Vacina em dose única contra a dengue começa a ser aplicada na Bahia

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O Governo Federal destinou 2.648 doses, já encaminhadas às salas de vacinação da rede municipal para o grupo prioritário.

O Brasil dá um passo histórico no combate à dengue com a nova vacina em dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan. Em um país que enfrenta epidemias frequentes, essa novidade representa mais proteção e mais facilidade para a população.

Nesta primeira semana de março, a equipe de profissionais de saúde que participaram do estudo começou a receber a vacina. A pesquisadora da Fiocruz Bahia, Viviane Boaventura, que coordenou um dos centros de pesquisa do estudo, foi receber a vacina na UBS Prof. José Maria de Magalhães Netto — unidade que serviu como base para o ensaio clínico que avaliou o imunizante na Bahia.

Nesta primeira semana de março, a equipe de profissionais de saúde que participaram do estudo começou a receber a vacina. A pesquisadora da Fiocruz Bahia, Viviane Boaventura, que coordenou um dos centros de pesquisa do estudo, foi receber a vacina na UBS Prof. José Maria de Magalhães Netto — unidade que serviu como base para o ensaio clínico que avaliou o imunizante na Bahia.

O momento simboliza a transição da pesquisa científica para a aplicação direta no Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecendo a integração entre ciência, território e políticas públicas. “A aprovação da vacina do Instituto Butantan é um marco histórico no controle da dengue no Brasil e no mundo, ao oferecer um imunizante de alta eficácia e testado na nossa população. É a primeira vacina em dose única aprovada no mundo, o que facilita a logística de vacinação e aumenta a adesão da população”, destacou a pesquisadora.

Segurança comprovada em estudo com milhares de voluntários

A segurança da vacina foi avaliada em um amplo ensaio clínico que acompanhou mais de 16 mil voluntários em diferentes regiões do país por cinco anos. Os resultados demonstraram um ótimo perfil de segurança, com monitoramento rigoroso de possíveis eventos adversos e acompanhamento prolongado dos participantes.

Além da segurança, o estudo também evidenciou eficácia significativa e duradoura. Após 5 anos do estudo, a vacina apresentou 65% de proteção, variando de 58% a 71% de eficácia global contra a dengue sintomática. “A eficácia chega a cerca de 80% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme, e no ensaio clínico houve 100% de proteção contra hospitalizações. Nenhuma pessoa vacinada precisou ser internada por dengue”, ressaltou Viviane Boaventura.

Segundo a pesquisadora, os números têm impacto direto na saúde pública. Esses resultados foram publicados em um artigo na prestigiada revista científica Nature Medicine.
“Isso se traduz em menos casos graves, menos mortes e menor sobrecarga dos hospitais, especialmente durante períodos de epidemia.”

A vantagem estratégica da dose única

Um dos principais diferenciais do imunizante é o esquema em dose única, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para pessoas entre 12 e 59 anos.
Ao contrário de vacinas que exigem duas ou mais aplicações, a estratégia de dose única simplifica toda a cadeia de vacinação: reduz custos logísticos, diminui perdas por abandono do esquema e facilita a ampliação da cobertura vacinal, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade.

“A resposta imunológica considerada completa ocorre cerca de 28 dias após a dose única. A proteção começa a aparecer nas primeiras duas semanas e se consolida em torno de quatro semanas”, explicou a pesquisadora. Os estudos também indicam duração prolongada da proteção, com manutenção de boa eficácia por 5 anos.

Vacinação começa por profissionais da atenção primária

Nesta etapa inicial, a vacinação será direcionada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde. Ao todo, o Governo Federal destinou 2.648 doses, já encaminhadas às salas de vacinação da rede municipal.

O público prioritário inclui médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, cirurgiões-dentistas e integrantes das equipes multiprofissionais, como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos.
Também fazem parte da estratégia agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e profissionais administrativos e de apoio que atuam nas Unidades Básicas de Saúde.

Vacina complementa combate ao mosquito

Apesar do avanço científico, especialistas ressaltam que a vacina não substitui outras estratégias de prevenção. “A vacina não substitui as ações de controle do mosquito Aedes aegypti. Ela complementa essas estratégias”, enfatizou Viviane Boaventura.

Adicionalmente, o mosquito também transmite outras doenças, como zika e chikungunya, o que exige uma abordagem integrada de vigilância e prevenção.
Segundo a pesquisadora, vacinação, controle do mosquito e organização dos serviços de saúde formam um tripé essencial para reduzir o impacto das arboviroses no país.

Desinformação ainda é desafio

Outro ponto de atenção é o combate à desinformação, que pode afetar a adesão às campanhas de vacinação. “Boatos sobre efeitos colaterais e confusão entre diferentes vacinas minam a confiança da população”, alertou. A orientação é buscar sempre informações em fontes oficiais e com profissionais de saúde.

Em um país onde a dengue permanece como uma ameaça recorrente, a vacina em dose única surge como uma estratégia segura, eficaz e mais acessível de proteção coletiva, reforçando o papel da ciência brasileira no enfrentamento de um dos principais desafios da saúde pública.

Por Alana Bitencourt com supervisão de Iana Motta

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