que a água acumulada no interior dos bueiros é foco de mosquito transmissor de enfermidades como dengue, zika e chikungunya, foi publicado na mais conceituada revista científica internacional especializada no tema, a Parasites & Vectors. O artigo intitulado Storm drains as larval development and adult resting sites for Aedes aegypti and Aedes albopictus in Salvador, Brazil, publicado no dia 27 de julho, pode ser lido na íntegra no site da revista.
No trabalho descrito, pesquisadores e estudantes de Pós-Graduação da Fiocruz Bahia, da Universidade Federal da Bahia e da Universidade de Emory (EUA) observaram no total de 122 bueiros, também conhecidos como bocas de lobo, dos bairros de Brotas, Cabula, Piatã e Pituba, no período de março a julho de 2015, com o intuito de verificar com que frequência a água fica acumulada servindo como criadouro de mosquitos.
Foram identificados pelos pesquisadores, espécimes de Aedes aegypti, tanto adultos quanto em suas fases larvais, em bueiros de dois dos quatro bairros, sendo mais comum nos bueiros que também continham larvas de outras espécies de mosquitos, como a muriçoca (pernilongo comum). A presença do Aedes aegypti também foi mais frequente nas inspeções precedidas por período de pouca chuva. O Aedes albopictus, outro mosquito que também pode transmitir arbovírus, foi encontrado em bueiros de um dos bairros pesquisados.
De acordo com os especialistas, os achados são de grande relevância por chamar atenção para a necessidade de reorientação nos programas de prevenção e controle de arboviroses, já que as principais ações assumem que os focos de reprodução dos mosquitos transmissores de dengue, zika e chikungunya encontram-se nas residências e não nos ambientes públicos.
A fim de ampliar o estudo para saber a extensão do problema em outras áreas da cidade, a equipe de pesquisadores está trabalhando em parceria com o Centro de Controle de Zoonoses do município de Salvador. Os resultados também ensejaram discussões intersetoriais no município, com o intuito de planejar ações de combate à proliferação do Aedes nos bueiros.
O artigo Degranulating Neutrophils Promote Leukotriene B4 Production by Infected Macrophages To Kill Leishmania amazonensis Parasites, publicado no periódico científico TheJournal of Immunology, em 22 de janeiro, aborda um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz Bahia, acerca do efeito da degranulação de neutrófilos sobre macrófagos infectados com o parasita Leishmania amazonensis. O estudo demonstrou que neutrófilos ativados interagem com macrófagos infectados levando a um aumento do seu poder microbicida, principalmente pelo eicosanoide chamado leukotrieno B-4.
Os neutrófilos são células sanguíneas que fazem parte do sistema imunológico, eles são responsáveis pelas primeiras respostas contra os patógenos e são ativados durante a transmigração endotelial para o local da inflamação. Na presente pesquisa, os neutrófilos humanos foram ativados in vitro com proteínas de matriz extracelular imobilizadas, tais como a fibronectina (FN), colágeno, laminina e somente a ativação de neutrófilos por FN, induziu a libertação do conteúdo dos grânulos.
Os resultados mostram que o tratamento de neutrófilos humanos com FN in vitro induz a degranulação e produção de ROS (do inglês, espécies reativas de oxigênio), enquanto em repouso, eles permaneciam não ativados. Foi detectada uma maior produção de ROS em neutrófilos tratados com FN; além da liberação da enzima MMP-9 e aumento da atividade da elastase neutrofílicae (NE), em comparação com células em repouso ou outras proteínas.
A partir deste conjunto de resultados, os estudiosos puderam concluir que a fibronectina induziu uma ativação mais eficiente de neutrófilos, a presença de neutrófilos ativados com FN diminui a carga parasitária de macrófagos infectados por L. amazonensis. Além disso, resultados sugerem que a diminuição da infecção em macrófagos é independente do contato da célula e pode ser intermediada por mediadores solúveis. O leukotrieno B-4 tem um papel fundamental na ativação do macrófago induzindo a produção de TNf-alfa, essencial para a morte parasitária.
