LPBM – Laboratório de Patologia e Biologia Molecular

O LPBM foi fundado em 1989, época em que foram iniciados estudos de imunopatologia da esquistossomose humana em parceria com os pesquisadores Donald Harn e John David, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, por meio de Grant ICDR financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Americano (NIH, sigla em inglês). Esses estudos foram realizados em áreas endêmicas das cidades de Itaquara e em Salvador e envolveram pacientes com a forma hepato-esplênica da doença internados no Hospital Geral Roberto Santos. Nesses estudos foram avaliadas as respostas imune celular e humoral, com publicação de trabalhos em periódicos internacionais, formação de mestres e doutores.

Durante o desenvolvimento do projeto foram implantadas ações multidisciplinares de intervenção, diagnóstico, tratamento, educação e informação da comunidade sobre a doença, resultando na queda drástica da prevalência da infecção pelo Schistosoma mansoni de 90% para 10%, intensidade de infecção com redução da carga parasitária e diminuição da morbidade e do grau de fibrose hepática, que foi avaliada por ultrassonografia.

Foram realizados ainda trabalhos nas cidades de Nazaré das Farinhas e Jequié em parceria com os pesquisadores Ronald Blanton e Isabel Parraga, da Case Western Reserve University, e pesquisadores Anamarlucia e Mauricio Barreto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), visando avaliar o papel da infecção por helmintos no desenvolvimento de crianças infectadas pelo S. mansoni ou em associação com outros parasitos. Dessa parceria foram publicados vários trabalhos e treinados vários estudantes de nutrição, inclusive com formação de mestres e doutor.

Na área de virologia, o grupo possui equipe multidisciplinar que desenvolve pesquisas, prestação de serviços para o diagnóstico e genotipagem dos vírus B e C da hepatite, em parceria com professores da Faculdade de Medicina da UFBA e Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública da Fundação para o Desenvolvimento das Ciências. Cumpre ressaltar que o treinamento de vários profissionais tem sido realizado no LPBM, capacitando-os a desenvolver exames moleculares por RT-PCR para o diagnóstico e genotipagem do vírus C da hepatite. Por meio dessas atividades foram publicados trabalhos científicos, formados mestres e doutores e realizadas orientações de alunos de iniciação científica.

Em 1995, com a chegada de Albert Ko, pesquisador visitante da Universidade Cornell, foi composta uma equipe multidisciplinar, juntamente com o pesquisador Mitermayer Galvão dos Reis, que se dedicou à realização de trabalhos de pesquisa, assistência e atendimento para estudos de epidemiologia molecular e patogênese da leptospirose, pneumonias e meningites bacterianas em parceria com colegas do Hospital Couto Maia e com o pesquisador Lee Riley, da Universidade de Califórnia, em Berkeley. Estabelecemos um programa de Global Infectious Disease Training Program em 1999, que esta sendo realizado com os recursos de National Institutes of Health, dos Estados Unidos, e a Fiocruz e que tem um foco para endereçar os doenças infecciosas que surgiram no país por causa de urbanização rápida e desigualidade social. Foram publicados mais de 60 trabalhos científicos e treinados mais que 150 estudantes brasileiros e 40 americanos, com formação de mestres, doutores e estudantes de iniciação científica em epidemiologia clínica, estudos de campo e biologia molecular.

Registramos que, por meio dos estudos na área de leptospirose, foram validados e padronizados métodos diagnósticos, identificados e patenteados antígenos para diagnóstico da fase inicial da infecção na leptospirose, além da identificação de antígenos candidatos à vacina. Foi ainda sequenciado o genoma da Leptospira em parceria com várias instituições do Brasil. O grupo de estudo de epidemiologia molecular das meningites bacterianas tem desempenhado um papel importante na estruturação da vigilância hospitalar e de campo para a realização de estudos de coorte baseados na comunidade. Nas pneumonias, os estudos têm contribuído para a identificação de suscetibilidade antimicrobiana. No laboratório, também têm sido desenvolvidas pesquisas científicas na área de doença de Chagas, doença reumática e dengue.

