É #FAKE que vacina contra o coronavírus a ser testada no Brasil só foi ministrada em macacos

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Circula nas redes sociais que a CoronaVac, vacina contra o coronavírus da farmacêutica chinesa Sinovac, que será testada em 9 mil voluntários brasileiros, nunca foi ministrada em humanos, só tendo passado por testes clínicos e com macacos. É #FAKE.

A mensagem diz que o governador de São Paulo, João Doria, fechou um acordo para que “9.000 paulistas sirvam de cobaias para testes da vacina chinesa, só testada em laboratório e em macacos”. “Mas se a vacina é tão promissora, porque então não testar na China, onde surgiu esse maldito vírus em vez de testar nos paulistas?”, indaga.

Não é verdade que só macacos receberam a vacina, que é do laboratório chinês Sinovac Biotech e na qual se depositam muitas esperanças para conter o novo vírus. Os testes com humanos, que sucederam os com macacos rhesus, começaram na China no dia 16 de abril, com adultos saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos.

Segundo o fabricante, não foram observados efeitos colaterais significativos da vacina, que começou a ser produzida em janeiro. Também não é verdade que só paulistas participarão dos testes brasileiros.

Procurado pela CBN, o Instituto Butantan esclarece a questão: “As primeiras fases de testes clínicos em humanos da Coronavac, que avaliam segurança e imunogenicidade (capacidade de produzir anticorpos pelo organismo), já foram realizadas na China com cerca de mil pessoas. Estudos preliminares divulgados pela Sinovac, inclusive, indicam que 90% dos participantes do estudo produziram resposta imune num intervalo de 14 dias, o que torna a vacina promissora. Vale salientar também que a terceira fase de estudos clínicos a ser realizada pelo Butantan contará com a parceria de centros de pesquisa em todo o Brasil, recrutando 9 mil voluntários”.

O caminho até uma vacina é dividido assim: na fase 1, são feitos os primeiros estudos em seres humanos, com o objetivo principal de demonstrar a segurança da substância; na 2, busca-se descobrir se ela é capaz de gerar a resposta imune do organismo, ou seja, se os indivíduos produzem anticorpos para o vírus; na 3, que precede o registro sanitário, os pesquisadores visam demonstrar a eficácia da vacina. A fase 4 já é a de disponibilização da vacina para a população.

Os testes no Brasil serão os da fase três. Se tudo der certo, a vacina será produzida em parceria com o Instituto Butantan e distribuída já em 2021 pelo Sistema Único de Saúde.

O virologista Rômulo Neris, doutorando pela UFRJ, explica por que o Brasil é um lugar propício para a testagem. “Os locais de teste são aqueles onde há o surto em andamento. Não se pode infectar pessoas e depois vaciná-las para ver o que acontece. Nesse momento em que foi definida a nova fase de testes, o Brasil era o país com maior crescimento do número de casos; por isso escolheram fazer aqui, e em São Paulo, que é um dos epicentros da pandemia no Brasil.”

O infectologista Ralcyon Teixeira, diretor da Divisão Médica do Hospital Emílio Ribas, ratifica: “Não seremos cobaias, como tem muita gente dizendo. A vacina não será testada em humanos primeiramente no Brasil. É uma vacina de vírus vivo atenuado, e, nesse momento, a gente tem alta taxa de prevalência aqui. Você soma o fato de o Butantan ser um instituto que tem tecnologia muito boa no desenvolvimento e produção de vacinas com o fato de ter um ambiente de grande transmissão. Isso facilita o estudo de uma vacina”.

O médico faz um paralelo com a tão desejada vacina da dengue. “A grande dificuldade do estudo da vacina da dengue é por serem quatro subtipos do vírus, ou quatro doenças na mesma. Por isso ainda não se tem a do Butantan, porque é preciso ter os casos das quatro. No caso da Covid-19, como é uma doença única, e com transmissão no Brasil, é mais fácil desenhar o estudo, dizer se ela funciona na prática e quanto funciona”, diz Teixeira.

Fonte: G1

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