Participaram do estudo os pesquisadores da Fiocruz Bahia Natália Tavares, Lilian Afonso, Martha Suarez, Mariana Ampuero, Deboraci Brito Prates, Théo Araújo-Santos, Manoel Barral-Netto, Valéria Matos Borges e Cláudia Brodskyn.
O diretor da Fiocruz Bahia, Manoel Barral Netto, e o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado (SECTI), Manoel Mendonça, assinaram, na última sexta-feira (29/07), um termo de cessão oficializando a entrega do espaço que abrigará uma nova estrutura da Fiocruz Bahia no Parque Tecnológico da Bahia: o Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (CIDACS). Fruto de fortes parcerias científicas entre Fiocruz Bahia, Fiocruz Brasília, UFBA, CIMATEC e a London School of Hygiene and Tropical Medicine (Reino Unido), o Centro vai congregar pesquisa, capacitação e processos de democratização do acesso a dados e conhecimento.
Dentre os objetivos do CIDACS, destaca-se o estudo dos efeitos de políticas sociais na saúde, através da realização de pesquisas e avaliações de programas governamentais. Com a inauguração prevista para início dezembro deste ano, a implantação da nova estrutura, por meio de avançados recursos computacionais e perspectiva multidisciplinar e integrativa, permitirá que grupos de pesquisa que já atuam em epidemiologia, bioinformática, estatística e computação, trabalhem em interação e de forma complementar.
De acordo com Manoel Barral Netto, a Fiocruz Bahia está ampliando a sua área de atuação. “A construção de um espaço geográfico de tratamento de grandes dados no Parque Tecnológico da Bahia aproxima a Fundação de outros parceiros que também trabalham com tratamento de dados para a saúde de uma forma abrangente”, avaliou o diretor.
Manoel Mendonça ressaltou que a Bahia é um estado que já tem tradição de pesquisa, principalmente na área de saúde coletiva. “Nós temos interesse de criar no Parque o que chamamos de área de atrito, que é trazer pesquisadores de várias origens e formações para trabalhar e criar coisas novas para sociedade baiana e brasileira”, frisou.
Produção de dados em saúde – O Centro abrigará projetos como da ‘Coorte de 100 milhões de brasileiros’ e a ‘Plataforma de Vigilância de Longo Prazo para a Zika e Microcefalia no âmbito do SUS’. Outros projetos incluem o desenvolvimento de ferramentas de apoio e análise para atenção básica à saúde, e projetos diversos no campo da biologia computacional e da bio-informática. Os pesquisadores irão dispor de infraestrutura inédita em termos de capacidade de armazenamento, segurança e análise de dados e será permitido que se utilize grandes bases de dados identificados, através de rigoroso sistema de proteção das informações pessoais.
Segundo Maurício Barreto, pesquisador da Fiocruz Bahia, com a produção massiva de dados de pesquisa em saúde, os recursos necessários para produção de conhecimento se ampliaram muito com a utilização de computação de alta velocidade. “A ideia é envolver pesquisadores de diferentes campos em saúde, mas que utilizem grandes bases de dados e que precisem de métodos para integrar e resolver problemas a partir desses dados”, explicou.
Outro importante papel do Centro ocorrerá no campo científico por meio da introdução e operacionalização do conceito de ciência aberta, que busca tornar a pesquisa científica e a divulgação de dados abertos a todos os setores da sociedade, com a lógica de permitir que o conhecimento gerado seja acessível a instituições de ensino e de pesquisa, gestores públicos, profissionais de saúde e a sociedade, em geral.
Seminário – Na ocasião da inauguração, será realizado um seminário comemorativo, envolvendo os pesquisadores do Centro, parceiros e especialistas nacionais e internacionais. A programação será definida em breve.