O LPBM iniciou, em 1995, com a Dra. Marilda de Souza Gonçalves, uma equipe multidisciplinar para o desenvolvimento de atividades de pesquisa, assistência e serviços de referência no estudo de doenças genéticas e hematológicas, com foco principal no estudo de hemoglobinopatias. O grupo tem desenvolvido trabalhos voltados para a epidemiologia molecular e clínica, diagnóstico hematológico e bioquímico dessas doenças genéticas. O grupo possui parcerias bem consolidadas com a Faculdade de Farmácia da UFBA, a Fundação Hemocentro da Bahia (HEMOBA), o Hospital Universitário Professor Edgar Santos (HUPES), a Maternidade Climério de Oliveira, o Hospital Geral Roberto Santos e Hospital das Obras Sociais Irmã Dulce. O grupo contribuiu para o estabelecimento do diagnóstico de hemoglobinopatias, principalmente da hemoglobina S, que possui a prevalência de 1 portador de doença falciforme a cada 645 nascimentos na Bahia, constituindo-se em um problema social e de saúde pública.

As ações multidisciplinares de intervenção implementadas pelo projeto na cidade do Salvador através do diagnóstico, tratamento, educação e informação as comunidades sobre as hemoglobinopatias têm proporcionado diferença substancial nos índices de casos diagnosticados, no conhecimento clínico-laboratorial da doença e no índice de internamentos. Como resultado dessas atividades, foram publicados trabalhos científicos, formados mestres e doutores, e realizadas orientações de alunos de iniciação científica. No campo da educação social, o desenvolvimento do projeto apoiou a contribuiu para a criação da associação de portadores da anemia falciforme (ABADFAL).

 

Pesquisa
Adriano pereira coelho dos santosAilana freitas da silva santosAlbert icksang koAnderson cleiton freitas dos reisArthur lawrence reingoldCaroline brandi schlaepfer salesClarissa araújo gurgel rochaCleiton guimarães carneiroCrislaine gomes da silvaEdileuza soares passosEduardo antonio gonçalves ramosEliana almeida gomes reisElizabeth machado costa vitoriaElsio augusto wunder júniorErivalda mendonca de aquino
Leonardo ferreira dos santosLorena gomes santosLuciano kalabric silva (Subchefe)Lúcio macedo barbosaMarcela de oliveira ferreiraMaria cristina venegas vargasMaria jose de jesus oliveiraMayara carvalho de santanaMitermayer galvão dos reis (Chefe)Paula sousa barbosaPedro santos muccillo reisRamon reinalde couto de andradeRenan rosa da anunciaçãoRonald blantonSoraia machado cordeiro
Gestão
Gilnei gomes santos
Monique cavalcante da silva
Nivison ruy rocha nery junior

 

Telefone: + 55(71) 3176-2289/265
E-mail: lpbm@bahia.fiocruz.br

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LPBI – Laboratório de Patologia e Biointervenção

O Laboratório de Patologia e Biointervenção (LPBI) do Instituto Gonçalo Moniz (IGM) desenvolve pesquisas desde 2003 e é resultado da fusão dos laboratórios de Imunologia Molecular e Celular (LIMC) e Patologia e Biologia Celular (LPBC). O LPBI realiza estudos sobre a leishmaniose visceral e tegumentar, no sentido de contribuir para a produção de uma vacina e de um método imunoterápico (kits diagnósticos) contra a leishmaniose visceral canina e humana, e determinação de fatores que levam à leishmaniose tegumentar. Também é analisada a patologia da miocardiopatia chagásica para permitir a prevenção, interrupção ou minimização do desenvolvimento da doença de Chagas, assim como tenta compreender os fatores de suscetibilidade da tuberculose e da patogênese da hepatite C para prevenção e controle das doenças.

 

Gestão
Patricia ramos reboucas luz
Apoio Técnico-Científico
Girlandia bomfim dos santos mota

 

Telefone: +55 (71) 3176-2290/273
E-mail: lpbi@bahia.fiocruz.br

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LIP – Laboratório de Imunoparasitologia

O Laboratório de Imunoparasitologia (LIP) iniciou suas atividades em 1998, como um dos laboratórios integrantes da Unidade Técnico Científica do Instituto Gonçalo Muniz (IGM), pertencente à Fiocruz. A atuação do LIP está pautada na missão desta instituição em promover a saúde e o desenvolvimento social, gerando e difundindo conhecimento científico e tecnológico.

