Apresentações sobre o vírus Zika têm destaque no XVI Epimol

 

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O XVI Curso Internacional de Epidemiologia Molecular em Doenças Infecciosas e Parasitárias Emergentes (XVI Epimol) encerra hoje suas atividades na Fiocruz Bahia. Com coordenação dos pesquisadores Mitermayer Galvão, Joice Neves e Luciano Kalabric, o evento que teve início no dia 17 de julho, foi especialmente elaborado para apresentar os princípios e práticas desta nova disciplina em epidemiologia, a profissionais de laboratório e epidemiologistas de instituições regionais representativas, envolvidas com doenças infecciosas de relevância para a saúde pública.

De acordo com Joice Neves, nesse ano, o curso teve participação maior de alunos estrangeiros e representantes das Organização Pan-Americanas de Saúde de países como Costa Rica, Moçambique e Benin. Em relação à programação “foi incluído o tema das arboviroses, principalmente do vírus Zika, que são abordagens muito recentes na ciência, enriquecendo muito o evento”, apontou. O curso contou com a participação de cerca de 60 pessoas.

O pesquisador Luciano Kalabric afirmou que o curso cumpriu seus objetivos. “A ideia não é de apenas treinar pessoas e oferecer o material didático para elas voltarem pra sua região de origem e treinarem outros profissionais. Também buscamos criar contatos entre pessoas do mundo todo, possibilitando que elas estabeleçam novas colaborações”, avaliou.

As aulas foram ministradas por especialistas do Brasil e EUA. As aulas teóricas apresentaram conceitos básicos em epidemiologia molecular com ênfase em métodos epidemiológicos práticos e os exercícios de laboratório apresentaram métodos que possam ser facilmente adaptados pela maioria dos laboratórios capazes de realizar PCR e análise simples de eletroforese de fragmentos de DNA e plasmídios.

O curso que se concentrou em problemas de doenças infecciosas emergentes e/ou re-emergentes, proporcionou, em seu primeiro dia, dois pré-cursos aos participantes: Introdução ao Programa Epi-Info e Métodos de Tipagem Molecular. A abertura contou com a presença do diretor da Fiocruz Bahia, Manoel Barral Netto, e com a apresentação do evento pelos coordenadores.

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Combinação de medicamentos é aposta contra leishmanioses

Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

Na busca por um tratamento para as leishmanioses que dispense o uso de injeções e tenha menos efeitos colaterais, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) estudam o uso combinado de dois medicamentos que já estão disponíveis no mercado. Apesar de terem sido desenvolvidos para outros fins, o antidepressivo imipramina e o antifúngico miconazol têm potencial para agir contra os protozoários do gênero Leishmania, que causam a doença. Em um artigo publicado na revista Parasites & Vectors, os cientistas do Laboratório de Bioquímica de Tripanosomatídeos do IOC/Fiocruz apontam que esses fármacos de uso oral parecem agir através de mecanismos complementares. Os testes realizados em culturas de células – primeira etapa nas pesquisas de novos remédios – indicam que a combinação dos compostos permitiria utilizar doses reduzidas para combater os micro-organismos.

“Os produtos que já são licenciados passaram por testes de segurança que estão entre as etapas mais difíceis e caras do desenvolvimento de fármacos. Por isso, o reposicionamento de medicamentos é uma estratégia importante na busca por novas terapias, principalmente contra doenças negligenciadas como as leishmanioses”, explica Eduardo Caio Torres Santos, pesquisador do Laboratório de Bioquímica de Tripanosomatídeos do IOC/Fiocruz e coordenador do trabalho. “A imipramina e o miconazol são conhecidamente seguros. Ao associar as duas substâncias e reduzir as doses, podemos diminuir também os riscos de efeitos colaterais do tratamento”, acrescenta Valter Andrade Neto, pós-doutorando do mesmo Laboratório e primeiro autor do artigo.