Pesquisadores da Fiocruz Bahia, da Universidade Federal da Bahia, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da Yale University School of Public Health assinaram o artigo intitulado Accuracy of Dengue Reporting by National Surveillance System, Brazil, publicado no jornal médico Emerging Infectious Diseases. O estudo coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Guilherme Ribeiro, foi realizado entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011, com pacientes de uma unidade de emergência pública, em Salvador (BA).
De acordo com os autores da pesquisa, a dengue é uma doença subnotificada globalmente. No entanto, o grau de subnotificação no Brasil, país que mais notifica casos de dengue no mundo, permanecia desconhecida. Nesse contexto, os pesquisadores realizaram um estudo para avaliar a magnitude da subnotificação da doença no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Para a realização da pesquisa, foram coletadas amostras de sangue de pacientes com idade igual ou superior a 5 anos, que buscavam atendimento médico por uma doença febril aguda. Uma segunda amostra de sangue foi coletada na fase de convalescença, 15 dias depois. Empregando testes sorológicos e moleculares nas amostras de sangue coletadas, os pacientes incluídos no estudo foram classificados entre aqueles com e sem dengue.
Em seguida, os pesquisadores identificaram se os pacientes com e sem o diagnóstico laboratorial de uma infecção pelo vírus da dengue haviam sido oficialmente notificados para o Sinan, como caso suspeito da doença. No Brasil, a notificação de casos suspeitos é obrigatória.
Resultados – A pesquisa indicou que 1 em cada 4 pacientes atendidos por uma doença febril da unidade de emergência onde o estudo foi realizado tinha evidência laboratorial de infecção pelo vírus da dengue, no entanto, para cada 20 pacientes que o estudo permitiu identificar com tendo dengue, apenas 1 havia sido notificado ao Sinan. Esses e outros dados levaram os autores do estudo a concluírem que a vigilância tem subestimado, substancialmente, a carga da doença no Brasil.
Os pesquisadores ainda calcularam um fator multiplicador que permite estimar um número mais correto de casos da doença para cada caso que é notificado. Aplicando este fator de multiplicação, eles estimaram que a incidência anual média, oficialmente registrada em Salvador no período de estudo, de 303,8 casos/100.000 habitatantes, deve ter sido, na realidade de 3.645,7 casos/100.000 habitantes.
Clique aqui e acesse, na íntegra, o artigo publicado em fevereiro de 2016.
Ministério da Saúde (MS) Novo boletim do Ministério da Saúde, divulgado nesta quarta-feira (27/7), aponta que, até 23 de julho, foram confirmados 1.749 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita. Permanecem em investigação pelo Ministério da Saúde e pelos estados 3.062 casos suspeitos de microcefalia em todo o país.
Desde o início das investigações, em outubro do ano passado, 8.703 casos foram notificados ao Ministério da Saúde. Destes, 3.892 foram descartados por apresentarem exames normais, ou por apresentarem microcefalia ou malformações confirmadas por causa não infecciosas. Também foram descartados por não se enquadrarem na definição de caso.
Do total de casos confirmados (1.749), 272 tiveram confirmação por critério laboratorial específico para o vírus zika. O Ministério da Saúde, no entanto, ressalta que esse dado não representa, adequadamente, a totalidade do número de casos relacionados ao vírus. A pasta considera que houve infecção pelo zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia. Os 1.749 casos confirmados em todo o Brasil ocorreram em 609 municípios, localizados em todas as unidades da federação e no Distrito Federal.
No mesmo período, foram registrados 371 óbitos suspeitos de microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a gestação (abortamento ou natimorto) no país. Isso representa 4,3% do total de casos notificados. Destes, 106 foram confirmados para microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central. Outros 200 continuam em investigação e 65 foram descartados.
O Ministério da Saúde ressalta que está investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central informados pelos estados, além da possível relação com o vírus zika e outras infecções congênitas. A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do zika, como sífilis, toxoplasmose, outros agentes infecciosos, rubéola, citomegalovírus e herpes viral.
A pasta orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.