Especial Fiocruz sobre Febre Amarela

O aumento do número de casos de febre amarela em 2017 despertou a atenção das autoridades em Saúde do país. Combatida por Oswaldo Cruz no início do século 20 e erradicada dos grandes centros urbanos desde 1942, a doença voltou a assustar os brasileiros, com a proliferação de casos de febre amarela silvestre nos últimos meses. Até quarta-feira (5/4), são 1.987 casos suspeitos de febre amarela silvestre notificados. Desses, 450 continuam em investigação, 586 foram confirmados e 951 descartados. Do total, 282 evoluíram para óbito, sendo 190 confirmados, 49 em investigação e 43 descartados. Os últimos casos de febre amarela urbana ocorreram em 1942, no Acre.

A vacinação de rotina para febre amarela é ofertada em 19 estados (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) com recomendação para imunização. Vale destacar que na Bahia, Piauí, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a vacinação não ocorre em todos os municípios. Além das áreas com recomendação, neste momento, também está sendo vacinada, de forma escalonada, a população do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Todas as pessoas que vivem nesses locais devem tomar uma dose da vacina ao longo da vida.

Foto: Bernardo Portella / Arca Fiocruz
Desde o início deste ano, o Ministério da Saúde tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham notificado casos. No total, 21,6 milhões de doses extras foram enviadas para cinco estados: Minas Gerais (7,5 milhões), São Paulo (4,78 milhões), Espírito Santo (3,65 milhões), Rio de Janeiro (3,8 milhão) e Bahia (1,9 milhão). Além disso, foram distribuídas, desde janeiro deste ano, 4,1 milhões doses da vacina de rotina para todas as unidades da federação.

Além disso, foram distribuídas, desde janeiro deste ano, 3 milhões doses da vacina de rotina para todas as unidades da federação. Outras 324 mil doses foram enviadas para intensificar ações nos estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio Grande do Sul, Piauí, Pará, Paraíba e DF.

Diante da gravidade do quadro, profissionais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) das mais diversas especialidades estão mobilizados e atuantes na prevenção e no combate à febre amarela. A principal arma contra a doença continua sendo a vacinação, prevista no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e oferecida em postos do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta área, destaca-se a atuação do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), reconhecido internacionalmente como fabricante da vacina antiamarílica.

Outra preocupação do Ministério da Saúde e da Fiocruz é a disseminação de informação de qualidade em saúde, para evitar o sensacionalismo e a propagação de boatos, tão comuns em épocas de crise. Com essa missão, a Agência Fiocruz de Notícias (AFN) reúne neste especial as principais reportagens produzidas pela Fundação, esclarecendo dúvidas da população e orientando a imprensa no tratamento dos casos. As ações da AFN também estão articuladas com iniciativas nas redes sociais oficiais da Fiocruz, sobretudo em relação à imunização.

Clique aqui e confira os destaques da Fundação sobre o tema.

Mais Notícias:

10/04/2017 Saúde orienta sobre dose única da vacina da febre amarela

07/04/2017 Febre Amarela: Brasil adota dose única da vacina

31/03/2017 Fiocruz produz até 9 milhões de doses da vacina por mês

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Confira o especial da Fiocruz na campanha contra a tuberculose

Em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) iniciou o segundo ano da campanha global Unidos para Acabar com a Tuberculose (United to End TB, em inglês), uma das dez maiores causas de morte em todo o mundo, com 10 milhões de novos casos notificados por ano, levando mais de um milhão de pessoas a óbito. Nos últimos anos, a preocupação com esses números elevados fez com que a OMS redefinisse a classificação de países prioritários para o período de 2016 a 2020. Três são as listas prioritárias, definidas segundo os critérios epidemiológicos: carga de tuberculose; tuberculose multidrogarresistente; e coinfecção TB/HIV. O Brasil, que ainda permanece entre os 20 países que apresentam mais casos da doença, encontra-se em duas dessas listas, ocupando a 20ª posição na classificação de carga da doença e a 19ª quanto à coinfecção TB/HIV.

O último relatório do Ministério da Saúde, divulgado em 2016, aponta que no Brasil, apesar do número de casos ter sido reduzido em cerca de 20% nos últimos 10 anos (passando de 38,7 casos/100 mil habitantes em 2006 para 30,9 casos/100 mil habitantes em 2015), ainda são notificados aproximadamente 70 mil casos novos de tuberculose e ocorrem 4,5 mil mortes em decorrência da doença. Diante desses números preocupantes, o Brasil ainda precisa de mais ações de combate à doença para auxiliar a meta da OMS, que é reduzir, no mundo, o número absoluto de mortes por tuberculose em 35% e de contágios em 20% até 2020, com relação aos números de 2015. O objetivo para 2030 é diminuir em 90% a quantidade de mortos por tuberculose e em 80% os infectados.

Castelo Mourisco, em Manguinhos, está iluminado com a cor vermelha, para marcar a semana de combate à tuberculose (Foto: Peter ilicciev – CCS)
A luta contra a doença na Fiocruz não é recente. No último ano, a Fundação participou da campanha Unidos para Acabar com a Tuberculose da OMS e, em 2017, na semana do Dia Mundial de Combate à Tuberculose (24/3), o Castelo Mourisco estará iluminado novamente para marcar a necessidade de refletir sobre formas de prevenção contra a doença. A cor vermelha, associada à Luta Contra a Tuberculose, remonta a uma decisão da International Union Against Tuberculosis and Lung Diseases (The Union), que padronizou a representação gráfica da cruz dupla em vermelho com fundo amarelo, utilizada desde 1920.

A atual campanha da OMS tem como foco ações para o combater o estigma, a discriminação, a marginalização e as barreiras de acesso aos tratamentos contra a doença. Somada a essa luta, em 2017, a Fundação também está apoiando a campanha Mais alto que a Tuberculose (Louder than TB, em inglês) da Aliança Global de Desenvolvimento de Drogas para Tuberculose – Aliança TB (Global Alliance for TB Drug Development – TB Alliance, em inglês), organização internacional sem fins lucrativos com sede em Nova York. Desde 2010, a Fundação é uma das instituições-membro da Aliança TB, que busca curas mais eficientes, rápidas e acessíveis para a doença. A campanha apoiada reúne as principais organizações dos setores público e privado e da mídia para aumentar o conhecimento sobre a tuberculose e melhorar a conscientização global sobre a doença e dos custos de ignorá-la. Confira o último relatório anual da Aliança TB.

“Não podemos falar de Aids sem mencionar tuberculose”: a frase faz parte da campanha ‘Mais alto que a tuberculose’ da Aliança TB em 2017
Desde 2015, como resposta a necessidade de combate à doença, a Fiocruz criou o Programa Integrado de Pesquisa, Ensino e Desenvolvimento Tecnológico em Tuberculose e Outras Micobacterioses (Fio-TB) na instituição. A iniciativa visa manter uma ampla rede para o combate à doença. O Fio-TB prevê atuação da Fiocruz em todas as frentes de combate à doença: prevenção, diagnóstico, tratamento, formação de recursos humanos e mobilização social. Na área de diagnóstico, a meta do Programa é ousada: obter autonomia nacional para diagnósticos de tuberculose ativa e latente. Para prevenção, são realizados estudos epidemiológicos e modelagem sobre os determinantes sociais e ambientais da doença, e na formação de recursos, há previsão de novos cursos de pós-graduação lato e stricto senso.

Neste especial, durante a semana do Dia Mundial de Combate à Tuberculose (24/3), a Agência Fiocruz de Notícias irá divulgar os principais estudos e as ações que têm sido realizados pela Fundação na luta contra a tuberculose. Ao lado, o leitor encontra novidades sobre o tema, indicações de livros da Editora Fiocruz, programas do Canal Saúde, vídeos da VídeoSaúde Distribuidora da Fiocruz, links úteis, além de informações básicas sobre a doença, como sintomas, tratamento e prevenção, no glossário da AFN. A tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Clique aqui e confira o especial da Agência Fiocruz de Notícias.

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Melhoria na governança e na cobertura de saúde reduz mortalidade no Brasil, diz estudo

health-affairsO papel da governança na melhoria da saúde da população é tema de artigo publicado no periódico científico Health Affairs, em edição lançada nesta segunda-feira, 09 de janeiro. O estudo “Large Reductions In Amenable Mortality Associated With Brazil’s Primary Care Expansion And Strong Health Governance” constatou que um melhor nível de governança e a maior cobertura de saúde na atenção primária nos municípios brasileiros estão associados à redução de mortalidade.

O objetivo da pesquisa, fruto de uma colaboração de pesquisadores do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) e do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/Ufba) com pesquisadores do Imperial College de Londres e de Havard, foi examinar se a expansão da Estratégia de Saúde da Família (ESF), um dos maiores programas de Atenção Básica à Saúde do mundo, reduziu a mortalidade por causas passíveis de tratamento no Brasil. O estudo foi assinado por Thomas Hone e tem a co-autoria do coordenador-executivo do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs), Maurício Barreto, e do pesquisador do Cidacs Davide Rasella.