Desde o início de suas atividades, o LIP desenvolve projeto de pesquisa básica, envolvendo pacientes e modelos experimentais de infecção por Leishmania. Estes projetos contam com a participação ativa de alunos de graduação e de pós-graduação. Em paralelo, a equipe participa na orientação de alunos do ensino médio, contribuindo para a inserção de jovens na carreira científica. Os estudos desenvolvidos resultaram em inúmeras publicações em revistas de circulação nacional e internacional, estabelecimento de diversas colaborações ao longo dos anos e, sobretudo, reconhecimento por pares.

Em paralelo às atividades de docência na pós-graduação, de pesquisa e de atenção à saúde, os servidores do laboratório também vêm participando de comissões de gestão de diversos setores do IGM, a exemplo da CEUA, Conselho Deliberativo e colegiados de curso de pós-graduação.

 

Estudantes
Amanda canário andrade azevedoAmanda costa nascimento de carvalhoAna beatriz marques diniz guerra de andradeAugusto marcelino pedreira de carvalhoCamila sampaio ribeiroCarla pires magalhãesCibele tereza deolinda machado orgeFabiana santana celesFelipe guimarães torresFrancys andreina avendaño rangelGabriel almeida peixotoGabriele alves cajaty
Helenita costa quadrosHelton fabio santos de araujo juniorIsabele de pádua carvalhoJosé irahe kasprzykowski gonçalvesJuqueline rocha cristalLaís de macêdo ferreira santosLaise brandão oliveiraLucas gentil azevedoMarcos brazMaria da purificação pereira da silvaMateus vinicius mota de santanaMyla lôbo de souza
Paula milena melo casaisPedro brito borbaRebecca pereira curveloSamuel amorim nunes Sayonara de melo vianaTassia milenna oliveira de souza Thaline mabel sousa santosThiago cerqueira silvaVinicius costa souza ferreiraVinícius couto pires
Gestão
Juliana gomes oliveira

 

Telefone: + 55(71) 3176-2259
E-mail: lip@bahia.fiocruz.br

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LEMB – Laboratório de Epidemiologia Molecular e Bioestatística

O Laboratório de Epidemiologia Molecular e Bioestatística (LEMB) desenvolve pesquisas sobre a epidemiologia de doenças infecciosas e outros agravos de importância para a saúde pública. A sua equipe atua nos programas de pós-graduação do Instituto Gonçalo Moniz (IGM), além de colaborar com os demais laboratórios do centro na elaboração e na condução do plano de análise dos dados de projetos.

 

Gestão
Adriane mirla fontes silva

 

Telefone: + 55(71) 3176-2353
E-mail: lemb@bahia.fiocruz.br

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LASP – Laboratório Avançado de Saúde Pública

O Laboratório Avançado de Saúde Pública (LASP) foi implantado no Instituto Gonçalo Moniz em 1988, inicialmente como Centro de Referência para o Isolamento e Caracterização do HIV no Brasil e para o Diagnóstico das Retroviroses Humanas. No final dos anos 1990, foi incluída uma nova linha de pesquisa sobre o HTLV, ocasião em que foi demostrado uma alta prevalência deste vírus em doadores de banco de sangue, sendo Salvador a capital com maior prevalência.

No início dos anos 2000, após a demostração de que cerca de 2% da população desta cidade estava infectada pelo HTLV, cerca de 50.000 pessoas, decidiu-se pela criação de um centro multidisciplinar, voltado essencialmente para a assistência destes pacientes. Desta maneira, por meio de um convênio entre a Fundação Bahiana para o Desenvolvimento da Ciência (FBDC) e a Fiocruz foi inaugurado, em 2002, o Centro Integrado de HTLV (CHTLV) no campus de Brotas da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP).

