Dissertação avalia características clínicas e microbiológicas de infecções de corrente sanguínea por enterobacterales resistentes a carbapenêmicos em um hospital de Salvador, Bahia

Título: CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E MICROBIOLÓGICAS DE INFECÇÕES DE CORRENTE SANGUÍNEA POR ENTEROBACTERALES RESISTENTES A CARBAPENÊMICOS EM UM HOSPITAL DE SALVADOR, BAHIA”.

Estudante: Juliana Cavadas Teixeira

Orientadora: Dra. Joice Neves Reis Pedreira

Titulares:

Dra. Ana Verena Almeida Mendes – HSR/EMSP

Dra. Lorena Galvão de Araújo – ICOM

Dr. Luis Gustavo Carvalho Pacheco – IGM/FIOCRUZ (Presidente da Banca)

Suplentes

Dra. Maria Fernanda Rios Grassi – IGM/FIOCRUZ

Data: 17/09/2026 às 09h

Sala virtual Teams link: https://teams.microsoft.com/meet/254729123168511?p=QFbxFwb0qriLOuxP4m

Meeting ID: 254 729 123 168 511

Passcode: ga6s6Xy7

RESUMO: INTRODUÇÃO: Enterobacterales resistentes a carbapenêmicos (ERC) têm emergido como importante problema de saúde pública, associadas a aumento da resistência antimicrobiana, limitação terapêutica e piores desfechos clínicos. Durante a pandemia de COVID-19, surgiram preocupações sobre um possível aumento de resistência, relacionado ao uso intensificado de antimicrobianos, maior gravidade dos pacientes hospitalizados e necessidade frequente de dispositivos invasivos. OBJETIVOS: Caracterizar o perfil clínico e microbiológico de pacientes com infecção de corrente sanguínea por Enterobacterales durante a pandemia de COVID-19 e identificar fatores associados à resistência aos carbapenêmicos e à mortalidade hospitalar em pacientes com ERC. MATERIAIS E MÉTODOS: Coorte retrospectiva realizada em hospital terciário de Salvador, Bahia, incluindo pacientes adultos com hemoculturas positivas para Enterobacterales entre 2020 e 2022. Dados clínicos e microbiológicos foram obtidos por revisão de prontuários e registros laboratoriais. Fatores associados à resistência aos carbapenêmicos e à mortalidade hospitalar foram avaliados por regressão logística multivariada. RESULTADOS: Foram incluídos 422 pacientes com infecção de corrente sanguínea por Enterobacterales, correspondendo a 456 isolados bacterianos. Dentre os isolados, 106 (23,2%) foram classificados como ERC. Klebsiella pneumoniae foi a espécie mais frequente (46,7%), e a carbapenemase KPC foi o principal mecanismo de resistência identificado (56,2%). Pacientes com ERC apresentaram maior mortalidade hospitalar em comparação aos pacientes sem ERC (50,5% vs. 19,9%; p<0,001). Na análise multivariada, diabetes mellitus com complicações (OR 2,70; IC95% 1,20–6,18), internação ≥14 dias (OR 3,80; IC95% 1,64–10,08), diagnóstico de COVID-19 (OR 4,65; IC95% 2,35–9,50), escore de Pitt ≥4 (OR 3,17; IC95% 1,80–5,59) e origem assistencial da infecção (OR 13,29; IC95% 3,78–84,64) associaram-se independentemente à presença de ERC. Entre os pacientes com bacteremia monomicrobiana por ERC, idade ≥60 anos (OR 3,73; IC95% 1,15–13,21) e escore de Pitt ≥4 (OR 6,47; IC95% 2,43–18,66) foram fatores independentemente associados à mortalidade hospitalar. CONCLUSÕES: A frequência de ERC foi elevada entre os isolados de Enterobacterales e esteve associada ao diagnóstico de COVID-19, à origem assistencial da infecção e à maior gravidade clínica. As bacteremias por ERC apresentaram elevada mortalidade hospitalar, sendo idade ≥60 anos e escore de Pitt ≥4 os principais preditores independentes de óbito.

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