O estudo- O papel da governança na melhoria da saúde da população é uma questão muito discutida em saúde global.  No entanto, apesar de amplamente reconhecida como um elemento necessário, é difícil associar os seus efeitos da governança a desfechos na saúde (morbidade ou mortalidade).

Analisando dados de 1.622 municípios brasileiros entre os anos 2000-12, os autores mediram o nível da governança local de saúde dentro de cada município e demonstraram que os municípios com melhores níveis de governança tiveram as maiores reduções na mortalidade. Eles também constataram que enquanto as variáveis socioeconômicas melhoraram ao longo do período, a cobertura de atenção primária foi associada com reduções na mortalidade por causas passíveis de tratamento (mortalidade evitável com cuidados de saúde oportunos e efetivos).

“Nossos achados indicam que a expansão na cobertura da Estratégia de Saúde da Família teve um impacto substancial sobre a mortalidade, e que uma governança local sólida é importante para a implementação de serviços mais eficazes e para a obtenção de melhores resultados de saúde em termos de redução das taxas de mortalidade por causas passíveis de tratamento” concluíram os autores.

Os pesquisadores- Além de coordenador-executivo do Cidacs, Maurício Barreto é pesquisador sênior do Instituto Gonçalo Muniz (IGM/Fiocruz) e professor no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia.  No Cidacs, Barreto coordena a “Coorte Virtual de 100 milhões de Brasileiros”, uma plataforma que busca avaliar determinantes sociais e efeitos de políticas e programas sociais sobre diferentes aspectos da vida da sociedade brasileira, em especial a saúde.

O pesquisador do Cidacs Davide Rasella é bolsista de pós-doutorado da Wellcome Trust, com base no Instituto Gonçalo Moniz, na Escola Nacional de Saude Pública (Fiocruz) e na London School of Hygiene and Tropical Medicine. Ele também integra a plataforma “Coorte Virtual de 100 milhões de Brasileiros”.

Acesse o estudo na íntegra: http://bit.ly/estudoHA

Saiba mais sobre a Coorte de 100 milhões: http://bit.ly/coorte100mi

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Tese caracteriza população de indivíduos com anemia falciforme em Itabuna (BA)

AUTORA: ALELUIA, Milena Magalhães.
ORIENTADORA: GONÇALVES, Marilda de Souza.
TÍTULO DA TESE: Avaliação de Biomarcadores em indivíduos com doença falciforme da região sul da Bahia
PROGRAMA: Doutorado em Patologia Humana – UFBA/ Fiocruz Bahia
DATA DE DEFESA: 12/08/2016
 

RESUMO

 

INTRODUÇÃO: A doença falciforme (DF) e uma desordem genética, com elevada prevalência mundial e heterogeneidade clínica. A apresentação clinica dos indivíduos com anemia falciforme (AF) e doença HbSC está relacionada a fisiopatologia da anemia hemolítica, além da influência de parâmetros hematológicos, bioquímicos, presença da talassemia alfa com deleção de 3.7 Kb, haplótipos ligados ao grupo de genes da globina beta S (βS) e polimorfismos de um único nucleotídeo (SNPs) relacionados a síntese da HbF. Fatores que contribuem para o estabelecimento de biomarcadores associados a gravidade e mecanismos fisiopatológicos da DF.

OBJETIVO: Caracterizar a população em estudo, analisando biomarcadores, eventos clínicos e marcadores genéticos associados aos mecanismos fisiopatológicos e gravidade da DF na região Sul da Bahia.

MÉTODOS: Consiste em um estudo de corte transversal e casuística composta por 200 pacientes com DF acompanhados pelo Centro de Referência a Doença Falciforme de Itabuna, Bahia e, 36 pacientes com AF da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia, Brasil, no período de 2013 a 2015. Os indivíduos apresentaram idade entre 01 e 61 anos, sendo identificados 70,5 % (141/200) pacientes com AF e 29,5 % (59/200) com a doença HbSC. Todos envolvidos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e responderam ao questionário sócio-demográfico. Foram realizadas analises de parâmetros hematológicos, bioquímicos, metabolitos do oxido nítrico, investigação do perfil de hemoglobinas e diagnostico de hemoglobinopatia por cromatografia liquida de alta performance (HPLC); além da análise de polimorfismos genéticos como, detecção da talassemia alfa com deleção de 3.7kb através de reação em cadeia de polimerase (PCR). Os haplótipos ligados ao grupo de genes da globina- βS foram determinados por PCR seguida pela digestão com enzimas de restrição (PCRRFLP). A identificação dos SNPs: BCL11A gene rs6732518; rs766432, HMIP gene rs11759553; rs35959442 e OR51B5/6 gene rs4910755; rs7483122, no cromossomo 2, 6 e 11, respectivamente, foi realizada por PCR em Tempo Real utilizando sondas da TaqMan.

RESULTADOS: Foram envolvidos 200 pacientes acompanhados pelo Centro de Referência a Doença Falciforme de Itabuna, sendo 52,0 % (104/200) do sexo feminino, 22,0 % (44/200) com idade de 6 a 10 anos e 20,0 % (40/200) de 21 a 30 anos (40/200). A cor parda autodeclarada foi mais observada em 52,0 % (104/200) dos pacientes. A idade do primeiro diagnostico em até 6 meses de vida correspondeu a 38,0 % (76/200) e, desse grupo, 68 pacientes foram diagnosticados por triagem neonatal. Em relação a escolaridade, 60,5 % (121/200) relataram algum tipo de grau de instrução. Observamos que 87,5 % (70/80) dos pacientes pediátricos fizeram uso profilaxia medicamentosa. Encontramos que a hospitalização esteve mais associada aos pacientes com AF sem uso de hidroxiureia (HU) com frequência de 91,8 % (90/99). A partir dos marcadores genéticos, encontramos frequência de 0,16 para o gene -α3,7Kb, sendo 4 pacientes homozigotos (-α/-α) e 28 heterozigotos (-/αα), além disso, o haplótipo BEN foi mais frequente, seguido do haplótipo CAR. Na avaliação de biomarcadores me pacientes com AF, evidenciamos que concentrações elevadas de desidrogenasse lática (LDH) sugerem um perfil hemolítico. Os metabolitos do oxido nítrico (NO) demonstraram influencia na ativação endotelial e, níveis elevados de lipoproteína de alta densidade de colesterol (HDL-C) em associação aos elevados níveis de lipoproteína de baixa densidade de colesterol (LDL-C) estiveram associados a uma condição inflamatória. A co-heranca da talassemia alfa com a AF está associada a melhora do quadro hemolítico, com menor contagem de plaquetas; porém, contribui para viscosidade sanguínea. Na análise dos pacientes com AF acompanhados Centro de Referência a Doença Falciforme de Itabuna e Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia, Brasil, encontramos, o perfil genético modulador da HbF, o haplótipo CAR como mais frequente na população estudada, demonstrando níveis intermediários de HbF e elevados níveis de HbS. No que se refere ao tratamento com HU, os pacientes com AF receberam doses de 15, 20 e 25 mg/kg/dia e o tempo de utilização variou de 2 meses a 4 anos e 2 meses, observando melhora no perfil hematológico, com redução na contagem de leucócitos e plaquetas. Além disso, verificamos que a melhora dos parâmetros laboratoriais e perfil clinico estiveram associados ao tempo de utilização. A análise dos SNPs localizados nos genes BCL11A, HMIP e OR51B5/6 demonstraram maior influência sobre o perfil hematológico e na associação do SNP rs766432 no gene BCL11A em utilização de HU foi encontrado perfil hematológico com elevada contagem de hemácias e concentração de hemoglobina, menor contagem de plaquetas e níveis reduzidos de bilirrubina direta e indireta. Em relação a caracterização clínica, a associação com a presença do SNP rs766432 no gene BLC11A e HU foram observadas menor frequência de eventos clínicos, no entanto, a litíase biliar esteve elevada. Sugerimos que a ocorrência desse evento clinico ocorra de forma independente a presença do SNP.

CONCLUSÃO: Concluímos que parâmetros laboratoriais e marcadores genéticos contribuem para compreensão dos mecanismos fisiopatológicos e heterogeneidade clínica da DF na população alvo do presente estudo. Ressaltamos a importância relativa a investigação desses marcadores no intuito de seguimento clinico adequado e delineamento de estratégias para o desenho de novos fármacos e modalidades terapêuticas.

Palavras-chave: Doença Falciforme, Biomarcadores, Talassemia Alfa 3.7kb, Haplótipos da globina- βS, Polimorfismos, Hidroxiureia.

