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O Projeto Oxente Chagas Bahia ultrapassou a marca de 6 mil testagens realizadas. Iniciado há pouco mais de um ano, o projeto tem atuado no combate à doença de Chagas por meio da aplicação de testes rápidos nas cidades de Novo Horizonte e Tremedal, no interior da Bahia. Desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, o TR Chagas é um teste de triagem de uso único, baseado em imunocromatografia e plataforma de fluxo lateral, capaz de detectar anticorpos contra o Trypanosoma cruzi em amostras de sangue total, soro ou plasma humano.
Em 2026, o primeiro mutirão de testagens foi realizado na zona rural de Novo Horizonte, na Unidade Básica de Saúde de Estiva, responsável pelo atendimento de cerca de 1.500 moradores da região. Ao todo, foram realizados mais de 1.274 testes, o que equivale a mais de 80% de participação da população.
Segundo o pesquisador da Fiocruz Bahia e coordenador do projeto, Fred Santos, a iniciativa conta com uma equipe médica que, desde 2024, em parceria com as equipes locais de cada município, é responsável pelo acompanhamento dos pacientes que testam positivo para a doença. “Isso evidencia a importância do projeto em identificar a causa dos problemas de saúde e realizar um tratamento específico para cada condição clínica”, afirmou.
Arleia Oliveira, agente comunitária de saúde, participou da mobilização entre os moradores e celebrou a adesão da comunidade. “O pessoal tem comparecido e eu estou muito satisfeita por ter feito essa mobilização. Foi uma mobilização grandiosa”, afirmou.
Segundo a enfermeira da Unidade Básica de Estiva, Miquele Alves, os mutirões têm uma importante atuação entre os moradores, contribuindo para prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. “O projeto chegou como uma forma de diagnóstico, mas também de conscientização da população. A iniciativa foi muito acolhida pela comunidade justamente pela vivência da população com o barbeiro”, afirmou.
A moradora do distrito de Serafim, Maria de Lurdes, afirmou que o Oxente Chagas tem contribuído para reduzir a dificuldade em realizar exames que ajudem a diagnosticar a doença, destacando que muitas vezes os moradores chegam a falecer sem o diagnóstico correto. “Eu achei importante a visita de vocês aqui porque até agora eu nunca tinha tido a oportunidade de fazer esse exame. Eu agradeço muito o carinho e atenção de vocês. O atendimento é nota 10. Vocês estão de parabéns”, disse.
A estudante de medicina, Evelyn Sued, atuou pela primeira vez como recrutadora e destacou a importância de ver o impacto real na vida das pessoas, especialmente das populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica. “Toda pessoa que faz pesquisa deveria ter uma oportunidade como essa porque, para além de gratificante, você vê o impacto real de tudo que é desenvolvido dentro da Fiocruz. Muda muito a perspectiva sobre ser um pesquisador e de como a pesquisa pode impactar na sociedade”, refletiu.
Para o estudante de Farmácia e também recrutador, Thiago Teixeira, participar do mutirão é uma oportunidade essencial para a promoção da saúde pública. “A experiência de vivenciar um projeto como esse, de fazer um mutirão e atender as pessoas, de chegar até elas e levar um serviço de saúde pública é algo essencial que deve ser mais explorado no Brasil”, disse.
A partir do mês de abril, a equipe do Oxente Chagas deverá retornar ao município de Tremedal para mais uma etapa das atividades com o rastreio da população e atendimento clínico de pacientes que testaram positivo para a doença.