Arte: Jefferson Mendes

Causadas por diferentes espécies de parasitos do gênero Leishmania, as leishmanioses podem se apresentar na forma cutânea, com feridas na pele; mucosa, com lesões na boca e no nariz; ou visceral, com danos em órgãos como fígado e baço. Em todos os casos, o tratamento da infecção costuma ser baseado nos antimoniais pentavalentes, uma classe de remédios utilizada desde a década de 1940, que pode causar diversos efeitos colaterais, incluindo danos ao coração, fígado, pâncreas e rins. Os remédios estão disponíveis apenas em formulações intravenosas e intramusculares, o que demanda a administração por um profissional de saúde. Além disso, nos casos em que os parasitos apresentam resistência aos medicamentos antimoniais, é necessário recorrer a fármacos ainda mais tóxicos, como a anfotericina B e a pentamidina.

Mecanismo de ação: achado inédito

Embora o potencial leishmanicida da imipramina tenha sido observado na década de 1980, seu mecanismo de ação contra os parasitos ainda não tinha sido descrito e a combinação com outras substâncias também nunca havia sido testada. Os experimentos feitos com a espécie Leishmania amazonensis – uma das causadoras da forma cutânea da infecção – apontam que o fármaco impede a síntese de uma molécula fundamental para a sobrevivência dos parasitos: o ergosterol, tipo de lipídeo que compõe a membrana dos micro-organismos, além de participar de vias de sinalização intracelular. De forma inédita, a pesquisa indica que a imipramina tem a capacidade de inibir uma enzima da L. amazonensischamada de C24-metiltransferase, que atua na fase final da síntese do ergosterol. “Este é um alvo interessante porque o ergosterol não é produzido em células de mamíferos. Logo, um fármaco que afeta a síntese dessa molécula não deve prejudicar o organismo dos pacientes”, comenta Eduardo Caio.

Utilizado para combater infecções causadas por fungos, o miconazol também bloqueia a síntese do ergosterol nos parasitos, porém usando um mecanismo de ação diferente: ele age sobre a enzima conhecida como C14-desmetilase. De acordo com Valter, o fato de os dois fármacos atuarem em pontos distintos da mesma via bioquímica é positivo para o efeito antiparasitário. Nos testes, a combinação dos fármacos apresentou efeito aditivo, ou seja, a ação de um somou-se à do outro. “Verificamos que não existe antagonismo entre imipramina e miconazol. Com o efeito aditivo, existe o potencial de usar quantidades menores de cada um dos fármacos e obter um resultado melhor”, destaca o pós-doutorando.

Realizados com a forma amastigota do parasito L. amazonensis – a mesma etapa do desenvolvimento do parasito que é encontrada nos pacientes –, os experimentos mostraram que as doses isoladas de imipramina e miconazol necessárias para matar cerca de 50% dos parasitos têm a eficácia muito aumentada quando usadas em conjunto, chegando a eliminar 90% dos micro-organismos. Em comparação, para alcançar o mesmo resultado utilizando somente miconazol, seria necessário dobrar a dose. Os testes confirmaram ainda que as duas substâncias – tanto separadas, como combinadas – não apresentam efeitos tóxicos para os macrófagos, células de defesa dos mamíferos que são infectadas pelos parasitos.

Próximas etapas

Ressaltando que o estudo ainda está na fase inicial, os pesquisadores consideram que os resultados indicam que a imipramina pode ser útil para o tratamento das leishmanioses, principalmente através da combinação com outros medicamentos. Segundo eles, além de agir diretamente sobre as leishmânias, o fármaco possui a capacidade de inibir a chegada de colesterol até esses micro-organismos, o que pode contribuir para a eficácia da terapia – um aspecto que pretendem investigar nas próximas etapas do trabalho. “Assim como o ergosterol produzido pelos parasitos, o colesterol produzido pelas células dos mamíferos é uma molécula de lipídeo da classe dos esteróis. Em pesquisas anteriores, observamos que as leishmânias passam a captar mais colesterol quando a síntese do ergosterol é bloqueada por fármacos. Imaginando que esse pode ser um mecanismo de escape desenvolvido pelos parasitos, consideramos que a imipramina pode assumir um efeito ainda mais importante”, explica Valter.

