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Aluna: Maria Eduarda de Oliveira Araújo
Orientadora: Dra. Karine Araujo Damasceno
Coorientador: Dr. Daniel Pereira Bezerra
Programa : PGBSMI – Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde-IGM
Data: 11/03/2026
Horário: 09H
Local: Sala virtual Teams
ID da Reunião: 290 503 903 764 68
Senha: jY7vf6AV
Banca:
Dra. Istéfani Luciene Dayse da Silva – UFF-RJ
Dra. Adriana Cezar Bonomo – IOC/Fiocruz
Dra. Natalia Machado Tavares – IGM/Fiocruz (Presidente da Banca)
Suplente
Dra. Cláudia Ida Brodskyn -IGM/FIOCRUZ
RESUMO:
Introdução: O câncer de mama triplo negativo é conhecido como o subtipo molecular de pior prognóstico quando comparado aos demais e as falhas terapêuticas desse subtipo têm sido associadas à sua heterogeneidade e à complexidade do seu microambiente tumoral (MAT). O MAT é um ecossistema dinâmico que orquestra a dinâmica tumoral, estando envolvido na progressão do tumor e no desenvolvimento de metástases, além de influenciar a atividade imune linfocítica e a resposta às terapias. A necessidade de compreender como as interações do microambiente ocorrem de uma forma similar ao contexto humano impulsionou o desenvolvimento de modelos humanizados. Esses modelos, associados à implantação de tumores humanos, permitem reproduzir com maior precisão os mecanismos de progressão tumoral, as interações com o microambiente tumoral e a complexidade entre a atividade imunológica dos linfócitos e a resposta terapêutica. Contudo, as metodologias atualmente empregadas e os custos envolvidos no desenvolvimento desses modelos são elevados, o que reforça a necessidade de estratégias mais simplificadas, robustas e de menor custo para aplicação em pesquisa translacional e triagem terapêutica. Objetivo: Avaliar o perfil de resposta linfocítica em modelo murino xenográfico com sistema imunológico humanizado padronizado para estudos sobre o microambiente tumoral em câncer de mama triplo negativo. Métodos: Amostras de sangue de cordão umbilical oriundas da Maternidade Climério de Oliveira foram submetidas a processamento com Ficoll para obtenção de células mononucleares. As amostras foram submetidas à citometria de fluxo para quantificação de células CD34+. Camundongos NSG fêmeas sofreram mieloablação da medula óssea com agente quimioterápico e posteriormente receberam a inoculação de 10×106 células de cordão umbilical via I.V. Após a confirmação da humanização, esses animais e animais NSG não humanizados receberam o inócuo de 1×106 células tumorais da linhagem MDA-MB-231. Amostras de tumor, pulmão e sangue foram coletadas e foram realizadas análises histopatológicas, imunofenotípicas, morfométricas, imuno-histoquímicas e de hemograma. Resultados: Através da imunofenotipagem foi observada uma porcentagem de 0,5% de células CD34+ em uma amostra isolada de cordão umbilical, e de 1% no pool utilizado na humanização. O modelo aplicado resultou em uma alta taxa de humanização e uma reconstituição imunológica eficiente e funcional de linfócitos, tanto em sangue periférico como no microambiente tumoral, permitindo a análise de fenótipos funcionais e da dinâmica tumor-microambiente. Verificou-se predominância de um perfil de memória central entre os linfócitos em animais com tumor, associada à elevada expressão do marcador de exaustão PD-1. Além disso, embora na presença de células imunes humanas, houve estabelecimento consistente do tumor, com crescimento semelhante ao observado em animais não humanizados e características histopatológicas ainda mais avançadas, reproduzindo aspectos relevantes da complexidade tumoral. Conclusão: Em conjunto, os achados demonstram a relevância translacional do modelo humanizado, uma vez que além da mimetização da infiltração, o sistema imune reconstituído foi capaz de gerar não apenas células T circulantes, mas também compartimentos de memória funcionalmente distintos, reproduzindo aspectos da resposta imune humana ao tumor. Esses dados indicam que o modelo estabelecido é promissor para investigar mecanismos que envolvem células T e para testar estratégias que visem restaurar sua funcionalidade no contexto tumoral.