Atualmente, o LASP desenvolve estudos em retrovírus humanos e doenças infecciosas associadas, especialmente tuberculose e leishmaniose, na identificação de biomarcadores imunológicos associados ao desenvolvimento de doenças e na prevalência e impacto das doenças infecciosas associadas aos retrovírus. No contexto da infecção por HTLV, busca-se identificar fármacos com a capacidade de modular a resposta imune de indivíduos infectados por este vírus.

 

Gestão
Maria eugenia pondé de góes
Rita de cassia jesus de santana
Apoio Técnico-Científico
Jurema santos carrilho
Noilson lázaro sousa gonçalves

 

 

Telefone: +55 (71) 3176-2213
E-mail: lasp@bahia.fiocruz.br

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Fiocruz Bahia mobiliza instituições para o Dia Mundial de Combate à Tuberculose

TB-2016A Fiocruz Bahia está coordenando ações para a mobilização em torno do Dia Mundial de Combate à Tuberculose, em conjunto com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o Comitê Baiano para o Controle da Tuberculose. Uma série de atividades estão previstas para os dias 28 e 30 de março de 2016. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os hospitais Irmã Dulce e Octávio Mangabeira, a Fundação José Silveira, a Escola de Enfermagem e o Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal da Bahia, e a Universidade Católica do Salvador também são parceiras.

No dia 28 de março, será realizada, às 14h no, auditório da Assembleia Legislativa, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), uma mesa de debate, para discutir os gargalos atuais no controle da tuberculose nos níveis nacional, estadual e municipal. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no local, a partir de 13h.

No dia 30 de março acontecerá o seminário de atualização “Tuberculose: o que há de novo?”. O evento, que será realizado às 14h, no auditório do Instituto de Saúde Coletiva, abordará temas como: tuberculose e diabetes, tuberculose pediátrica, tuberculose multirresistente e uso de tecnologias da informação como ferramentas auxiliares no controle da tuberculose. As Inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no local, a partir de 13h.

Confira aqui a programação completa.

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Eventos debateram pesquisa em Leishmaniose na Fiocruz Bahia

08_4Por quase duas semanas, pesquisadores médicos, veterinários, estudantes de pós- graduação, e outros profissionais de saúde debateram, na Fiocruz Bahia, diversos aspectos envolvendo o diagnóstico da leishmaniose em humanos e cães. Foram apresentadas abordagens inovadoras nesta área, incluindo a identificação e utilização de marcadores de infecção e prognóstico relacionados às doenças humanas e caninas.

Sob a coordenação geral do pesquisador Washington Luís Conrado dos Santos e coordenação científica da pesquisadora Deborah Fraga, o I Workshop de Pesquisa Translacional em Leishmaniose: dos marcadores de susceptibilidade à acurácia no diagnóstico aconteceu no período de 15 de fevereiro a 26 de fevereiro de 2016. Aulas teóricas e práticas, palestras, aulas em laboratório integraram a programação do evento.

Os organizadores do workshop, e alguns palestrantes convidados, são membros do CYTED – RIMLEV, contando ainda com laboratórios de referência mundial para o diagnóstico da Leishmaniose na Europa, como o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (Lisboa, Portugal) e Instituto de Saúde Carlos III (Centro Colaborador da OMS para Leishmaniose, Madri, Espanha). O evento contou ainda com a participação da pesquisadora Shaden Kamhawi, Instituto Nacional de Saúde (NIH), nos USA. “Com estes parceiros temos desenvolvido projetos conjuntos e trouxemos para os participantes o conhecimento e inovações desses pesquisadores para enriquecer a formação”, avalia Deborah Fraga.

Durante as aulas, novos enfoques no diagnóstico da leishmaniose em humanos e cães apresentados. De acordo com Deborah Fraga, “foram abordados aspectos da clínica, patogênese, imunidade e transmissibilidade que apontem para possibilidades de avanços no diagnóstico e definição de prognóstico da leishmaniose”. Destaque também foi conferido à avaliação dos resultados obtidos nos testes diagnósticos. O objetivo foi contribuir para melhor utilização desses resultados no controle da doença.