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Perfil de mulheres que utilizam contraceptivos orais combinados é avaliado em tese

AUTORA: FERREIRA, Júnia Raquel Dutra.
ORIENTADORA: GONÇALVES, Marilda de Souza.
TÍTULO DA TESE: Contraceptivos orais combinados utilizados por mulheres na Bahia: perfil epidemiológico e alterações cardiometabólícas e hemostáticas.158 f. il.
PROGRAMA: Doutorado em Patologia Humana – UFBA/Fiocruz Bahia
DATA DE DEFESA: 11/08/2016

RESUMO

 

Os contraceptivos orais combinados (COCs) são mundialmente utilizados. Entretanto, apresentam afeitos desfavoráveis no metabolismo lipídico, glicêmico, em variáveis hemostáticas e níveis pressóricos relacionados à dose do componente estrogênico e ao tipo de progestina presente na formulação. Além disso, a condição de saúde e a predisposição genética da mulher que utiliza os COCs podem aumentar o risco cardiovascular e tromboembólico. Assim, o presente trabalho estudou mulheres em idade fértil em uso de contraceptivos orais combinados, que utilizaram o serviço público de saúde na Bahia. Através da avaliação de parâmetros cardiometabólicos e hemostáticos e considerando condições médicas pré-existentes A casuística foi composta por 609 mulheres que apresentaram idade entre 15 e 45 anos, onde 499 mulheres eram usuárias de COCs e 110 mulheres não utilizavam COCs há pelo menos dois anos. Todas assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e responderam a um questionário sócio-económico-demográfico, com dados sobre a saúde reprodutiva e o uso de COCs e tiveram a pressão arterial (PA) aferida, bem como o peso e altura e cálculo do índice de massa corporal (IMC). Além disso, foram realizadas análises de marcadores inflamatórios, hematológicos, bioquímicos, perfil hemostático, perfil de hemoglobinas e metabólitos do óxido nítrico. Em relação aos COCs, o uso de formulações contendo 20-30 µg de etinilestradiol e 100-250 µg de levonorgestrel foi descrito por 43.7% das mulheres; no geral, a população estudada era predominantemente constituída de mulheres negras e pardas; a maioria declarou ser de baixa renda e ter concluído o ensino médio. Entre as mulheres que utilizavam COCs, 14,2% tinham pelo menos uma contraindicação para o seu uso, onde hipertensão foi a mais frequente (10,6%), seguida de hábito de fumar acima dos 35 anos (2,4%). Além disso, 1.2% das mulheres apresentaram duas ou mais contraindicações para o uso de COCs. Contraindicações de categoria 3, onde os riscos são considerados maiores que os benefícios, foram observadas em 9,8% das mulheres que utilizavam COCs e categoria 4, condição em que os COCs são contraindicados, foi observada em 3,2%. Em relação ao uso de COCs, a obesidade e as alterações nos parâmetros cardiometabólicos, verificou-se que estes fatores estavam associados ao aumento da pressão sistólica (p≤0,001), díastólica (p=0,001), colesterol total (p=0,008), lipoproteína de baixa densidade (p≤0,001), lipoproteína de muito baixa densidade (p≤0,001 ), tríglicerídeos (p≤0,001), proteína C reativa (PCR) (p≤0,001) e metabólitos do NO (p≤0,001) e concentrações diminuídas de lipoproteína de alta densidade (HDL) (p≤0,001). Entretanto, somente os níveis de PCR e HDL apresentaram relevância clínica, os quais são descritos como marcadores associados ao risco cardiovascular. O uso de COCs foi independentemente associado a concentrações diminuídas de HDL, principalmente, aqueles de 2a geração de progestinas (p<0.001; OR=8,976; 95% CI 2.786-28,914). A avaliação dos parâmetros hematológicos e cardiometabólicos PCR em mulheres HbSC e HbAC os quais parecem estar associados aos diferentes tipos de progestinas presentes as formulações dos COCs. Além disso, o uso de COCs parece estar associado com diminuição nos níveis de HDL em mulheres HbAC, embora clinicamente irrelevantes. Por outro lado, os níveis de D-dímero estiveram elevados em todas as mulheres portadoras de Hb variantes, independente do uso de COCs. Desta forma, o acompanhamento clínico e laboratorial, considerando o tipo de formulação de COCs prescrita e o histórico familiar, bem como as características médicas relevantes são investigações importantes que devem ser levadas em conta para se evitar desfechos indesejáveis para essas mulheres.

Palavras-chave: Contraceptivos orais combinados; contraindicações, tromboembolismo venoso; doença cardiovascular; obesidade, hemoglobinas variantes.

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Estudos sobre vírus Zika e esporotricose são destaques da revista Memórias

Por: Maíra Menezes

memorias_ioc_agosto_2016_internaA edição de agosto da revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz já está disponível e pode ser acessada gratuitamente online. Entre os destaques, a publicação traz um artigo que apresenta imagens de microscopia de células infectadas pelo vírus Zika, analisando a estrutura viral e os impactos da infecção na estrutura celular. Uma pesquisa que realiza, pela primeira vez, a comparação entre métodos de infecção experimental de insetos Phlebotomus perniciosus, transmissores das leishmanioses, por parasitos Leishmania infantum, causadores da forma visceral da doença, também está no periódico. Entre os dez artigos publicados, a revista apresenta ainda um estudo que aponta que uma molécula com estrutura semelhante à miltefosina é promissora para o desenvolvimento de um novo tratamento contra a esporotricose.

Estrutura do vírus Zika
Utilizando a técnica de microscopia eletrônica de transmissão, pesquisadores analisaram a estrutura do vírus Zika e o comportamento das partículas virais dentro das células infectadas. O estudo foi realizado pelo Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em parceria com o Laboratório de Flavivírus do IOC e o Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo. Os cientistas utilizaram amostra de sangue de um paciente diagnosticado com a doença para isolar o vírus. Em seguida, células Vero – derivadas de células rim de macaco – foram infectadas. Seis dias após a infecção, partículas virais foram observadas agrupadas no interior das células. O nucelocapsídeo, que compõe a estrutura dos vírus, contendo seu material genético, também foi detectado.

Infecção experimental
Considerando que os estudos mais citados sobre a infecção experimental de flebotomíneos – insetos transmissores das leishmanioses – envolveram espécies de parasitos Leishmania causadoras da forma cutânea da doença, pesquisadores franceses compararam metodologias de infecção experimental com o parasito Leishmania infantum, que provoca a modalidade visceral do agravo. Os cientistas da Universidade de Nice-Sophia Antipolis e do Centre Hospitalar Universitário de Nice, na França, utilizaram duas estratégias para infectar insetos Phlebotomus perniciosus: o uso de alimentadores artificiais com sangue contendo o parasito e a alimentação direto dos insetos em camundongos infectados. O trabalho apontou grande variedade na intensidade de infecção do vetor e o alimentador artificial foi considerado o método mais eficiente para obter altas taxas de infectividade.

Molécula contra esporotricose
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem e Fundação Nacional Helênica de Pesquisa, da Grécia, identificaram uma molécula promissora para o desenvolvimento de um novo tratamento contra a esporotricose. O grupo realizou testes in vitro com oito fármacos com estrutura molecular semelhante à da miltefosina, medicamento usado em casos de leishmaniose. Capaz de agir sobre diversos parasitos, esse antimicrobiano teve atividade demonstrada recentemente contra o fungo Sporothrix schenckii, uma das espécies causadoras da esporotricose. Com potencial para gerar menos efeitos colaterais, a molécula TCAN26 foi menos citotóxica quando testadas em células de mamífero, mais seletiva para o fungo e apresentou atividade superior à da miltefosina.

Conheça a nova edição da revista Memórias do IOC.

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Estudo publicado na Parasite & Vectors aponta que bueiros são focos de mosquito transmissor de arboviroses

Parasitc and VectorEstudo liderado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Guilherme Ribeiro, indicando que a água acumulada no interior dos bueiros é foco de mosquito transmissor de enfermidades como dengue, zika e chikungunya, foi publicado na mais conceituada revista científica internacional especializada no tema, a Parasites & Vectors. O artigo intitulado Storm drains as larval development and adult resting sites for Aedes aegypti and Aedes albopictus in Salvador, Brazil, publicado no dia 27 de julho, pode ser lido na íntegra no site da revista.

No trabalho descrito, pesquisadores e estudantes de Pós-Graduação da Fiocruz Bahia, da Universidade Federal da Bahia e da Universidade de Emory (EUA) observaram no total de 122 bueiros, também conhecidos como bocas de lobo, dos bairros de Brotas, Cabula, Piatã e Pituba, no período de março a julho de 2015, com o intuito de verificar com que frequência a água fica acumulada servindo como criadouro de mosquitos.

Foram identificados pelos pesquisadores, espécimes de Aedes aegypti, tanto adultos quanto em suas fases larvais, em bueiros de dois dos quatro bairros, sendo mais comum nos bueiros que também continham larvas de outras espécies de mosquitos, como a muriçoca (pernilongo comum). A presença do Aedes aegypti também foi mais frequente nas inspeções precedidas por período de pouca chuva. O Aedes albopictus, outro mosquito que também pode transmitir arbovírus, foi encontrado em bueiros de um dos bairros pesquisados.

