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Entre os dias 1º e 3 de setembro de 2025, o Palácio Itaboraí, unidade da Fiocruz em Petrópolis (RJ), foi palco do XX Encontro Científico da Rede Fio-Schisto, promovido pelo Programa de Pesquisa Translacional (PPT), vinculado à Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da instituição. O evento reuniu pesquisadores de diversas unidades da Fiocruz, representantes do Ministério da Saúde, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e convidados para debater avanços e desafios no enfrentamento da esquistossomose no Brasil.
As discussões contemplaram temas como pesquisa clínica, tratamento, farmacologia, diagnóstico e vigilância epidemiológica. Coordenadores da Rede Fio-Schisto da Fiocruz Bahia e da Fiocruz Minas também marcaram presença, reforçando a atuação colaborativa da rede em todo o país.
Compromisso com doenças negligenciadas
Na abertura, a vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Alda Cruz, destacou o protagonismo da instituição na produção científica e no enfrentamento de doenças negligenciadas, como a esquistossomose. Segundo ela, a atuação em rede fortalece iniciativas estratégicas, como o Fórum Oswaldo Cruz, que integra as celebrações pelos 125 anos da Fiocruz.
“Toda a organização científica que nós temos vai ser fundamental também na formulação desse plano”, afirmou Alda, em referência ao plano estratégico de pesquisa que será construído pelo Fórum, coordenado pela Presidência da instituição. A proposta busca integrar áreas como pesquisa biomédica, ciências sociais e comunicação.
Ciência aplicada ao SUS
Representando o Ministério da Saúde, Sérgio Andrade, do Programa Nacional de Vigilância e Controle da Esquistossomose, reforçou a importância da aproximação entre ciência e gestão pública.
“É fundamental que a pesquisa não fique restrita ao campo acadêmico, mas seja incorporada de forma prática aos programas do SUS”, destacou. Andrade também ressaltou o compromisso do ministério em apoiar a comunidade científica na formulação de políticas públicas mais efetivas para o enfrentamento da doença.
Grupos de trabalho e novas frentes de pesquisa
A programação do encontro incluiu apresentações de projetos das diferentes unidades da Fiocruz e discussões para harmonizar protocolos de pesquisa na área. Seis grupos de trabalho foram criados, com foco em:
1. Tratamento e Manejo Clínico;
2. Teste de Novos Fármacos;
3. Diagnóstico;
4. Malacologia e Referência;
5. Ambiente;
6. Instrumentos de Coleta de Dados.
Outro ponto em debate foi a possível inclusão das geohelmintoses no escopo da Rede Fio-Schisto. O tema será aprofundado inicialmente por um grupo de trabalho, que realizará um mapeamento de pesquisadores da Fiocruz envolvidos com esses agravos, antes de uma discussão ampliada com toda a rede.
Próximos simpósios
O encontro também foi espaço para balanços e projeções internacionais. O pesquisador Ricardo Riccio apresentou a prestação de contas do 17º Simpósio Internacional sobre Esquistossomose (ISS), realizado em 2024, em Salvador. Na sequência, Marcelo Pelajo, presidente do 18º ISS, apresentou à plenária os preceitos do próximo simpósio, aprovados por unanimidade.
O 18º ISS será realizado no Rio de Janeiro, entre 22 e 25 de novembro de 2026, com o tema “Perspectivas para a Esquistossomose na Saúde Global”.
Por Iana Motta