Segundo Deborah Fraga, em relação à utilização de proteínas recombinantes, foram discutidas técnicas como produção e purificação de plasmídeos e posterior super-expressão das proteínas em bactérias para, na sequência, a purificação das proteínas e sua utilização no diagnóstico. Adicionalmente foram apresentadas abordagens genômica e proteômica para estudo da interação patógeno-hospedeiro, levando em consideração o desenvolvimento de testes diagnósticos e novas opções para tratamento.

Parâmetros em Leishmaniose Visceral Canina

Na sequência, aconteceu o I Simpósio para definição de parâmetros em Leishmaniose Visceral Canina. Realizado de 27 a 29 de fevereiro, o evento teve como meta revisar os protocolos de avaliação de sintomatologia clínica, transmissibilidade e diagnóstico na leishmaniose visceral canina.

Segundo Deborah Fraga, as pesquisas em leishmaniose visceral canina enfrentam dificuldades devido à falta de consenso em relação às medidas de atendimento e avaliação dos cães com leishmaniose visceral canina. O debate atinge todo o processo, desde à coleta até à avaliação de dados clínicos, imunológicos, laboratoriais e de transmissibilidade do parasito ao vetor. Essa falta de consenso resulta em comprometimento da qualidade e comparabilidade das pesquisas e medidas de controle realizadas.

“Precisamos discutir e definir os parâmetros a serem utilizados na pesquisa de leishmaniose visceral canina para homogeneizar e padronizar os resultados obtidos tornando-os mais comparáveis e aplicáveis em diferentes áreas endêmicas”, defende. O simpósio proporcionou a interação de vários pesquisadores e profissionais de saúde formando novas colaborações nacionais e internacionais. O público alvo do simpósio foi composto por pesquisadores nacionais e internacionais e estudantes de pós graduação que atuam na pesquisa de leishmaniose visceral canina, além da participação de coordenadores de programas de controle de Leishmanioses de diferentes Estados do Brasil. “Como resultado será redigido um artigo científico que será publicado em uma revista de alto impacto com o resumo das discussões e consensos do simpósio”, adiantou.

Texto elaborado a partir do resumo da pesquisadora Deborah Fraga.

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Tríplice epidemia de dengue, zika e chikungunya é tema da aula inagural

9Aconteceu, na manhã desta segunda-feira, 7, a aula inaugural que deu as boas-vindas para os novos alunos de mestrado e doutorado dos cursos de pós-graduação da Fiocruz Bahia. O evento, que ocorreu na Biblioteca de Ciências Biomédicas Eurydice Pires de Sant’Anna, contou com a participação da vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, e do diretor da Fiocruz do Mato Grosso do Sul, Rivaldo Venâncio da Cunha, que proferiu a palestra “A tríplice epidemia: desafios para a sociedade, oportunidades para a pesquisa”.

A recepção aos estudantes ficou a cargo das vice-diretoras de Ensino e Pesquisa, Patrícia Veras e Marilda Gonçalves, respectivamente, que orientaram os “calouros” sobre o percurso acadêmico na instituição. As informações relativas aos Programas de Pós-graduação em Patologia (PGPAT) e Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI) foram apresentadas pelos coordenadores dos cursos Claudia Brodsky e Mitermayer Reis. Importante destacar a transferência da coordenação da PgBSMI para o pesquisador Guilherme Ribeiro ocorrerá ainda no primeiro semestre de 2016.

Também participaram da cerimônia o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Fameb/UFBA), Luis Fernando Adan, e Charbel Niño El-Hani, do Laboratório de Ensino, Filosofia e História da Biologia (LEFHBio/UFBA). Ambos professores possuem projetos em desenvolvimento com a Fiocruz Bahia no âmbito da PGPAT e do Curso Especialização em Ensino de Biociências, respectivamente.

Ao apresentar o panorama do ensino na Fiocruz, a vice-presidente Nísia Trindade elogiou algumas ações desenvolvidas pela Fiocruz Bahia, como a execução da disciplina Bioinformática Compartilhada, resultado da articulação de professores oriundos de diferentes unidades regionais. Segundo ela, a experiência foi exitosa e possibilitou aos programas de pós-graduação aproveitar mais a riqueza da instituição. “Esta iniciativa teve a capacidade de proporcionar aos alunos aulas com os melhores profissionais em determinadas áreas”, acrescentou.

