Vigilância em saúde do futuro: Projeto AESOP em destaque na África do Sul

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A Fiocruz marcou presença no Global Sustainable Technology & Innovation Community (G-STIC) 2025, realizado em Pretória, África do Sul, no início do mês de outubro, com a apresentação dos avanços do projeto AESOP (Alert-Early System of Outbreaks with Pandemic Potential). Em uma mesa-redonda, Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz, falou sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde pública; o projeto brasileiro mostrou como ciência, dados e tecnologia podem ser aliados no enfrentamento de riscos sanitários cada vez mais complexos.

Desde sua apresentação no G-STIC 2023, o ÆSOP vem evoluindo como uma ferramenta estratégica de vigilância epidemiológica, com foco especial na detecção precoce de surtos e no fortalecimento de sistemas de alerta com base em equidade. 

O sistema é fruto de uma colaboração entre a Fiocruz Bahia, a COPPE/UFRJ e o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), e integra inovação tecnológica com políticas públicas de saúde.

A pesquisadora Viviane Boaventura acredita que participar da mesa-redonda e apresentar o AESOP, “impõe vários desafios com a emergência e reemergência de doenças”, e afirma que “essas ferramentas são necessárias para o enfrentamento desses desafios que estão por vir”.

Crise climática, desigualdades e vigilância em saúde

Durante o painel, representantes do projeto destacaram como ondas de calor, poluição e desigualdades sociais agravam o risco de doenças nas populações mais vulneráveis. Em um mundo em transformação, com desequilíbrios ambientais e maior circulação de vírus zoonóticos, a vigilância tradicional precisa ser fortalecida por soluções inteligentes.

Do big data à ação em saúde pública

O diferencial do ÆSOP está na sua capacidade de transformar big data em inteligência acionável.

Utilizando dados administrativos, ambientais e epidemiológicos, o sistema permite que autoridades de saúde tomem decisões baseadas em evidências antes que a transmissão de uma doença se intensifique. Com isso, aumenta-se a capacidade de resposta e reduz-se o impacto de possíveis epidemias.

“O projeto envolve desenvolvimento de estratégias em educomunicação voltado para profissionais da atenção primária. Outra área de atuação envolve a equipe de análise molecular que vem realizando treinamentos junto aos LACENs”, explica Boaventura. 

Desenvolvido em diálogo contínuo com gestores municipais, estaduais e federais, o ÆSOP está em constante aprimoramento para garantir sua aplicabilidade no dia a dia dos sistemas públicos de saúde. Com a forte atuação da Fiocruz Bahia em doenças infecciosas, o AESOP está sendo adaptado para arboviroses e para síndromes diarreicas. “O conhecimento da nossa equipe nos aspectos epidemiológico, clínicos e moleculares nessas áreas tem sido muito importante para o desenvolvimento e implementação do sistema”. diz a pesquisadora.

Tecnologia a serviço da equidade

Mais do que uma ferramenta tecnológica, o ÆSOP é um exemplo de como a inovação pode ser orientada por valores como equidade e justiça social. O projeto aposta na colaboração entre instituições, setores e países para construir soluções sustentáveis que salvam vidas e promovem sistemas de saúde mais resilientes.

“O AESOP caminha na implementação do sistema nos estados brasileiros e, em breve, deverá iniciar na Bahia”, conclui Viviane.

por Iana Motta

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