De acordo com os especialistas, os achados são de grande relevância por chamar atenção para a necessidade de reorientação nos programas de prevenção e controle de arboviroses, já que as principais ações assumem que os focos de reprodução dos mosquitos transmissores de dengue, zika e chikungunya encontram-se nas residências e não nos ambientes públicos.

A fim de ampliar o estudo para saber a extensão do problema em outras áreas da cidade, a equipe de pesquisadores está trabalhando em parceria com o Centro de Controle de Zoonoses do município de Salvador. Os resultados também ensejaram discussões intersetoriais no município, com o intuito de planejar ações de combate à proliferação do Aedes nos bueiros.

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The Journal of Immunology publica estudo sobre degranulação de neutrófilos para controle do L. amazonensis

Journal-Imunology_01O artigo Degranulating Neutrophils Promote Leukotriene B4 Production by Infected Macrophages To Kill Leishmania amazonensis Parasites, publicado no periódico científico The Journal of Immunology, em 22 de janeiro, aborda um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz Bahia, acerca do efeito da degranulação de neutrófilos sobre macrófagos infectados com o parasita Leishmania amazonensis. O estudo demonstrou que neutrófilos ativados interagem com macrófagos infectados levando a um aumento do seu poder microbicida, principalmente pelo eicosanoide chamado leukotrieno B-4.

Os neutrófilos são células sanguíneas que fazem parte do sistema imunológico, eles são responsáveis pelas primeiras respostas contra os patógenos e são ativados durante a transmigração endotelial para o local da inflamação. Na presente pesquisa, os neutrófilos humanos foram ativados in vitro com proteínas de matriz extracelular imobilizadas, tais como a fibronectina (FN), colágeno, laminina e somente a ativação de neutrófilos por FN, induziu a libertação do conteúdo dos grânulos.

Os resultados mostram que o tratamento de neutrófilos humanos com FN in vitro induz a degranulação e produção de ROS (do inglês, espécies reativas de oxigênio), enquanto em repouso, eles permaneciam não ativados. Foi detectada uma maior produção de ROS em neutrófilos tratados com FN; além da liberação da enzima MMP-9 e aumento da atividade da elastase neutrofílicae (NE), em comparação com células em repouso ou outras proteínas.

A partir deste conjunto de resultados, os estudiosos puderam concluir que a fibronectina induziu uma ativação mais eficiente de neutrófilos, a presença de neutrófilos ativados com FN diminui a carga parasitária de macrófagos infectados por L. amazonensis. Além disso, resultados sugerem que a diminuição da infecção em macrófagos é independente do contato da célula e pode ser intermediada por mediadores solúveis. O leukotrieno B-4 tem um papel fundamental na ativação do macrófago induzindo a produção de TNf-alfa, essencial para a morte parasitária.

Participaram do estudo os pesquisadores da Fiocruz Bahia Natália Tavares, Lilian Afonso, Martha Suarez, Mariana Ampuero, Deboraci Brito Prates, Théo Araújo-Santos, Manoel Barral-Netto, Valéria Matos Borges e Cláudia Brodskyn.

Clique aqui para ter acesso ao trabalho.

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Fiocruz Bahia amplia suas atividades no Parque Tecnológico com instalação de novo Centro

assinaturaO diretor da Fiocruz Bahia, Manoel Barral Netto, e o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado (SECTI), Manoel Mendonça, assinaram, na última sexta-feira (29/07), um termo de cessão oficializando a entrega do espaço que abrigará uma nova estrutura da Fiocruz Bahia no Parque Tecnológico da Bahia: o Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (CIDACS). Fruto de fortes parcerias científicas entre Fiocruz Bahia, Fiocruz Brasília, UFBA, CIMATEC e a London School of Hygiene and Tropical Medicine (Reino Unido), o Centro vai congregar pesquisa, capacitação e processos de democratização do acesso a dados e conhecimento.

Dentre os objetivos do CIDACS, destaca-se o estudo dos efeitos de políticas sociais na saúde, através da realização de pesquisas e avaliações de programas governamentais. Com a inauguração prevista para início dezembro deste ano, a implantação da nova estrutura, por meio de avançados recursos computacionais e perspectiva multidisciplinar e integrativa, permitirá que grupos de pesquisa que já atuam em epidemiologia, bioinformática, estatística e computação, trabalhem em interação e de forma complementar.

De acordo com Manoel Barral Netto, a Fiocruz Bahia está ampliando a sua área de atuação. “A construção de um espaço geográfico de tratamento de grandes dados no Parque Tecnológico da Bahia aproxima a Fundação de outros parceiros que também trabalham com tratamento de dados para a saúde de uma forma abrangente”, avaliou o diretor.

Manoel Mendonça ressaltou que a Bahia é um estado que já tem tradição de pesquisa, principalmente na área de saúde coletiva. “Nós temos interesse de criar no Parque o que chamamos de área de atrito, que é trazer pesquisadores de várias origens e formações para trabalhar e criar coisas novas para sociedade baiana e brasileira”, frisou.

Produção de dados em saúde – O Centro abrigará projetos como da ‘Coorte de 100 milhões de brasileiros’ e a ‘Plataforma de Vigilância de Longo Prazo para a Zika e Microcefalia no âmbito do SUS’. Outros projetos incluem o desenvolvimento de ferramentas de apoio e análise para atenção básica à saúde, e projetos diversos no campo da biologia computacional e da bio-informática. Os pesquisadores irão dispor de infraestrutura inédita em termos de capacidade de armazenamento, segurança e análise de dados e será permitido que se utilize grandes bases de dados identificados, através de rigoroso sistema de proteção das informações pessoais.

Segundo Maurício Barreto, pesquisador da Fiocruz Bahia, com a produção massiva de dados de pesquisa em saúde, os recursos necessários para produção de conhecimento se ampliaram muito com a utilização de computação de alta velocidade. “A ideia é envolver pesquisadores de diferentes campos em saúde, mas que utilizem grandes bases de dados e que precisem de métodos para integrar e resolver problemas a partir desses dados”, explicou.

Outro importante papel do Centro ocorrerá no campo científico por meio da introdução e operacionalização do conceito de ciência aberta, que busca tornar a pesquisa científica e a divulgação de dados abertos a todos os setores da sociedade, com a lógica de permitir que o conhecimento gerado seja acessível a instituições de ensino e de pesquisa, gestores públicos, profissionais de saúde e a sociedade, em geral.

Seminário – Na ocasião da inauguração, será realizado um seminário comemorativo, envolvendo os pesquisadores do Centro, parceiros e especialistas nacionais e internacionais. A programação será definida em breve.

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Estudo sobre a subnotificação da dengue é publicado no Emerging Infectious Diseases

CDC Emerging 06Pesquisadores da Fiocruz Bahia, da Universidade Federal da Bahia, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da Yale University School of Public Health assinaram o artigo intitulado Accuracy of Dengue Reporting by National Surveillance System, Brazil, publicado no jornal médico Emerging Infectious Diseases. O estudo coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Guilherme Ribeiro, foi realizado entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011, com pacientes de uma unidade de emergência pública, em Salvador (BA).

De acordo com os autores da pesquisa, a dengue é uma doença subnotificada globalmente. No entanto, o grau de subnotificação no Brasil, país que mais notifica casos de dengue no mundo, permanecia desconhecida. Nesse contexto, os pesquisadores realizaram um estudo para avaliar a magnitude da subnotificação da doença no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Para a realização da pesquisa, foram coletadas amostras de sangue de pacientes com idade igual ou superior a 5 anos, que buscavam atendimento médico por uma doença febril aguda. Uma segunda amostra de sangue foi coletada na fase de convalescença, 15 dias depois. Empregando testes sorológicos e moleculares nas amostras de sangue coletadas, os pacientes incluídos no estudo foram classificados entre aqueles com e sem dengue.

Em seguida, os pesquisadores identificaram se os pacientes com e sem o diagnóstico laboratorial de uma infecção pelo vírus da dengue haviam sido oficialmente notificados para o Sinan, como caso suspeito da doença. No Brasil, a notificação de casos suspeitos é obrigatória.

Resultados – A pesquisa indicou que 1 em cada 4 pacientes atendidos por uma doença febril da unidade de emergência onde o estudo foi realizado tinha evidência laboratorial de infecção pelo vírus da dengue, no entanto, para cada 20 pacientes que o estudo permitiu identificar com tendo dengue, apenas 1 havia sido notificado ao Sinan. Esses e outros dados levaram os autores do estudo a concluírem que a vigilância tem subestimado, substancialmente, a carga da doença no Brasil.