Ainda segundo ela, outra ação de destaque comandada pela Fiocruz Bahia está a criação do Curso de Especialização em Ensino de Biociências, que tem como foco a capacitação de professores da rede pública, tendo mesclado Ensino à Distância com atividades presenciais.

Patrícia Veras afirmou que esta foi uma oportunidade para que todos pudessem se conhecer de forma integrada, bem como se informar sobre os procedimentos acadêmicos normatizados pela instituição. De acordo a pesquisadora, é fundamental uma boa recepção para os novos membros da comunidade Fiocruz Bahia aliada à oportunidade de debater temas atuais no campo da saúde. “A minha sensação é que devemos retribuir essa manifestação de confiança com empenho, para que os cursos sejam oferecidos em nível de excelência, impactando positivamente na vida acadêmico-profissional desses estudantes”, disse.

DESAFIOS E OPORTUNIDADES – Para tratar da tríplice epidemia, o diretor da Fiocruz Mato Grosso do Sul, Rivaldo Venâncio da Cunha, analisou dengue, zika e chikugunya, sob a ótica dos desafios impostos ao Brasil, que ultrapassam os limites do setor saúde, abrangendo as áreas de educação, comunicação social, saneamento básico, dentre outros. De acordo com o pesquisador, o momento atual, em que a comunidade de pesquisa se depara com uma doença ainda por investigar, onde causas e efeitos ainda precisam ser confirmados, pode ser comparado ao início da década de 1980, quando começaram os primeiros relatos da Aids.

“Assim como no passado, vivemos uma ebulição de descobertas onde, no meio da crise, tentamos sistematizar o conhecimento sobre novas enfermidades que chegaram para somar os problemas de saúde pública do Brasil”, afirma Venâncio. O pesquisador aproveitou a ocasião para salientar o fato de que vivemos uma epidemia de “zika congênita” e não de microcefalia.

Segundo ele, existem muitos casos de bebês sem microcefalia que apresentam calcificações no cérebro. “Mais tarde, esses problemas, que somente serão descobertos na fase escolar, vão afetar seriamente o desenvolvimento de muitas crianças, a exemplo da dificuldade de aprendizagem e catarata congênita”, completa.

O diretor da Fiocruz do Mato Grosso do Sul afirma que a solução para estes graves problemas está fora do setor de saúde, pois envolve determinantes sociais relacionados à pobreza e histórico de exclusão em que vive a sociedade dos países de terceiro mundo. “Trata-se de uma época de desafios e o papel da ciência é enxergar a adversidade como oportunidade. A solução não depende dos esforços de apenas uma área do conhecimento e sim da reunião de competências multidisciplinares”, conclui.

Para fechar o encontro, foi sorteado o livro “Dengue: teorias e práticas”, cujos organizadores são Denise Valle, Denise Nacif Pimenta e Rivaldo Venâncio da Cunha. A publicação, que aborda uma ampla variedade de temas, do histórico às inovações científico-tecnológicas em desenvolvimento, incluindo as vacinas preventivas e o controle vetorial por meio de mosquitos biológica ou geneticamente modificados, reúne textos de professionais de diferentes áreas, como medicina, jornalismo, educação, entomologia, epidemiologia, matemática, gestores, dentre outros.

 

 

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Doenças Virais

A Fiocruz Bahia desenvolve pesquisas com abordagem epidemiológica para determinar a prevalência da infecção pelo vírus Zika (ZIKV), para melhor caracterização das formas clínicas da infecção, com ênfase na infecção congênita, bem como pesquisas para identificar marcadores biológicos. No campo do HIV e do HTLV, outros vírus bastante prevalentes na Bahia, os grupos de pesquisa da instituição procuram entender aspectos da biologia do vírus, sobretudo pela busca de polimorfismos no seu genoma que podem levar a instalação das manifestações clinicas. São também realizadas pesquisas para melhor caracterização das manifestações clínicas e sua imunopatologia.

