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Uma pesquisa apresentou uma proposta inovadora para o tratamento da leishmaniose cutânea com o uso de vesÃculas extracelulares (EVs) derivadas de células-tronco mesenquimais do cordão umbilical humano como uma estratégia terapêutica promissora. O estudo, liderado pela pesquisadora Camila Indiani, da Fiocruz Bahia, e executado por Pedro Borba, em colaboração com os pesquisadores Juliana Perrone, Bruno Solano e Zaquer Costa-Ferro, foi publicado no periódico Stem Cell Research and Therapy.
A leishmaniose cutânea, transmitida pela picada de mosquitos infectados e causada pelo protozoário Leishmania braziliensis, é caracterizada por úlceras crônicas de difÃcil cicatrização, intensa inflamação e impacto psicossocial devido ao estigma das lesões visÃveis. O tratamento com antimoniais pentavalentes, embora amplamente utilizado, apresenta eficácia limitada e efeitos colaterais significativos, destacando a necessidade de novas terapias mais seguras e regenerativas.
Nesse sentido, o estudo mostrou que as vesÃculas extracelulares podem ser utilizadas como uma ferramenta imunomoduladora. Em experimentos com macrófagos (células hospedeiras do parasita) infectados por L. braziliensis, o tratamento com EVs reduziu significativamente a infecção e modulou o perfil de ativação dos macrófagos, aumentando a produção de citocinas regulatórias e de citocinas essenciais à eliminação do parasita.
A investigação mostrou que as EVs são capazes de estimular a migração de queratinócitos, células primordiais no processo de cicatrização, indicando seu papel na regeneração tecidual. Em modelo in vivo de leishmaniose cutânea, o tratamento intravenoso com EVs resultou em redução significativa do tamanho das lesões, reforçando o potencial dessas partÃculas como uma terapia adjunta eficaz no tratamento da leishmaniose cutânea.
Esses resultados reforçam o potencial das vesÃculas extracelulares derivadas de células-tronco como uma alternativa terapêutica promissora para a leishmaniose cutânea. Os pesquisadores concluÃram que essas partÃculas podem complementar o tratamento padrão, oferecendo uma abordagem mais segura, eficaz e com potencial regenerativo.
Por Jamile Araújo, sob supervisão de Dalila Brito

