Tese analisa aspectos clínico-imunológicos de indivíduos com esquistossomose

Autoria: Michael Nascimento Macedo
Orientação: Ricardo Riccio Oliveira
Título da tese: “Aspectos clínico-imunológicos e perfil de células linfoides inatas do tipo 2 (ILC2) de indivíduos com esquistossomose mansônica humana”.
Programa:Pós-Graduação em Patologia Humana-UFBA /FIOCRUZ
Defesa: 13/07/2020
Horário: 14:00 
Local: Sala Virtual do Zoom. ID da reunião 938 3523 1236.

RESUMO

INTRODUÇÃO: A esquistossomose é uma doença causada por parasitas do gênero Schistosoma. Atualmente, sabe-se que cinco diferentes espécies podem causar doença no homem, dentre elas o Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose no Brasil. Essa doença se distribui em 78 países e acomete aproximadamente 250 milhões de pessoas. Enquanto a fase aguda da infecção é marcada pela produção de citocinas Th1, na fase crônica da infecção, observa-se um predomínio de citocinas Th2 que, a longo prazo, contribuem mais para os danos observados, do que para a proteção. Um grupo recentemente descoberto de células, as células linfóides inatas do tipo 2 (ILC2), vem sendo descrito como importantes no contexto de doenças que cursam com uma resposta Th2, como nas helmintíases. Acredita-se que nestas condições as ILC2 sejam fundamentais produtoras de citocinas Th2, como a IL-13, contribuindo para os principais eventos danosos. Apesar disso, o seu papel na esquistossomose mansônica humana ainda não foi elucidado.

OBJETIVO: O objetivo deste trabalho foi caracterizar o fenótipo e perfil de citocinas de células linfoides inatas do tipo 2 (ILC2) circulantes em indivíduos infectados pelo Schistosoma mansoni.

MATERIAL E MÉTODOS: Foram recrutados indivíduos infectados pelo S. mansoni residentes em uma área endêmica e controles saudáveis não residentes. Para as dosagens de citocinas séricas, foram coletadas amostras de sangue periférico para a separação do soro e dosagem das citocinas Th1, Th2 e Th17 por meio ELISA e CBA. Também foram utilizadas amostras de soro para a avaliação da concentração sérica das enzimas hepáticas TGO, TGP, γGT e ALP, para avaliação dos danos hepáticos. A frequência das ILC2 foi avaliada por citometria de fluxo e a sua cultura foi realizada após separação destas por sorting. A produção das citocinas por ILC2 isoladas por sorting também foi avaliada pelos métodos de ELISA e CBA.

RESULTADOS: Os dados deste trabalho mostram que indivíduos infectados pelo S. mansoni apresentam elevadas concentrações séricas das citocinas TSLP e IL-13, e que o tratamento da doença induz à redução desses níveis. Além disso, também foi possível observar que estes indivíduos apresentam significativas alterações nas concentrações das enzimas hepáticas TGO, TGP, γGT e ALP. Além disso, o coeficiente de Ritis, que avalia a presença de lesões crônicas, mostrou que 98,5% dos participantes podem apresentar lesões crônicas, provavelmente com fibrose ou cirrose hepática. Apesar de não haver diferença na frequência das ILC2 entre infectados e controles, os indivíduos com esquistossomose apresentam maior expressão do receptor CRTH2. Além disso, as ILC2 isoladas por sorting de indivíduos infectados, também produzem mais IL-13 em comparação com os controles.

CONCLUSÕES: Com esse estudo, foi possível demonstrar, que o tratamento da esquistossomose mansônica humana diminui as concentrações séricas das citocinas TSLP e IL-13, envolvidas nos processos de manutenção e homeostase. A partir dos resultados, também foi possível sugerir que as ILC2 podem ser uma importante fonte de IL-13, uma vez que indivíduos infectados apresentam elevadas concentrações no soro e essa alta concentração também pôde ser demonstrada por ILC2 in vitro.

Palavras-chave: Esquistossomose mansoni, Células linfoides inatas do tipo 2, CRTH2, citocinas, TSLP, IL-13, fibrose.

 

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