Há também, na Fiocruz Bahia, uma importante atividade de investigação nas hepatites virais, com abordagens epidemiológicas em estudos de determinação da prevalência, carga viral e fatores de riscos, além de investigações em epidemiologia molecular para caracterização de vírus circulantes em populações. Destacamos também estudos de avaliação da eficácia de vacinas contra a infecção pelo HPV, com papel de destaque da instituição em grandes estudos multicêntricos internacionais.

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Fiocruz Bahia desenvolve ferramenta online para identificar vírus da dengue, zika e chickungunya

RecursosFiocruz Bahia, através do Laboratório de Hematologia, Genética e Biologia Computacional (LHGB), desenvolveu uma ferramenta de bioinformática para tipagem, sorotipagem e genotipagem para os vírus de dengue, zika e chikungunya.

O mecanismo, que foi realizado em parceria com o “Africa Centre”, da Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, em colaboração com a Universidade de Oxford, na Inglaterra, Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, Centro de Controle de Doenças da Costa Rica e Instituto Evandro Chagas do Pará, no Brasil, já está disponível gratuitamente para toda a comunidade científica.
De acordo com os pesquisadores Luiz Alcântara (Fiocruz Bahia) e Tulio de Oliveira (Africa Centre), coordenadores do projeto, a aplicação foi desenvolvida com o objetivo de dar suporte aos estudos epidemiológicos sobre estes arbovírus que estão circulando no Brasil. O trabalho segue os moldes de outras sete ferramentas previamente publicadas, em 2009, no periódico Nucleic Acid Research, para os vírus HTLV-1, HIV-1, HIV-2, HCV, HBV, HPV e HHV8.

Para acessar a ferramenta, clique aqui.

 

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Pesquisadores da Fiocruz Bahia publicam artigo sobre zika e microcefalia no ‘The Lancet’

Microcephaly-zikaO periódico inglês ‘The Lancet’ publicou, no último dia 23 de fevereiro de 2016, artigo intitulado “Zika virus and microcephaly in Brazil: a scientific agenda”. Entre os autores do trabalho estão os pesquisadores da Fiocruz Mauricio Barreto, Manoel Barral-Netto, Rodrigo Stabeli, Paulo Buss, Pedro Vasconcelos e Paulo Gadelha. Para além destes, também assinam o documento Naomar Almeida-Filho, da Universidade Federal do Sul da Bahia e Mauro Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais.

De acordo com o texto, desde 1981, a população brasileira teve epidemias de dengue e todos os esforços de controle têm sido infrutíferos. Em 2014, a febre chikungunya foi relatada pela primeira vez no país. Em 2015, a ocorrência de vírus Zika também foi relatado, juntamente com um aumento de microcefalia e danos cerebrais em recém-nascidos.

Os autores explicam que o mosquito Aedes aegypti é o vetor mais convencional destas três infecções virais e é amplamente disseminada em grande parte do Brasil urbano. Dessa maneira, com o crescimento de casos de doenças relacionadas ao vetor, as autoridades de saúde pública brasileiras declararam Emergência Nacional de Saúde Pública, em 11 de novembro de 2015, tendo intensificado a campanha de controle de vetores para combater a epidemia.

Poucos meses depois, em 1º de fevereiro de 2016, tendo em conta a propagação do vírus Zika em vários países da América Latina e do Caribe, o relato de casos em cidadãos norte-americanos e europeus que viajaram para as áreas endêmicas e as preocupações sobre a relação da zika com microcefalia e outros distúrbios neurológicos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

Vários especialistas, um objetivo – No Brasil, os governos federal, estaduais e agências científicas estão implementando iniciativas para aumentar o conhecimento sobre esta inesperada, desconhecido e aterrorizante situação. Desta forma, cientistas de diferentes disciplinas estão trabalhando no problema e as suas consequências potencialmente devastadoras. Nacionalmente, duas atividades de coordenação devem ser destacadas: a força-tarefa criada pela Fundação Oswaldo Cruz, uma organização científica vinculada ao Ministério da Saúde, e o Grupo de Trabalho Científico sobre Virus Zika, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

De acordo com os pesquisadores para alcançar melhores chances de sucesso contra a zika e microcefalia, um plano estratégico para a ação governamental deve ser apresentado em torno de seis componentes centrais.

