Fiocruz Bahia celebra 69 anos de contribuições para o desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico

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Evento reuniu lideranças nacionais da Fundação Oswaldo Cruz para comemorar aniversário, homenagear pesquisadores e debater o futuro da saúde pública

Nesta segunda-feira (27/04), a Fiocruz Bahia comemorou 69 anos de história em uma cerimônia que homenageou sua trajetória e debateu os próximos passos da instituição. O evento, realizado no auditório Sônia Andrade, contou com a presença do presidente da Fiocruz, Mario Moreira, ex-diretores, servidores, além de representantes de instituições científicas e da sociedade civil.

Além das celebrações, a unidade foi escolhida para sediar a abertura das atividades do Conselho Deliberativo (CD) da Fiocruz. A iniciativa representa uma oportunidade estratégica para debater as potencialidades e desafios da Fiocruz Bahia, fortalecendo o diálogo com as demais unidades e ampliando a integração nacional da Fundação, sempre com olhar atento às necessidades locais.

O presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Mário Moreira, explicou a escolha da Bahia para sediar o Conselho Deliberativo e projetou as próximas décadas:

“A celebração de aniversário desse instituto, que muito nos orgulha, por isso nós decidimos realizar a reunião do Conselho Deliberativo da Fiocruz aqui na Bahia. Então, já estamos nos preparando para comemorar, brevemente, 70 anos, e isso não acontece ao acaso. Acontece numa organização que leva em conta a valorização da história da Fiocruz, do seu presente e também do seu futuro. A Fiocruz tem os seus pés fincados na tradição e olhos voltados para o futuro”.

Durante a celebração, o diretor da Fiocruz Bahia, Valdeyer Galvão dos Reis, ressaltou o importância do Nordeste na produção científica: “Comemorar o aniversário da Fiocruz Bahia é celebrar feitos e conquistas em prol da qualidade de vida da população brasileira, bem como da valorização e reconhecimento da ciência como a principal estratégia para o desenvolvimento social e econômico brasileiro. É reafirmar ainda que a ciência de ponta e a formação de recursos humanos no Nordeste tem olhar local, rigor e impacto mundial”.

Representando o Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública, Luciana Pereira Lindenmeyer destacou a relevância social da instituição frente às desigualdades:

“A unidade tem a capacidade de produzir conhecimento de qualidade, orientar políticas públicas, ampliar a formação de recursos humanos e enfrentar desafios sanitários complexos, especialmente em contextos de desigualdade. Destaca-se também o papel da unidade na inovação em gestão, com processos que valorizam a colaboração, o compartilhamento de saberes, e uma visão solidária e coletiva do fazer institucional, aspectos fundamentais para consolidar uma ciência comprometida com a transformação social”.

Novos pesquisadores eméritos

A cerimônia foi marcada pela entrega do título de Pesquisador Emérito da Fiocruz a dois importantes membros da pesquisa baiana e brasileira: Edgar Marcelino de Carvalho Filho e Luiz Antonio Rodrigues de Freitas.

A pesquisadora Camilla Indiani ficou responsável por apresentar a trajetória de Edgar de Carvalho. “Falar do professor Edgar Carvalho, como eu chamo, é falar de excelência. Médico pesquisador, orientador, formador, educador. É falar de uma trajetória que ajudou a moldar no Brasil o estudo das doenças tropicais e da imunologia, especialmente aqui na Bahia, onde foi pioneiro, especialmente nas áreas de leishmaniose, HTLV e esquistossomose”, pontuou.

Ao receber o título, Edgar citou a literatura para expressar sua gratidão: “Com esta honraria, fecha-se mais um ciclo da minha vida. Vivemos com o que recebemos, mas marcamos a vida com o que damos. Espero que guardemos o ensinamento de Guimarães Rosa que dizia que chega o momento na vida em que o único dever é lutar ferozmente para introduzir em cada dia o máximo de eternidade”.

Luiz Antonio Rodrigues de Freitas foi homenageado na sequência pelo vice-diretor de Pesquisa da Fiocruz Bahia, Washington Luís Conrado dos Santos, que enalteceu o perfil multidisciplinar e rigoroso do colega: “É alguém de uma erudição incomum, um interlocutor que transita com naturalidade pela música, pela literatura e pelas artes em geral. É também alguém movido por uma intransigência com a qualidade”.

Em sua fala, Luiz Antonio agradeceu: “Esta distinção muito me honra, sobretudo por vir da Fiocruz, instituição que simboliza a conjunção de geração de conhecimentos, formação de recursos humanos, prestação de serviços e compromisso público para a construção de uma sociedade saudável, justa e humana”.

A tarde também foi marcada pela homenagem prestada ao pesquisador Bernardo Galvão Castro Filho. Seu trabalho pioneiro resultou no primeiro isolamento do HIV no Brasil e na América Latina, além de sua atuação contra a invisibilidade do vírus HTLV.

A pesquisadora Fernanda Grassi destacou não apenas o cientista, mas o ser humano por trás das descobertas:

“Hoje, nesta cerimônia, celebramos sua presença viva, ativa e profundamente transformadora. Mais do que celebrar sua trajetória, reafirmamos ao seu lado nosso compromisso com a saúde pública. Muito obrigada por sua dedicação constante, por sua generosidade intelectual incansável e por nos lembrar todos os dias do verdadeiro sentido do que fazemos”.

A força da parceria institucional também foi destaque durante o momento. A diretora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Tania Cremonini de Araujo-Jorge, marcou presença entregando a Medalha Comemorativa de 125 anos do IOC a Bernardo Galvão. Em sua fala, Tania ressaltou a cooperação histórica e os frutos acadêmicos gerados em conjunto: “Queria declarar o nosso orgulho por termos mantido nesses quase 70 anos, uma intensa cooperação acadêmica, com centenas de publicações em co autorias, pelos nossos programas de pós-graduação terem formado aqui mestres e doutores”, reconhecendo o papel vital da troca de conhecimentos entre as unidades da Fundação ao longo de décadas.

O pesquisador Bernardo Galvão finalizou as homenagens dedicando as vitórias ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à ciência coletiva:

“Recebo este reconhecimento não como um mérito individual, mas como a expressão de um trabalho coletivo, construído por equipes comprometidas, por instituições públicas fortes e por uma ciência orientada pela vida. A ciência não se constrói na urgência, mas às vezes precisa dar respostas rápidas, e para isto precisa reforçar as instituições de pesquisa e pensar no futuro. Este momento não deve ser apenas uma lembrança do passado, mas uma reafirmação do nosso compromisso permanente com o SUS, com a ciência e com a responsabilidade ética que ela exige”.

Por Alana Santo, sob supervisão de Dalila Brito | Fotos: Iana Motta

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