Para Eduardo Caio, é possível que o antidepressivo se torne um coadjuvante na terapia das leishmanioses, potencializando o efeito de fármacos do grupo químico do miconazol – conhecidos como azóis. Segundo o pesquisador, as substâncias desse grupo são muito potentes contra os parasitos do gênero Leishmania nos testes em laboratório, mas alguns ensaios clínicos mostraram eficácia reduzida nos pacientes. “Os azóis são utilizados há muitos anos para o tratamento de infecções causadas por fungos. Se a associação com a imipramina conseguir resgatar esses medicamentos como opções terapêuticas para as leishmanioses, teremos um grande benefício”, afirma.

Leia mais na Agência Fiocruz de Notícias sobre as formas de transmissão, prevenção e tratamento das leishmanioses.

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LASP – Laboratório Avançado de Saúde Pública

O Laboratório Avançado de Saúde Pública (LASP) foi implantado no Instituto Gonçalo Moniz em 1988, inicialmente como Centro de Referência para o Isolamento e Caracterização do HIV no Brasil e para o Diagnóstico das Retroviroses Humanas. No final dos anos 1990, foi incluída uma nova linha de pesquisa sobre o HTLV, ocasião em que foi demostrado uma alta prevalência deste vírus em doadores de banco de sangue, sendo Salvador a capital com maior prevalência.

No início dos anos 2000, após a demostração de que cerca de 2% da população desta cidade estava infectada pelo HTLV, cerca de 50.000 pessoas, decidiu-se pela criação de um centro multidisciplinar, voltado essencialmente para a assistência destes pacientes. Desta maneira, por meio de um convênio entre a Fundação Bahiana para o Desenvolvimento da Ciência (FBDC) e a Fiocruz foi inaugurado, em 2002, o Centro Integrado de HTLV (CHTLV) no campus de Brotas da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP).

Atualmente, o LASP desenvolve estudos em retrovírus humanos e doenças infecciosas associadas, especialmente tuberculose e leishmaniose, na identificação de biomarcadores imunológicos associados ao desenvolvimento de doenças e na prevalência e impacto das doenças infecciosas associadas aos retrovírus. No contexto da infecção por HTLV, busca-se identificar fármacos com a capacidade de modular a resposta imune de indivíduos infectados por este vírus.

 

Gestão
Layse pereira de carvalho
Maria eugenia pondé de góes
Rita de cassia jesus de santana
Apoio Técnico-Científico
Jurema santos carrilho
Noilson lázaro sousa gonçalves

 

 

Telefone: +55 (71) 3176-2213
E-mail: lasp@bahia.fiocruz.br

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Doenças Parasitárias

As enfermidades parasitárias são a principal área de atuação da Fiocruz Bahia, com ênfase nas leishmanioses, doença de Chagas e helmintíases.

Os grupos de pesquisa da instituição trabalham intensamente tanto na Leishmaniose Cutânea quanto na Leishmaniose Visceral, com estudos dirigidos para a interação Leishmania-hospedeiro (humano e canino), no desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao diagnóstico e no cuidado aos pacientes (novas drogas e vacinas). As pesquisas também estão voltadas para investigação de aspectos básicos da biologia do parasita, bem como de aspectos relacionados à patogênese e à inflamação.

Já a produção científica relacionada à doença de Chagas envolve estudos sobre o Trypanosoma cruzi  na busca por novas drogas derivadas de produtos naturais para o tratamento dessa patologia, além de promover uma interface com a medicina regenerativa, pois vem investigando no uso de células-tronco para promover a regeneração do tecido cardíaco.

Quanto às helmintíases, os pesquisadores da Fiocruz Bahia realizam estudos de base populacional sobre os efeitos da presença de Schistosoma mansoni, Toxocara e Ascaris no desenvolvimento da asma e atopia, assim como estudos envolvendo genética de população e alterações histopatológicas decorrentes da infecção por esses parasitas.

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