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Aluna: Raiana de Oliveira Castro
Orientanda: Dr. Fred Luciano Neves Santos
Coorientação: Dr. Laio Magno Santos de Souza.
Título da Dissertação: “PADRÕES DE VULNERABILIDADE PARA A DOENÇA DE CHAGAS EM ÁREAS ENDÊMICAS DO SEMIÁRIDO BAIANO: ESTUDO NO ÂMBITO DO OXENTE CHAGAS BAHIA”
Data: 06/07/2026
Horário: 14:00h
Local: Auditório Sônia Andrade
Banca:
Dra. Virginia Maria Barros de Lorena – Fiocruz/PE
Dra. Beo Oliveira Leite – UFBA
Dra. Deborah Bittencourt Mothé – IGM/Fiocruz (Presidente da Banca)
Suplente:
Dr. Leonardo Paiva Farias – IGM/Fiocruz
ID da Reunião: 230 777 151 980 849
Senha: Jt9Fz9Cz
RESUMO:
Introdução: A doença de Chagas (DC), causada pelo Trypanosoma cruzi, representa um importante problema de saúde pública em áreas endêmicas do Brasil, particular-mente no semiárido baiano. Apesar de estar concentrada em populações pobres, aná-lises convencionais frequentemente tratam fatores de risco isoladamente, falhando em capturar a natureza multidimensional da vulnerabilidade. Objetivo: identificar perfis populacionais de exposição ao Trypanosoma cruzi segundo condições habitacionais e de contato vetorial nesses municípios, e analisar sua associação com características sociodemográficas ao pertencimento a esses perfis. Métodos: Estudo transversal envolvendo 6.333 participantes de dois municípios endêmicos (Tremedal e Novo Horizonte, Bahia), integrados ao Projeto Oxente Chagas Bahia. Foram utiliza-dos quatro indicadores: histórico de moradia em habitações precárias, material inade-quado da residência atual, presença de galinheiro peridomiciliar e conhecimento/ex-posição ao barbeiro. A LCA foi parametrizada com regressão multinomial para inves-tigar associações com covariáveis sociodemográficas (idade, escolaridade, renda, raça/cor). Utilizou-se estimador MLR (Maximum Likelihood Robust) e imputação de dados faltantes via FIML. A seleção do modelo foi baseada em entropia, VLMR-LRT, LMR-LRT e BLRT. Resultados: Dois perfis latentes foram identificados. A Classe 1 (menor exposição, n = 4.891; 77,2%) agrupou participantes com moradias melhora-das, menor exposição peridomiciliar e maior escolaridade. A Classe 2 (maior exposi-ção, n = 1.442; 22,8%) caracterizou-se por histórico de precariedade habitacional, ex-posição estrutural presente, predominância de idosos (≥60 anos) e baixa escolari-dade. Na regressão multinomial com a Classe 2 como referência, pertencer à Classe 1 (menor exposição) foi associado significativamente a: maior escolaridade (OR = 4,87; IC95% 3,91–6,07), renda superior a um salário-mínimo (OR = 2,14; IC95% 1,73–2,65) e idade entre 18–60 anos (OR = 2,38; IC95% 1,89–2,99). Inversamente, idosos (≥60 anos) apresentavam chance significativamente menor de pertencer à Classe 1 (OR = 0,019; IC95% 0,011–0,033), concentrando-se na Classe 2. Raça/cor preta ou parda também foi associada a maior concentração na Classe 2 (chance reduzida de pertencer à Classe 1). Conclusão: A LCA identificou dois perfis bem definidos e epi-demiologicamente coerentes de exposição à DC, operacionalizando os fatores sociais de saúde (educação, qualidade habitacional, raça/cor). A concentração de exposição em idosos, populações com baixa escolaridade e com histórico de precariedade habi-tacional oferece subsídio direto para priorização territorial, desenho de intervenções diferenciadas e alocação de recursos no âmbito da vigilância e controle da DC no Projeto Oxente Chagas Bahia e em regiões endêmicas similares.