Os pesquisadores ainda calcularam um fator multiplicador que permite estimar um número mais correto de casos da doença para cada caso que é notificado. Aplicando este fator de multiplicação, eles estimaram que a incidência anual média, oficialmente registrada em Salvador no período de estudo, de 303,8 casos/100.000 habitatantes, deve ter sido, na realidade de 3.645,7 casos/100.000 habitantes.

Clique aqui e acesse, na íntegra, o artigo publicado em fevereiro de 2016.

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Saúde confirma 1.749 casos de microcefalia no Brasil

Ministério da Saúde (MS)
agenciabrasil_microcefaliaNovo boletim do Ministério da Saúde, divulgado nesta quarta-feira (27/7), aponta que, até 23 de julho, foram confirmados 1.749 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita. Permanecem em investigação pelo Ministério da Saúde e pelos estados 3.062 casos suspeitos de microcefalia em todo o país.

Desde o início das investigações, em outubro do ano passado, 8.703 casos foram notificados ao Ministério da Saúde. Destes, 3.892 foram descartados por apresentarem exames normais, ou por apresentarem microcefalia ou malformações confirmadas por causa não infecciosas. Também foram descartados por não se enquadrarem na definição de caso.

Do total de casos confirmados (1.749), 272 tiveram confirmação por critério laboratorial específico para o vírus zika. O Ministério da Saúde, no entanto, ressalta que esse dado não representa, adequadamente, a totalidade do número de casos relacionados ao vírus. A pasta considera que houve infecção pelo zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia. Os 1.749 casos confirmados em todo o Brasil ocorreram em 609 municípios, localizados em todas as unidades da federação e no Distrito Federal.

No mesmo período, foram registrados 371 óbitos suspeitos de microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a gestação (abortamento ou natimorto) no país. Isso representa 4,3% do total de casos notificados. Destes, 106 foram confirmados para microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central. Outros 200 continuam em investigação e 65 foram descartados.

O Ministério da Saúde ressalta que está investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central informados pelos estados, além da possível relação com o vírus zika e outras infecções congênitas. A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do zika, como sífilis, toxoplasmose, outros agentes infecciosos, rubéola, citomegalovírus e herpes viral.

A pasta orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.

Confira tabela de distribuição dos casos notificados de microcefalia por UF, até 23 de julho de 2016.

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Prorrogadas as inscrições para a 8ª Obsma

CapturarPara dar oportunidade a um número maior de estudantes e professores da educação básica de participar da 8ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) decidiu prorrogar as inscrições de trabalhos. Os professores têm, agora, até o dia 15 de agosto de 2016, às 17:00, horário de Brasília, para inscreverem os trabalhos de seus alunos no site da Olimpíada.

Os trabalhos estão divididos nas modalidades de produção audiovisual, produção de texto ou projeto de ciências. Será premiado um trabalho de cada categoria (fundamental e médio), em cada uma das três modalidades pedidas, para cada região. Desses, um recebe o prêmio nacional. A cerimônia de premiação acontece em novembro, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.

A Obsma é um projeto educativo de extensão nacional criado pela Fiocruz, em 2001, com os objetivos de incentivar a realização de atividades interdisciplinares relacionadas a saúde, meio ambiente e qualidade de vida nas escolas brasileiras de educação básica, e também de conhecer, valorizar e divulgar essas atividades. Até o momento foram recebidas 200 inscrições, sendo esperados um total de mil trabalhos.

A Olimpíada, a cada dois anos, recebe, avalia e divulga projetos desenvolvidos por professores e alunos em sala de aula. Já foram recebidos trabalhos sobre preservação de recursos hídricos, problemas gerados pelo lixo, malefícios causados por agrotóxicos, entre outros, expressos em poesias, documentários, cordéis, pesquisas de campo, reportagens e projetos de reciclagem.

Clique aqui e acesse o regulamento.

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VII Curso avançado de Biologia Celular de Patógenos encerra com grande participação de estudantes

banner patogenosEncerrou-se, na última sexta-feira (22/7), o VII Curso de Biologia Celular de Patógenos, nas dependências da Fiocruz Bahia. Coordenado pelos pesquisadores Marcos André Vannier e Paulo Filemon Pimenta, o evento também contou com a participação de estudantes de países como Argentina, Colômbia e Uruguai.

O curso, que durou 2 semanas, teve como objetivo apresentar tecnologias inovadoras e avanços recentes da biologia celular de organismos patogênicos e de sua interação com células e tecidos hospedeiros de maior importância médica, particularmente, no continente sul-americano.

Marcos Vannier salientou que a participação e interesse dos estudantes foi muito perceptível e positiva, o que revelava o entusiasmo dos participantes. “A gente conseguiu atingir o objetivo de capacitar e de aperfeiçoar a formação desses estudantes. Acredito que eles aprenderam bastante e têm ferramentas para enfrentar seus projetos de tese, dissertação, ou até projetos de pós doutorado, mais aparelhados”, avaliou.

O evento teve como público-alvo estudantes de pós-graduação e pesquisadores interessados em pesquisas com enfoque em doenças infecto-parasitárias. Dentre as metas do curso, estão a difusão do uso apropriado de técnicas de microscopia e o entendimento de metodologias, promover o intercâmbio acadêmico entre nações do Cone-Sul e formar recursos humanos em biotecnologia.

A abertura do evento contou com a presença do diretor da Fiocruz Bahia, Manoel Barral Netto, e com a apresentação de Marcos André Vannier, que homenageou os pesquisadores da Fiocruz Bahia Sônia e Zilton Andrade.

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Infectious Diseases publica artigo sobre bioassinaturas entre pacientes com leishmaniose tegumentar

T-journal-infectous-diseases-01O estudo coordenado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia Valéria Borges, sobre a associação do perfil de produção de eicosanoides em diferentes manifestações clínicas da leishmaniose tegumentar, foi publicado no The Journal of Infectious Diseases. No artigo Differential Expression of the Eicosanoid Pathway in Patients With Localized or Mucosal Cutaneous Leishmaniasis, os pesquisadores descrevem como identificaram uma bioassinatura inflamatória distinta in situ e sistêmica entre os pacientes com leishmaniose cutânea localizada (LCL) e a forma clínica mucocutânea (LCM).

A leishmaniose tegumentar é uma doença transmitida por mosquito vetor, causada pelo parasita Leishmania, tendo como principal agente etiológico no Brasil a Leishmania braziliensis. Os eicosanoides participam da resposta imune como potentes mediadores da inflamação. A equipe de especialistas realizou um estudo exploratório transversal para avaliar se a via biossíntese dos eicosanoides no sítio da lesão cutânea e no plasma poderia estar associada a uma bioassinatura distinta entre as manifestações clínicas de pacientes com LCL e LMC.

Dessa forma, identificou-se que a expressão de enzimas e receptores e os níveis plasmáticos de prostaglandinas estão aumentados em LCL, enquanto os marcadores da via de lipoxigenases estão destacados em LCM. Os resultados indicaram que o balanço inflamatório entre leucotrienos e prostagladinas, principalmente a PGE2, poderia em parte contribuir para a imunopatogênese de LCL e LCM, servindo como alvos potenciais para futuras terapias direcionadas ao hospedeiro.

O estudo foi tema da tese de doutorado de Jaqueline França-Costa (Programa de Pós-gradução em Patologia Humana da Fiocruz Bahia/UFBA) e contou com o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Dentre os autores do estudo, estão os pesquisadores da Fiocruz Bahia Bruno B. Andrade, Ricardo Khouri, Johan Van Weyenbergh, Hayna Malta-Santos, Claire da Silva Santos, Cláudia I. Brodyskn, Jackson M. Costa, Aldina Barral, Viviane Boaventura e Valeria M. Borges.

Clique aqui para acessar o artigo.

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Apresentações sobre o vírus Zika têm destaque no XVI Epimol

 

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O XVI Curso Internacional de Epidemiologia Molecular em Doenças Infecciosas e Parasitárias Emergentes (XVI Epimol) encerra hoje suas atividades na Fiocruz Bahia. Com coordenação dos pesquisadores Mitermayer Galvão, Joice Neves e Luciano Kalabric, o evento que teve início no dia 17 de julho, foi especialmente elaborado para apresentar os princípios e práticas desta nova disciplina em epidemiologia, a profissionais de laboratório e epidemiologistas de instituições regionais representativas, envolvidas com doenças infecciosas de relevância para a saúde pública.

De acordo com Joice Neves, nesse ano, o curso teve participação maior de alunos estrangeiros e representantes das Organização Pan-Americanas de Saúde de países como Costa Rica, Moçambique e Benin. Em relação à programação “foi incluído o tema das arboviroses, principalmente do vírus Zika, que são abordagens muito recentes na ciência, enriquecendo muito o evento”, apontou. O curso contou com a participação de cerca de 60 pessoas.

