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Atividade promovida pelo projeto Meninas Baianas na Ciência capacitou equipe para utilizar a ferramenta no debate sobre dignidade menstrual
Na segunda-feira (11/05), a Fiocruz Bahia realizou um treinamento sobre o jogo de tabuleiro “Ciclo do Poder”. Promovida pelo projeto Meninas Baianas na Ciência, a atividade reuniu estudantes, pesquisadores e servidores, e foi conduzida pelas pesquisadoras da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Cynthia Macedo Dias e Flávia Garcia de Carvalho. O objetivo é preparar a equipe para aplicar a ferramenta em atividades internas e externas de promoção da dignidade menstrual e divulgação científica.
O “Ciclo do Poder” foi desenvolvido em parceria pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), pela EPSJV e pela Universidade Federal Fluminense (UFF). O material tem como proposta promover a dignidade menstrual e quebrar tabus sobre a menstruação por meio de uma abordagem lúdica. O jogo possui formato colaborativo e não competitivo, no qual os participantes devem auxiliar “Cris” a passar pelo primeiro ciclo menstrual.
A dinâmica da partida ocorre através de cartas que expõem diferentes situações-problema. Os jogadores debatem os cenários apresentados, que abordam desde a dificuldade de acesso a itens de higiene até as relações sociais que afetam a visão da sociedade sobre a menstruação. A mecânica não estabelece respostas certas ou erradas; o foco principal é estimular o diálogo e a troca de experiências entre os participantes.
A pesquisadora Flávia Garcia de Carvalho destaca que, embora o ciclo menstrual seja um processo biológico natural, os tabus ao redor do tema ainda geram dúvidas, medos e vergonha. “O jogo Ciclo do Poder foi criado não só para informar, mas também para naturalizar o tema e promover a escuta e a solidariedade. Com isso, esperamos ajudar a promover a dignidade menstrual, uma questão de saúde pública e de reivindicação de direitos”, explicou.
Para que a ferramenta alcance esse objetivo e circule em diferentes contextos, a formação de multiplicadores é essencial. O treinamento na Fiocruz Bahia funcionou como um espaço de troca, permitindo o compartilhamento de experiências de aplicação do material e a escuta de relatos para embasar novas iniciativas. Nesse cenário de mediação, Cynthia Macedo Dias complementou sobre o papel prático do tabuleiro: “O jogo é um instrumento para promover interação, escuta e uma construção coletiva. Por seguir esse caminho, a mediação é muito importante”, pontuou.
A relevância da iniciativa foi reforçada por Karine Damasceno, uma das coordenadoras do Meninas Baianas na Ciência, que destacou o total alinhamento do material com as atividades do projeto. “A divulgação do conhecimento por meio de um jogo recreativo e colaborativo contribui para a popularização da ciência de forma lúdica, criativa e instigante, tornando-a acessível a todos. O jogo é muito divertido e traz informações relevantes sobre dignidade e pobreza menstrual, temas que precisam ser mais amplamente debatidos, especialmente na faixa etária em que as participantes do projeto se encontram”, avaliou.
Para Camila Fraga da Costa, do Laboratório de Investigação em Saúde Global e Doenças Negligenciadas (LISD), a capacitação surpreendeu pela metodologia. Ela avalia que a ferramenta simplifica a abordagem de um assunto considerado complexo e particular, quebrando barreiras e deixando as interações mais confortáveis. “A dinâmica instiga o desenvolvimento de habilidades em grupo e a interação multidisciplinar, o que torna mais ampla a divulgação científica entre diversos públicos”, destacou.
















Por Alana Santo, sob supervisão de Dalila Brito | Fotos: Dalila Brito

