Tese analisa células endoteliais, dapsona e polimorfismos genéticos como moduladores da interação hospedeiro–Schistosoma mansoni sob estresse oxidativo e terapia farmacológica

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Aluna: Bruna Oliveira Lopes Souza

Orientador:  Dr. Ricardo Riccio Oliveira

Título: “Células endoteliais, dapsona e polimorfismos genéticos como moduladores da interação hospedeiro–Schistosoma mansoni sob estresse oxidativo e terapia farmacológica”.

Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana-UFBA /FIOCRUZ

Data: 15/08/2025

Horário: 13H

Local: Sala de Videoconferência

Suplente: Dra. Natália Machado Tavares – IGM/FIOCRUZ

Titulares da Banca:

Dra. Joelma Nascimento de Souza – UFBA
Dr. Filipe Ferreira de Almeida Rego -IGM/FIOCRUZ
Dr. Leonardo Paiva Farias – IGM/FIOCRUZ
Dr. Luciano Kalabric Silva – IGM/FIOCRUZ
Dr. Ricardo Riccio Oliveira – IGM/FIOCRUZ

Resumo

INTRODUÇÃO: A esquistossomose é uma doença parasitária prevalente em países tropicais em desenvolvimento, e o praziquantel (PZQ) é a principal droga utilizada para o tratamento. No entanto, relatos de falha terapêutica têm sido descritos. Fatores do hospedeiro, como a produção de enzimas antioxidantes, especialmente a catalase, podem contribuir para a manutenção da viabilidade do parasito. Um dos metabólitos da dapsona, a dapsona hidroxilamina (DDS-NOH), é conhecido por inibir a catalase.
Assim, a redução da resposta antioxidante do hospedeiro, especialmente pela inibição da catalase, poderia potencializar o efeito do PZQ. OBJETIVO: Avaliar, in vitro e em modelo experimental, o efeito da dapsona e de seu metabólito DDS-NOH na viabilidade do Schistosoma mansoni, além de investigar, em população residente em área endêmica, a frequência de polimorfismos nos genes CAT, TSLP e IL33, e suas
associações com a presença de infecção por helmintos e indicadores laboratoriais de morbidade. METODOLOGIA: No modelo in vitro, vermes adultos de S. mansoni foram desafiados com DDS-NOH na presença de H₂O₂, catalase recombinante ou células endoteliais HUVEC. A viabilidade dos vermes foi avaliada por microscopia óptica. Em modelo experimental, camundongos infectados foram tratados com PZQ, dapsona ou a combinação de ambos. A eficácia foi avaliada por contagem de vermes e a segurança por parâmetros clínicos e hematológicos. Em estudo transversal com moradores de área endêmica para esquistossomose foram realizados exames parasitológicos, genotipagem dos polimorfismos CAT rs7943316, TSLP rs1898671, IL33 rs7044343 e IL33 rs928413, e análise de parâmetros hematológicos.
RESULTADOS: Observou-se que as células endoteliais humanas exercem um efeito protetor sobre os vermes, aumentando sua viabilidade mesmo em condições de estresse oxidativo. A hidroxilamina dapsona, por sua vez, foi capaz de reverter esse efeito protetor, ao inibir a catalase e reduzir a viabilidade dos vermes. No modelo experimental, a associação de dapsona com PZQ não aumentou a eficácia
antiparasitária em relação ao PZQ isolado. Em humanos, o genótipo selvagem (CC) do polimorfismo TSLP rs1898671 esteve associado à maior frequência de infecção por S. mansoni, além de alterações em parâmetros laboratoriais, como níveis mais baixos de hemoglobina e hemácias em infectados com esse genótipo. CONCLUSÃO: O sistema pró/antioxidante do hospedeiro pode favorecer a sobrevivência de vermes adultos de S. mansoni, e sua modulação representa uma possível via terapêutica adjuvante. Fatores genéticos relacionados à resposta antioxidante e à imunidade inata também influenciam a suscetibilidade à infecção por helmintos e a morbidade associada.

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