O pesquisador Luciano Kalabric afirmou que o curso cumpriu seus objetivos. “A ideia não é de apenas treinar pessoas e oferecer o material didático para elas voltarem pra sua região de origem e treinarem outros profissionais. Também buscamos criar contatos entre pessoas do mundo todo, possibilitando que elas estabeleçam novas colaborações”, avaliou.

As aulas foram ministradas por especialistas do Brasil e EUA. As aulas teóricas apresentaram conceitos básicos em epidemiologia molecular com ênfase em métodos epidemiológicos práticos e os exercícios de laboratório apresentaram métodos que possam ser facilmente adaptados pela maioria dos laboratórios capazes de realizar PCR e análise simples de eletroforese de fragmentos de DNA e plasmídios.

O curso que se concentrou em problemas de doenças infecciosas emergentes e/ou re-emergentes, proporcionou, em seu primeiro dia, dois pré-cursos aos participantes: Introdução ao Programa Epi-Info e Métodos de Tipagem Molecular. A abertura contou com a presença do diretor da Fiocruz Bahia, Manoel Barral Netto, e com a apresentação do evento pelos coordenadores.

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Abertas as inscrições para o Curso de História da Medicina Tropical

Banner-site-3curso-historia2016Interessados em participar do Curso de História da Medicina Tropical para o semestre 2016.2 têm até o dia 29 de julho para se candidatar à vaga. Promovido pela Fiocruz Bahia, o curso tem caráter cultural e de conhecimentos gerais e visa levar ao aluno os fatos históricos que culminaram com a formação das bases do conhecimento sobre as chamadas doenças tropicais.

O público alvo são os estudantes de pós-graduação, mas podem se candidatar estudantes de graduação e profissionais da área da saúde. Respeitando o limite de 15 vagas por semestre, poderão ser selecionados candidatos de outras áreas do conhecimento que formalizarem o interesse e o compromisso em participar.

As entrevistas com os candidatos selecionados em 1ª etapa ocorrem de 02 a 09 de agosto. Ministrado sob a forma de seminários, as aulas iniciam no dia 16 de agosto e serão realizadas às terças-feiras, das 16h às 17h, nas dependências da Fiocruz Bahia.

Inscrição e mais informações no site do curso.

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Arca Fiocruz lança nova interface e versões em mais dois idiomas

Graça Portela (Icict/Fiocruz)

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O Arca: Repositório Institucional da Fiocruz lançou (12/7) uma nova versão utilizando a ferramenta DSPace 4.3, apresentando uma interface mais moderna e adequada à dinâmica da web. O novo Arca traz ainda, além do português, versões em inglês e espanhol, visando o público estrangeiro.

As melhorias são inúmeras – em grande parte não visíveis ao usuário, mas que trazem mais segurança no acesso e facilidades de uso -, tais como a alimentação automática de metadados a partir de um número identificador como DOI, PubMed ID, dentre outros, e a com base em arquivos de referências, como os gerados pelos gerenciadores de referências bibliográficas Zotero e EndNote. Na nova versão do Arca, é possível realizar consultas on-line ao diretório SHERPA-RoMeo, com informações sobre a política editorial do periódico, a partir do número de ISSN (sigla em inglês para Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas).

Além dessas, outras implementações que foram incluídas na versão 4.3 do DSPace possibilitaram melhorias sensíveis no cadastro de usuário, com a inclusão de dados como CPF, que ajudam na validação da Cessão de Direitos; inclusão de nome preferencial e nomes alternativos de autor, que visam a auxiliar implementações futuras em relação ao controle de autoridade. Outra novidade é a facilidade para a realização de autoarquivamento de obras – agora, o autor deverá incluir a unidade da Fundação a qual está vinculado, o que facilita o direcionamento interno automático.

Arca

Criado em 2007 e lançado oficialmente como repositório institucional em 2011, o Arca: Repositório Institucional da Fiocruz reúne, hospeda, disponibiliza e dá visibilidade à produção intelectual da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), visando ampliar a circulação do conhecimento, fortalecendo o compromisso institucional com o livre acesso da informação em saúde. Sua missão também inclui conferir transparência e incentivar a comunicação científica entre pesquisadores, educadores, acadêmicos, gestores, alunos de pós-graduação, bem como a sociedade civil. O Repositório é mantido pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).

No Arca, estão disponíveis para consulta: anais de congressos; artigos de periódicos; capítulos de livros; dissertações de mestrado e teses de doutorado dos alunos dos programas do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS) do Icict/Fiocruz e dos profissionais do Instituto; também estão disponíveis fotografias; livros publicados; manuais; procedimentos técnicos; patentes; recursos educacionais; relatórios de pesquisa e institucionais; revista; boletins; trabalhos apresentados em eventos e de conclusão de cursos; além de vídeos.

A plataforma já registra quase onze mil documentos depositados e o número de acessos atingiu em março mais de 60 mil/mês. Para falar sobre as expectativas com a nova versão do site do Repositório Institucional Arca, sua coordenadora Ana Maranhão, conversou com o site do Icict/Fiocruz. Confira a entrevista completa aqui.

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Combinação de medicamentos é aposta contra leishmanioses

Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

Na busca por um tratamento para as leishmanioses que dispense o uso de injeções e tenha menos efeitos colaterais, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) estudam o uso combinado de dois medicamentos que já estão disponíveis no mercado. Apesar de terem sido desenvolvidos para outros fins, o antidepressivo imipramina e o antifúngico miconazol têm potencial para agir contra os protozoários do gênero Leishmania, que causam a doença. Em um artigo publicado na revista Parasites & Vectors, os cientistas do Laboratório de Bioquímica de Tripanosomatídeos do IOC/Fiocruz apontam que esses fármacos de uso oral parecem agir através de mecanismos complementares. Os testes realizados em culturas de células – primeira etapa nas pesquisas de novos remédios – indicam que a combinação dos compostos permitiria utilizar doses reduzidas para combater os micro-organismos.

“Os produtos que já são licenciados passaram por testes de segurança que estão entre as etapas mais difíceis e caras do desenvolvimento de fármacos. Por isso, o reposicionamento de medicamentos é uma estratégia importante na busca por novas terapias, principalmente contra doenças negligenciadas como as leishmanioses”, explica Eduardo Caio Torres Santos, pesquisador do Laboratório de Bioquímica de Tripanosomatídeos do IOC/Fiocruz e coordenador do trabalho. “A imipramina e o miconazol são conhecidamente seguros. Ao associar as duas substâncias e reduzir as doses, podemos diminuir também os riscos de efeitos colaterais do tratamento”, acrescenta Valter Andrade Neto, pós-doutorando do mesmo Laboratório e primeiro autor do artigo.

Arte: Jefferson Mendes

Causadas por diferentes espécies de parasitos do gênero Leishmania, as leishmanioses podem se apresentar na forma cutânea, com feridas na pele; mucosa, com lesões na boca e no nariz; ou visceral, com danos em órgãos como fígado e baço. Em todos os casos, o tratamento da infecção costuma ser baseado nos antimoniais pentavalentes, uma classe de remédios utilizada desde a década de 1940, que pode causar diversos efeitos colaterais, incluindo danos ao coração, fígado, pâncreas e rins. Os remédios estão disponíveis apenas em formulações intravenosas e intramusculares, o que demanda a administração por um profissional de saúde. Além disso, nos casos em que os parasitos apresentam resistência aos medicamentos antimoniais, é necessário recorrer a fármacos ainda mais tóxicos, como a anfotericina B e a pentamidina.

Mecanismo de ação: achado inédito

Embora o potencial leishmanicida da imipramina tenha sido observado na década de 1980, seu mecanismo de ação contra os parasitos ainda não tinha sido descrito e a combinação com outras substâncias também nunca havia sido testada. Os experimentos feitos com a espécie Leishmania amazonensis – uma das causadoras da forma cutânea da infecção – apontam que o fármaco impede a síntese de uma molécula fundamental para a sobrevivência dos parasitos: o ergosterol, tipo de lipídeo que compõe a membrana dos micro-organismos, além de participar de vias de sinalização intracelular. De forma inédita, a pesquisa indica que a imipramina tem a capacidade de inibir uma enzima da L. amazonensischamada de C24-metiltransferase, que atua na fase final da síntese do ergosterol. “Este é um alvo interessante porque o ergosterol não é produzido em células de mamíferos. Logo, um fármaco que afeta a síntese dessa molécula não deve prejudicar o organismo dos pacientes”, comenta Eduardo Caio.

Utilizado para combater infecções causadas por fungos, o miconazol também bloqueia a síntese do ergosterol nos parasitos, porém usando um mecanismo de ação diferente: ele age sobre a enzima conhecida como C14-desmetilase. De acordo com Valter, o fato de os dois fármacos atuarem em pontos distintos da mesma via bioquímica é positivo para o efeito antiparasitário. Nos testes, a combinação dos fármacos apresentou efeito aditivo, ou seja, a ação de um somou-se à do outro. “Verificamos que não existe antagonismo entre imipramina e miconazol. Com o efeito aditivo, existe o potencial de usar quantidades menores de cada um dos fármacos e obter um resultado melhor”, destaca o pós-doutorando.

