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Um estudo coordenado pelos pesquisadores da Fiocruz Bahia, Isadora Siqueira e Fred Santos, avaliou a soroprevalência da doença de Chagas entre as populações indÃgenas do Brasil. A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Epidemiology and Global Health, da Springer Nature Link.
O estudo avaliou a soroprevalência da doença de Chagas entre comunidades indÃgenas que vivem em regiões com as maiores populações indÃgenas do Brasil, analisando suas caracterÃsticas sociodemográficas, condições habitacionais, comorbidades e conhecimento sobre a doença e seu vetor: protozoário Trypanosoma cruzi.
Os participantes foram recrutados de territórios indÃgenas localizados nos Distritos Sanitários Especial IndÃgena (DSEI) da Bahia e do Mato Grosso do Sul. As aldeias foram selecionadas por amostragem de conveniência, considerando a aprovação dos lÃderes indÃgenas locais, acessibilidade e recomendações do respectivo DSEI estadual. Na Bahia, as aldeias selecionadas estão localizadas nos municÃpios de Banzaê, Euclides da Cunha, Ilhéus, Buerarema e Santa Cruz de Cabrália. Em Mato Grosso do Sul, os participantes foram recrutados de aldeias e reservas do municÃpio de Dourados.
Os dados foram coletados usando questionários estruturados via o sistema REDCap e analisados de forma descritiva e univariada. O diagnóstico laboratorial utilizou duas metodologias: LCA com antÃgenos recombinantes quiméricos T. cruzi e teste Gold ELISA Chagas, sendo utilizado o Biolisa Chagas Recombinante para resultados discordantes.
Entre 2.897 indivÃduos, a soroprevalência de doença de Chagas foi de 0,07%, com apenas dois casos positivos confirmados. O estudo destacou baixo nÃvel educacional, más condições habitacionais e alta prevalência de comorbidades como hipertensão e diabetes. Foi identificada uma lacuna significativa de conhecimento sobre a doença e seu vetor, com 99,5% dos participantes que nunca haviam sido testados.
Os achados ressaltam a necessidade de intervenções de saúde pública personalizadas, aprimoramento da educação em saúde e estratégias diagnósticas aprimoradas para tratar a doença de Chagas nas comunidades em situação de vulnerabilidade. São necessárias
pesquisas adicionais para explorar a epidemiologia da doença e desenvolver medidas eficazes de prevenção e controle para populações indÃgenas.
Por Dalila Brito

