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Entre os dias 16 e 19 de agosto, pesquisadores da Fiocruz Bahia participaram do 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (Medtrop 2026), realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. O evento teve como tema “A saúde nos trópicos: uma visão integradora sob a perspectiva do Sul Global”. A iniciativa tem como principal objetivo agregar e fazer conversar diversas dimensões que permeiam o campo da saúde, dentro de um contexto global que parta de um ponto de observação que se relacione com as condições e contradições próprias da região tropical.
Durante o congresso, os pesquisadores da Fiocruz Bahia integraram a programação discorrendo sobre assuntos estratégicos. O destaque das apresentações focou em avanços, diagnósticos e tratamentos envolvendo o HTLV, a Dengue, a doença de Chagas, as Leishmanioses e a Esquistossomose. Além disso, o desenvolvimento e o uso de vacinas foram pontos centrais dos debates, com ênfase especial nas pesquisas voltadas para a leishmaniose visceral e para a tuberculose.
Estudantes da Fiocruz Bahia conquistam Prêmio Jovem Pesquisador
Além da participação nas mesas e debates, estudos desenvolvidos na instituição garantiram duas posições de destaque no Prêmio Jovem Pesquisador do congresso. Na categoria Graduação, o estudante Matheus Trabuco Gonzalez conquistou o primeiro lugar. A pesquisa premiada é intitulada “Transição Epidemiológica da Leishmaniose Tegumentar no Brasil (2007–2025) e seus Determinantes Socioambientais: Análise Espaço-Temporal Multimétodo de 350 mil Casos”. O trabalho investigou se a redução da incidência da doença no país apresenta o mesmo significado epidemiológico nas diferentes regiões e avaliou seus possíveis determinantes socioambientais.
O estudo de Matheus apontou que a expressiva redução da incidência da doença ocorreu de forma geograficamente desigual, concentrando-se na Amazônia Legal. A maior parte dos municípios com tendência de crescimento localizou-se fora dessa região, com novos aglomerados no Nordeste, Sudeste e Sul. Observou-se ainda um aumento da idade dos casos, da proporção da forma mucosa e no sexo masculino, sugerindo uma mudança no padrão epidemiológico tradicional da enfermidade e alertando para a emergência de novos focos.
Já na categoria Mestrado, a estudante de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Patologia Humana (PGPAT), Adryele Pinheiro, orientanda da pesquisadora da Fiocruz Bahia, Isadora Siqueira, garantiu o segundo lugar da premiação com o trabalho “Unidades de pronto atendimento como sentinelas para vigilância de arboviroses emergentes”. A pesquisa avaliou o papel de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na vigilância clínica e laboratorial de arboviroses em Salvador.
Os achados do estudo revelaram a circulação simultânea de múltiplos arbovírus, como dengue, chikungunya e oropouche, com maior concentração de casos no primeiro semestre dos anos analisados. Clinicamente, os sintomas inespecíficos e sobrepostos dificultaram o diagnóstico diferencial, destacando-se a detecção de casos de Oropouche antes da ampla notificação oficial na região. Os resultados demonstram que as UPAs podem atuar como unidades sentinelas eficazes, contribuindo de forma decisiva para a detecção precoce de surtos e para a identificação de vírus emergentes.
Período eleitoral
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