Projeto Meninas Baianas na Ciência promove atividades no quilombo Tabuleiro da Vitória, em Cachoeira

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Dinâmica com o jogo Ciclo do Poder e apresentação da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (OBSMA) marcaram a programação para alunas da rede pública.

Na quarta-feira (13/05), o projeto Meninas Baianas na Ciência, da Fiocruz Bahia, promoveu uma programação voltada a estudantes da rede pública no quilombo Tabuleiro da Vitória, localizado na zona rural do município de Cachoeira, no recôncavo da Bahia. A atividade teve como objetivo despertar o interesse pela carreira científica e reuniu lideranças da comunidade, professores e alunas da Escola Otávio Pereira, da Escola General Alfredo Américo, da Escola de Primeiro Grau São Francisco do Paraguaçu e da Escola Municipal de Santiago do Iguape. O evento, realizado na sede comunitária em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, contou com exposições, palestras, jogos e apresentações culturais.

A coordenadora de Divulgação Científica da Fundação Oswaldo Cruz, Cristina Araripe, destacou o fomento à participação feminina em diversas áreas do conhecimento. “A ideia é estimular as meninas a conhecerem um pouco mais da ciência feita por mulheres na Fiocruz, mas também incentivá-las a se interessarem mais pela ciência da saúde, da biologia. Pensar um pouco como é que as engenheiras, as meninas que trabalham com computação podem se somar a essa rede”, afirmou ela que também coordena o Programa Meninas e Mulheres na Ciência. 

A pesquisadora da Fiocruz Bahia e membro da coordenação do projeto, Marilda Gonçalves, ressaltou o papel institucional de interiorizar a ciência. “Viemos falar do potencial que cada uma delas tem e das possibilidades de seguir uma carreira acadêmica. É divulgar ciência, saúde e educação para que elas possam saber dessas possibilidades, principalmente estando numa comunidade quilombola, num município que é um pouco distante da capital”, explicou.

A pesquisadora da Fiocruz Bahia, Natália Machado, que também coordena o projeto, ressaltou a particularidade de realizar a ação em uma sede comunitária, reunindo estudantes e professores de diferentes escolas da região e contando com o apoio da comunidade. “Conseguir ter meninas de várias escolas no mesmo momento demonstra um outro passo do projeto e é, também, uma oportunidade de aproximação entre as participantes. Tudo que vivemos foi um ganho, com novas possibilidades de atuar em temas tão relevantes para as meninas que estão em formação. Foi muito gratificante perceber a evolução desse projeto que está tomando novos rumos”, ponderou. 

Para Karine Damasceno, pesquisadora da Fiocruz Bahia e coordenadora do projeto, o evento comprova a importância da articulação entre diferentes iniciativas da Fiocruz Bahia com o objetivo de ampliar as ações e reafirmar o compromisso da instituição com a educação e a divulgação científica. “A atividade cumpriu o intuito de aproximar a ciência dessas meninas, promovendo o acesso ao conhecimento científico e compreendendo os diferentes contextos sociais e culturais nos quais estão inseridas”, disse. 

Durante a programação, a pesquisadora da Fiocruz, Flávia Garcia de Carvalho conduziu a dinâmica do jogo “Ciclo do Poder”, focado na conscientização sobre a menstruação. “A gente conseguiu falar não só das explicações científicas sobre a menstruação, mas também de empoderamento e de solidariedade. Trabalhamos a dignidade menstrual, porque a falta dela pode causar a falta das meninas na escola”, detalhou Flávia.

Representando a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (OBSMA), Renan Pereira avaliou a experiência como gratificante. “A presença em um território quilombola reforça a característica nacional da olimpíada e a necessidade de dialogar sobre saúde e meio ambiente em todos os espaços, integrando a diversidade cultural presente na Bahia e no Nordeste. Acredito que essa ação abra portas para que as meninas possam contribuir com seus saberes científicos e gerar trabalhos maravilhosos”, declarou. Renan lembrou que a OBSMA, programa da Fiocruz voltado para alunos do 6º ao 9º ano e Ensino Médio (incluindo EJA), está com inscrições abertas para trabalhos escolares até o dia 30 de junho.

Impacto entre as estudantes

A imersão em temas científicos refletiu na percepção das alunas da Escola Municipal de Santiago do Iguape sobre o mercado de trabalho e a representatividade. Daniele de Brito Vieira destacou o foco no papel feminino. “Aprendi mais sobre a ciência e sobre o valor que a mulher baiana tem na sociedade”, afirmou.

O debate sobre autonomia encerrou as atividades, evidenciando a necessidade de independência financeira e profissional. Para Isabela Sena de Jesus Silva, o encontro auxiliou na desconstrução de percepções limitantes. “Essa palestra serviu para quebrarmos os estereótipos de que não podemos ser nada ou de que temos que ser o que a nossa família quer. Mostrou a importância de termos a nossa própria profissão e o nosso próprio dinheiro”, concluiu.

Por Alana Santo, sob supervisão de Dalila Brito. Fotos: Dalila Brito

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