Realizados com a forma amastigota do parasito L. amazonensis – a mesma etapa do desenvolvimento do parasito que é encontrada nos pacientes –, os experimentos mostraram que as doses isoladas de imipramina e miconazol necessárias para matar cerca de 50% dos parasitos têm a eficácia muito aumentada quando usadas em conjunto, chegando a eliminar 90% dos micro-organismos. Em comparação, para alcançar o mesmo resultado utilizando somente miconazol, seria necessário dobrar a dose. Os testes confirmaram ainda que as duas substâncias – tanto separadas, como combinadas – não apresentam efeitos tóxicos para os macrófagos, células de defesa dos mamíferos que são infectadas pelos parasitos.

Próximas etapas

Ressaltando que o estudo ainda está na fase inicial, os pesquisadores consideram que os resultados indicam que a imipramina pode ser útil para o tratamento das leishmanioses, principalmente através da combinação com outros medicamentos. Segundo eles, além de agir diretamente sobre as leishmânias, o fármaco possui a capacidade de inibir a chegada de colesterol até esses micro-organismos, o que pode contribuir para a eficácia da terapia – um aspecto que pretendem investigar nas próximas etapas do trabalho. “Assim como o ergosterol produzido pelos parasitos, o colesterol produzido pelas células dos mamíferos é uma molécula de lipídeo da classe dos esteróis. Em pesquisas anteriores, observamos que as leishmânias passam a captar mais colesterol quando a síntese do ergosterol é bloqueada por fármacos. Imaginando que esse pode ser um mecanismo de escape desenvolvido pelos parasitos, consideramos que a imipramina pode assumir um efeito ainda mais importante”, explica Valter.

Para Eduardo Caio, é possível que o antidepressivo se torne um coadjuvante na terapia das leishmanioses, potencializando o efeito de fármacos do grupo químico do miconazol – conhecidos como azóis. Segundo o pesquisador, as substâncias desse grupo são muito potentes contra os parasitos do gênero Leishmania nos testes em laboratório, mas alguns ensaios clínicos mostraram eficácia reduzida nos pacientes. “Os azóis são utilizados há muitos anos para o tratamento de infecções causadas por fungos. Se a associação com a imipramina conseguir resgatar esses medicamentos como opções terapêuticas para as leishmanioses, teremos um grande benefício”, afirma.

Leia mais na Agência Fiocruz de Notícias sobre as formas de transmissão, prevenção e tratamento das leishmanioses.

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Fiocruz Bahia divulga o Relatório Anual 2015

baner-relatorioA Diretoria da Fiocruz Bahia torna público o Relatório Anual de 2015. Com objetivo de divulgar e documentar as atividades, ações e metas alcançadas no período, o documento está dividido em seções que contemplam a Pesquisa, o Ensino, a Gestão Administrativa e os Prêmios e Homenagens, além de trazer uma retrospectiva dos principais eventos ocorridos na instituição no ano passado e uma entrevista com a Vice-Presidente de Ensino da Fiocruz, Nísia Trindade. O Relatório destaca ainda a produção científica da Fiocruz Bahia e os avanços obtidos na produção do conhecimento e no desenvolvimento tecnológico.

Clique aqui e confira o documento na íntegra.

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Curso internacional reuniu especialistas em Patologia Molecular

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Disseminar os avanços nos conhecimentos em biologia molecular que estão sendo incorporados na compreensão de processos patológicos diversos foi o objetivo do Molecular Diagnostic Pathology Course: The Pathologist Role in The Era of Precision Oncology, que aconteceu nos dias 27 e 28 de junho, nas dependências da Fiocruz Bahia.

O diretor da Fiocruz Bahia, Manoel Barral Netto, abriu o evento que teve a programação dividida em conferências que visaram situar a patologia molecular no mundo e debater os desafios da implementação no Brasil, além da apresentação e discussão sobre técnicas moleculares de última geração (Next generation Sequencing Tecnology). Essas técnicas permitem o reconhecimento de certos padrões de expressão de moléculas que podem ser importantes para o tratamento, permitindo o que se chama de medicina personalizada.

De acordo com Isabela Cunha, do Hospital do Câncer A.C. Camargo e diretora do curso, a ideia é levar o conhecimento que foi produzido em São Paulo para outros locais do Brasil. “A oncologia avançou muito em tratamentos especializados e drogas especificas. Cada vez mais os patologistas e profissionais da área de diagnóstico precisam saber desse tratamentos e testes moleculares, que vão determinar qual tratamento o paciente vai precisar”, afirmou.

Promovido pelo A.C. Camargo de São Paulo, através da Escola de Patologia Oncológica Avançada Humberto Torloni (EPOAHT), o Curso, nesta edição, foi realizado em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Patologia Humana (PGPAT) da Fiocruz Bahia, além de contar com apoio da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP). Luiz Freitas, pesquisador da Fiocruz Bahia e um dos coordenadores do evento, ressaltou a importância da interação entre os participantes. “O curso foi extremamente interessante do ponto de vista da troca de experiência e alertou a gente para pensar seriamente no Brasil e passar a implantar essas técnicas que impactam nos diagnósticos de doenças como o câncer”, disse.

No total, foram oferecidas 110 vagas destinadas prioritariamente a estudantes do PGPAT, sócios da SBP e da EPOAHT, residentes em programas de patologia humana, oncologistas e médicos em geral. Os palestrantes participantes foram pesquisadores brasileiros da Fiocruz Bahia, e da A. C. Camargo Cancer Center e americanos de instituições como a North Shore University Health System, a University of California, e Johns Hopkins University.

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Projeto Zibra apresentou resultados em seminário na Fiocruz Bahia

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O Zika in Brasil Real Time Analysis, projeto itinerante de mapeamento genômico do vírus Zika, encerrou seu percurso no dia 17/06, em Salvador. Até o momento, foram analisadas amostras de 1247 pacientes que tinham perfil clínico da doença. Destas, 15% tiveram resultado positivo para o vírus. Na Bahia, os testes foram realizados em amostras de 172 pacientes (sangue, urina e saliva), coletadas pela Secretaria de Saúde de Feira de Santana e pelo Hospital Irmã Dulce, em Salvador. O resultado foi de 18 pacientes positivos para Zika. Cerca de 700 mosquitos também foram analisados.

Além da capital baiana, o projeto passou por mais cinco cidades do Nordeste: Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió (AL) e Feira de Santana (BA), coletando amostras e realizando a análise genômica do Zika, em um laboratório móvel contendo equipamentos de última geração. As pesquisas continuam em laboratório fixo, com as atividades de sequenciamento do genoma do vírus. O objetivo é atingir a marca de 750 cepas.

Segundo Luiz Alcântara, pesquisador da Fiocruz Bahia e coordenador do Zibra, o estudo permite que os cientistas entendam melhor as características genéticas do vírus e tracem quais mutações estão associadas a ele, desde o seu surgimento. Os dados de diagnóstico molecular foram entregues aos Lacens, ao laboratório referência de diagnóstico da Fiocruz Pernambuco e à coordenação de vigilância epidemiológica da secretaria de Saúde de Feira de Santana.

Ainda de acordo com o pesquisador, as amostras colhidas no ano de 2015 têm tido maior positividade no resultado, embora a maioria tenha sido de 2016. “Com a finalização do sequenciamento, vamos realizar a análise epidemiológica e evolutiva dos dados, os relatórios serão enviados às instituições participantes e ao Ministério da Saúde e vamos dar início à programação da segunda edição do Zibra, o primeiro funcionou como projeto piloto”, afirmou.

Inspirado na experiência da análise genômica do Ebola na África, durante o surto de 2014-2015, a análise das amostras foi feita através do OxfordNanopore MinION device, um sequenciador de DNA, de apenas 100g, que pode ser carregado por USB de um computador portátil. O equipamento é capaz de sequenciar 12 amostras simultaneamente em seis horas.

Um seminário foi realizado na ocasião do encerramento, no auditório da Fiocruz Bahia, pelos pesquisadores, que apresentaram os dados do projeto e aprofundaram as discussões na temática Zika. De acordo com o integrante do Zibra, Moritz Kraemer, da Universidade de Oxford, em 2015, 93% dos casos de Zika aconteceram na Bahia. “Essas pesquisas também vão ajudar a entender a magnitude de transmissão da doença e a associação do vírus aos riscos de microcefalia e desenvolvimento de anormalidades no sistema nervoso central, como a síndrome de Guillain-Barré”, explicou o pesquisador.

Clique aqui para acessar o site do projeto.

