Estudo analisa infecção por Trypanosoma cruzi em iniciativa comunitária de triagem cardíaca em Feira de Santana (BA)

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Um estudo coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Fred Santos, investigou a presença da infecção pelo parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, entre participantes de uma iniciativa comunitária de triagem cardíaca realizada em Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador. Os resultados foram publicados na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases

A pesquisa  integrou um inquérito soroepidemiológico a uma grande ação de avaliação cardíaca realizada no município. Durante a iniciativa, 1.115 pessoas passaram por exames cardíacos, incluindo eletrocardiograma de 12 derivações e avaliação por cardiologistas por meio de uma plataforma de telemedicina. As alterações no eletrocardiograma foram classificadas como leves ou graves de acordo com critérios clínicos padronizados.

Além da avaliação cardíaca, os pesquisadores utilizaram um modelo de estratificação de risco que combinou informações clínicas, dados epidemiológicos e análise de eletrocardiogramas por inteligência artificial. A partir dessa análise, um grupo de participantes foi selecionado para realizar exames sorológicos para detecção da infecção por T. cruzi.

Ao todo, 112 participantes realizaram os testes laboratoriais. Entre eles, 13 apresentaram resultado positivo para infecção pelo parasita, correspondendo a uma taxa de positividade de 11,6% entre os indivíduos testados.

Os resultados também mostraram que pessoas que relataram ter visto barbeiros (insetos triatomíneos) dentro de suas casas apresentaram maior probabilidade de infecção. Além disso, a maioria dos indivíduos positivos não nasceu em Feira de Santana, mas havia migrado de outras regiões endêmicas da Bahia, indicando a influência da mobilidade populacional na distribuição da doença. 

Os achados reforçam a importância de iniciativas comunitárias que combinem triagem cardíaca, tecnologias digitais e testes laboratoriais para ampliar a detecção precoce da doença de Chagas e orientar ações de saúde pública em áreas endêmicas.

Por Dalila Brito

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