Defesa disserta sobre “CARACTERIZAÇÃO DAS PROPRIEDADES ANTI-INFLAMATÓRIAS E ANTINOCICEPTIVAS DO ÓLEO ESSENCIAL DE JUREMA BRANCA (Mimosa verrucosa)”.

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Aluna: Flávia Maria Silva Rodrigues de Souza

Orientadora: Dra. Cristiane Flora Villarreal

Título : “CARACTERIZAÇÃO DAS PROPRIEDADES ANTI-INFLAMATÓRIAS E ANTINOCICEPTIVAS DO ÓLEO ESSENCIAL DE JUREMA BRANCA (Mimosa verrucosa)”.

Data: 04/03/2026

Horário: 09H

Local: Sala virtual Teams

ID da Reunião: 212 030 083 859 03

Senha: AS9Nq9Zi

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Titulares:

Dr. Ygor Jessé Ramos dos Santos – UFBA

Dra. Renata Biegelmeyer da Silva Rambo – UFBA

Dr. Cássio Santana Meira – Senai/Cimatec (Presidente da Banca)

Suplente:

Dr. Daniel Pereira Bezerra – IGM/Fiocruz

RESUMO:

Introdução. A inflamação e a dor são sintomas comuns em diversas condições clínicas, e a busca por

terapias mais eficazes e com menor incidência de efeitos adversos é fundamental para a

ampliação das opções terapêuticas disponíveis. Os óleos essenciais são compostos voláteis

oriundos do metabolismo secundário das plantas e apresentam reconhecido potencial

farmacológico. A Jurema Branca (Mimosa verrucosa), espécie nativa da Caatinga brasileira, é

tradicionalmente utilizada como analgésico, antitérmico e anti-inflamatório. O presente estudo

teve como objetivo avaliar as propriedades anti-inflamatórias e antinociceptivas do óleo

essencial de Mimosa verrucosa (OEMV) em modelos experimentais in vitro e in vivo, bem

como investigar sua segurança e possíveis mecanismos de ação. Inicialmente, as propriedades

do OEMV foram avaliadas in vitro em macrófagos RAW 264.7 estimulados. A citotoxicidade

foi analisada pelo ensaio de Alamar Blue®, enquanto o potencial anti-inflamatório foi

determinado pela quantificação da produção de óxido nítrico (NO) pelo método de Griess. O

OEMV reduziu significativamente a viabilidade celular em concentrações iguais ou

superiores a 100 μg/mL (p < 0,05). Por outro lado, o OEMV reduziu significativamente a

produção de NO em macrófagos ativados nas concentrações de 6,25 a 50 μg/mL, de maneira

concentração-dependente (p < 0,05), indicando potencial atividade anti-inflamatória in

vitro.Nos ensaios in vivo, os efeitos da administração oral do OEMV foram avaliados em

camundongos Swiss machos (25–30 g), conforme protocolo aprovado pelo Comitê de Ética

no Uso de Animais (CEUA nº 027/2021). A atividade antinociceptiva foi investigada por

meio dos testes da placa quente e de retirada de cauda, enquanto a atividade anti-inflamatória

foi avaliada no modelo de inflamação da pata induzida por adjuvante completo de Freund

(CFA). A interferência na coordenação motora foi analisada pelo teste do rota-rod.O OEMV

aumentou significativamente o limiar nociceptivo térmico no teste da placa quente nas doses

de 100 e 200 mg/kg (p < 0,05), com efeito mais prolongado observado na dose de 200 mg/kg

(p < 0,05). Entretanto, não foram observadas alterações significativas no teste de retirada de

cauda (p > 0,05). No modelo de inflamação induzida por CFA, o OEMV reduziu

significativamente o edema da pata, com efeito máximo na dose de 100 mg/kg (p < 0,05).

Além disso, o OEMV promoveu efeito antinociceptivo significativo nesse modelo, sendo a

dose de 200 mg/kg responsável pelo efeito mais prolongado, mantido por até 8 horas após a

administração (p < 0,05).A análise de citocinas no tecido da pata inflamada demonstrou que o

tratamento com OEMV reduziu significativamente os níveis das citocinas pró-inflamatórias

TNF-α e IL-1β (p < 0,05), ao mesmo tempo em que aumentou significativamente os níveis da

citocina anti-inflamatória IL-10 (p < 0,05), evidenciando a modulação da resposta

inflamatória local. O teste do rota-rod indicou que o OEMV não promoveu prejuízo da função

motora em nenhuma das doses testadas (p > 0,05).Em conjunto, os resultados demonstram

que o óleo essencial de Mimosa verrucosa apresenta propriedades anti-inflamatórias e

antinociceptivas em modelos experimentais, sem induzir comprometimento motor. O presente

estudo contribui para o conhecimento científico sobre óleos essenciais nativos do Brasil e

reforça a base científica para o uso tradicional da Jurema Branca como agente analgésico e

anti-inflamatório. No entanto, estudos adicionais voltados à elucidação dos mecanismos de

ação e à confirmação desses efeitos em ensaios clínicos ainda são necessários.

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