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Divulgada lista de selecionados para o Curso Internacional de Patologia Molecular

BANNER-SITESELEO Programa de Pós-Graduação em Patologia Humana (PGPAT) divulgou a lista de selecionados para o Molecular Diagnostic Pathology Course: The Pathologist Role in The Era of Precision Oncology, que acontece nos dias 27 e 28 de junho, nas dependências da Fiocruz Bahia. O curso é destinado prioritariamente a estudantes do PGPAT, sócios da SBP e da EPOATH, residentes em programas de patologia humana, oncologistas e médicos em geral.

Clique aqui e confira a lista.

 

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Biblioteca realiza curso sobre Estratégias de Busca no PubMed

Curso-pubmedO programa Treinamentos Continuados da Biblioteca de Ciências Biomédicas Eurydice Pires de Sant’Anna, da Fiocruz Bahia, oferece mais uma edição do curso sobre Estratégias de Busca no PubMed, no dia 17 de junho, das 15h às 17h, na sala de aula da Biblioteca.

Ensinar o aluno a explorar e utilizar de forma avançada o PubMed, manejar o MeSH, e mostrar estratégias eficientes e técnicas para busca de informação científica e revisões sistemáticas; são os objetivos do curso. Interessados deverão se inscrever pelo e-mail biblioteca@bahia.fiocruz.br, informando nome da instituição, setor, e-mail e telefones para contato. As vagas são limitadas.

Serviço:

Curso Estratégias de Busca no PubMed
Data: 17/06/2016
Horário: das 15h às 17h
Local: sala de aula da biblioteca da Fiocruz Bahia – Rua Waldemar Falcão, 121, Candeal – Salvador/BA

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Inscrição para seleção de Pós-Doutorado encerra dia 17/06

Interessados em participar da seleção de pós-doutorado pelo programa de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI) têm até o dia 17 de junho para se inscrever. Os candidatos devem possuir título de doutor, currículo atualizado na Plataforma Lattes do CNPq, não ser aposentado. As propostas devem ser alinhadas a uma das quatro áreas de concentração do programa.

Clique aqui para acessar o edital.

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Projeto itinerante realiza mapeamento genômico do vírus Zika

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O Zika in Brasil Real Time Analysis (ZIBRA), projeto que passa por seis cidades da região Nordeste com um laboratório móvel de análise genômica, para realizar pesquisa sobre epidemiologia molecular do vírus Zika, chega a Salvador no próximo domingo (12/06). Resultado da parceria entre Fiocruz Bahia, Instituto Evandro Chagas, Ministério da Saúde e universidades do Reino Unido, Canadá e Austrália, o objetivo do Zibra é ampliar o mapeamento genômico do vírus, para determinar a origem, sua diversidade genética, e a epidemiologia da doença, ajudando no combate à epidemia durante uma emergência de saúde pública.

Os pesquisadores partiram de Natal (RN), no dia 03 de junho, passaram por João Pessoa (PB) e seguiram para Recife (PE). O projeto tem parada ainda em Aracaju (SE) e Feira de Santana (BA), antes de chegar à capita baiana, que terá a Fiocruz Bahia como ponto final das análises. Os pesquisadores dispõem de um laboratório adaptado em um ônibus, que transporta a equipe e os materiais. O que torna a experiência possível é o uso do Oxford Nanopore MinION device, um sequenciador de DNA de última geração, com peso de apenas 100g, podendo ser carregado por USB de um computador portátil. O equipamento é capaz de sequenciar 12 amostras simultaneamente em seis horas.

Inspirado na experiência da análise genômica do Ebola na África, durante o surto de 2014-2015, o ZIBRA pretende sequenciar 750 cepas do Zika, levando em consideração os fatores geográficos e regionais da área do país mais afetada pela doença. Também serão incluídas amostras históricas e de pacientes com diferentes apresentações clínicas. A meta é identificar como e quando o Zika foi introduzido no país, além de apontar “o padrão e determinantes da disseminação por todo o país e localidades vizinhas, a extensão da diversidade genética (de importância para a vacina e design de diagnóstico), e se há existem associações entre as mudanças no genoma do vírus e a probabilidade de complicações ZIKV como microcefalia”.

O Brasil está sofrendo uma grande epidemia do vírus Zika. Além das manifestações clínicas da doença, têm-se evidências que o mesmo está relacionado com o aumento exponencial do número de casos de microcefalia em recém nascidos e a síndrome de Guillain- Barré. O pesquisador da Fiocruz Bahia, Luiz Alcântara, explicou que o vírus encontrado no Brasil guarda diferenças entre o encontrado na Ásia, contando ainda com a questão do hospedeiro e das diferenças biológicas.

“O projeto é importante não só para a geração de novas sequências do vírus ZIKA, mas também para identificarmos a necessidade de melhor orientação no diagnóstico molecular. Nos Laboratórios Centrais (Lacens), que passamos até o momento, o número de amostras positivas não passavam de 1% no universo já analisado. Nós estamos tendo em torno de 10%, confirmados pelo sequenciamento imediato”, avaliou Alcântara.

No dia 17/06, a partir das 9h, haverá um Simpósio sobre Zika, no auditório da Fiocruz Bahia.

Clique aqui e confira a programação.

Clique aqui e acesse o site do ZIBRA.

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Abertas as inscrições para Curso Internacional de Patologia Molecular

BANNER-SITE_2Estão abertas, até o dia 20 de junho, as inscrições para o Molecular Diagnostic Pathology Course: The Pathologist Role in The Era of Precision Oncology, que acontece nos dias 27 e 28 de junho, nas dependências da Fiocruz Bahia. Promovido pela promovido pelo Hospital do Câncer A. C Camargo de São Paulo, através de sua Escola de Patologia Oncológica Avançada Humberto Torloni (EPOAHT), o Curso, nesta edição, é realizado em parceria com o Fiocruz Bahia e seu Programa de Pós-Graduação em Patologia Humana (PGPAT), além de contar com apoio do Sociedade Brasileira de Patologia (SBP). São oferecidas 110 vagas para participantes, as inscrições são gratuitas. A lista de selecionados para participar do curso será divulgada dia 21/06.

Destinado prioritariamente a estudantes do PGPAT, sócios da SBP e da EPOATH, residentes em programas de patologia humana, oncologistas e médicos em geral, o Curso terá uma programação inicial dividida em conferências, que visam situar a patologia molecular no mundo e debater os desafios da implementação no Brasil, além da apresentação e discussão sobre técnicas moleculares de última geração (Next generation Sequencing Tecnology).

Foram confirmadas as presenças de pesquisadores brasileiros da Fiocruz Bahia, e da A. C. Camargo Cancer Center e americanos de instituições como a North Shore University Health System, a University of California, e Johns Hopkins University. De acordo com um dos coordenadores do evento, o pesquisador da Fiocruz Bahia, Luiz Antonio Freitas, as técnicas moleculares, para situações específicas, serão apresentadas pelos palestrantes, inclusive com demonstração de casos clínicos para discussão.

Clique aqui e acesse o hotsite do curso.

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Conferências Clinocopatológicas 2016 debateram patologia renal, hepática e da pele

CCP_2016_02Com o objetivo de promover discussões acerca das questões inerentes à comunicação interdisciplinar e transdisciplinar na área médica, a Fiocruz Bahia realizou, de 19 a 21 de maio, as Conferências Clínico-patológicas 2016 – Nefrologia, Hepatologia e Dermatologia. Coordenado pelos pesquisadores Washington dos Santos, Luiz Freitas e Sérgio Arruda, o evento teve como tema a Transformação de lesões anatomopatológicas em informação.

De acordo com Sérgio Arruda, “o evento proporcionou correlações entre clínicos e patologistas, contribuindo para troca de informações e manejo dos pacientes”. Um dos pontos de destaque foi a necessidade crescente de traduzir imagens em linguagem computacional. “As conferências ampliam as Interfaces com ciências computacionais, permitindo até ideias inovadoras, como de desenvolver softwares capazes de reconhecer padrões de lesões em doenças humanas”, explicou Luiz Freitas.

Na programação, o primeiro dia contou com a realização do curso Interpretando Lesões Anatomopatológicas em Pele, Fígado e Rim, voltado para médicos e estudantes de medicina. O segundo dia, pela manhã, foi realizada uma conferência que reuniu especialistas nas áreas de nefrologia, hepatologia e dermatologia, com o objetivo de discutir os avanços em medicina investigativa e assistencial. “A reunião com dermatologistas contribuiu com um update importante na área de educação continuada e no desenvolvimento tecnológico”, frisou Washington dos Santos.

Já no período da tarde, aconteceu o Seminário Anual de Pesquisas do PathoSpotter, direcionado a médicos patologistas e profissionais e estudantes das áreas de matemática e ciências da computação, seguido da tradicional Sessão Anatomo-clínica para médicos e graduandos de medicina. O evento foi encerrado no sábado, com a realização de uma oficina de Dermatopatologia e as reuniões ordinárias dos clubes de especialidades em Patologia: o Clube do Fígado e o Clube do Rim.

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