Discente: Monalisa da Silva Chaves Cavalcanti
Orientadora:Dra. Jennifer Braathen Salgueiro
Coorientadora:Dra. Maria Teresita Del Nino Jesus Fernandez Bendicho
Título da Dissertação: “ANÁLISE DE SOBREVIDA DE PACIENTES PEDIÁTRICOS COM LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA TRATADOS COM TRIÓXIDO DE ARSÊNIO E ÁCIDO TRANSRETINÓICO EM UMA INSTITUIÇÃO FILANTRÓPICA DE SALVADOR/BAHIA“.
Programa: Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional
Data: 10/11/2025
Horário: 14H
Local: Sala virtual Zoom Educacional 04
ID da reunião: 833 5282 6045
Senha: defesa
Titulares:
Dra. Mecneide Mendes Lins – IMIP
Dra. Maria da Conceição Chagas de Almeida – IGM/FIOCRUZ
Dra. Jennifer Braathen Salgueiro – INI/FIOCRUZ (Orientadora e Presidente da Banca)
CAVALCANTI, Monalisa da Silva Chaves. Análise de sobrevida de pacientes
pediátricos com leucemia promielocítica aguda tratados com trióxido de arsênio e
ácido transretinóico em uma instituição filantrópica de Salvador/Bahia. 2025. 87 f.
il. Dissertação (Mestrado Profissional em Pesquisa Clínica e Translacional) – Instituto
Gonçalo Moniz, Fundação Oswaldo Cruz, Salvador, 2025.
RESUMO
Introdução: A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo raro e grave da
leucemia mieloide aguda, caracterizado pela fusão gênica PML-RARA. Avanços
terapêuticos com o uso combinado de ácido transretinóico (ATRA) e trióxido de arsênio
(ATO) têm melhorado significativamente o prognóstico, mas ainda há escassez de dados
sobre sua utilização em pacientes pediátricos. Objetivo: Avaliar a sobrevida global (SG)
e sobrevida livre de eventos (SLE), de pacientes pediátricos submetidos ao protocolo de
tratamento com ATO e ATRA para LPA atendidos em um Serviço de Oncologia
Pediátrica de uma Instituição Filantrópica em Salvador/Bahia. Metodologia: Trata-se de
um estudo descritivo, observacional e retrospectivo, do tipo Série de casos, com dados
clínicos, laboratoriais e epidemiológicos de pacientes entre 0 e 18 anos, recémdiagnosticados com LPA e tratados com ATRA e ATO no período de 2018 a 2022. Os
dados foram coletados de registros de prontuários físicos e eletrônicos. Foram analisadas
as taxas de alcance de remissão hematológica e molecular, de mortalidade indutória e
índice cumulativo de recidiva em 2 anos. A SG e SLE em 2 anos foram estimadas
mediante método de Kaplan-Meier, dispondo do teste de log-rank para comparação entre
grupos. Os eventos adversos e toxicidades foram classificados conforme o NCI Common
Terminology Criteria for Adverse Events, versão 5.0. Resultados: Vinte e dois pacientes
foram avaliados. A amostra foi composta majoritariamente pelo gênero masculino
(63,6%), cor parda (81,8%) e residentes do interior da Bahia (86,4%). A idade média ao
diagnóstico foi de 10,45 anos. A leucometria inicial superior a 10.000/mm³ foi observada
na maioria dos pacientes (59,1%), com predomínio da morfologia clássica M3 (77,3%) e
da expressão negativa de CD56 (81,8%) e CD2 (63,6%). A presença de sangramento
ocorreu em 95,5% dos pacientes, sendo predominantemente de origem mucosa e cutânea.
Na estratificação, 59,1% foram classificados como alto risco e 40,9% como Standard, com diferença estatisticamente significativa na leucometria entre os grupos de risco (p <
0,05). A mortalidade precoce ocorreu em 22,7% dos casos, restrita à fase de indução. A
taxa de resposta morfológica após a indução foi de 100%, e todos os pacientes avaliados
apresentaram remissão molecular ao término da consolidação. A incidência cumulativa
de recidiva em 2 anos para todo o grupo correspondeu a 11,7%. A SG estimada em 2 anos
foi de 77,3%, e a SLE foi de 68,2% em toda a coorte, sem diferenças significativas quando
avaliada entre os grupos de risco. As toxicidades foram mais frequentes na fase de
indução (86,4%), em pacientes de alto risco (56,8%), com predominância de eventos
leves a moderados (61,4%) e de natureza não hematológica (61,4%). Conclusão: O uso
combinado de ATRA e ATO apresenta resultados promissores fora do contexto de
ensaios clínicos, embora a mortalidade precoce permaneça como um desafio. Os achados
reforçam a importância do diagnóstico precoce, estratificação individualizada e suporte
intensivo, além da necessidade de estudos adicionais para otimizar o manejo terapêutico
considerando fatores institucionais e socioeconômicos.
Palavras-chave: Leucemia Promielocítica Aguda. Pediatria. Trióxido de Arsênio.
Sobrevida.