(1) Ampliar a base de evidência de infecção, doenças, e os resultados potenciais; (2) Desenvolver um teste serológico rápido e confiável; (3) Controlar a infestação por Aedes aegypti com o objetivo de reduzir a infecção e a doença; (4) Definir protocolos para o tratamento de casos agudos, em particular as mulheres grávidas, e prevenção das consequências de malformações congênitas graves e incapacitantes; (5) Iniciar as bases para o desenvolvimento de vacinas, prospecção e avaliação de possíveis estratégias tecnológicas; e (6) Reprogramar o sistema de saúde como consequência da epidemia.

Para acessar o texto completo no ‘The Lancet’, clique aqui.

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Zika vírus: pesquisas da Fiocruz são destaque na Science Magazine

ScienceOs problemas relacionados ao zika vírus e sua ligação com o aumento dos casos de microcefalia em bebês no Brasil foram destaque na seção “In Depth” da Science Magazine, tendo como título da reportagem “A race to explain Brazil’s spike in birth defects”. Para saber como os centros de pesquisa do país vêm se preparando para enfrentar a surto da doença, a jornalista Gretchen Vogel entrevistou epidemiologistas de diversas instituições, como Albert Ko, da Yale University e Fiocruz Bahia, Ana Maria Bispo de Filippis, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), além de Manoel Sarno e Federico Costa, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), dentre outros.

Após o alerta global emitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), indicando medidas preventivas e locais onde existem maior densidade de focos da doença, muitas mulheres grávidas no Brasil têm entrado em pânico. A OMS pede o reforço no combate ao mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, o aumento da capacidade de diagnóstico e atenção especial com as gestantes, para que elas não entrem em contato com o mosquito.

Diante deste cenário, o governo declarou uma emergência de saúde pública, sendo que alguns médicos recomendam às mulheres para que não engravidem até que se saiba mais sobre o assunto. As autoridades sanitárias brasileiras simplesmente recomendam que as mulheres grávidas evitem ser picadas. Isso significa vestir roupas de proteção, manter portas e janelas teladas, além do uso do repelente de insetos.

Na entrevista à Science Magazine, de acordo com Albert Ko, especialista em doenças tropicais, o vírus Zika nunca foi ligado a microcefalia. “O nosso grande desafio é que a epidemia explodiu e nossa comunidade ainda tem muito a conhecer sobre a história natural do vírus Zika”, diz. Ainda segundo a revista, a ligação entre Zika e microcefalia não vieram à tona antes porque surtos anteriores foram simplesmente muito pequenos.

Para chefe do Laboratório de Flavivírus do IOC, Ana Maria Bispo de Filippis, existem algumas teorias sobre como o agente pode ter se tornado mais patogénico. “Alguns virologistas suspeitam de uma alteração genética recente também permitiu que o vírus se espalhe mais facilmente”, disse. Ainda segundo ela, outra possibilidade é que as mulheres grávidas que possuem anticorpos contra a dengue podem ter uma resposta imune menos intensa à Zika e isso pode aumentar a chance de que o vírus atravessa a placenta e contamina o feto.

Perguntas sem respostas – Enquanto a comunidade científica se prepara para evitar a propagação da doença, muitas perguntas básicas ainda estão por ser respondidas, afirma Federico Costa. Se uma mulher teve Zika, mas se recuperou, as futuras gerações estão seguras? Quanto tempo o vírus Zika permanece em uma pessoa infectada? A zika está causando também outros tipos de danos em bebês em fase de gestação com o aparecimento de sequelas mais tarde, depois de nascidos?

São muitos os desafios a serem enfrentados e a velocidade com que o vírus se espalha não está necessariamente acompanhando o ritmo de pesquisas, já que muitos dos laboratórios brasileiros não estão equipados suficientemente para promover diagnósticos precisos. Enquanto isso, para além das fronteiras, já foram confirmados casos de zika em nove países das Américas: Brasil, Chile (Ilha de Páscoa), Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.

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